Construindo a Geografia
          7 srie - Ensino Fundamental

          Recortando o Mapa do Mundo

          Regina Araujo
          Raul Borges Guimares
          Wagner Costa Ribeiro

edio 2000, 
 Editora Moderna.

          Ministrio da Educao 
          Instituto Benjamin Constant
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          - 2004 -

          (c) 1999 
          Regina Araujo
          Raul Borges Guimares
          Wagner Costa Ribeiro

          Coordenao Editorial: 
          Virginia Aoki
          Edio de Texto: Snia Cunha de S. Danelli, Carlos Zancheta, Lygia Maria Terra Soares

          ISBN 85-16-02286-2 

          Todos os direitos de edio 
          reservados  EDITORA MODERNA LTDA

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Dados Internacionais 
          de Catalogao na Publicao (CIP)
          (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

  Araujo, Regina
     Construindo a Geografia / Regina Araujo, Raul Borges Guimares, Wagner Costa Ribeiro. - So Paulo : Moderna, 1999.

     Contedo: v. 1. Uma janela para o mundo - v. 2. O Brasil e os brasileiros - v. 3. Recortando o mapa do mundo - v. 4. Cenrios do mundo contemporneo.
     Bibliografia.

     1. Geografia (Ensino fundamental) I. Guimares, Raul Borges, 1963-. II. Ribeiro, Wagner Costa, 1962-. III. Ttulo.

 99-1142          CDD-372.#hia

          ndice para catlogo sistemtico:
  1. Geografia : Estudo fundamental 372.#hia

          ISBN 85-16-02286-2

  Tire o melhor proveito deste livro e procure conserv-lo. Ele  uma fonte permanente de consulta.

Apresentao

  Existem vrias maneiras de dividir o planeta Terra, ou seja, de recortar o mapa do mundo.
  Muitas consideram a dinmica da natureza, buscando estudar a histria natural da Terra e identificar grandes domnios com caractersticas geolgicas, climticas 
e de cobertura vegetal semelhantes. Quando conhecemos melhor a diversidade natural do nosso planeta e discutimos os principais problemas ambientais do mundo em que 
vivemos,  fcil entender por que as pessoas se preocupam tanto com a devastao da natureza.
  Tambm podemos recortar o mapa do mundo considerando a dinmica da economia e estudando como as diferentes sociedades produzem o espao geogrfico.
  Uma das caractersticas do mundo contemporneo  a velocidade de informao, que permite que empresas e instituies financeiras possam atuar simultaneamente em 
vrias partes do planeta. Esse  um dos principais aspectos da globalizao da economia, assunto muito discutido na televiso, nos jornais, nas revistas e nas universidades.
  Mas o nosso mundo ainda  cheio de desigualdades: enquanto alguns pases so responsveis pela maior parte do consumo de mercadorias - e utilizam intensamente 
recursos naturais do mundo inteiro para produzi-las -, em outros pases grande parte da populao no tem acesso sequer  alimentao. Entender a geografia do espao 
mundial  tambm entender as causas dessas desigualdades, e ser capaz de debater alternativas para um futuro melhor.
  Neste volume, vamos juntos, com o auxlio de seu professor e de seus colegas, experimentar vrias formas de recortar o mapa do mundo e estudar mais de perto alguns 
dos seus muitos pases e povos. A leitura, a pesquisa, o debate e a 

produo de textos, mapas, grficos e tabelas sero a sua parte neste trabalho.

        Mos  obra!

        Os autores

Sumrio Geral

UNIDADE I - Os grandes 
  domnios naturais

Captulo 1. Continentes e 
  oceanos: um estranho 
  quebra-cabea - 5
 A fora dos vulces - 7
 A fora dos terremotos - 18
 Juntando as peas do quebra-cabea - 29

Captulo 2. Terra: planeta 
  gua - 49
 O ciclo da gua - 58
 A importncia dos rios - 64
 gua potvel: um recurso 
  finito - 68

Captulo 3. As paisagens 
  naturais - 89
 A distribuio dos ecossistemas - 98
 Impacto ambiental - 124

UNIDADE II - A globalizao da economia

Captulo 4. A populao 
  do mundo - 141
 Populao e desenvolvimento - 152
 O ndice de Desenvolvimento Humano - 165
 Os investimentos demogrficos - 173

Captulo 5. Os donos 
  do mundo - 178
 O poder industrial e o 
  financeiro - 178
 O outro lado da moeda - 195
 O desemprego estrutural - 203

Captulo 6. Os blocos 
  econmicos internacionais - 208
 A Unio Europia - 215
 O Acordo de Livre-Comrcio da Amrica do 
  Norte - 222
O Mercosul - 227
 A Asean e a Apec - 231

UNIDADE III - Regionalizando 
  o globo

Captulo 7. A geografia 
  da Europa - 240
 A paisagem natural - 242
 A Europa comunitria - 259

Captulo 8. Da Unio 
  Sovitica  Comunidade de 
  Estados Independentes - 268
 Economia e poltica na 
  URSS - 280
 A Comunidade de Estados 
  Independentes - 290
 Rssia: um pas na encruzilhada - 301

Captulo 9. O Japo e 
  os Tigres Asiticos - 313
 O Japo - 314
 Os Tigres Asiticos - 330

Captulo 10. O gigante 
  chins - 347
 Um passeio pela China - 353
 Um pas, dois sistemas - 375

Captulo 11. O continente 
  africano - 385
 A diversidade natural - 392
 Os muitos povos da 
  frica - 404
 Europa e frica: a dominao em dois tempos - 408
 Economia e sociedade - 414

UNIDADE IV - Geografia 
  da Amrica

Captulo 12. Os Estados 
  Unidos e a Amrica do 
  Norte - 430
 A diversidade natural - 435
Estados Unidos: o poderio 
  industrial e agrcola - 443
 O Canad - 457
 O Mxico - 470

Captulo 13. A Amrica 
  Central e o Caribe - 479
 O istmo centro-americano - 482
 A Amrica Central 
  insular - 490

Captulo 14. A Amrica do 
  Sul - 512
 As marcas da colonizao - 521
 Uma viso de conjunto: 
  desenvolvimento econmico 
  e qualidade de vida - 533
6
Nota de transcrio

 Os pequenos textos com informaes adicionais, destacadas nas margens do livro em tinta, foram transcritos, nesta edio em braille, no final de cada captulo.

               -

UNIDADE I

          Os grandes domnios naturais

 Observe atentamente as fotografias abaixo.

trs fotos. A seguir, descrio
 Foto 1: mostra um lago, em uma das margens rvores e plantas na outra, um vulco.
  Legenda: Vulco Santiago de Atitln, junto ao lago de mesmo nome, na Guatemala.
 Foto 2: mostra uma rea com muito verde, ao longe um monte com nuvens em volta.
  Legenda: Monte Quilimanjaro, visto do Parque Nacional Ambolesi, Qunia.
 Foto 3: mostra fsseis na terra.
  Legenda: Fsseis encontrados em Wyoming, nos Estados Unidos.

7
  Responda em seu caderno:

 a) Quais so as semelhanas e diferenas entre as paisagens das fotos 1 e 2?
 b) Voc sabe do que se trata o material da fotografia 3? Como ele deve ter se formado?
 c) Procure relacionar as trs fotografias com a histria da Terra.

  Observe as reprodues a seguir.

duas reprodues. A seguir, descrio
 A primeira reproduo mostra madeira queimada, muita cinza, fogo e um cu encoberto pela fumaa.
  Legenda: Navio negreiro, tela de 1840 de Joseph M. W. Turner.
 A segunda reproduo mostra vrios pedaos de madeira no mar com ondas.
  Legenda: O naufrgio da nau Esperana, tela de 1824 de David Friedrich.

 a) O que est sendo representado em cada uma das obras? Que sensaes elas provocam?
 b) Que elementos da natureza so representados e que relaes o artista estabelece entre eles? Esses elementos so fundamentais na composio da obra? Por qu?
 c) Voc associa as pinturas a alguma paisagem conhecida? Qual?

  Esta primeira unidade do volume - "Os grandes domnios naturais" - divide-se em trs captulos, ao longo dos quais sero abordados aspectos da diversidade ambiental 
do planeta. Em "Continentes e oceanos: um estranho quebra-cabea", estudaremos o relevo terrestre e sua relao com a histria da Terra. No captulo seguinte, "Terra: 
planeta gua", investigaremos as relaes existentes entre o ciclo da gua, o relevo terrestre e os fenmenos atmosfricos. Finalmente, em "As paisagens naturais", 
conheceremos os grandes domnios naturais do planeta.

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Captulo 1

          Continentes e Oceanos: um estranho quebra-cabea

  A erupo vulcnica da ilha de Cracatoa (fig. 1), situada na Indonsia, entre Sumatra e Java, foi a maior catstrofe provocada por um vulco conhecida at hoje.

Figura 1.

          Ilha de Cracatoa  

mapa mostrando a ilha de Cracatoa. A seguir, legenda
  Existem dezenas de outros vulces em atividade na regio em que se localiza Cracatoa. O vulco dessa pequena ilha ficou famoso no mundo inteiro pelos estragos 
que provocou em 1883. 

  Durante sculos, o vulco de Cracatoa permaneceu em silncio. No dia 20 de maio de 1883, vieram as primeiras exploses e o lanamento de grande quantidade de cinzas. 
Houve uma seqncia de exploses at que, no dia 25 de agosto, ocorreu uma erupo violentssima.
  O barulho dessa erupo do Cracatoa pde ser ouvido num raio de 4 mil quilmetros. O vulco expeliu uma nuvem de cinzas de 80 quilmetros de altura, sepultando 
duas ilhas vizinhas sob 60 metros de fragmentos de rochas incandescentes. Mais da metade da ilha afundou e formou-se uma cratera 300 metros abaixo do nvel do mar.
  O desmoronamento do Cracatoa produziu ondas gigantescas (com mais de 35 metros de altura), que se deslocaram pelo oceano  espantosa velocidade de 200 metros por 
segundo, mais rpido que um avio a hlice. Em poucas horas, os tsunamis, como os japoneses chamam esse tipo de onda, arrasaram cerca de trezentas cidades localizadas 
em ilhas prximas, causando a morte de 36 mil pessoas.

A fora dos vulces

  Erupes vulcnicas so resultado de foras da natureza que, muitas vezes, nem a tecnologia mais sofisticada consegue controlar. Voc pode aprender mais sobre 
o assunto no quadro 1.

9
Quadro 1

          Quando um vulco entra em ao

  O vulco  uma abertura ou uma fenda atravs da qual saem materiais como lavas, cinzas e gases (fig. 2).

Figura 2. 

foto mostrando uma rea muito escura com muito fogo. A seguir, legenda
  Vulco Kilauea, no Hava. A lava consolidada que forma o cho da cratera, assim como os gases e a cinza, brotou da montanha.

  A lava  o material no estado lquido ou viscoso, fundido em altssimas temperaturas (mais de 1.200 graus Celsius). Durante seu derramamento, ela ajusta-se s 
irregularidades do terreno, podendo percorrer grandes extenses (dezenas de quilmetros).
  A cinza  um material constitudo de fragmentos bem finos. Um vulco pode lanar quantidades gigantescas de cinzas, chegando a soterrar cidades inteiras. Por esse 
motivo, representa enorme perigo.
  Durante a atividade vulcnica (fig. 3), h sempre a presena de gases cidos, que provocam violentas exploses. (Baseado em V. Leinz e S. E. Amaral, Geologia geral.)

Figura 3. 

          Estrutura de um vulco em atividade

esquema demonstrativo. A seguir, legenda
  Os vulces so fendas atravs das quais so expelidos materiais do interior do planeta. Verifique na ilustrao as partes que compem um vulco.
 fim do quadro

  Em 1992, o Etna (fig. 4) mobilizou a Itlia e ganhou as manchetes de jornais do mundo inteiro. Uma erupo provocou uma fenda no Etna e, por ela, a lava incandescente 
comeou a descer lentamente em direo  pequena cidade de Zafferana, na Siclia. O exrcito italiano ergueu barreiras de terra entre a cidade e o vulco, lanou 
explosivos e blocos de concreto para desviar o canal de lava. Depois de quatro meses de esforos inteis, a lava do Etna comeou a entrar pela porta dos fundos de 
muitas residncias.

Figura 4.

foto mostrando lava vulcnica descendo e muita fumaa. A seguir, legenda
  Rio de lava vulcnica resultante da erupo do Etna, no incio de 1992. No meio do caminho, havia uma cidade.

               -

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Atividade 1 

          Construindo um "vulco"

  Um vulco no  necessariamente uma montanha com uma chamin soltando fumaa, como costuma aparecer nos desenhos animados. H vrios tipos de vulces. Observe 
as ilustraes abaixo, escolha um tipo de vulco e construa um em miniatura. Voc pode utilizar argila para modelar e guache vermelho para pintar as correntes de 
lava.

Figura 5. 

          Tipos de vulco

  Cone de cinzas:  o tipo mais comum. A cinza expelida forma uma montanha.
  Plat de lava: a lava escorre pr fissuras da crosta e forma amplas poas na superfcie.
  Vulco em escudo: camadas de lava se sobrepem, criando uma montanha suave.
  Vulco maar: sua cratera  ampla e rasa, podendo atingir at 2 quilmetros de largura,
  Caldeira: o espao criado pelo esvaziamento do reservatrio de magma provoca um desmoronamento.
  Plugue de lava: a lava se solidifica e forma um plugue. Com a eroso ao redor, apenas o plugue fica exposto.
  Legenda: A forma do vulco depende muito do tipo de material extravasado e do formato do canal principal.

  Vrias outras catstrofes como as do Cracatoa e do Etna j aconteceram no mundo. O relato mais antigo descreve a destruio das cidades italianas de Pompia e 
Herculano, provocada pelo vulco Vesvio no ano 79 d.C. A erupo do Vesvio lanou sobre essas cidades uma tempestade de cinzas e fragmentos rochosos superaquecidos 
que rapidamente soterraram todas as casas sob 6 metros de material vulcnico. A foto da figura 6 mostra as runas de Pompia.

Figura 6.

foto mostrando as runas de Pompia. A seguir, legenda
  Pompia, no sul da Itlia. A histria da cidade foi tragicamente interrompida pela erupo do Vesvio, no ano 79 de nossa era.

  Saber como e por que isso ocorreu  muito importante, principalmente para quem vive perto de um vulco. Ao lado do Vesvio, por exemplo, localiza-se hoje a cidade 
de Npoles, com mais de 1 milho de habitantes que convivem com o perigo de uma nova erupo. No   toa que em Npoles existe o mais antigo observatrio vulcanolgico 
do mundo.
  Em um observatrio desse tipo existem aparelhos que permitem acompanhar as atividades do vulco: so medidos at pequenos tremores e analisados os gases expelidos.
11
  Essas informaes facilitam a previso de erupes vulcnicas, permitindo que a populao seja alertada a tempo de abandonar as reas de risco. Assim, a previso 
de erupes pode diminuir ou mesmo impedir a perda de vidas, apesar de ser impossvel evitar os prejuzos materiais, como danos a imveis e  agricultura.
  O estudo dos vulces tambm permite aprofundar o conhecimento a respeito da histria da Terra. Como as atividades vulcnicas sempre existiram, no  difcil supor 
que as lavas incandescentes e os gases expelidos pelos vulces desempenharam algum papel na formao dos solos, da gua do mar e da atmosfera.
  Foi o que se pde comprovar, por exemplo, em 14 de novembro de 1963, aps uma violenta erupo no fundo ocenico prximo  costa da Islndia. Um vulco submerso 
expeliu na atmosfera uma gigantesca cortina de cinzas, fragmentos e fumaa. Ao serem depositados, os materiais deram origem a uma ilha que recebeu o nome de Surtsey 
(na mitologia escandinava, Surt  o deus do fogo). Uma semana depois da exploso, Surtsey tinha 70 metros quadrados de superfcie acima do nvel do mar. Aps trs 
anos e meio de idade, atingiu suas dimenses atuais: 2,5 quilmetros quadrados e 173 metros de altitude.
  Assim que a ilha se resfriou e foi possvel visit-la, os cientistas que l aportaram ficaram surpresos: no eram os primeiros seres vivos a chegar ali. A vida 
vegetal j havia se alojado em Surtsey, que rapidamente se transformou em um museu vivo e num centro de pesquisas de cincias ambientais (fig. 7).

Figura 7. 

foto mostrando um homem caminhando na ilha de Surtsey. A seguir, legenda
  Em 1988, quando esta foto foi tirada, a Ilha de Surtsey, na Islndia, completava 25 anos de existncia.

  Atualmente, dos 450 vulces conhecidos e em atividade, cerca de 350 esto localizados no famoso Crculo do Fogo, uma zona do Oceano Pacfico ao longo da costa 
da Amrica, sia e Oceania. Os outros cerca de cem vulces situam-se em ilhas ou em cadeias montanhosas submersas nos oceanos Atlntico e ndico. No interior dos 
continentes as atividades vulcnicas so raras, exceto na frica Oriental, que possui uma faixa de terras com intenso vulcanismo, que vai desde o Mar Vermelho at 
Moambique.
  Observe, o mapa da distribuio dos vulces, terremotos e cadeias montanhosas (fig. 8). Os cientistas tm investigado a relao entre esses fenmenos, o que vem 
permitindo compreender quais so as foras existentes no interior do nosso planeta e sua interferncia nos processos que ocorrem na superfcie terrestre.

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Figura 8. 

          Principais vulces, focos de terremotos e cadeias montanhosas do mundo

mapa mostrando a distribuio a seguir, descrio
  Principais vulces: Katmai, Lassen, Kilauea, Popocatepetl, Cotopaxi, Chimborazo, El Misti, Aconcgua, L Soufrire, Vezuvio, Etna, Kllimanjaro, Cracatoa, Fujiyama.
  Focos de terremotos
  Principais cadeias montanhosas: Montanhas Rochosas, Cordilheira dos Andes, Atlas, Alpes, Himalaia.
  Zona de atividade ssmica
  Legenda: Observe no mapa a semelhana na distribuio dos principais vulces, focos de terremotos e cadeias montanho-

  sas. Esse fato intriga os cientistas h muito tempo.

               -

Atividade 2 

          Pesquisando mais sobre vulces

  Pesquise em enciclopdias mais informaes a respeito dos diferentes tipos de materiais expelidos pelos vulces e seus efeitos no ambiente e na vida humana. Se 
possvel, elabore um relatrio ilustrado com fotos e desenhos.

A fora dos terremotos

  Os terremotos, tambm chamados de ondas ssmicas, so resultado de vibraes nas rochas que formam o piso dos oceanos e dos continentes. O ponto de origem dos 
terremotos  chamado de epicentro.
  A partir de seu epicentro, a onda ssmica se propaga para todos os lados, num processo parecido com as ondulaes provocadas por uma pedra atirada num lago. Dependendo 
de sua profundidade, ela poder viajar pelo interior da Terra, provocando tremores de terra a centenas de quilmetros de distncia. Quando a onda ssmica se forma 
mais prximo da superfcie, o terremoto se propaga menos, sendo mais intenso nas proximidades do epicentro.
  Grande parte dos terremotos no so percebidos sem o auxlio de equipamentos especiais. Os chineses foram os primeiros a utilizar um instrumento para detect-los, 
no ano 132 d.C. Tratava-se de uma grande vasilha de bronze com oito cabeas de drago, que mantinham bolinhas presas pelos dentes. Ao menor
13
movimento ssmico, a boca dos drages abria-se, lanando as bolinhas na boca de sapos colocados em volta da vasilha (fig. 9).

Figura 9.

ilustrao mostrando a reconstituio do primeiro sismgrafo do mundo, inventado pelo filsofo chins Chang Heng. O aparelho podia detectar um terremoto cujo epicentro 
estivesse a 600 quilmetros de distncia

  O equipamento que hoje  utilizado no mundo inteiro para registrar a ocorrncia dos terremotos  o sismgrafo (seismos, do grego, significa "tremor"). Trata-se 
de um aparelho formado por um peso suspenso, no qual se prende uma caneta que risca um rolo de papel giratrio (fig. 10). Quando a terra treme, a caneta passa a 
riscar o papel em ziguezague, gravando a intensidade do terremoto. Esses aparelhos esto espalhados por todo o mundo, conforme mostra o mapa (fig. 11).

Figura 10. 

          Como funciona um sismgrafo

foto mostrando dois sismgrafos, um registrando os movimentos verticais e o outro registrando os movimentos horizontais. A seguir, legenda
  O sismgrafo possui um mecanismo to sensvel que possibilita o registro de tremores de terra imperceptveis para os seres humanos.

Figura 11.

          Rede mundial sismogrfica padronizada

mapa mostrando a localizao dos sismgrafos da rede mundial. A seguir, legenda
  As informaes coletadas pela rede mundial sismogrfica permitem o estudo dos terremotos e de seus efeitos na superfcie terrestre.

               -

14
Atividade 3

          Comparando sismogramas

  As figuras abaixo so sismogramas de alguns terremotos famosos. Um sismograma  o resultado grfico dos tremores de terra registrados pela caneta dos sismgrafos. 
Procure identificar qual terremoto durou mais tempo e qual foi mais intenso. Justifique, no caderno, a sua resposta.

Figuras 12, 13 e 14.

trs sismogramas. A seguir, legenda
  Valparaso (17 de agosto de 1906)
  Tquio (1 de setembro de 1923)

  Califrnia (18 de abril de 1906)

pea orientao ao professor

  Na dcada de 1930, foi criada a escala Richter, para que se pudesse comparar os terremotos. A escala Richter mede o movimento do solo e indica a quantidade de 
energia liberada pelos tremores de terra. No existe um limite mximo nessa escala. O terremoto mais violento j registrado aconteceu no Japo, em 1992. Ele atingiu 
9,2 graus na escala Richter, liberando uma quantidade de energia equivalente a 1 milho de vezes a energia liberada pela bomba atmica que atingiu a cidade de 
 Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial.
  Alm da escala Richter, os terremotos podem ser comparados de outras maneiras. A escala de Mercalli, por exemplo, divide a intensidade dos terremotos em doze categorias, 
considerando seu poder de destruio. Entenda essa escala lendo o quadro 2.

15
Quadro 2

          A escala de marcalli

 1. Abalo quase imperceptvel.
 2. Abalo perceptvel apenas nos andares superiores dos edifcios, havendo um leve balancear de objetos pendurados.
 3. Abalos perceptveis nos andares inferiores dos edifcios e tambm em automveis estacionados. Os abalos assemelham-se  trepidao produzida pela passagem de 
um veculo pesado.
 4. Abalo perceptvel fora de casa, embora fracamente. Percebe-se o tremor das louas empilhadas e o ranger das paredes de madeira.
 5. Abalo perceptvel por todas as pessoas, chegando a acordar quem esteja dormindo. As paredes frgeis podem ser trincadas.
 6. Produz pequenos danos: a argamassa desprega-se das paredes e mveis pesados so deslocados. Muitas pessoas saem de casa.
 7. Os danos j so maiores, podendo causar completa destruio de construes frgeis. O abalo tambm  sentido em automveis em movimento.
 8. As construes mais slidas sofrem fendas maiores; as mais frgeis so completamente destrudas. Os automveis em movimento se desgovernam ou so altamente prejudicados 
em sua marcha.
 9. H danos considerveis em toda e qualquer construo, nas quais se formam grandes fendas que podem fazer muitas paredes rurem. As tubulaes subterrneas so 
seriamente danificadas.
 10.  grande a destruio dos edifcios. Os trilhos de estradas de ferro encurvam-se e formam-se fendas no solo.
 11. Poucos edifcios permanecem em p e pontes so destrudas. As tubulaes tornam-se imprestveis. Abrem-se grandes fendas no solo.
 12. A destruio  total, chegando a modificar sensivelmente a topografia do terreno. Muitos objetos so lanados ao ar.

 fim do quadro

  Apesar de ser um fenmeno fora do controle humano, terremotos de mesma intensidade produzem conseqncias diferentes. Terremotos em regies densamente povoadas, 
 claro, causam mais estragos e um nmero maior de vtimas. Alm disso, os investimentos para preparar a populao e as edificaes para um eventual terremoto variam 
de pas para pas.
  No Japo, por exemplo, so gastos milhes de dlares por ano em pesquisas para aumentar a resistncia de materiais de construo e desenvolver novas tecnologias 
para a construo civil e no treinamento das pessoas para enfrentar situaes de emergncia. Mesmo assim, um tremor de terras como o que ocorreu na cidade de Kobe 
(Japo), em janeiro de 1995, deixou quase 6 mil mortos e 300 mil desabrigados! A foto da figura 15 ajuda a ter uma idia do estrago provocado. O terremoto de Kobe 
atingiu 7,2 graus de intensidade na escala Richter, movendo a terra meio metro de altura durante uns 30 segundos. Nos quinze dias seguintes, foram registrados mais 
de cem tremores de terra com menor intensidade, de at 4,5 graus.

Figura 15.

foto mostrando a parte que desabou de uma via expressa. A seguir, legenda
  Via Hamshin, em Kobe, em 19 de janeiro de 1995. Nem mesmo as reforadas estruturas de concreto armado resistiram  fora do terremoto.

  Caso um terremoto dessas propores tivesse ocorrido num pas menos preparado, certamente a catstrofe teria
16
sido ainda pior. Apesar de menos intenso que o de Kobe, o terremoto que ocorreu no centro da ndia, em setembro de 1993 (6,3 graus na escala Richter), provocou um 
nmero maior de vtimas. Morreram cerca de 10 mil pessoas - e o terremoto ocorreu numa regio menos povoada do que a da capital Nova Delhi, distante do foco do terremoto 
mais de 700 quilmetros.

               -

Atividade 4

          Aplicando a escala de mercalli

  Conforme o que voc pode observar na foto da figura 15, classifique, de acordo com a escala de Mercalli, o terremoto de 1995 ocorrido em Kobe, no Japo.

Juntando as peas do quebra-cabea

  Durante muito tempo acreditou-se que os vulces seriam gigantescos fornos ligados ao mar por cavernas. Esse elo de ligao com os oceanos explicaria a produo 
dos vapores e gases expelidos pelos vulces, bem como a forte concentrao da atividade vulcnica nas costas martimas.
  Os terremotos tambm foram relacionados com foras ocultas do interior do planeta. At recentemente, predominou entre os cientistas a idia de que os tremores 
de terra eram provocados pelo constante resfriamento e contrao da Terra, que formava inmeras rugas em sua camada rochosa.
  Todas essas idias foram lentamente descartadas diante de uma srie de fatos reunidos pelas investigaes cientficas. Atualmente, terremotos, maremotos, vulces 
e a distribuio das cadeias montanhosas so fenmenos explicados pela Teoria de Placas Tectnicas.
  Segundo essa teoria, a superfcie terrestre compe-se de placas rochosas em constante movimento (placas tectnicas), que formam os continentes e o piso dos oceanos. 
Nos limites entre as placas existem fendas, pelas quais os materiais incandescentes das camadas interiores do nosso planeta sobem at a superfcie, passando a fazer 
parte dela. Observe como isso acontece na figura 16.

Figura 16. 

          A dinmica das placas 
          tectnicas

esquema representativo. A seguir, legenda
  Grande parte das informaes a respeito de vulces, terremotos e formao de cadeias montanhosas sugere que a crosta rochosa que envolve a superfcie terrestre 
 formada por placas tectnicas. Essas gigantescas placas no esto fixas, mas em constante movimento.

17
  Quando as placas tectnicas se chocam, uma penetra parcialmente sob a outra, causando a elevao de grandes massas de terra. Imensas cadeias montanhosas, tais 
como a Cordilheira dos Andes e o Himalaia, foram formadas pela "trombada" de placas tectnicas. Grande parte dos terremotos e erupes vulcnicas tambm ocorre nos 
limites dessas placas em deslocamento.
  Os cientistas precisaram de muito estudo para chegar a essa teoria.
  Primeiro, as pesquisas no fundo do mar reuniram uma enorme quantidade de informaes sobre o relevo submarino, que foi cuidadosamente desenhado nos mapas. Sabe-se, 
atualmente, que o Oceano Atlntico est dividido ao meio, no sentido norte-sul, por uma cadeia montanhosa (fig. 17) que possui muitos vulces; estes derramam suas 
lavas no piso ocenico, fazendo com que ele se expanda continuamente. Algumas ilhas famosas no passam de um ponto mais alto dessas montanhas que despontam acima 
do nvel do mar.  o caso da Islndia, por exemplo.

Figura 17. 

          A cadeia Meso-Atlntica

esquema representativo. A seguir, legenda
  A Cadeia Meso-Atlntica formou-se de material viscoso oriundo do interior do planeta por meio de fendas e fissuras.

  No Oceano Pacfico, por sua vez, existem fossas submarinas, imensos abismos com mais de 10 mil metros de profundidade. Para se ter uma idia dessas profundezas, 
podemos "colocar" o Monte Everest, situado no Himalaia (a cadeia montanhosa mais alta do mundo), dentro de uma dessas fossas, e ainda sobrariam mais de 2 mil metros 
de gua at a superfcie do oceano! Veja, na figura 18, a localizao das principais fossas submarinas.

Figura 18.

          Piso ocenico do Pacfico

mapa mostrando a localizao das principais fossas submarinas. A seguir, legenda
  Devido  ausncia de luz, s baixas temperaturas e  alta presso das profundezas submarinas, muita gente duvidava de que pudesse existir vida nesses locais. Recentemente 
foram encontrados nas fossas ocenicas seres vivos muito estranhos para ns, como caranguejos cegos e vermes tubulares gigantes.

  Esse conjunto de fatos ainda no seria suficiente para sustentar a Teoria de Placas Tectnicas. A prova mais significativa surgiu na dcada de 1960, quando foram 
analisadas amostras de rochas do piso ocenico. Os cientistas conseguiram comprovar que o material rochoso da Cadeia Meso-Atlntica  mais novo do que o existente 
prximo  Amrica do Sul e  frica. Dessa forma, puderam afirmar com maior segurana que o piso ocenico no Atlntico est em expanso.

18
A deriva dos continentes

  Olhando para um mapa-mndi, no  difcil perceber que a Amrica do Sul e a frica se encaixariam quase perfeitamente. De fato, hoje existem provas suficientes 
de que todos os atuais continentes j fizeram parte de uma nica massa continental, batizada pelos cientistas de Pangea (fig. 19), palavra grega que significa "toda 
a terra". Vamos estudar algumas dessas provas.

Figura 19. 

          Pangea

mapa mostrando Laursia, Gondwana, Panthalassa e o Mar de Ttis. A seguir, legenda
  O cientista alemo Alfred Wegner foi o primeiro a sugerir, em 1910, a existncia de um nico continente - o Pangea - no passado geolgico da Terra. Naquela poca 
no havia provas suficientes que sustentassem essa hiptese e Wegner praticamente ficou falando sozinho.

  Algumas cadeias montanhosas tm a sua continuao em outro continente. O exemplo mais conhecido  o dos Apalaches, localizados no leste da Amrica do Norte. Essa 
cadeia montanhosa encaixa-se perfeitamente com cadeias montanhosas existentes na Groenlndia e no norte da Europa.
  Outro exemplo: existem depsitos de sal na Ilha de Queen Elizabeth, no norte do Canad. Isso sugere que essas terras j estiveram mais prximas do Equador e que 
se deslocaram depois para o noroeste. Afinal, depsitos de sal so formados em lugares quentes e secos, como se pode verificar hoje em dia ao redor do Mar de Aral, 
na sia (fig. 20).

Figura 20. 

foto mostrando depositos de sal, alguns navios e dois animais. A seguir, legenda
  O Mar de Aral, cercado pelos desertos do Cazaquisto e do Uzbequisto,  o quarto maior lago salgado do mundo. Como os rios que o alimentam so usados intensivamente 
para irrigao, o Mar de Aral vem diminuindo de tamanho e suas guas se tornam cada vez mais salgadas. Imensos depsitos de sal esto se formando em reas que j 
fizeram parte do lago.

19
  Tanto no Brasil quanto na frica, foram tambm encontrados vestgios fsseis de um pequeno animal - o Mesosaurus. Como o Mesosaurus era um rptil, seria impossvel 
ele ter atravessado a nado 3.200 quilmetros de oceano! Veja a figura 21. A ocorrncia de folhas fsseis dos mesmos tipos de planta na ndia, na frica do Sul, na 
Austrlia, no Brasil, na Nova Zelndia e na Antrtida reforou ainda mais a idia do Pangea.

Figura 21. 

mapa destacando parte da frica e parte da Amrica do Sul, local onde foram encontrados vestgios fosseis do gnero Mesosaurus. A seguir, legenda
  O Mesosaurus nadava em gua doce, com auxlio de sua longa cauda, e tinha patas para se deslocar em terra.

               -

20
Atividade 5

          Construindo "fsseis"

  Os fsseis so restos ou vestgios de vegetais e de animais que ficaram gravados nas rochas. Ao longo da histria da Terra eles foram formados em lugares que sofreram 
o soterramento de diversos tipos de sedimentos. O fundo de lagos e oceanos  bastante favorvel  formao de fsseis. Um "fssil" construdo em sala de aula no 
iludiria os especialistas, mas pode dar uma idia de como se formaram os verdadeiros fsseis. Siga os passos abaixo.

 1) Forme uma "bolacha" de 3 centmetros de altura com argila molhada.
 2) Coloque o objeto a ser fossilizado (uma folha ou galhinho de rvore, por exemplo) sobre a "bolacha" de argila e aperte bem.
 3) Espalhe polvilho sobre a superfcie da argila e do "fssil" e cubra este objeto com uma segunda "bolacha" de argila seca.
 4) Aperte bem uma "bolacha" de argila sobre a outra, tomando o cuidado de no deixar falhas.
 5) Deixe a argila secar por alguns dias.

  Pronto. Separando as duas bolachas de argila, voc pode identificar dois tipos de "fsseis" parecidos com os encontrados na natureza: na primeira delas estar 
o molde fssil e na outra, o contramolde, onde est a marca fssil. (Baseado na revista Nova Escola, n.o 88, out. 1995.)

21
  Ao redor do primitivo continente de Pangea havia um imenso oceano, batizado pelos cientistas de Panthalassa (do grego, "toda a gua"). Em suas guas surgiu e se 
desenvolveu a vida, que somente comeou a povoar o continente depois de 200 milhes de anos, com o aparecimento das plantas e dos anfbios.
  H cerca de 200 milhes de anos, o Pangea comeou a se fragmentar em dois novos continentes: Laursia, que deu origem  Amrica do Norte, Europa e sia; e Gondwana, 
que deu origem  Amrica do Sul, frica, Austrlia, ndia e Antrtida (fig. 22).

Figura 22. 

          Formao de Laursia e 
          Gondwana

duas fotos, a primeira mostra a posio dos continentes h cerca de 200 milhes de anos, a segunda foto mostra a posio dos continentes h cerca de 135 milhes 
de anos. A seguir, legenda
  Gondwana e Laursia eram habitados pelos dinossauros. Inmeros fsseis desses grandes rpteis tm sido encontrados nas rochas desses antigos continentes.

21
  A Amrica do Norte, pouco a pouco, desligou-se do norte da frica e da Europa. Nesse processo, formou-se o Mar de Ttis. No sul da frica e no sul da Amrica do 
Sul, onde hoje se encontram o Brasil e a Argentina, ocorreram intensas atividades vulcnicas. A Amrica do Sul era separada da Amrica do Norte e as regies hoje 
ocupadas pela Colmbia, Venezuela e pelo norte do Brasil no existiam ou constituam um conjunto de ilhas que s vieram a formar a Amrica Central h 50 milhes 
de anos.
  Os cientistas imaginam que devem ter ocorrido novas fraturas no continente de Gondwana h aproximadamente 135 milhes de anos, dando incio  formao do Oceano 
Atlntico Sul e  expanso do seu piso ocenico. Isso provocou o distanciamento cada vez maior entre a Amrica do Sul e a frica. O Mar de Ttis passou a se comunicar 
com o Atlntico Norte e, juntos, formaram uma verdadeira barreira entre a Amrica do Norte e a Europa, de um lado, e a frica do outro. Desde ento, espcies animais 
e vegetais no puderam mais migrar de um continente para o outro.
  Grande parte do piso ocenico do Mar de Ttis encontra-se atualmente acima do nvel do mar, formando as cadeias montanhosas dos Alpes, Pirineus, Atlas, Crpatos, 
Cucaso, Himalaia e Planalto do Pamir. No  difcil encontrar fsseis de animais marinhos nessas montanhas, comprovando que o material rochoso que as forma j esteve 
algum dia no fundo do mar. Como isso ocorreu?
  A formao da Cadeia do Himalaia (fig. 23) ilustra bem o processo. Devido  fragmentao de Gondwana, a ndia se tornou um pequeno continente isolado, que se deslocava 
para o norte. Quando essa placa rochosa
22
se encontrou com a placa asitica, sedimentos do fundo do Mar de Ttis foram soerguidos e passaram a fazer parte da cadeia montanhosa em formao.

Figura 23. 

          A formao do Himalaia

esquema representativo. A seguir, legenda
  O material rochoso da maior cadeia montanhosa do mundo j esteve no fundo do mar.

  Calcula-se que o primitivo continente indiano j avanou mais de 2 mil quilmetros para dentro da placa Euro-Asitica. Acredita-se que a borda ocenica da placa 
indiana mergulhou por baixo das camadas rochosas da sia, dissolvendo-se em material incandescente e resultando na formao de diversos vulces. A ocorrncia de 
terremotos nessa regio da sia tambm  atribuda a esse processo em andamento. Para entender melhor tudo isso, leia o quadro 3.

Quadro 3

          Medindo o tempo da terra

  Neste captulo estudamos processos que ocorreram numa escala de tempo de difcil compreenso para ns, seres humanos. Para tornar o tempo da histria da Terra 
mais palpvel, o cientista e escritor norte-americano Carl Sagan converteu-o num calendrio de 1 ano. Veja como ficou a medida do tempo da Terra no transcorrer desse 
hipottico ano.

Tempo da Terra - Evento - Calendrio de 1 ano

 15 bilhes de anos atrs - "Big Bang", incio do Universo que conhecemos - 1 de janeiro
 4,5 bilhes de anos atrs - Formao da Terra - 14 de setembro        
 3,9 bilhes de anos atrs - Formao das rochas mais antigas - 2 de outubro
 600 milhes de anos atrs - Formao do continente e do oceano primitivo - 17 de dezembro
 400 milhes de anos atrs - Animais comeam a povoar Pangea - 21 de dezembro
 200 milhes de anos atrs - Pangea comea a se fragmentar - 26 de dezembro
 50 milhes de anos atrs - Formao dos continentes atuais e das cadeias montanhosas - 29 de dezembro
 2 milhes de anos atrs - Surgimento dos ancestrais do homem - 31 de dezembro
 10 mil anos atrs - Inveno da escrita - ltimo minuto de 31 de dezembro

Fonte: C. Sagan, Os drages do den.
 fim do quadro

               -

Atividade 6        

          Construindo uma linha do tempo da deriva dos continentes

  Utilize uma tira de papel de 1 metro para construir uma linha do tempo da Deriva dos Continentes. Nesta escala, cada centmetro representa 2 milhes de anos da 
histria da Terra. Marque na tira de papel os eventos mais importantes desse processo, ilustrando o trabalho com desenhos. Exponha o resultado do seu trabalho em 
sala de aula.

pea orientao ao professor

Passando a limpo

  Com base no que voc aprendeu neste captulo, explique os processos representados na ilustrao abaixo (fig. 24).

Figura 24.

esquema representativo

pea orientao ao professor

24

Captulo 2

          Terra: planeta gua

  Era o comeo do ms de setembro de 1995. No Mar do Caribe, a temperatura superava 27 graus Celsius `(27C`) e ocorria uma intensa evaporao das guas ocenicas 
na regio. O ar quente e mido se elevava e provocava a formao de enormes nuvens, que passaram a girar como um pio ao redor de si mesmas. Estavam criadas as condies 
para a formao de mais um furaco, identificado de imediato pelos satlites meteorolgicos e batizado de Lus pelos meteorologistas.
  No dia 4 de setembro, ele se aproximou do Haiti provocando ventos com mais de 100 quilmetros por hora. Aprenda sobre a velocidade dos ventos no quadro 1. Navios 
foram arrastados pela ilha adentro, as embarcaes estacionadas nas marinas chocaram-se umas contra as outras, o porto e muitos hotis prximos ao mar acabaram destrudos.
  Furaces como o Lus so comuns no Mar do Caribe, provocando catstrofes de dimenses variveis nas suas ilhas. As figuras 1 e 2 do uma boa idia de sua dinmica 
e de seu poder de destruio.

Figura 1. 

foto mostrando a imagem do furaco Fran, no Mar do Caribe, obtida pelo satlite NOAA, em 4 de fevereiro de 1996. O "olho" do furaco permanece em relativa calmaria, 
cercado por nuvens e fortes ventos. No dia seguinte, Fran alcanaria a costa da Carolina do Norte (Estados Unidos) com ventos de 190 quilmetros por hora, causando 
a morte de 34 pessoas

Figura 2. 

foto mostrando uma casa virando com a fora da gua e trs homens correndo com gua at os joelhos. A seguir, legenda
  Passagem do furaco George em Key West, na Flrida, em 25 de setembro de 1998. Centenas de pessoas j haviam sido mortas pelo George na Amrica Central.

  A escolha dos nomes dos furaces segue a ordem alfabtica, alternando-se nomes masculinos e femininos. At aquela data j haviam ocorrido onze furaces no ano 
de 1995, da o nome Lus, iniciado pela 12 letra do alfabeto. Nove dias depois, Lus foi sucedido por Marylin, que no fez tantos estragos, pois percorreu o Atlntico 
ao longo da costa leste dos Estados Unidos, sem atingir o continente.

Quadro 1

          A escala de Beaufort

  O almirante ingls sir Francis Beaufort aprendeu a identificar a velocidade dos ventos nas inmeras viagens que realizou pelos oceanos, no final do sculo XIX. 
Observando as ondas do mar e o movimento das velas do navio, ele criou uma escala de medida do vento. De l para c, a escala de Beaufort vem sendo adaptada para 
o uso em terra, conforme a especificao abaixo.

 Fora - Efeitos
 0 - Calmo; a fumaa eleva-se verticalmente.
 1 - A direo do vento  mostrada por inclinao da fumaa.
 2 - O vento  sentido no rosto; folhas das rvores agitadas. Velocidade do vento: 7 a 12 quilmetros por hora.
 3 - Folhas e pequenos galhos em movimento constante; o vento desfralda bandeira leve. Velocidade do vento: 13 a 18 quilmetros por hora.
 4 - O vento levanta poeira e papis soltos; pequenos galhos so movidos. Velocidade do vento: 19 a 26 quilmetros por hora.
 5 - Pequenas rvores com folhas comeam a ser sacudidas; pequenas ondas com cristas formam-se em guas de lagos, rios, piscinas etc. Velocidade do vento: 27 a 35 
quilmetros por hora.
 6 - Grandes ramos de rvores em movimento; assobio escutado nos fios da rede eltrica; guarda-chuvas so abertos com dificuldade. Velocidade do vento: 36 a 44 quilmetros 
por hora.
 7 - Grandes rvores sacudidas; dificuldade de se caminhar contra o vento. Velocidade do vento: 45 a 55 quilmetros por hora.
 8 - Ramos de rvores quebrados; impossvel caminhar na rua. Velocidade do vento: 56 a 66 quilmetros por hora.
 9 - Verificam-se leves danos estruturais (telhas arrancadas dos telhados). Velocidade do vento: 67 a 77 quilmetros por hora.
 10 - rvores arrancadas; considerveis danos estruturais. Velocidade do vento: 78 a 90 quilmetros por hora.
 11 - Casas so derrubadas, carros arrastados, postes de luz derrubados. Velocidade do vento: 91 a 120 quilmetros por hora.
 12 - Ocorrem grandes danos em edifcios, nos cabos eltricos e na vegetao; as ondas do mar invadem reas costeiras e provocam grandes inundaes; presena 
de furaces. Velocidade do vento: acima de 120 quilmetros por hora.

Fonte: A. G. Forsdyke, Previso do tempo e clima.

 fim do quadro

  Os furaces no se formam somente no Caribe. Sua origem est relacionada com a acentuada diferena de temperatura entre a superfcie do mar e a das terras emersas 
ao seu redor. Tais condies so tpicas da regio intertropical do hemisfrio norte, onde esto concentradas as maiores pores de terras continentais. Quando a 
temperatura no mar atinge mais de 26 graus Celsius, podem se formar furaces. Veja esse processo na figura 3.

26
Figura 3. 

esquema mostrando como se formam os furaces. A seguir, descrio
  As correntes geradas pelo encontro dos ventos alsios de nordeste com os alsios de sudeste formam nuvens que absorvem o ar quente e mido.
  Comea uma tempestade. As nuvens se expandem pr vasta superfcie, girando em sentido anti-horrio. Est formado o furaco.
   medida que o furaco avana pelo oceano, absorve mais umidade e calor, tornando os ventos e a chuva ainda mais intensos.
  Legenda: Massas de ar quentes e midas so absorvidas pelo furaco em formao. 

  Os furaces ocorrem em vrias partes dos oceanos tropicais e recebem diferentes nomes: ciclones, no Oceano ndico, e tufes, no Mar da China. Apesar de menos freqentes, 
os furaces tambm se formam nas proximidades da Austrlia, no hemisfrio sul. L so conhecidos por willy-willy.
  Embora a ocorrncia de furaces nos mares tropicais do hemisfrio norte seja esperada durante o vero,  muito difcil prever com antecedncia e exatido o momento 
de sua formao e a sua trajetria. O que resta  acompanh-los, observando-os por meio de satlites meteorolgicos (fig. 4) e alertando a populao acerca dos riscos.

Figura 4. 

          Satlites meteorolgicos

esquema mostrando os satlites meteorolgicos: Meteosat - Europa, Himawari GMS - Japo, Goes - EUA, Insat - ndia
  Legenda: satlites meteorolgicos estacionados h cerca de 30 mil quilmetros de altitude. Juntos, eles enviam um conjunto de imagens para que os meteorologistas 
possam acompanhar o 
percurso dos furaces pelos oceanos.

               -

Atividade 1

          Observando o tempo atmosfrico

  Utilize a escala de Beaufort para observar a velocidade do vento nos arredores da sua casa, durante uma semana. Procure relacionar a observao da velocidade do 
vento com a presena de algum tipo de nuvem e com outras caractersticas atmosfricas, tais como: a ocorrncia de chuvas, de calor ou frio etc. Elabore um relatrio 
com suas observaes.

27        
O ciclo da gua

  A atmosfera em contato com o oceano absorve vapor d'gua at um determinado limite. Ao atingir esse limite, chamado ponto de saturao, o vapor comea a se juntar 
formando gotculas de gua. Enormes quantidades de gotculas d'gua vo formar as nuvens e as chuvas.
  A temperatura do ar influencia muito a capacidade da atmosfera de armazenar vapor d'gua. Massas de ar quente comportam maiores quantidades de vapor d'gua do 
que as massas de ar frio.
  As mudanas bruscas de temperatura levam a uma rpida saturao, provocando chuvas abundantes. Nas proximidades da linha do Equador, onde o ar leve aquecido pela 
superfcie se esfria e se torna mais denso quando realiza seu movimento ascendente, ocorrem as chamadas chuvas de conveco. Quando as massas de ar midas que vm 
do mar encontram uma barreira montanhosa, elas tambm se elevam e se esfriam, e o resultado so as chuvas de relevo.
  Nas regies frias, a precipitao ocorre na forma de neve. Leia o quadro 2 para saber por que isso acontece.
  Quando a chuva cai na terra, somente um tero retorna rapidamente aos rios e mares. Os outros 70% penetram no solo e nas rochas profundas, formando os lenis 
subterrneos, tambm chamados lenis freticos.
  Nos lenis subterrneos comea o longo caminho da gua de volta aos oceanos, que pode demorar de 200 a 10 mil anos. So eles que formam
28
grande parte das nascentes dos rios, mantendo-os com gua corrente mesmo nos perodos de seca. Esse fluxo constante da gua pelo planeta  chamado ciclo da gua 
(fig. 5).

Quadro 2

          O que provoca o granizo e a 
          neve?

  Nas camadas superiores da atmosfera, as temperaturas permanecem bem abaixo de zero. Ali, as nuvens so constitudas principalmente por cristais de gelo. Quando 
se tornam suficientemente pesados, esses cristais comeam a cair. 
  Se a temperatura do solo tambm estiver abaixo de zero, os cristais de gelo caem como flocos de neve. Se o ar estiver quente, caem na forma de chuva.
  A chuva de granizo, popularmente conhecida por chuva de pedra,  formada quando h, no interior das nuvens, correntes ascendentes que fazem os cristais de gelo 
subir e descer vrias vezes. Nesse percurso, eles vo ganhando volume at se tornarem pesados e carem. Um dos maiores granizos j registrados caiu no Kansas, nos 
Estados Unidos, em 1970: com cerca de 15 centmetros de largura, pesava quase 1 quilo. (Baseado em Tempo & clima.) 
 fim do quadro

Figura 5. 

          O ciclo da gua

esquema demostrativo. A seguir, legenda
  Mais de 97% da gua existente no planeta  salgada. Dos cerca de 3% de gua doce, a maior parte encontra-se congelada nas calotas polares. Os rios e lagos contm 
menos de 1% da gua do mundo. Verifique na ilustrao os possveis caminhos da gua pelo planeta.

  Nem toda gua que alimenta os rios vem das chuvas. Os maiores rios asiticos, por exemplo, recebem grande parte de suas guas nos meses de julho e agosto, quando 
ocorre o derretimento das calotas de gelo existentes nas cadeias montanhosas da regio.  o caso dos rios que nascem no Tibete (China), acima de 4 mil metros de 
altitude, como o Hoang-Ho (Rio Amarelo, fig. 6) e o Yang Ts-Kiang (Rio Azul). O mesmo ocorre com os rios Lena, Ienissei e Ob, alimentados pelo degelo das montanhas 
da Monglia. Observe, na figura 7, o mapa com os rios mais volumosos do mundo.

Figura 6. 

foto mostrando o rio Hoang-Ho (Rio Amarelo. A seguir, legenda
  O Rio Amarelo, na China,  fundamental para a milenar agricultura do pas.

Figura 7. 

          Os maiores rios do mundo, em volume d'gua

mapa mostrando a localizao dos rios mais volumosos do mundo. A seguir, descrio
 Rio - Descarga (m/s)
 Amazonas - 207.000
 Congo - 39.600
 Yang Ts-Kiang - 21.800
 Bramaputra - 19.800
 Ganges - 18.700
 Lenissei - 17.400
 Missouri-Mississpi - 17.300
 Orinoco - 17.000
 Prata - 14.900
 So Loureno - 14.200
  Legenda: De cada 10 litros de gua lanados ao mar pelos rios mais volumosos do mundo, 5 litros so despejados pelo Rio Amazonas.

29
A importncia dos rios

  As primeiras civilizaes do mundo surgiram entre os anos 10000 e 2500 a.C. Elas concentraram-se em quatro reas principais: na Mesopotmia, s margens dos rios 
Tigre e Eufrates; no vale do Rio Nilo; no vale do Rio Indo e nas plancies chinesas banhadas pelos rios Azul e Amarelo. Confira no mapa (fig. 8).

Figura 8. 

          As primeiras civilizaes

mapa mostrando a localizao das principais reas de concentrao das primeiras civilizaes. A seguir, descrio
  Egpcia - Rio Nilo
  Mesopotmica - Rio Tigre e Rio Eufrates
  Indiana - Rio Indo
  Chinesa - Rio Hoang-Ho (Amarelo) e Rio Yang Ts-Kiang (Azul)
  Legenda: as origens histricas das civilizaes confundem-se com os cursos dos rios.

30
  A sobrevivncia de seus habitantes e o desenvolvimento de sua organizao social estavam intimamente relacionados com a abundncia da produo agrcola obtida 
nas margens dos rios. So dessa poca as primeiras obras de engenharia para canalizao das guas fluviais, o que tornou possvel o abastecimento de gua das casas 
nas cidades e, principalmente, a irrigao das lavouras. Graas aos sistemas de irrigao, mesmo em perodos prolongados de seca, a agricultura manteve-se em plena 
atividade, aumentando ainda mais a produo do trigo, do arroz e de outros cereais.
  Alm do uso agrcola dos vales fluviais, h muitos sculos os rios servem de vias de circulao. Eles eram to importantes para o comrcio que inmeras cidades 
se formaram ao seu redor. Na Europa, muitas das principais cidades se desenvolveram ao lado de algum rio, como Paris, Londres, Roma, entre outras.
  Se pelos rios circulavam enormes quantidades de mercadorias, por ali tambm chegavam os inimigos. Por isso, muitos rios passaram a ser vigiados atravs de fortificaes 
e castelos erguidos em suas margens. Os castelos do Rio Reno, na Frana e na Alemanha, esto entre os mais famosos da Europa. Observe um exemplo na figura 9.

Figura 9.

foto mostrando um castelo s margens de um rio. A seguir, legenda
  Castelo em Kaub, na Alemanha. Importantes cidades alems e francesas nasceram ao redor dos fortes e castelos construdos nas margens do Rio Reno.

               -

Atividade 2

          Pesquisando a importncia dos rios

  Os rios sempre foram muito importantes para a vida dos povos que ocuparam suas margens, tais como: o Rio Mississpi (Estados Unidos), o Rio Ganges (ndia), o Rio 
So Francisco (Brasil), o Rio Amarelo (China). Escolha um desses rios para fazer uma pesquisa em enciclopdias e atlas. Informe-se a respeito do traado do rio, 
das atividades econmicas desenvolvidas em suas margens, entre outros assuntos. Ilustre a sua pesquisa com fotos, desenhos e mapas.
        
gua potvel: um recurso finito

  Nos ltimos 100 anos, a disponibilidade de gua potvel para o consumo humano vem diminuindo rapidamente no planeta. Hoje se consome dez vezes mais gua para a 
irrigao das lavouras do que em 1900. O uso na indstria  quinze vezes maior e o consumo domstico aumentou 35 vezes em relao quele ano.
  A gua  um recurso natural renovvel, pois sabemos que ela no se esgota com o uso. Diferentemente do que ocorre, por exemplo, com o petrleo e o carvo, a gua 
sempre  restituda para a natureza. Entretanto, grande parte da gua utilizada na indstria  devolvida para os rios com dejetos, e aproximadamente a metade da 
gua de uso domstico  transformada em esgoto. Assim, o risco de falta de gua potvel  cada vez maior.
31
  Na avaliao de especialistas da Organizao das Naes Unidas (ONU), mantendo-se o ritmo atual de uso e contaminao das guas, no ano 2015 o planeta ter srios 
problemas de abastecimento. Para tentar combater a escassez futura, a ONU instituiu a dcada de 1980 como a Dcada do Abastecimento de gua, e cobrou dos governos 
planos para combater o avano da contaminao das guas. Entretanto, basta olhar a situao de alguns rios brasileiros para saber que ainda h muito a ser feito 
(fig. 10).

Figura 10. 

foto mostrando uma manilha de onde escorre uma gua escura diretamente para um rio. A seguir, legenda
  Despejo de esgoto domstico na Bacia do Rio Guaba, no Rio Grande do Sul. Desse jeito, as reservas de gua limpa podem se esgotar em futuro prximo.

  Mesmo nos pases ricos, que poderiam dispor de maiores recursos para evitar a poluio provocada pelo uso agrcola, residencial e industrial, podemos encontrar 
exemplos de sujeira e poluio das guas. Enquanto a Sucia, por exemplo, coleta e trata 95% do total de guas servidas (1) veja a pgina 88 domsticas, Frana e 
Estados Unidos s fazem isso com 60% do total e o Japo, com escassos 30%!
  O problema da disponibilidade de gua  mundial, mas nem todos os pases o sentem da mesma maneira. Nos pases situados em regies ridas ou desrticas,  claro, 
a questo torna-se ainda mais complicada, e a escassez j  uma realidade. Bahrein, um pequeno pas situado no Golfo Prsico, s dispe de gua do mar e tem de torn-la 
potvel atravs de um custoso processo de dessalinizao (2).
  Alm disso, o consumo de gua varia bastante entre os pases. Por exemplo, o consumo mdio da populao dos Estados Unidos corresponde a cerca de quatro vezes 
o consumo mdio da populao dos pases da Unio Europia e trezentas vezes o consumo mdio da populao de Gana, na frica. Enquanto um norte-americano consome, 
em mdia, mil litros de gua por dia, quase trs quartos da populao mundial tm acesso a apenas 50 litros. A necessidade mnima de gua para uma qualidade de vida 
razovel  de 80 litros dirios por habitante, mas em algumas regies rurais do Qunia, na frica, por exemplo, a populao sobrevive com apenas 5 litros!
  Esses nmeros no levam em conta a qualidade da gua consumida. Em muitos lugares, o que se considera "gua potvel" no passa de uma mistura de gua, barro e 
microorganismos malficos  sade da populao. A Organizao Mundial de Sade (OMS) avalia que anualmente morrem cerca de 4 milhes de crianas por doenas transmitidas 
pela gua. A situao mais crtica  a do continente africano. L, as molstias transmitidas por gua contaminada matam doze vezes mais do que nos pases ricos e 
duas vezes mais do que na Amrica Latina.
  O Brasil, aparentemente, dispe de uma oferta de gua potvel bastante confortvel, devido  existncia de grandes estoques de gua, como mostra a figura 11. Calcula-se 
que para cada brasileiro haveria disponvel cerca de 12 mil litros de gua por dia.

Figura 11.

foto mostrando cachoeiras e um rio. A seguir, legenda
  Foz do Iguau, no Paran. Sabendo usar, no vai faltar.

32
  Contudo, a maior parte do estoque brasileiro de gua est distante dos grandes centros urbanos. Por isso  cada vez mais freqente nas cidades o racionamento de 
gua. Muitas vezes o fornecimento  interrompido, num esquema de rodzio entre os bairros, e a populao tem de se abastecer com carros-pipas (fig. 12). As obras 
de engenharia necessrias para a construo de modernas estaes de tratamento (fig. 13) so caras e demoradas e muita gua servida  lanada nos rios e oceanos 
sem nenhum tipo de tratamento.

Figura 12. 

foto mostrando um carro-pipa e uma fila. A seguir, legenda
  Fila para obter gua na cidade de So Paulo. Em 1998, a Sabesp, companhia que cuida do abastecimento de gua da cidade, inaugurou novas estaes de tratamento 
e prometeu que, se a populao ajudasse evitando o desperdcio de gua, o rodzio no iria ser mais necessrio. Voc acha que os paulistanos esto fazendo a sua 
parte?

Figura 13. 

          Estao de tratamento de gua

 esquema representativo. A seguir, legenda
 - Tratamento fsico:
  Gradeamento - remoo de slidos grossos em suspenso
  Caixa de areia - reteno de areia e outros detritos
  Peneiramento - reteno de partculas mais finas
  Flotador - remoo da "espuma" com resduos (resultado do efluente que foi insuflado com ar)
 - Tratamento biolgico:
  Aerao - fornecimento de oxignio para as bactrias que metabolizam os resduos orgnicos
  Decantador - retirada de slidos do afluente aps a aerao
  Secagem - local de processamento do lodo
 - Tratamento fsico-qumico:
  Tanque de equalizao e neutralizao - controle da vazo do afluente e tratamento qumico inicial (correo de ph)
  Decantador primrio - separao do lodo
  Legenda: os processos produtivos geram resduos que, misturados  gua descartada, constituem o efluente. A ilustrao mostra as sucessivas etapas de tratamento 
de efluentes de uma indstria, alternativa bastante eficaz para controlar a poluio da gua.

  Alm disso, na regio Amaznica e no Pantanal, rios como o Madeira, o Cuiab e o Paraguai j esto contaminados pela grande quantidade de mercrio utilizada clandestinamente 
nos garimpos. Para cada 450 gramas de ouro extrado dos rios, despeja-se cerca de 900 gramas de mercrio!
  Nos pases ricos geralmente h muito desperdcio de gua. Calcula-se que, nos Estados Unidos, cerca de 40% da gua consumida nas casas seja para banho. A gua 
gasta por um norte-americano para regar as plantas do jardim e lavar o carro daria para abastecer dois moradores do Qunia por dia!

               -

33
Atividade 3

          O consumo de gua da turma

  Pegue a conta de gua da sua casa do ltimo ms e verifique qual foi o consumo mdio em metros cbicos (m). Multiplique esse valor por mil (1 metro cbico equivale 
a mil litros d'gua) para obter o total de litros de gua consumidos no ms. Divida o valor obtido pelo nmero de moradores da sua casa. O resultado ser o consumo 
mdio mensal por pessoa. Finalmente, divida esse valor por 30 para obter o consumo dirio de gua por morador.
  Compare o seu consumo de gua com o dos colegas da turma. Com a ajuda do professor, voc poder obter a mdia diria de consumo de gua da turma. Compare esse 
valor com o considerado mnimo pela 
 ONU (80 litros). Esse valor est mais prximo das pessoas que moram nos Estados Unidos ou no Qunia? Voc acha que poderia economizar mais gua? Em quais atividades 
domsticas?
  Obs.: Caso voc more em edifcio e a conta de gua seja coletiva, informe-se sobre qual  o consumo mdio por ms e divida pelo total de apartamentos. A partir 
da, siga os procedimentos indicados anteriormente.
        
As calotas glaciais

  Nas calotas de gelo que cobrem a Groenlndia e a Antrtida (figuras 14 e 15) est armazenada cerca de dois teros da gua potvel do mundo. So 15 milhes de quilmetros 
quadrados, o equivalente a quase duas vezes a rea do Brasil coberta por uma camada de gelo com 3 quilmetros de espessura.

Figura 14. 

          Calota glacial do rtico

mapa mostrando a localizao do limite do gelo contnuo, limite do gelo contnuo no inverno e trajetrias mais comuns dos 
  icebergs. A seguir, legenda
  As calotas glaciais da Groenlndia representam um enorme reservatrio de gua doce.

Figura 15. 

          Calota glacial na Antrtida

mapa mostrando a localizao do limite do gelo contnuo, limite do gelo contnuo no inverno e limite da trajetria do 
  icebergs. A seguir, legenda
  Praticamente toda a Antrtida  recoberta pelas calotas glaciais.

34
   atravs dos icebergs, enormes blocos de gelo que se desprendem das calotas glaciais, que parte dessa gua potvel  lanada ao mar e lentamente dissolvida na 
gua salgada das regies polares.
  Muita gente tem estudado a utilizao dos icebergs para o abastecimento de gua potvel em lugares mais povoados. O pesquisador francs mile Victor, que j realizou 
dezenas de expedies para a Antrtida, elaborou um plano desse tipo para a Arbia Saudita.
  Segundo ele, para transportar um iceberg de 1,5 quilmetro de comprimento, 400 metros de largura e 300 metros de espessura, seriam necessrios seis navios-rebocadores. 
O imenso bloco de gelo viajaria coberto por uma manta isolante para suportar a jornada de 10 mil quilmetros entre a Antrtida e o Oriente Mdio, o que levaria cerca 
de 9 meses. Um nico iceberg poderia fornecer gua suficiente para encher trezentos tanques do tamanho de transatlnticos, mesmo considerando a perda de 20% da gua, 
causada pelo derretimento.
  O que o pesquisador francs esqueceu de considerar  que a poluio das guas tambm est atingindo as calotas glaciais. A maior contaminao provm da explorao 
de seus recursos minerais. O Alasca, por exemplo, produz 25% do petrleo bruto dos Estados Unidos. O vazamento de leo j provocou srios danos s condies ambientais 
das regies polares, dos Estados Unidos e do Canad. Veja um exemplo na foto (fig. 16).

Figura 16.

foto mostrando manchas de leo no Golfo do Alasca, em 25 de maro de 1989. A sujeira j chegou at l

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  Alm disso, o gelo armazena tudo o que est em suspenso no ar no momento da precipitao: poeira, cinzas vulcnicas e, tambm, a poluio atmosfrica provocada 
pelas atividades humanas. Nenhuma parte do oceano est livre dessa contaminao, por mais distante que se encontre da ao humana. Pesquisas realizadas na Antrtida 
comprovam esse fato: j foram identificados resduos de agrotxicos em pingins que vivem a milhares de quilmetros das fontes poluidoras.

A gua subterrnea

  Os depsitos de gua subterrnea so formados pela penetrao da gua das chuvas nas areias e argilas que constituem o solo e mesmo nas fendas das rochas superficiais. 
Sua profundidade e seu tamanho dependem das condies do terreno. Solos arenosos so mais permeveis do que os solos argilosos e permitem que a gua penetre mais 
profundamente. A presena de cobertura vegetal pode tornar permevel mesmo solos argilosos, pois o hmus formado pela decomposio da matria vegetal faz com que 
as partculas de argila se agreguem, dando origem a gros maiores de terra, com espaos vazios entre eles.
  Para que as guas se acumulem e formem grandes depsitos,  necessrio que as rochas situadas abaixo da superfcie tenham fendas para permitir a passagem da gua, 
assim como  preciso que exista um espao no subsolo capaz de abrigar a gua acumulada. Observe a ilustrao (fig. 17). Quando afloram na superfcie, essas guas 
subterrneas formam as nascentes de rios. Muitas vezes, devido  presso das rochas que se situam sobre os aqferos, elas jorram para a superfcie.

Figura 17. 

          Aqfero

esquema demostrativo. A seguir, legenda
  O aqfero encontra-se confinado entre duas camadas de rochas impermeveis. Para acess-lo,  preciso perfurar poos.

  Devido  crescente poluio dos rios e crregos, muitos especialistas em recursos hdricos acreditam que os aqferos sero cada vez mais importantes para obteno 
de gua potvel. Mas os aqferos tambm no esto livres da contaminao. Nas regies onde o ar se encontra muito poludo, parte dos
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poluentes fica retida nas camadas superficiais do solo, que funciona como um filtro, mas outra parte penetra junto com a gua da chuva, podendo atingir e contaminar 
os depsitos subterrneos. Quando a poluio provm do prprio solo, devido, por exemplo,  utilizao de agrotxicos e de fertilizantes qumicos para a agricultura, 
o problema torna-se ainda mais grave.
  Quanto mais profundo for o depsito subterrneo, melhor ser sua qualidade, pois a gua ter sido filtrada por vrias camadas de solo antes de se acomodar. O municpio 
de Ribeiro Preto, em So Paulo, por exemplo, usa seus profundos depsitos subterrneos como fonte de gua limpa.
  A explorao das guas subterrneas envolve alguns cuidados de ordem tcnica. Afinal, elas ocupam um lugar no subsolo. Quando grandes quantidades de gua so retiradas 
dos aqferos em pouco tempo, pode haver uma reacomodao das camadas rochosas, ou seja, o terreno pode afundar. Isso j aconteceu em algumas grandes cidades do 
mundo, que usam muita gua subterrnea para o abastecimento.
  Certas regies da cidade de Bangcoc, na Tailndia, por exemplo, j afundaram 14 centmetros, causando problemas na estrutura das construes. O mesmo est ocorrendo 
na Cidade do Mxico, que tambm depende dos aqferos para abastecer sua populao (fig. 18).

Figura 18.

foto mostrando a fachada de uma igreja. A seguir, legenda
  Igreja de Guadalupe, na Cidade do Mxico. Nessa regio, geologicamente muito instvel, o uso de gua subterrnea pode contribuir para o afundamento dos terrenos 
e das construes.

  Alm disso, nas cidades situadas em altitudes prximas ao nvel do mar e em regies litorneas, o vazio deixado pelo uso intensivo da gua subterrnea pode ser 
preenchido pela gua salgada proveniente dos oceanos. Dessa forma, os aqferos ficam cada vez mais salobres, tornando-se imprprios para o consumo.

               -

Atividade 4

          A gua em prosa e verso

  Com base no que voc aprendeu sobre a gua, responda, em forma de verso, o que pergunta a autora do poema abaixo:

          A Terra o que ?

 A Terra o que ?        
 Uma bola no espao?        
 Um pequeno paraso?        


 Planeta de gelo,
 que se desmancha,
 e de fogo nas entranhas?

Virgnia Mckenna

Passando a limpo

  Responda no seu caderno s questes que se seguem:

 1. Como se formam os furaces?
 2. Por que os furaces ocorrem na zona tropical do hemisfrio norte?
 3. O que  o ciclo da gua? Descreva-o.
 4. Por que a gua  considerada um recurso finito?
 5. O que  um aqfero? Qual a sua importncia?

               -

Notas de rodap

 (3) gua servida - gua que foi usada em processos industriais, agrcolas ou em domiclios.
 (4) Dessalinizao - Processo de obteno de gua doce a partir da retirada do sal e outras substncias da gua do mar.

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Captulo 3

          As paisagens naturais

  Em 1863, Jlio Verne escreveu o livro Viagem ao centro da Terra. No livro, o professor Lindenbrock, seu sobrinho xel e o guia Joo, rejeitando a hiptese de que 
o calor aumenta  medida que nos aproximamos do ncleo central da Terra, seguem os caminhos dos lenis subterrneos e penetram nas entranhas do planeta atravs 
das fendas de um extinto vulco da Islndia. Ultrapassando o labirinto formado pelas fendas existentes nas rochas, os membros da expedio chegam at as crostas 
minerais mais profundas do planeta.
  Viagem ao centro da Terra no passa de fico cientfica. Na realidade, os russos, campees em perfuraes profundas, conseguiram perfurar cerca de 15 quilmetros. 
Essa profundidade foi alcanada em um ambicioso programa de explorao da estrutura profunda da crosta continental, desenvolvido na Pennsula de Kola, no extremo 
norte do pas. A distncia da superfcie at o centro da Terra, porm,  de cerca de 6 mil quilmetros. Grande parte do conhecimento acumulado sobre a estrutura 
interna da Terra, mostrada na figura 1, foi conquistada pela observao dos terremotos e das atividades vulcnicas.

Figura 1. 

          A estrutura interna da Terra

esquema demostrativo. A seguir, legenda
  Ainda resta muito a descobrir acerca dos materiais que compem as camadas mais profundas do nosso planeta.

  Os seres humanos, assim como todos os seres vivos existentes no planeta, vivem em uma fina camada chamada biosfera, localizada desde o fundo dos oceanos at cerca 
de 15 mil metros de altitude.
  A superfcie terrestre, parte da biosfera,  uma espcie de colcha de retalhos, ricamente bordada. Nela, os elementos da natureza se combinam, coexistem e interagem 
das mais diversas maneiras, formando uma enorme variedade de ecossistemas. Um lago, um rio, uma floresta ou um pntano so exemplos de ecossistemas. Observe na figura 
2, a seguir, as relaes entre os seres vivos no esturio de um rio.

Figura 2. 

          Cadeia alimentar em um esturio

esquema representativo. A seguir, descrio
  Esta cadeia  composta de capim, gara, barrigudinhos, plantas aquticas, mexilhes, caranguejo, ostras, miragaia, fitoplncton, zooplncton, medusa e por fim 
o homem.
  Legenda: no esturio de um rio ocorre o encontro da gua doce com a gua do mar, propiciando o desenvolvimento e a sobrevivncia de uma grande variedade de seres 
vivos aquticos e terrestres. Vrias espcies de animais marinhos alojam-se nos esturios para desova e reproduo.  por isso que a regio estuarina  chamada de 
"berrio" da natureza.

               -

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Atividade 1

          Construindo um terrrio

  O terrrio  uma miniatura de um ecossistema terrestre. No fundo de um vidro de conserva, coloque cascalho para drenagem da gua (esse tipo de material  facilmente 
encontrado em lojas de artigos para aqurios). Em cima do cascalho, coloque uma camada de terra frtil (hmus) levemente molhada. Essas duas camadas devem ocupar 
quase a metade do vidro. Em seguida, monte um ambiente com plantas de pequeno porte e animais como caramujos, minhocas, tatuzinho de jardim etc. Regue seu terrrio 
e, depois, tampe o vidro para evitar a evaporao da gua existente no recipiente.

Figura 3.

desenho mostrando um terrrio

  Pronto o terrrio, coloque-o num local sem luz direta do Sol. Durante uma semana, observe:

 a) o percurso da gua dentro do terrrio;
 b) como vivem os animais;
 c) a relao estabelecida nesse ambiente entre gua, solo, vegetao e fauna.
  Faa um relatrio de suas observaes.

39
  A disponibilidade de gua  um fator importante para diferenciar os ecossistemas. Ambientes com maior disponibilidade de gua garantem a sobrevivncia de um grande 
nmero de espcies vegetais e animais. Nos lugares mais secos, entram em cena os especialistas em sobrevivncia, ou seja, seres capazes de viver com pouco consumo 
de gua ou que dispem de boa capacidade de armazenamento, como os cactos (fig. 4).

Figura 4

desenho mostrando o cacto saguaro inteiro e o mesmo cacto cortado. Com as chuvas, as clulas esponjosas incham. A seguir, legenda
  Algumas espcies de cacto possuem depsitos de gua no interior do caule.

  Outro fator que atua na distribuio dos seres vivos pela biosfera  a temperatura. Cada espcie vegetal necessita de certa quantidade de energia para realizar 
a fotossntese, a florao ou a germinao das sementes. Enquanto poucas espcies sobrevivem no clima mais frio do rtico ou das altas montanhas, as regies quentes 
e midas prximas ao Equador abrigam uma enorme variedade das mais diversas formas vegetais (leia o quadro 1).

Quadro 1

          As formas vegetais

  As plantas podem ser classificadas em arbreas, arbustivas e herbceas (fig. 5). As plantas arbreas e arbustivas so lenhosas, ou seja, possuem tronco de madeira. 
Uma rvore  uma planta que possui um tronco principal e poucas ramificaes em sua parte inferior. Os arbustos se diferenciam das rvores por apresentar ramificao 
desde as proximidades do solo.

Figura 5.

desenho mostrando o estrato arbreo, o estrato arbustivo e o estrato herbceo

  O grupo das herbceas rene uma variedade enorme de plantas. Geralmente so rasteiras, mas sua principal caracterstica  a ausncia de tecido lenhoso. Um bambuzal, 
por exemplo, pode apresentar vrios metros de altura, mas  uma planta herbcea.
  As epfitas (fig. 6) no se enquadram nessa classificao. So plantas que vivem nos troncos das rvores das florestas tropicais. Como no possuem estrutura prpria,
utilizam-se de outras plantas para ficar acima do nvel do solo. Uma epfita muito conhecida  a orqudea. (Baseado em A. N. Strahler e A. H. 
 Strahler, Geografia fsica.)

Figura 6. 

foto mostrando parte de uma rea verde. A seguir, legenda
  Fazenda Intervales, uma das poucas reas do Estado de So Paulo onde ainda podemos encontrar a Mata Atlntica. As epfitas, como a da foto, ocorrem com freqncia 
nas florestas e matas do Brasil.

 fim do quadro

40
  Os animais tambm sofrem a influncia da temperatura. Muitos no possuem mecanismos para regular sua temperatura interna, acompanhando a do meio que os circunda. 
So os denominados animais de sangue frio, como os rpteis, invertebrados, peixes e anfbios. Eles so muito mais abundantes no mundo tropical. Para sobreviver em 
lugares mais frios, algumas espcies entram em estado de dormncia durante o inverno, conhecido como hibernao.
  Os animais de sangue quente, como os pssaros e mamferos, possuem mecanismos que mantm constante a temperatura interna do corpo, independente do calor ou frio 
do meio ao seu redor. Esses animais desenvolveram uma srie de adaptaes para reduzir a perda de calor, como as plumas, os plos, e as espessas camadas de leo 
e graxa das focas e baleias.

A distribuio dos ecossistemas

  Os ecossistemas da Terra podem ser agrupados em biomas, que compreendem grandes compartimentos da superfcie terrestre onde vivem comunidades de seres vivos. Os 
biomas esto distribudos no planeta de acordo com as condies climticas, o tipo de solo, o relevo e a hidrografia. Entre os biomas mais importantes, podemos destacar 
o deserto, a tundra, a floresta, a savana e a pradaria. Veja o mapa (fig. 7).

Figura 7. 

          Os principais biomas do mundo

mapa mostrando a localizao dos principais biomas do mundo: tundra, taiga, floresta temperada, vegetao mediterrnea, pradarias, deserto, savanas, floresta tropical 
equatorial, vegetao de Altitude e regies cultivadas. A seguir, legenda
  Observe que as florestas ocupam as maiores extenses da superfcie dos continentes. Os maiores desertos encontram-se na frica e na sia, enquanto a tundra  dominante 
nos arredores das calotas glaciais do rtico. As savanas e pradarias esto presentes em todos os continentes.

41
O deserto

  A principal caracterstica dos desertos  a extrema aridez e a presena de superfcies praticamente desprovidas de vegetao. Eles ocupam mais de um tero das 
terras emersas de nosso planeta.
  Nos desertos quentes, poucos e esparsos tufos de capim e de plantas espinhentas compem a maior parte da cobertura vegetal. A paisagem s se transforma radicalmente 
nos osis: entenda por que eles existem no quadro 2.

Quadro 2

          Sombra e gua fresca

  Nos desertos, os nicos lugares onde se podem encontrar formas de vida mais exuberantes so os osis, que representam 0,5% de sua rea. Sua origem  curiosa. As 
guas de chuva que caem sobre encostas de montanhas, s vezes a milhares de quilmetros, infiltram-se em rochas porosas e seguem cursos que podem se dirigir para 
as regies desrticas. Se, em pleno deserto, um vale ou uma fenda entre as rochas forem mais baixos do que a zona regada pela chuva, a gua aflora, podendo formar 
uma espcie de lago constantemente alimentado, ao redor do qual se juntam bichos e pessoas atrs de sombra e gua fresca. (Baseado em Gisela Hayman, "O mundo deserto", 
mar. 1990.)
 fim do quadro

  Aranhas, escorpies, formigas e outros invertebrados representam a maior parte da fauna dos desertos. Esses animais possuem uma camada externa impermevel e, por 
isso, conseguem preservar a gua existente no organismo. Por serem de pequeno porte, eles conseguem se esconder na terra ou na sombra das rochas e da vegetao.
  Os lagartos (fig. 8) e aves que vivem nos desertos alimentam-se dos insetos e deles obtm parte da gua de que necessitam. Algumas espcies de lagartos desenvolveram 
mecanismos de adaptao bastante curiosos: como suas plpebras so transparentes, eles enxergam mesmo atravs das plpebras fechadas, ficando dessa forma protegidos 
contra as tempestades de areia. Eles costumam caar ao anoitecer, para evitar a perda de gua armazenada no organismo.

Figura 8.

foto mostrando um lagarto no Deserto da Nambia, na frica

  Dentre os mamferos de grande porte, os animais mais comuns do deserto so as gazelas e os antlopes. As gazelas conservam a gua no organismo porque praticamente 
no urinam. Os antlopes alimentam-se de tufos de capim e realizam migraes peridicas em busca de gua.
  Os desertos esto entre as paisagens naturais que mais aguam a imaginao das pessoas. Quando pensamos num deserto, imaginamos caravanas de homens montados em 
camelos, debaixo do sol escaldante. Entretanto os desertos tambm podem ser gelados, como acontece nas calotas glaciais.
42
  As calotas glaciais so gigantescos planaltos de gelo localizados na Groenlndia e na Antrtida. Nessas regies, devido  temperatura abaixo de zero grau, a gua 
existente fica congelada e o ar  extremamente seco. Nenhuma planta nasce sobre as geleiras.
  Uma idia equivocada a respeito dos desertos gelados  a de que no h vida nesses ambientes. H vida em abundncia nas calotas glaciais, s que no mar. Isso ocorre 
porque o frio  menos intenso debaixo d'gua. Na Groenlndia, por exemplo, enquanto a temperatura no gelo da superfcie fica abaixo de 30 graus negativos, a gua 
sob ela mantm-se acima de zero grau, o suficiente para no congelar. Ali vivem milhares de mamferos marinhos, como focas, morsas e lees-marinhos.
  Na Antrtida, somente 2% da superfcie est livre do gelo, ou seja, algumas reas do litoral e das encostas de maior declividade das montanhas. No inverno, o mar 
se congela, duplicando a calota glacial. Assim como no rtico, a vida praticamente s  encontrada no fundo do mar. O krill, um tipo de camaro antrtico,  o principal 
alimento de baleias, focas, pingins e de vrias espcies de peixes.
  Os animais que vivem nas calotas glaciais precisam tolerar temperaturas de at 40 graus negativos, o que exige enorme capacidade de adaptao. O melhor exemplo 
 o urso polar (fig. 9), que vive no rtico. Seu plo o protege contra o frio. Nos invernos rigorosos, o urso hiberna, protegido pela densa camada de gordura acumulada 
debaixo da pele.

Figura 9.

foto mostrando uma ursa polar e seu filhote, no rtico. Eles passeiam no vero e dormem no inverno

  A caa a esses animais sempre foi uma atividade altamente lucrativa e hoje movimenta cerca de 10% do comrcio mundial de peles e animais silvestres. Por causa 
da caa, mais de 40 mil morsas j foram mortas. Essa espcie, como muitas outras que habitam o rtico, corre o risco de extino. Por esse motivo, a caa da morsa 
foi proibida desde 1957, e s  permitida a sua captura pelos esquims e pelas expedies rticas, com finalidade estritamente alimentar.
  Os ursos polares tambm correm risco de extino. Atualmente, no existem mais de 20 mil deles, que j foram caados at de avio, um esporte de mau gosto praticado 
por milionrios norte-americanos. Apenas em 1973 foi assinado um tratado internacional proibindo a sua caa. Como no caso das morsas, reconhece-se apenas o direito 
de caa aos ursos polares pelas populaes locais, como fonte de sobrevivncia.
  Na Antrtida, no sculo XIX, os caadores de focas quase provocaram a extino desse animal. Apesar disso, cenas como a retratada na figura 10 continuam a se repetir. 
Calcula-se que 99% das baleias-azuis da regio tenham sido mortas pelas embarcaes pesqueiras.

Figura 10. 

foto mostrando um pequeno barco com dois homens e duas focas sendo iadas por uma grande embarcao. A seguir, legenda
  A matana indiscriminada de focas na Antrtida vem provocando a reao de grupos ambientalistas do mundo inteiro.

43

A tundra

  A formao vegetal conhecida como tundra aparece nas regies de baixa temperatura do norte da sia e da Amrica do Norte, nas zonas de transio entre as calotas 
permanentes de gelo e o limite natural de frio suportado pelas rvores.
  A poro sul do domnio da tundra, no limite com as florestas,  composta de arbustos anes. Mais ao norte aparece a relva, uma erva rala e rasteira que  apreciada 
pelas renas, sobretudo no extremo norte da Finlndia, na Europa. Ali vivem os lapes, o ltimo povo europeu a viver de forma tradicional e nmade.
  Os lapes pastoreiam rebanhos semi-selvagens de renas, acompanhando esses animais em suas migraes (fig. 11). No inverno, eles se dirigem para as florestas. No 
vero, voltam para as regies de plancie de tundras rejuvenescidas pelo derretimento do gelo.

Figura 11.

foto mostrando lapes arrebanhando renas no norte da Finlndia. "Papai Noel" mora ali do lado

  No norte do domnio da tundra, a relva cede lugar para tapetes de musgos e liquens, as nicas plantas que sobrevivem congeladas durante boa parte do ano. Cada 
espcie de lquen  uma associao entre um fungo e uma alga, que convivem numa nica estrutura. O fungo produz uma teia esponjosa que protege a alga e facilita 
a absoro de gua. A alga, por sua vez, realiza a fotossntese e seus nutrientes orgnicos so compartilhados pelo fungo.
  Apesar de sua resistncia ao frio, os liquens so extremamente vulnerveis  poluio. Por esse motivo, so utilizados como indicadores de qualidade ambiental 
e bastante estudados pelos cientistas. So tambm fontes riqussimas de antibiticos naturais, razo pela qual a indstria farmacutica tem financiado muitas pesquisas 
na tundra.

As florestas

  Assim como os desertos, as florestas sempre exerceram fascnio sobre os seres humanos. Existem muitas paisagens florestais diferentes, e nem toda floresta corresponde 
 idia de selva fechada.
  A taiga, tambm conhecida como floresta de conferas,  a formao florestal mais ao norte do planeta, e  a maior floresta do mundo. Longe dos ventos midos e 
das temperaturas amenas do Oceano Atlntico,  medida que se avana continente adentro, os veres tornam-se mais curtos e secos, e os invernos mais frios e longos. 
Nesse ambiente com enorme variao de temperatura ao longo do ano, apenas algumas espcies de rvores se adaptaram. A paisagem  formada por uma mescla de pinheiros, 
btulas e lamos (fig. 12).

Figura 12. 

foto mostrando uma comunidade de btulas

44
  No norte do Canad e da pennsula escandinava, no limite com a tundra, a floresta de conferas  permeada por milhares de lagos de origem glacial, bastante ricos 
em variedades de peixes, como a famosa truta.
  As florestas temperadas se estendem pelas cadeias montanhosas de Serra Nevada e das Montanhas Rochosas, nos Estados Unidos. Na Europa, so encontradas na parte 
oeste, onde recebem a influncia dos ventos midos do Oceano Atlntico. Tambm aparecem a leste e sudeste da sia, na China, na Coria e no Japo.  o hbitat de 
veados, ursos, lobos, gavies, serpentes, esquilos e muitos insetos e anfbios.
  Essas florestas desenvolvem-se em ambientes mais midos do que as taigas. Possuem espcies vegetais adaptadas ao inverno rigoroso, onde ocorrem grandes tempestades 
de neve, e so capazes de sobreviver s condies de temperaturas mais altas do vero. So denominadas caduciflias (ou de folhas caducas, que envelhecem e caem 
no outono). Assim, durante o inverno, as rvores sem folhagem conservam a gua armazenada para enfrentar a seca.
  Os pinheiros, uma espcie caracterstica das florestas temperadas, possuem um eficiente sistema de razes que se expandem por todas as direes. Assim, eles conseguem 
aproveitar ao mximo a umidade acumulada no solo logo abaixo do tapete formado pela folhagem em decomposio. Prximo ao cho da floresta, h pouca vegetao rasteira.
  Uma das florestas temperadas mais exuberantes do mundo est localizada no noroeste dos Estados Unidos, ao longo da costa do Oceano Pacfico. Essa floresta se estende 
desde o Alasca at a Califrnia e abriga as sequias (fig. 13), as rvores mais altas do planeta. As sequias podem atingir altura superior a 100 metros e seu tronco 
chega a ultrapassar 20 metros de circunferncia! Talvez esse seja o ecossistema que mais produz vegetao com tecido lenhoso do mundo. Calcula-se que o crescimento 
anual do material vegetal por metro quadrado nas florestas temperadas seja dez vezes maior que o das florestas tropicais.

Figura 13.

foto mostrando a parte inferior de uma sequia, em Parque Nacional dos Estados Unidos. Para ver a rvore inteira, s indo at l!

45
  Devido  sua alta concentrao de vegetao arbrea, as florestas temperadas foram exploradas economicamente em larga escala no ltimo sculo. Nos Estados Unidos, 
preservaram-se apenas 5% das florestas originais. Na Europa, 80% das florestas temperadas no existem mais, s restando algumas manchas transformadas em reservas 
e parques. O Parque Nacional de Bialowieza, na Polnia,  um dos ltimos bosques primitivos do centro europeu.
  Nos Estados Unidos, o esporte da caa praticamente dizimou os animais das florestas temperadas, como os pumas, linces, coiotes e lobos da floresta. O efeito foi 
desastroso para o equilbrio do ecossistema. No comeo do sculo XX, estimava-se que o rebanho nativo de veados orelhudos era de cerca de 4 mil animais. A eliminao 
de seus predadores, principalmente os pumas, provocou um grande aumento da populao de veados. Na dcada de 1930, j havia mais de 100 mil animais, que consumiam 
todos os arbustos que estivessem  sua frente e no deixavam escapar nem mesmo as folhas das rvores.
  Atualmente, muitos programas de caa mantm a populao de veados sob algum controle. Dessa forma, as florestas vm, aos poucos, recuperando seu equilbrio.
  As florestas equatoriais e tropicais esto localizadas, sobretudo, na Bacia do Amazonas, na frica intertropical e no sul e sudeste da sia. Num ambiente de temperatura 
e umidade elevadas o ano inteiro, desenvolvem-se e coexistem numa mesma rea numerosas espcies de rvores, arbustos e vegetao herbcea. Em 1 quilmetro quadrado 
de floresta equatorial, estima-se que possam ser encontradas mais de mil espcies vegetais.
  A variedade da fauna tambm  impressionante, o que ajuda a entender os diferentes tipos de rudo que costumam existir no corao das florestas. Aprenda um pouco 
sobre eles no quadro 3.
  Toda essa diversidade e complexidade biolgica encontra-se extremamente organizada, como numa enorme biblioteca com milhares de livros arrumados em vrios estratos, 
ou andares.

Quadro 3

          Os sons da mata 

  Freqentemente lemos registros de viagem que falam do silncio e da melancolia das florestas brasileiras. Isso  uma realidade, e a impresso aprofunda-se quando 
se conhece melhor a floresta. Os poucos sons de pssaros tm aquele carter triste ou misterioso que intensifica a sensao de solido, ao invs de dar vida e alegria 
 floresta.
  s vezes, em meio  quietude, um grito repentino pode surpreender - vem de algum herbvoro indefeso, abatido por uma ona ou por uma jibia sorrateira.
  De manhzinha ou ao entardecer, os macacos guariba do seus guinchos terrveis e angustiantes e, ao ouvi-los,  difcil algum conseguir manter-se animado.
  Alm disso, h muitos sons impossveis de explicar. s vezes, ouve-se um som que parece uma barra de ferro a bater num tronco oco e duro, ou ento um grito pungente 
que corta o ar da floresta. Esses rudos no se repetem, e o silncio que paira a seguir tende a reforar a impresso desagradvel que causam na mente. Segundo os 
nativos, o responsvel  sempre o Curupira, homem selvagem ou esprito da floresta, ente que produz todos os rudos que no se consegue explicar. (Relato de Henry 
Bates, viajante ingls que visitou a Floresta Amaznica no final do sculo XIX. Citado em T. Sterling, A Amaznia.)
 fim do quadro

46
  No estrato superior, as rvores espalham suas copas sempre verdes, na disputa por uma parcela da luz direta. Uma trama de cips e inmeras plantas epfitas se 
amontoam entre os galhos mais altos dessas rvores, numa competio silenciosa entre as espcies que necessitam de luz.
  Nesse tipo de floresta, somente 10% dos raios solares chegam ao solo. Por debaixo da sombra das gigantescas rvores, pode ser identificado um estrato arbreo inferior, 
com espcies que no necessitam da luz direta. E, mais abaixo ainda, um estrato arbustivo e um rasteiro (fig. 14).

Figura 14. 

desenho mostrando os estratos da vegetao da floresta equatorial. A seguir, descrio
 - Camada emergente mais ou menos 50 m
 - Estrato arbreo superior mais ou menos 30 m
 - Estrato arbreo inferior mais ou menos 20 m
 - Estrato arbustivo mais ou menos 10 m
 - Estrato rasteiro
  Legenda: espcies vegetais de todos os estratos convivem nas florestas equatoriais e tropicais.

  O solo da floresta tropical  bem diferente do solo das florestas temperadas. De fato, as formigas, os cupins, as minhocas, os fungos no deixam que nada permanea 
intacto no cho por mais de 24 horas.  raro avistar animais mortos e mesmo as folhas formam uma camada pouco espessa. No d tempo. Na floresta tropical ocorre 
um contnuo processo de reciclagem dos nutrientes que existem nas plantas e nos animais, antes mesmo de eles se agregarem aos solos. Alis, a maior parte das florestas 
equatoriais e tropicais do mundo se desenvolveu sobre solos cidos e de baixa fertilidade qumica. O solo da Floresta Amaznica, por exemplo, apresenta baixa fertilidade: 
a floresta  sustentada pelos nutrientes do prprio ecossistema.
  Essas florestas tm passado por um intenso processo de desmatamento. A remoo do manto verde do estrato arbreo superior, com a derrubada das rvores mais altas, 
desmonta o edifcio formado pela vegetao. Em seu lugar comea a se desenvolver um emaranhado de vegetao rasteira e de pequenas rvores, formadoras da floresta 
secundria. Recebendo a luz direta do sol, muitas espcies no resistem e morrem, o que facilita a disseminao de matas de bambu e de palmeiras. Muitas vezes essas 
matas secundrias formam imensas barreiras de difcil penetrao, em contraste com os caminhos amplos e abertos que existiam nas matas originais.

               -

47
Atividade 2

          Imagens de florestas e desertos

  Faa uma entrevista com algum vizinho ou familiar a respeito de florestas e desertos. O que o entrevistado pensa a respeito dessas paisagens naturais? Faa uma 
comparao entre o que dizem essas pessoas e o que voc estudou neste captulo. Escreva as concluses da pesquisa em seu caderno.
        
As savanas e pradarias

  As savanas instalam-se nos climas tropicais da frica, sia, Amrica e Austrlia. So formadas pela associao de vegetao rasteira com rvores e arbustos esparsos 
na paisagem. Com a chegada da estao seca, a gua armazenada nas camadas mais profundas do solo no  suficiente para manter uma cobertura florestal tpica. Os 
arbustos adaptados s savanas possuem razes profundas, buscando extrair gua do subsolo.
  Em diversos pases do continente africano existem extensos parques de savanas. Os mais famosos so os do Qunia (fig. 15), onde vagam livremente bandos de girafas 
e zebras. Contudo, as savanas localizadas mais ao norte, prximas ao Deserto do Saara, esto sendo devastadas por um intenso processo de ocupao humana (fig. 16). 
Aos poucos, o deserto est avanando sobre as reas de savanas.

Figura 15. 

foto mostrando uma grande rea verde e algumas girafas. A seguir, legenda
  Reserva Nairbi Game, no Qunia. Aqui, as girafas podem passear e se alimentar sem susto.

Figura 16. 

foto mostrando pessoas colhendo cereais. a seguir, legenda
  Cultivo de cereais em rea originalmente recoberta pela savana, na Etipia. Tradicionalmente, depois da colheita, os campos de cultivo da regio permaneciam em 
descanso durante um longo tempo. O uso intensivo dessas terras durante vrios anos seguidos, tal como vem acontecendo nas ltimas dcadas, contribui para o avano 
do processo de desertificao.

  Tambm h savanas em outras partes do mundo, com denominaes regionais: cerrado no Brasil, lhanos na Venezuela, chaco na Argentina, jngal na ndia e chaparral 
nos Estados Unidos. Essas paisagens esto sendo intensamente modificadas. Graas  irrigao e  correo da acidez dos solos, elas esto se transformando, nas ltimas 
dcadas, em gigantescos campos agrcolas. O trigo  intensamente cultivado no norte da ndia e do Paquisto. No Sudo, variedades melhoradas de sorgo duplicaram 
a produo agrcola nas reas de savanas. O trigo da Etipia e a soja do cerrado brasileiro tambm so resultado das novas tcnicas de cultivo e da correo dos 
solos nas reas de savana.
48
  As pradarias ocorrem nas plancies centrais dos Estados Unidos e da Europa, em regies com um regime climtico marcado pela presena de uma longa estao seca. 
Na Argentina, no Uruguai e no Brasil, no Rio Grande do Sul, recebem o nome de pampas. So formadas fundamentalmente por vegetao rasteira. Nas proximidades dos 
desertos, a vegetao das pradarias torna-se mais baixa e esparsa, recebendo a denominao de estepes. As estepes formam uma faixa contnua desde a Ucrnia, na Europa, 
at a Monglia, na sia.

Impacto ambiental

  O ser humano faz parte da teia da vida h pouco mais de 1 milho de anos. Trata-se de um tempo de existncia muito curto, se considerarmos que os estudos dos fsseis 
indicam que a biosfera existe h cerca de 3 bilhes de anos.
  Durante sua breve vida sobre a Terra, o ser humano introduziu mudanas profundas nos ambientes terrestres. H quem suponha que as savanas e as pradarias sejam 
vegetaes secundrias, resultantes da queimada peridica feita por populaes humanas. Existe muita controvrsia entre os cientistas a esse respeito. Alguns defendem 
a idia de que esses ecossistemas se formaram antes da interveno humana, dado o grau de especializao de suas plantas e animais e os seus sofisticados mecanismos 
de adaptao s suas condies ambientais.
  Mas h poucas dvidas quanto ao impacto ambiental provocado pelo desenvolvimento industrial e o crescimento das cidades. Num primeiro momento, o carvo mineral 
era a principal fonte energtica usada para movimentar as mquinas da indstria. Hoje, o petrleo e o gs natural so os mais utilizados. O uso macio de mquinas 
e processos de fabricao que envolvem a queima de combustveis fsseis tornou o crescimento do consumo de energia duas vezes maior do que o crescimento populacional, 
nos ltimos 150 anos.
   claro que tamanho consumo de energia provoca uma descarga cada vez maior de dejetos, que vo parar nos rios e oceanos, no solo, na atmosfera, afetando todos 
os seres vivos. A foto da figura 17  um exemplo desse processo.

Figura 17. 

foto mostrando parte de uma cidade com algumas chamins e o cu parcialmente encoberto pela fumaa. A seguir, legenda
  Distrito industrial de Berlim, na Alemanha, em novembro de 1989. A atmosfera est sendo usada como depsito de lixo!

49
  O aumento de enxofre e nitrognio na atmosfera, com a queima dos combustveis fsseis, combinados com o vapor d'gua, tem feito com que os cidos sulfrico e ntrico 
se incorporem s guas de chuva, provocando as chuvas cidas, como so conhecidas. Elas esto matando as florestas da Europa e dos Estados Unidos (fig. 18), e tambm 
ocorrem na Nigria, ndia, Colmbia, Venezuela e no Brasil.

Figura 18. 

mapa mostrando as reas mais afetadas pelas chuvas cidas, reas com alta concentrao de enxofre e xido de nitrognio (queima de combustveis fsseis), reas sujeitas 
s chuvas cidas e cidades com altos nveis de poluio do ar. A seguir, legenda
  As reas mais industrializadas do mundo esto sendo afetadas pelas chuvas cidas.

  A Polnia, a Repblica Tcheca e a Romnia se enquadram entre os pases mais contaminados do planeta. Na Alemanha, mais da metade das florestas temperadas esto 
morrendo. A situao  mais crtica na Floresta Negra. L, no existe mais o abeto-branco, uma espcie arbrea muito sensvel ao impacto ambiental. Os abetos-brancos 
tambm esto desaparecendo rapidamente da Sua e ustria. Calcula-se que mais da metade das rvores dos Alpes estejam morrendo.
  Os Estados Unidos no ficam atrs dos pases europeus quanto ao impacto provocado pelas chuvas cidas. Na Carolina do Norte, o Monte Mitchell, o pico mais alto 
do leste dos Estados Unidos, no  mais coberto pela floresta de abetos. Em seu lugar, observa-se uma paisagem desolada de esqueletos da antiga floresta. Veja a 
foto (fig. 19). As florestas temperadas dos Apalaches seguem o mesmo caminho.

Figura 19.

foto mostrando uma rea com vrias rvores secas. A seguir, legenda
  Monte Mitchell, nos Estados Unidos. Cad a floresta que estava aqui?

50
  Alm da chuva cida, o desmatamento tambm ameaa as florestas do mundo. Na China, 90% da provncia de Sichuan, antes coberta por florestas temperadas, encontra-se 
hoje desnuda.
  A retirada da cobertura vegetal das encostas montanhosas acelera o processo de eroso do solo em muitas reas do globo (fig. 20). No Tibete, a derrubada de mais 
da metade da floresta acarretou um verdadeiro desastre ambiental: o Rio Amarelo est sendo soterrado pelos sedimentos do Himalaia. Com o seu leito entupido
51
de sedimentos, a gua do rio transborda com muito mais facilidade no perodo das chuvas. Nos ltimos 40 anos, a superfcie inundvel ao redor do Rio Amarelo aumentou 
trs vezes!

Figura 20. 

mapa mostrando a localizao das principais reas de eroso no mundo: Estados Unidos, Mxico, Nordeste do Brasil, Norte da frica, Sahel, Batsuana-Nambia, Oriente 
Mdio, sia Central, Rajasthan, Beluchistan, Base do Himalaia, Monglia, Yang Tse-Kiang e Austrlia. A seguir, legenda
  Localizam-se na sia e na frica as principais vertentes ameaadas pela eroso no mundo. Nas encostas do Himalaia esto os pontos mais crticos.

  Se nos ltimos trs sculos as florestas temperadas foram as grandes vtimas do desmatamento, nos dias atuais isso vem ocorrendo com as florestas tropicais. Uma 
s rvore derrubada na Amaznia pode custar mil dlares no mercado internacional. A explorao da madeira das florestas tropicais movimenta 8 bilhes de dlares 
ao ano, s de exportaes.
  Em nenhum outro lugar do mundo o desmatamento  to intenso quanto na Floresta Amaznica. A cada dia  derrubada na floresta uma rea equivalente a 5 mil campos 
de futebol! Parte dessa madeira  transportada pelos rios (fig. 21) at as grandes cidades da regio, nas quais est sediado o prspero negcio das madeireiras (fig. 
22). O quadro 4, revela quanta riqueza se perde nesse percurso.

Figura 21. 

foto mostrando vrios pedaos de madeira flutuando em um rio. A seguir, legenda
  Rio Negro, no Amazonas. A madeira extrada da floresta flutua at os portos fluviais da regio.

Figura 22. 

foto mostrando um homem cortando um grosso tronco de rvore com uma serra eltrica. A seguir, legenda
  Corte de mogno em madeireira de Marab, no Par.

52
Quadro 4

          A destruio irracional

  Poucas coisas so to assustadoras quanto ouvir uma rvore cair dentro da floresta. O barulho  parecido com o de um trovo. Espanta pssaros, macacos e os serradores, 
que correm em disparada. Ao cair, a rvore leva consigo outras cinco ou seis, presas a ela por cips. Tambm morre toda a vegetao no lugar onde a rvore cai. Depois, 
seus galhos so cortados e ela  abandonada em forma de tora no meio do mato. Dias depois, s vezes semanas depois, outro grupo tenta achar a rvore derrubada. Para 
cada rvore que chega a uma serraria no Par, outras 27 caram inutilmente. A maioria  esquecida na floresta, enquanto outras so abandonadas por estarem ocas. 
Nem tudo que chega s madeireiras, no entanto,  aproveitado. Por usar tcnicas rudimentares, as serrarias da Amaznia desperdiam um tero de toda a madeira que 
recebem. Esses restos so transformados em carvo, vendido a 50 centavos o quilo. Nenhuma empresa no mundo sobrevive com ndice de desperdcio to grande. (Veja, 
n.o 51, dez. 1997. p. 23-24.)
 fim do quadro

               -

Atividade 3

          O desmatamento das florestas

  Com base no que voc aprendeu neste captulo, analise o mapa abaixo (fig. 23). Escreva no caderno as suas concluses.

Figura 23.

mapa mostrando o desmatamento (% da rea total

pea orientao ao professor

53
Passando a limpo

  Observe as duas figuras abaixo. Elas representam sucesses de formaes vegetais em diferentes continentes.

Figura 24.

desenho mostrando paisagens com diferentes caractersticas, comeando com a vegetao mais alta at chegar ao deserto: floresta 
equatorial, savana arbrea, savana arbustiva, vegetao herbcea e deserto tropical

Figura 25.

desenho mostrando paisagens com diferentes caractersticas, comeando com o deserto at chegar a vegetao mais alta: deserto de latitudes mdias, estepes de latitudes 
mdias, pradaria baixa, pradaria alta e bosque caduciflio

 1. Descreva as caractersticas de cada paisagem que se sucedem ao longo de cada perfil.
 2. Com base no que voc aprendeu neste captulo, quais seriam os continentes que apresentam essas sucesses de formaes vegetais?

UNIDADE II 

          A globalizao da economia

 o Procure explicar a curva de crescimento da populao mundial, registrada no grfico abaixo.

a seguir, contedo do grfico

 ano  bilhes de hab. anos 

 1804 - 1 - 123
 1927 - 2 - 33
 1960 - 3 - 14
 1974 - 4 - 13
 1987 - 5 - 11
 1998 - 6 - 11
 2009 - 7 - 12
 2021 - 8 - 14        
 2035 - 9 - 19
 2054 - 10 - 39
 2093 - 11 ...

 o Leia as manchetes de jornal abaixo. Que comentrio voc pode fazer sobre os assuntos tratados? Que relaes podemos estabelecer entre essas manchetes de jornal?

  Deciso da Organizao Mundial do Comrcio beneficia o Brasil - a entidade considerou arbitrria uma regra dos EUA sobre importao de camaro

 O Estado de S. Paulo, 14 out. 1998.

  Acordo com o Fundo Monetrio Internacional estabelece as condies para obteno de ajuda financeira ao Brasil

O Estado de S. Paulo, 9 out. 1998.

  Taxas de desemprego crescem nos Estados Unidos e no Japo

Folha de S. Paulo, 3 out. 1998.

55

o Descreva o mapa abaixo. O que voc conhece a respeito do assunto tratado nesse mapa?

mapa mostrando a localizao dos principais blocos econmicos internacionais. A seguir, legenda
 o Nafta - Acordo de Livre - Comrcio da Amrica do Norte (1992)
 o Mercosul - Mercado comum do Sul (1991)
 o UE - Unio Europia (1993)
 o CEI - Comunidade de Estados Independentes (1991)
 o Opep - Organizao dos Pases Exportadores de Petrleo (1960)
 o Apec - Cooperao Econmica sia-Pacfico (1989)
 o Asean - Associao das Naes do Sudeste Asitico (1967)

  Composta de trs captulos, a unidade II deste livro trata de temas muito importantes para compreender a geografia do mundo atual. No primeiro captulo, "A populao 
do mundo", iremos estudar os fatores responsveis pelo crescimento populacional e a importncia desse assunto no mundo contemporneo. No captulo seguinte, "Os donos 
do mundo", sero discutidos os contedos da geografia econmica. Finalmente, em "Os blocos econmicos internacionais", veremos como os pases esto se organizando 
diante das transformaes e dos desafios impostos pela globalizao da economia.

56

Captulo 4 

          A populao do mundo

  Em Nova Iorque, no centro de uma praa, existe um relgio diferente. Em vez de marcar as horas, ele registra a populao da Terra. Para atualiz-lo constantemente, 
 preciso considerar todos os bebs que nascem e todas as pessoas que morrem a cada segundo no mundo. Como a populao mundial est crescendo, isto , o nmero de 
pessoas que nasce  maior do que o nmero de pessoas que morre, os dois ltimos dgitos do relgio se movimentam to rapidamente que  difcil acompanh-los.
  Claro que o nmero registrado no "relgio demogrfico" no  exato.  impossvel acompanhar com preciso o crescimento da populao mundial.
  Primeiro, porque no se pode saber ao certo quantos bebs nascem a cada segundo no mundo. Em diversos pases, grande parte dos bebs no  registrada nem possui 
certido de nascimento. Assim, esses governos no sabem direito o tamanho de sua populao. Isso acontece tambm no Brasil: muitas famlias no tm recursos suficientes 
para se deslocar at o cartrio mais prximo e obter uma certido de nascimento, como a que aparece na foto (fig. 1). Dessa forma, muitas crianas crescem sem nenhum 
documento. Oficialmente, esses brasileiros sem registro simplesmente no existem.
  Contabilizar o nmero de mortos tambm  bastante difcil. Como acontece com os nascimentos, os governos s tomam conhecimento das mortes que so registradas em 
cartrio pelas famlias. E nem sempre elas conseguem fazer esse registro.

Figura 1.

reproduo de uma certido de nascimento constando as seguintes informaes:
 o Repblica Federativa do Brasil
 o Registro Civil das Pessoas Naturais
 o Registro Civil da Bela Vista
 o Cartrio: Rua Francisca Miquelina 282
 o Telefone: 35-1962
 o So Paulo
  Legenda: O registro civil de nascimento  o primeiro documento importante da nossa vida

  Ainda assim, pode-se manter o "relgio demogrfico" funcionando com um razovel grau de preciso. A maior parte dos pases do mundo realiza contagens peridicas 
de sua populao e, por isso, dispe de uma srie de informaes estatsticas acerca dos nascimentos e das mortes. A partir da  possvel se chegar a uma mdia. 
A mdia mundial  resultante da soma dos dados recolhidos pelos governos de todos os pases do mundo.
  A partir desses dados, podemos estimar o crescimento futuro da populao mundial. De acordo com os clculos da Organizao das Naes Unidas (ONU), existem cerca 
de 6 bilhes de pessoas no mundo, devero existir 10 bilhes em 2054 e, no final do sculo XXI, a populao mundial atingir a marca dos 11 bilhes de pessoas! Observe 
o grfico (fig. 2).

Figura 2. 

          O crescimento da populao mundial (1804-2093)

a seguir contedo do grfico

 ano  bilhes de hab. anos 

 1804 - 1 - 123
 1927 - 2 - 33
 1960 - 3 - 14
 1974 - 4 - 13
 1987 - 5 - 11
 1998 - 6 - 11
 2009 - 7 - 12
 2021 - 8 - 14        
 2035 - 9 - 19
 2054 - 10 - 39
 2093 - 11 ...
  Legenda: A populao mundial registrou um rpido crescimento no sculo XX.

  H vrias maneiras de se fazer o recenseamento (Censo), ou seja, a contagem da populao de um pas. No Iraque, por exemplo, ningum pode sair s ruas no dia do 
Censo, sob pena de priso. O governo iraquiano acredita que  mais fcil contar a populao se ningum estiver em 
57
trnsito, por isso obriga todo mundo a ficar em casa, esperando o pessoal contratado para realizar o recenseamento.
  No Brasil, os censos demogrficos so realizados a cada dez anos, pela Fundao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (FIBGE, ou simplesmente IBGE, como 
 conhecida). Para isso, o IBGE contrata uma enorme equipe de pesquisadores, que tem a tarefa de recolher informao acerca de quantos so e de como vivem os brasileiros. 
Cada um dos recenseadores (fig. 3)  treinado para aplicar um questionrio em um determinado nmero de residncias. Alm de verificar quantas pessoas habitam a residncia, 
o questionrio inclui perguntas sobre a raa, a escolaridade e a renda mensal dos brasileiros. De posse dessas informaes, o IBGE pode traar uma espcie de retrato 
da populao brasileira. Quanto mais precisas forem as informaes prestadas pela populao, mais fiel ser esse retrato.
  Uma das revelaes do censo demogrfico brasileiro  que o crescimento da populao brasileira no ocorre de maneira uniforme em todo o pas. Em algumas reas 
as mulheres tendem a ter um nmero maior de filhos do que em outras.

Figura 3. 

foto mostrando uma mulher com caneta e papeis nas mos, ao seu lado um homem. A seguir, legenda
  Pesquisadora do IBGE realizando o Censo em So Paulo. Graas ao trabalho de pessoas como ela, podemos conhecer melhor o Brasil e os brasileiros.

  Por exemplo, as mulheres que vivem na zona rural - principalmente nas regies onde a agricultura no  muito moderna e no  comum o emprego de tecnologia - costumam 
ter mais filhos do que aquelas que vivem nas grandes cidades. A diferena tambm  marcante se considerarmos as regies brasileiras: na Regio Nordeste, por exemplo, 
o nmero mdio de filhos por mulher  superior ao registrado na Regio Sudeste.
  Outra informao importante obtida pela anlise dos censos brasileiros  que, nos ltimos decnios, a mdia de filhos por mulher no Brasil vem caindo rapidamente. 
As mulheres de hoje costumam ter menos filhos do que suas mes e avs. Isso  verdade tanto na cidade quanto no campo, em todas as regies brasileiras. Se essa tendncia 
persistir, em breve a populao 
58
brasileira deve parar de crescer, ou seja, o nmero de nascimentos deve ser bem prximo ao nmero de mortes. Se isso acontecesse no mundo inteiro, o "relgio demogrfico" 
de Nova Iorque iria parar!
  Para saber analisar os dados dos censos  preciso conhecer os instrumentos bsicos com os quais trabalham os especialistas na rea. 
  O trabalho dos demgrafos, especialistas em populao, envolve muitos clculos. Para se desenhar a curva de crescimento natural de uma determinada populao  
preciso, antes de mais nada, considerar as suas taxas de natalidade e de mortalidade.
  A taxa de natalidade expressa a proporo entre o nmero de nascimentos e o total de habitantes de um lugar, durante um determinado intervalo de tempo. Supondo, 
por exemplo, que em um pequeno pas com cerca de 100 mil habitantes tenham nascido vivas 2.500 crianas em 1999, a taxa de natalidade do pas naquele ano seria de 
25 por mil `(25`).
  Por sua vez, a taxa de mortalidade expressa a proporo entre o nmero de mortes e o total da populao de um lugar, em um intervalo de tempo determinado. Se no 
mesmo pas de 100 mil habitantes e no mesmo perodo tivessem morrido 1.500 pessoas, a taxa de mortalidade daquele ano seria de 15 por mil `(15`).
  Para obtermos a taxa de crescimento natural da populao desse pas, referente ao ano de 1999, basta subtrairmos da taxa de natalidade `(25`) a taxa de mortalidade 
`(15`). O resultado seria 10, ou, simplificando a equao, 1%.

               -

Atividade 1  

          Calculando o crescimento natural

  Observe o grfico (fig. 4).

Figura 4.

          China: taxas de natalidade e mortalidade `(`)

a seguir, contedo do grfico

 Ano Natalidade Mortalidade
 - - -
 1950 - 44% - 27%
 1965 - 43% - 16%
 1980 - 19% - 8%
 1992 - 19% - 8%

 1. Com base no grfico, calcule as taxas de crescimento natural da populao chinesa em 1950, 1965, 1980 e 1992.
 2. Procure explicar os resultados obtidos.

59
  Nem sempre a taxa de crescimento natural coincide com a taxa de crescimento de uma determinada populao. Em pases que recebem muitos imigrantes, por exemplo, 
a taxa de crescimento da populao pode ser maior do que a taxa de crescimento natural, pois, alm dos bebs que nasceram, os imigrantes tambm passam a ser contados 
como populao residente. Assim, para saber o quanto a populao de um determinado pas cresceu,  preciso considerar, alm do crescimento natural da sua populao, 
o nmero de pessoas que imigraram para o pas e o nmero de pessoas que emigraram, ou seja, que foram morar em outro lugar.
  Assim como a populao brasileira, a populao mundial tambm no cresce de maneira uniforme. Enquanto em alguns pases persiste um padro de famlias numerosas, 
com elevado nmero de filhos por mulher, em muitos outros o nmero mdio de filhos por mulher  baixo e a populao j parou de crescer.
  O crescimento da populao no se mantm constante, tanto no tempo quanto no espao. Em algumas pocas a populao cresce bastante; em outras, pra de crescer 
ou comea a diminuir. Uma grande variao tambm pode ser observada entre os diversos pases do mundo, ou mesmo entre as vrias regies de um mesmo pas. Para entender 
como isso acontece,  preciso relacionar a dinmica da populao com o grau de modernizao da economia, conforme faremos a seguir.

Populao e desenvolvimento

  Durante a maior parte de sua histria, a humanidade conviveu com elevadas taxas de mortalidade. A maioria das pessoas morria cedo, devido principalmente  fome 
e s doenas. Por isso, o crescimento populacional se mantinha baixo, mesmo quando a natalidade era elevada.
  Quando os primeiros agrupamentos humanos passaram a cultivar o solo e se tornaram menos dependentes da caa, da pesca e da coleta para dispor de alimentos, ocorreu 
a primeira grande onda de crescimento populacional. No por acaso as civilizaes que praticavam a agricultura intensiva foram as que mais cresceram na Antigidade.
  Milhares de anos mais tarde, seria a vez das civilizaes industriais conhecerem um importante surto de crescimento. A industrializao alterou de forma significativa 
o crescimento populacional, em especial nos pases pioneiros nesse processo.

Revoluo Industrial e "revoluo demogrfica"

  A Revoluo Industrial foi acompanhada por inovaes tambm nas tcnicas agrcolas, o que permitiu um acelerado aumento na produo de alimentos. Alm disso, um 
nmero cada vez maior de pessoas passou a viver nas cidades.
  No incio, as condies de vida nas cidades industriais eram as piores possveis. Os primeiros operrios ingleses moravam em cortios superlotados, sem nenhuma 
condio de higiene. Como no havia tratamento da gua e do esgoto, as epidemias e doenas eram freqentes. Nas fbricas, as jornadas de trabalho podiam chegar a 
16 horas dirias, at mesmo para as crianas. O excesso de trabalho tornava as pessoas ainda mais frgeis e ajudava na proliferao das epidemias. Em um primeiro 
momento, a mortalidade continuou alta, apesar da urbanizao. Porm, com a implantao de novas tcnicas de saneamento bsico e de medicina preventiva, as epidemias 
urbanas se tornaram mais raras e controlveis.
60
  Alm disso, os operrios se empenharam por melhores condies de vida, e muitos tiveram acesso a moradias decentes. Tambm devido  luta organizada dos trabalhadores, 
as jornadas de trabalho estafantes foram sendo reduzidas e eles passaram a ter um tempo maior para descansar e se recompor. Ao mesmo tempo, a aprovao de muitas 
leis que proibiam os donos das fbricas de contratar crianas fez com que um nmero maior delas passasse a freqentar a escola, e, assim, pudesse crescer de forma 
mais saudvel.
  Os hospitais foram se modernizando, aumentando as chances de cura dos pacientes. Novas vacinas e remdios ajudavam no combate s doenas. No final do sculo XVIII, 
a mortalidade comeou a cair na maior parte dos pases europeus em processo de urbanizao e industrializao.
  Com a queda da mortalidade, a populao desses pases comeou a crescer bem depressa. A Europa contava com 180 milhes de habitantes no ano de 1800, e passou a 
abrigar 390 milhes em 1900. O crescimento da populao europia teria sido ainda maior durante o sculo XIX, no fossem as levas de migrantes que partiram para 
a Amrica, para a sia e para a frica em busca de terra e trabalho.
  A verdadeira "revoluo demogrfica" que aconteceu na Europa no sculo XIX ajuda a entender por que, na lista das dez cidades mais populosas do mundo em 1900, 
seis estavam situadas na Europa, e outras trs nos Estados Unidos da Amrica, pas que recebeu grandes contingentes de imigrantes europeus durante esse perodo (fig. 
5).

Figura 5. 

mapa mostrando as dez cidades mais populosas do mundo (1900). A seguir, descrio
 o Mais de 5,1 milhes de habitantes: Nova Iorque, Londres
 o De 2,1 a 5,0 milhes de habitantes: Paris, Berlim
 o De 1,0 a 2,0 milhes de habitantes: Chicago, Filadlfia, Manchester, Viena, So Petersburgo, Tquio
  Legenda: neste mapa, o tamanho da figura geomtrica representa a quantidade de habitantes da cidade. Observe que, em 1900, das dez maiores cidades do mundo, nove 
estavam localizadas na Europa e nos Estados Unidos.

61
  O rpido aumento da populao europia deixou muita gente assustada, imaginando que logo no haveria lugar nem alimentos para o nmero crescente de pessoas que 
nascia a cada ano.
  No comeo do sculo XIX, um religioso chamado Thomas Robert Malthus (fig. 6) escreveu uma srie de livros e artigos sobre o assunto. De acordo com ele, a tendncia 
natural era de que a populao cresceria mais rpido do que a oferta de alimentos, o que provocaria crises de misria e fome cada vez mais dramticas. At hoje, 
mesmo sabendo que a capacidade de produo de alimentos cresceu mais do que a populao mundial nos ltimos sculos, h quem pense como Malthus e acredite que existe 
misria no mundo porque as pessoas tm muitos filhos!

Figura 6.

foto mostrando um homem. A seguir, legenda
  O ingls Thomas Robert Malthus publicou seus trabalhos nas primeiras dcadas do sculo XIX, quando a populao de seu pas crescia em ritmo acelerado. Ele acreditava 
que esse crescimento era o responsvel pela existncia da pobreza.

  Nas primeiras dcadas do sculo XX, as taxas de natalidade dos pases industrializados da Europa comearam a cair, derrubando com elas a taxa de crescimento da 
populao do continente. Muitos fatores contriburam para isso. As mulheres conquistaram um espao maior no mercado de trabalho, e passaram a ter menos tempo para 
se dedicar  criao dos filhos. O tempo de estudo das crianas e adolescentes se tornou cada vez mais longo e os pais tinham de estar preparados para arcar com 
grandes despesas a cada novo nascimento. Isso, aliado ao avano da medicina, fez com que as mulheres, ao conhecerem mais o prprio corpo, pudessem evitar a gravidez, 
o que possibilitou planejar o tamanho de suas famlias.

Crescimento demogrfico no sculo XX

  O sculo XX se iniciou com uma populao mundial da ordem de 1,6 bilho de pessoas. Apesar da queda no ritmo de crescimento da populao europia, nos anos finais 
desse sculo existiam aproximadamente 6 bilhes de pessoas no mundo. Se o sculo XIX foi marcado pelo crescimento da populao da Europa, o sculo XX foi o do crescimento 
da populao dos pases da sia, da frica e da Amrica Latina.
  Os nmeros da sia so os mais impressionantes. Na China, por exemplo, entre 1900 e 1990, a populao saltou de 415 milhes para cerca de 1 bilho e 150 milhes! 
Juntos, a ndia, o Paquisto e Bangladesh registraram um crescimento populacional de aproximadamente 800 milhes de pessoas nesse mesmo perodo e possuem hoje cerca 
de 1 bilho e 130 milhes de habitantes. Tanto a China quanto a ndia j deixaram para trs a fase de maior crescimento demogrfico, ou seja, o ritmo de crescimento 
da populao desses pases vem diminuindo nas ltimas dcadas. Mesmo assim, hoje existe mais gente na China do que nos continentes europeu e africano somados, e 
a populao da ndia equivale  populao das Amricas e do Japo! Veja o mapa (fig. 7).

Figura 7. 

          A populao mundial

mapa mostrando a populao mundial: nmero de habitantes 35 milhes. A seguir, legenda
  Este tipo de mapa  chamado de anamorfose geogrfica. A rea de cada pas  alterada em funo do tema do mapa, que, nesse caso,  o total da populao.

  Atualmente, a populao de muitos pases industrializados do mundo, em especial os situados na Europa e na Amrica do Norte, est estabilizada, ou cresce muito 
pouco a cada ano. Na Hungria, por exemplo, a populao est diminuindo, ou seja, a taxa de crescimento da populao  negativa, como mostra a figura 8.

Figura 8. 

          O crescimento demogrfico no mundo 

mapa mostrando o crescimento demogrfico (em %), nas diferentes regies do mundo. A seguir, descrio
 - Mais de 4,0 - de 3 a 4,0 - de 2,1 a 3 - de 0 a 2,0 e crescimento negativo.
  Legenda: os pases que apresentam as maiores taxas de crescimento populacional esto localizados no Oriente Mdio, como a Arbia Saudita, e na frica, como a Lbia.

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  Enquanto uma parte do mundo se preocupa porque a sua populao est envelhecendo, outra parte ainda convive com o fantasma da superpopulao. Observe no mapa (fig. 
8) que em muitas regies pobres do planeta, principalmente na frica, a taxa de crescimento da populao supera a marca dos 3% ao ano.
  Para entender por que isso acontece,  preciso mais uma vez prestar ateno ao comportamento das curvas de mortalidade e de natalidade.
  Esses pases no conheceram um processo de industrializao e urbanizao no sculo XVIII e, at meados do sculo XX, apresentavam elevadas taxas de mortalidade 
e de natalidade. Isso significa que muita gente nascia, mas tambm que muita gente morria cedo, pois a maior parte da populao vivia em condies de extrema pobreza, 
sem acesso a cuidados mdicos. Por isso o crescimento populacional no era alto.
  A partir de 1950, porm, as tcnicas de medicina preventiva desenvolvidas nos pases industrializados comearam a ser aplicadas em larga escala nas regies mais 
pobres do planeta, como ilustra a foto (fig. 9). A vacinao em massa e o controle sobre as epidemias mais comuns fizeram a mortalidade recuar rapidamente.

Figura 9.

foto mostrando adultos e crianas em uma sala. A seguir, legenda
  Campanha de vacinao na ndia, em 1988. A medicina preventiva protege centenas de milhes de crianas de doenas que podem ser fatais.

  Nos pases mais pobres, a maioria da populao vive no campo e um grande nmero de crianas comea a trabalhar na lavoura desde cedo. Neles, as taxas de natalidade 
permanecem elevadas e a populao aumenta mais rapidamente.

O ndice de Desenvolvimento Humano

  Conforme j estudamos, o ritmo de crescimento da populao varia muito entre os pases do mundo, e mesmo entre as diversas regies de um mesmo pas. Mas saber 
o quanto uma populao cresce no  suficiente para entender como ela vive. Para analisar e poder comparar as condies de vida da populao, a ONU utiliza um indicador 
chamado ndice de Desenvolvimento Humano (IDH), cuja escala varia de 0 a 1.
  Para estabelecer o IDH, os tcnicos do Programa de Desenvolvimento das Naes Unidas consideraram indicadores de sade (esperana de vida ao nascer), de educao 
(ndice de alfabetizao, anos de estudo) e renda per capita. Conforme voc pode observar na figura 10, a populao canadense ocupa o primeiro lugar mundial na escala 
de desenvolvimento humano, apresentando IDH de 0,960. Serra Leoa, um pequeno pas africano,  o ltimo colocado entre os pases estudados, com 0,185. O Brasil ostenta 
um IDH de 0,809, e ocupa o 62 lugar do mundo, ficando atrs de outros pases latino-americanos, como o Mxico e a Argentina.

Figura 10. 

mapa mostrando o ndice de Desenvolvimento Humano no Mundo. A seguir, descrio
 IDH - De 0,805 a 0,960 (alto)
 IDH - De 0,500 a 0,800 (mdio)
 IDH - De 0,185 a 0,494 (baixo)
 - Sem dados
 o Canad - 0,960 `(1`)
 o Mxico - 0,855 `(49`)
 o Brasil - 0,809 `(62`)
 o Argentina - 0,888 `(36`)
 o Serra Leoa - 0,185 `(174`)
  Legenda: o IDH permite observar a profunda desigualdade existente entre os pases do mundo.

  A esperana (ou expectativa) de vida representa o nmero mdio de anos que os indivduos de uma determinada populao viveriam, caso o padro de mortalidade vigente 
na poca de seu nascimento permanecesse o mesmo ao longo de toda sua vida.

64
  A expectativa de vida  um dos principais indicadores socioeconmicos de um pas. Ela est associada s condies de vida e ao acesso a servios mdico-sanitrios 
de sua populao. Uma populao que tenha acesso a servios de sade (exames pr-natais, assistncia mdica infantil e na velhice), que disponha de saneamento bsico 
(coleta e tratamento de esgotos) e gua encanada de boa qualidade vai ter menos possibilidades de contrair e desenvolver doenas do que outra que no tenha esses 
servios. Concluso: a primeira pode viver mais anos. Leia mais sobre a relao entre a gua e as condies de sade no quadro 1. Em Moambique e em Uganda, pases 
da frica, a expectativa de vida  inferior a 45 anos, enquanto no Japo alcana os 79 anos.
  O analfabetismo  definido como o desconhecimento de cdigos transmitidos pela lngua escrita. Em outras palavras, pela impossibilidade de entender o significado 
de smbolos usados para formar palavras e frases que permitem expressar idias. A taxa de analfabetismo entre adultos  um indicador bastante significativo das condies 
de vida de uma regio ou de um pas, pois o analfabetismo resulta em excluso cultural, econmica e social de parte da populao. No Brasil, o IBGE considera analfabetas 
as pessoas incapazes de ler e escrever pelo menos um bilhete simples no idioma que conhecem. As pessoas que aprenderam a ler e a escrever mas esqueceram e as que 
apenas sabem assinar o prprio nome tambm so consideradas analfabetas, segundo os critrios do IBGE.

Quadro 1

          A gua e as condies de vida

  Dados da Organizao Mundial de Sade (OMS) indicam que um quinto do total de leitos de hospitais em todo o mundo esto alojando pacientes que contraram doenas 
relacionadas com a gua. Eles se concentram nos pases pobres, que no tm uma boa rede de distribuio de gua nem tratam seus esgotos.
  Muitas vezes, a populao carente que mora no campo retira gua de poos. O problema ocorre quando a gua se mistura com o esgoto e passa a ser um meio difusor 
de doenas. Clera, disenteria, poliomielite, entre outras tantas, so doenas que podem ser transmitidas s pessoas atravs da gua contaminada.
  Mesmo a gua preparada para o consumo, coletada e tratada em estaes de tratamento, pode ser contaminada no percurso at a casa do consumidor ou, o que  mais 
comum, na prpria casa. As caixas-d'gua devem ser lavadas pelo menos duas vezes ao ano. Isso garante a qualidade da gua que ser consumida.
  A populao de baixa renda sofre mais.  que, apesar de ter gua encanada, muitas vezes essa parcela da populao no possui rede de coleta de esgotos, ampliando 
muito a possibilidade de contaminao. gua limpa e esgoto 

coletado e tratado so sinnimos de boa sade para a populao.
 fim do quadro

  Os analfabetos tm menores chances de concorrer no mercado de trabalho, j que podem desenvolver apenas atividades que no exigem a leitura. Pases ricos, como 
a Alemanha, a Itlia e o Japo, tm menos de 5% da populao analfabeta. Pases de renda mdia, como a Argentina e o Chile, tambm possuem em torno de 5% de analfabetos. 
No Brasil, em meados da dcada de 1990, o analfabetismo atingia cerca de 17% da populao, totalizando mais de 20 milhes de habitantes!
  Os anos de estudo de uma populao, como o prprio nome indica, revelam a mdia de anos que as pessoas estudaram. Enquanto a populao dos pases ricos estuda, 
em mdia, mais de 10 anos, no Brasil a mdia atinge 4 anos.
  A renda per capita  um indicador do poder de consumo de uma determinada populao. Esse indicador, entretanto,  muito criticado, pois apresenta a mdia de rendimentos 
da populao e no revela a concentrao de renda. A renda per capita dos Estados Unidos, por exemplo, atinge aproximadamente 10 mil dlares anuais; porm, mais 
de 16% da populao norte-americana  considerada pobre, de acordo com critrios da ONU. A Sua  a campe de renda per capita, com 35 mil dlares anuais. No Brasil, 
a renda per capita oscila em torno de 2.900 dlares por ano.

               -
        
Atividade 2 

          Agrupando pases pelo IDH

  O mapa da figura 10 agrupa os pases do mundo em trs categorias, de acordo com o IDH que apresentam. A partir dele, escreva em seu caderno um comentrio a respeito 
desses trs grupos.
        
66
Os investimentos demogrficos

  Os governos costumam se preocupar bastante com a velocidade do crescimento e com a estrutura etria de sua populao. E no  para menos: essas informaes so 
muito teis na hora de determinar a melhor forma de gastar o dinheiro arrecadado com os impostos.
  Imagine um pas com populao estabilizada e em que todas as crianas tm vaga garantida nas escolas. Nesse caso,  provvel que as escolas j existentes sejam 
suficientes para atender s prximas geraes, pois o nmero de crianas que ingressam anualmente no sistema de ensino tende a permanecer aproximadamente igual. 
Assim, o governo desse pas pode planejar investir na melhoria do ensino, pagando melhores salrios aos professores, por exemplo, e no na construo de novas escolas. 
Muitos pases europeus esto nessa situao, e em alguns deles o nmero de alunos em cada srie vem diminuindo anualmente.
  Ao contrrio, quando a populao de um pas apresenta elevada taxa de crescimento, o nmero de crianas em idade escolar aumenta anualmente. Nesse caso, se o governo 
est preocupado em oferecer educao para todos,  preciso ampliar constantemente o nmero de vagas nas escolas.
  A proporo de idosos na populao tambm  um indicador importante do perfil dos investimentos necessrios. Afinal, as pessoas que trabalharam a vida inteira 
tm direito de receber uma aposentadoria digna, que lhes permita uma velhice tranqila. Quando a populao do pas est em processo de envelhecimento, ou seja, quando 
a populao de idosos cresce mais do que a populao total, o governo deveria investir no sistema de aposentadoria, no atendimento hospitalar e em programas sociais 
para essa faixa etria. Infelizmente, nem sempre os idosos recebem o tratamento que merecem, como voc pode ver na foto (fig. 11).

Figura 11.

foto mostrando idosos em fila. A seguir, legenda
  Fila de aposentados em posto do Instituto Nacional de Previdncia Social (INPS), em 1991, em So Paulo. Os aposentados brasileiros merecem mais respeito.

  A estrutura etria da populao costuma ser representada por grficos em forma de pirmides. As pirmides de base larga e topo estreito representam populaes 
com elevada proporo de crianas e jovens e uma baixa proporo de idosos.

Atividade 3 

          Duas estruturas etrias

  Compare as duas pirmides etrias a seguir (figuras 12 e 13) e procure explicar as diferenas entre elas.

Figuras 12 e 13.

as pirmides referem-se respectivamente, a Alemanha e ao Paquisto,  considerando homens, mulheres - idosos, adultos e jovens

Passando a limpo

  Considerando o que voc aprendeu neste captulo, observe atentamente as figuras abaixo e responda s perguntas no caderno.

Figuras 14, 15 e 16.

as figuras mostram trs pirmides etrias do Brasil. Correspondendo aos perodos de: 1970, 1991 e 2000

 1. Relacione as principais mudanas da estrutura etria da populao brasileira no perodo assinalado.
 2. Explique de que forma essas mudanas esto afetando a economia do pas.

pea orientao ao professor

68

Captulo 5 

          Os donos do mundo

  O mundo no tem um dono,  claro. As empresas transnacionais e as grandes instituies financeiras - como o FMI e o Banco Mundial - no so propriamente donas 
do mundo, mas suas decises afetam a vida econmica e o cotidiano de bilhes de pessoas, em todo o mundo. Essas empresas so em grande parte responsveis pela produo 
da riqueza e da pobreza do planeta.  por isso que vamos estud-las.

O poder industrial e o financeiro

  Empresas transnacionais so aquelas que mantm filiais em vrios pases do mundo, comandadas a partir de uma sede situada no pas de origem. Os logotipos reproduzidos 
na figura 1 so de empresas transnacionais que possuem filiais no Brasil, mas cujas sedes esto situadas nos Estados Unidos, na Europa ou no Japo.

Figura 1. 

foto mostrando logotipos de algumas empresas: IBM, VolksWagen, HONDA, parmalat, McDonald's. A seguir, legenda
  As transnacionais fazem parte do cotidiano dos brasileiros.

  Antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) havia relativamente poucos complexos industriais importantes fora dos pases ricos da Amrica do Norte e da Europa. 
A industrializao era vista como sinnimo de riqueza e de desenvolvimento. Nas dcadas que se seguiram ao trmino da guerra, porm, as empresas transnacionais, 
tambm chamadas multinacionais, conquistaram muito espao nos pases pobres. Interessadas em ampliar o mercado consumidor de seus produtos, elas instalaram fbricas 
nesses pases, que at ento importavam dos pases ricos grande parte dos produtos que consumiam.
  Nessa poca, alm do mercado consumidor, os pases pobres ofereciam outros poderosos atrativos para as indstrias transnacionais. Sua mo-de-obra era bem mais 
barata do que nos pases ricos, e, alm disso, havia muita oferta de energia e o custo das matrias-primas usadas na indstria era significativamente menor. As figuras 
2 e 3 se referem a esses atrativos. Nos pases ricos, a produo industrial tinha de seguir regras rigorosas de 
69
controle da poluio, enquanto nos pases pobres as indstrias, mesmo as altamente poluidoras, eram muito bem-recebidas pelos governos.

Figura 2

foto mostrando alguns homens trabalhando com mquinas. A seguir, legenda
  Extrao de petrleo no Mxico. Os recursos naturais mexicanos so utilizados de maneira intensiva pelas transnacionais, em especial aquelas com sede nos Estados 
Unidos

Figura 3

foto mostrando uma mina de ferro. A seguir, legenda
  Mina do Pico, na qual se extrai minrio de ferro, em Itabirito, Minas Gerais. O ferro  matria-prima bsica para a fabricao do ao, que abastece muitas transnacionais 
intaladas no Brasil.

  As primeiras unidades industriais montadas em pases como o Brasil, a Argentina e o Mxico fabricavam produtos tecnologicamente desatualizados. Tudo era novidade 
para os novos consumidores.
  As transnacionais realizaram grandes investimentos nos pases de industrializao tardia, como so conhecidos os que receberam suas unidades fabris. E no foi 
por acaso: neles, os governos ofereciam vantagens para os empresrios que se comprometessem a abrir filiais de suas indstrias.
  Uma dessas vantagens era a iseno fiscal, ou seja, os governos abriam mo da cobrana dos impostos dessas empresas por um longo perodo de tempo, 10 anos ou mais. 
Muitas vezes, os governos tambm se comprometiam a doar o terreno para a instalao das fbricas e a construir estradas e portos para o transporte de matria-prima 
e dos produtos.
  A principal vantagem para os empresrios, porm, estava na remessa de lucros. Em outras palavras: as transnacionais podiam enviar para seus pases de origem uma 
parcela dos lucros conseguidos nos pases pobres. Desse modo, a maior parte da riqueza construda pelos trabalhadores no ficava nos pases onde ela havia sido gerada.
  Nas duas ltimas dcadas do sculo XX, a introduo de novos mecanismos de controle da produo e de novas tecnologias, como a robtica, associada ao aprimoramento 
dos sistemas de transporte em todo o mundo, fez as transnacionais ampliarem o intercmbio entre suas fbricas instaladas no mundo inteiro, aumentando ainda mais 
o seu poder. Vejamos um exemplo. 
  Uma transnacional automobilstica no realiza todas as etapas necessrias para a produo de um carro em apenas um pas. O carro  projetado no centro de pesquisa 
e desenvolvimento de novos produtos, que, em geral, est localizado no pas-sede da empresa. A seguir, inicia-se uma concorrncia internacional - da qual participam 
desde pases com larga tradio industrial, como os Estados Unidos e o Reino Unido, at os novos pases industrializados -, para decidir onde as partes do carro 
sero produzidas. Desse modo, o motor pode ser fabricado em um pas da Amrica do Sul, mas o cmbio e o sistema de freios, por exemplo, em pases do sudeste asitico. 
Como resultado, tem-se uma cadeia produtiva que envolve muitos pases e o produto pode ser comercializado no mundo inteiro.
  Esse processo  chamado por muitos de globalizao da produo. Na verdade, ela acontece desde o final da Segunda Guerra Mundial. A diferena  que nas ltimas 
dcadas aumentou o nmero de pases que integram as cadeias produtivas globalizadas.

               -

70
Atividade 1 

          As transnacionais e o Brasil

  Pesquise a presena de empresas transnacionais no Brasil. Escolha uma delas e investigue:

 a) quando chegou ao pas;
 b) quais os principais produtos;
 c) se possui fbricas em outros pases.

Os bancos e o mercado financeiro

  Tudo, ou quase tudo, que envolve dinheiro envolve tambm um banco. Verifique em sua residncia. As contas de gua e luz, os carns de credirios, entre outros 
exemplos, so pagos em agncias bancrias, o que nem sempre  um procedimento rpido, como mostra a foto (fig. 4). O salrio dos trabalhadores , na maior parte 
das vezes, depositado em um banco. Os industriais e comerciantes tambm precisam dos bancos, que lhes emprestam dinheiro para efetuar seus negcios.

Figura 4.

foto mostrando vrias pessoas em uma fila. A seguir, legenda
  Fila em agncia bancria, em So Paulo. Cenas como esta se repetem todos os meses, principalmente nos dias de pagamento de salrios e de vencimento de contas.

  Cada um dos servios bancrios, como a cobrana de contas e o fornecimento de tales de cheque, tem um preo para o cliente. Para os bancos, o que rende mais  
a cobrana de juros por emprstimos. Os bancos recolhem o dinheiro de investidores e das pessoas que mantm uma conta corrente e o emprestam a pessoas ou empresas, 
que pagam aos bancos pelo dinheiro. Descontados o pagamento de impostos e a remunerao dos investidores, o que sobra fica com os donos dos bancos.
  Devido aos avanos tecnolgicos nas reas de comunicao e de informtica, os bancos podem captar e emprestar recursos financeiros de muitos governos, investidores 
e empresas nos mais diferentes pases do mundo, movimentando um sofisticado mercado financeiro internacional. A globalizao tambm  uma realidade no setor financeiro.
  Essa globalizao trouxe muitos riscos para a economia mundial. Uma crise do sistema financeiro internacional geralmente envolve governos, investidores e empresas 
de diversos pases, mesmo distantes geograficamente.
  A crise financeira sempre aparece em conjunto com uma crise na economia. Isso acontece porque os tomadores de dinheiro investem os recursos obtidos em atividades 
econmicas, por exemplo, a ampliao de uma indstria, a construo de casas ou de novos estabelecimentos comerciais. Se a economia no vai bem, eles no vendem 
seus produtos e no tm dinheiro para pagar os banqueiros que, por sua vez, no podem pagar os investidores.
  Para tentar evitar crises financeiras que abalassem a economia internacional 
71
foram criados, em 1944, o Fundo Monetrio Internacional (FMI) e o Banco Internacional para a Reconstruo e Desenvolvimento, que ficou conhecido como Banco Mundial.
  O FMI foi criado para tentar impedir que as crises econmicas se alastrassem pelo mundo inteiro. Se um pas estivesse em dificuldades, o fundo emprestaria dinheiro 
ao seu governo e ajudaria a acertar as contas nacionais, de forma a garantir que os investidores internacionais no perdessem muito dinheiro. Os recursos do FMI 
so obtidos junto aos governos dos seus mais de 150 pases-membros.
  No incio, a idia era que o FMI agisse principalmente nas economias dos pases ricos, onde circula a maior parte do dinheiro do mundo. Com o tempo, porm, grande 
parte dos recursos do FMI passou a ser aplicada nos pases de industrializao tardia, que so grandes devedores no mercado financeiro internacional.
  Para liberar o emprstimo, a direo do FMI realiza reunies como a retratada na foto da figura 5, com o objetivo de traar metas para a economia do pas que receber 
o emprstimo. Essas metas incluem uma srie de exigncias para diminuir os gastos do governo, mesmo que isso signifique cortar investimentos em setores essenciais 
para o bem-estar da populao, como sade e educao.

Figura 5.

foto mostrando trs homens. A seguir, legenda
  Stanley Fischer, do FMI, em reunio com os brasileiros Andr Lara Resende, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e Pedro Malan, ministro da Fazenda, 
em 19 de junho de 1998. Em meio a uma grave crise financeira, o Brasil foi ao FMI pedir dinheiro emprestado.

  Durante as dcadas de 1980 e 1990, o Brasil, o Mxico e a Coria do Sul, entre outros pases de industrializao tardia, recorreram aos recursos do FMI e tiveram 
suas contas analisadas e aprovadas pelos membros da instituio.
  O Banco Mundial, que tambm abriga mais de 150 pases-membros, foi criado com o objetivo principal de financiar a reconstruo de pases destrudos durante a Segunda 
Guerra Mundial.
  Mais tarde, tal como aconteceu com o FMI, ele passou a financiar tambm os pases pobres, principalmente na implantao de grandes projetos econmicos. O Brasil 
recorreu inmeras vezes ao Banco Mundial para instalar projetos agropecurios na Amaznia. Os resultados catastrficos alcanados (baixa produo econmica e uma 
imensa devastao ambiental) foram muito criticados por ambientalistas de todo o mundo. Isso fez os tcnicos mudarem os critrios para financiamento das atividades 
econmicas, tanto nos pases pobres como nos ricos. Em meados da dcada de 1980, o Banco Mundial passou a exigir um Relatrio de Impacto Ambiental para aprovar o 
emprstimo. Esse relatrio deve conter uma anlise detalhada das conseqncias ambientais da implementao do projeto e das medidas que sero tomadas para evitar 
a destruio do ambiente.
  Outra alterao importante nas normas para financiamento do Banco Mundial foi a exigncia de uma contrapartida dos tomadores de dinheiro. Ou seja, passou-se a 
exigir que os pases tambm aplicassem dinheiro nos empreendimentos financiados pelo Banco Mundial, medida que obrigou os pases a usar seus prprios recursos e 
estimulou a busca de emprstimos junto a bancos particulares. Isso aumentou ainda mais o fluxo financeiro e a dvida externa dos pases pobres.
72
  Os pases pobres contraram grandes emprstimos para se modernizar e se industrializar. O problema  que os pases e bancos que emprestaram esse dinheiro colocaram 
uma clusula especial nos contratos, permitindo a variao dos juros pagos pelos devedores. Como conseqncia, a dvida externa dos pases pobres cresceu muito (fig. 
6). Alguns analistas dizem que o total j pago  muito superior ao total emprestado. Com base nesse argumento, na dcada de 1980, muitos defendiam o no-pagamento 
da dvida externa. De vez em quando essa tese  relembrada.

Figura 6. 

          Crescimento da dvida externa de pases selecionados

grfico demonstrativo. A seguir, legenda
  O Brasil, o Mxico, a ndia, a Indonsia e a Argentina so grandes devedores no sistema financeiro internacional. Outros pases, como  o caso da Nigria e de 
Bangladesh, triplicaram sua dvida externa em 15 anos.

  O dinheiro dos investidores est permanentemente circulando pelos mercados do planeta, em busca de maiores lucros, e ningum tem muito controle sobre isso. Muitas 
vezes, os governos dependem do dinheiro aplicado em seu pas para fazer funcionar a economia nacional, e se muitos investidores retiram seu capital de uma s vez, 
a economia inteira entra em colapso! Quando isso acontece em um pas, a crise pode se espalhar rapidamente para outros pases, como uma bola de neve. Apesar da ao 
do FMI e do Banco Mundial, os riscos de uma crise financeira global esto sempre no horizonte.

               -

Atividade 2 

          Na boca do povo

  Entreviste o dono de algum estabelecimento comercial perto de sua casa. Procure descobrir o que ele sabe a respeito do FMI e do Banco Mundial e o que pensa sobre 
a presena dessas instituies na vida do pas. Apresente o resultado dessa entrevista em sala de aula, comparando com as entrevistas realizadas pelos colegas.

O outro lado da moeda

  Antes da Segunda Guerra Mundial, a cobrana de impostos sobre mercadorias estrangeiras era uma prtica bastante utilizada para proteger as empresas nacionais da 
concorrncia internacional. Era a poca do protecionismo econmico.
  Com o trmino da guerra e a crescente globalizao da produo, as tarifas alfandegrias passaram a ser estabelecidas por acordos internacionais. Em 1947, os vinte 
pases mais industrializados do mundo assinaram e passaram a colocar em prtica o Acordo Geral de Tarifas e Comrcio, que ficou conhecido pela sua sigla em ingls 
- Gatt (General Agreement on Tariffs and 
 Trade).
  Pressionados pelas potncias econmicas, cada vez mais pases foram aderindo ao Gatt. No comeo de 1990, representantes de mais de cem pases participavam de negociaes, 
visando diminuir tarifas e facilitar o livre-comrcio.
  Em janeiro de 1995, o Gatt foi substitudo pela Organizao Mundial do Comrcio (OMC). Trata-se de um frum permanente de negociao das regras que devem reger 
a concorrncia internacional. Atualmente, participam dessas negociaes representantes de mais de 120 pases. Como a OMC  muito recente, ainda h muitas dvidas 
quanto  sua capacidade de controlar o comrcio internacional e a voracidade das transnacionais em obter vantagens e lucros,  custa da preservao do ambiente, 
das diferenas culturais e dos direitos dos trabalhadores de cada pas.
   bem verdade que h cada vez menos barreiras para a circulao do capital. O volume do comrcio exterior, base da mundializao da economia, cresceu em mdia 
5% nos quatro primeiros anos da dcada de 1990. Diariamente, circulam 3 trilhes de dlares nos mercados financeiros internacionais.
  Mas a distncia entre os ricos e os pobres no diminuiu. Pelo contrrio, vivemos num mundo extremamente desigual. Os 360 homens mais ricos do mundo possuem mais 
dinheiro do que 45% da populao mundial! Em 1960, os 20% mais ricos possuam trinta vezes mais renda do que os 20% mais pobres. Hoje, essa diferena dobrou: eles 
possuem sessenta vezes mais renda.
  Essas fortunas esto localizadas, principalmente, nos Estados Unidos, nos pases europeus e no Japo, exatamente onde esto as matrizes das maiores empresas do 
mundo. Veja o mapa da figura 7. Dentre as cem maiores transnacionais do ramo industrial e financeiro, 98 esto localizadas nesses pases. Tambm  ali que se encontram 
as sedes dos vinte maiores bancos mundiais.

Figura 7.

mapa mostrando a localizao das cem maiores transnacionais (1994). A seguir, descrio
 o Mxico, Reino Unido, Austria, Coria do Sul - 1 empresa
 o Sua, Pases Baixos, Sucia - 2 empresas
 o Itlia - 3 empresas
 o Frana - 11 Empresas
 o Alemanha - 12 Empresas
 o Estados Unidos - 23 Empresas
 o Japo - 41 Empresas
  Legenda: observe que as sedes dessas transnacionais localizam-se em apenas doze pases.

  Grande parte dessas transnacionais concentra seu patrimnio, seus recursos financeiros e sua oferta de empregos nos pases de origem. As grandes empresas norte-americanas, 
por exemplo, realizam 70% de suas vendas nos Estados Unidos e para cada trs postos de trabalho na matriz existe apenas um em suas filiais espalhadas pelo mundo.
  Na segunda metade da dcada de 1990, as empresas localizadas nos Estados Unidos produziam aproximadamente um quarto da riqueza global. Em seguida, vinha o Japo, 
com cerca de 13%. As empresas da Unio Europia, que conta com potncias como o Reino Unido, a Frana e a Itlia, produziam praticamente o mesmo valor que as empresas 
norte-americanas.
74
  Hoje, apenas 23 pases so responsveis por 90% dos fluxos internacionais de crdito, por 70% dos investimentos externos diretos e por 85% das empresas que vendem 
aes em Bolsas de Valores no mundo.
  Os efeitos do aumento da desigualdade econmica so visveis. Em 25 anos, os pases pobres reduziram sua participao na economia mundial em 4% (fig. 8). E essa 
tendncia permanece.

Figura 8. 

          Evoluo da participao no PIB mundial (1965 e 1990)

grfico mostrando participao no PIB mundial `(%`). A seguir, contedo do grfico
 1965         1990
 -         -
 pases ricos  pases ricos
 69,2         73,2
 pases pobres pases pobres
 30,8         26,8

  Legenda: Apesar do esforo de desenvolvimento dos pases pobres, eles tm diminudo sua participao na economia mundial.

75
  Mesmo os pases pobres que se industrializaram continuam longe do desenvolvimento. Os casos do Brasil, do Mxico e da Argentina comprovam isso. Apesar de passarem 
a vender produtos industrializados a outros pases, a qualidade de vida no melhorou para a maior parte da populao.
  Por sua vez, os pases pobres que no se industrializaram tendem a desaparecer do mapa do capital.  o caso da maioria dos pases africanos, que exportam produtos 
de menor valor agregado, isto , menos trabalho do que os produzidos nos outros pases. Enquanto a Costa do Marfim, por exemplo, exporta produtos primrios (como 
cacau), a pauta de exportaes do Japo inclui produtos que foram muito mais trabalhados (computadores, carros, aparelhos de som). Por isso, o custo e o preo da 
mercadoria japonesa so maiores, quando comparados aos dos produtos agrcolas.

               -

Atividade 3 

          Onde est o dinheiro do mundo

  O mapa da figura 9 redesenha o mapa-mndi de acordo com o valor do Produto Nacional Bruto (PNB), em milhes de dlares. Compare esse mapa com o da pgina 76 (fig. 
10 no livro em tinta), que mantm a rea do territrio dos pases. Escreva no caderno as suas concluses.

Figura 9.

mapa mostrando o Produto Nacional Bruto (PNB) mundial: 275 bilhes de dlares

pea orientao ao professor

76

Figura 10.

          Mapa-Mndi poltico

mapa mostrando a diviso poltica do mundo

O desemprego estrutural

  Como vimos neste captulo, as inovaes tecnolgicas - como a robtica e o uso de eletrnica e da informtica - vm aumentando de forma significativa o ritmo e 
a velocidade da produo de riquezas no planeta, em todos os setores da atividade econmica.
  Por outro lado, um nmero cada vez maior de pessoas est sendo excludo do processo produtivo. Ao mesmo tempo que geram mais lucros, as tecnologias modernas substituem 
o trabalhador em algumas etapas da produo, diminuindo a oferta de empregos. O desemprego causado pelos avanos tecnolgicos das mquinas que substituem operrios 
 conhecido como desemprego estrutural.
  Calcula-se que 120 milhes de pessoas em todo o mundo estejam desempregadas, o que talvez seja um dos maiores desafios sociais do sculo XXI. Conforme indica o 
mapa da figura 11, o maior ndice de desemprego  o da frica do Sul, atingindo 31% do total da fora de trabalho, seguido da Espanha `(22,7%`), Bolvia `(19%`), 
Argentina `(16,4%`) e Alemanha `(10,8%`).

Figura 11.

          Taxa de desemprego - pases selecionados (1995)

 o De 0 a 5%: Brasil - 4,6; Paraguai - 2,1; Fed. Russa - 1,0; Coria do Sul - 2,8; China - 2,3; Cingapura - 2,0; Taiwan - 1,6; Japo - 3,4; Sua - 4,3
 o De 5,1% a 10%: Canad - 9,4; Estados Unidos - 5,8; Mxico - 6,8; Colmbia - 8,9; Chile - 5,7; Uruguai - 9,4; Dinamarca - 9,1; Pases Baixos - 7,1; Gr-Bretanha 
- 8,3; Portugal - 7,3; Sucia - 7,8; Austria - 6,8; ndia - 10,0; Austrlia - 8,1
 o De 10,1% a 15%: Venezuela - 11,4; Frana - 11,7; Itlia - 11,6; Alemanha - 10,8
 o Mais de 15%: Bolvia - 19,0; Argentina - 16,4; Espanha - 22,7; frica do Sul - 31,0
  Legenda: Na Europa, o desemprego atinge as taxas mais elevadas do mundo industrializado.

  Com o desemprego, o conjunto dos trabalhadores tem acesso a uma parcela cada vez menor da riqueza produzida, j que diminui a massa salarial (total dos salrios 
pagos pelas empresas). Os empresrios e donos de bancos ficam com parcelas cada vez maiores da riqueza. Assim, at nos pases mais industrializados, vm ocorrendo 
concentrao de renda e excluso social de parte da populao.
77
  Mas, nesses pases, os trabalhadores sem postos de trabalho recebem seguro-desemprego, assistncia mdica, auxlio-transporte, dentre outras medidas para diminuir 
o problema social. O crescimento do desemprego estrutural em pases como o Brasil, a Argentina e a frica do Sul  mais recente. Como as polticas sociais nesses 
pases so precrias, o problema poder ganhar propores muito mais graves do que na Europa.

Passando a limpo 

  Com base no que voc aprendeu neste captulo, escreva, com suas prprias palavras, o significado dos seguintes termos:
 a) transnacional;
 b) globalizao da produo;
 c) desemprego estrutural.

78        

Captulo 6
 
          Os blocos econmicos internacionais

  No  fcil competir no mercado mundial. As empresas querem vender cada vez mais, pois, com isso, aumentam os lucros, podem abrir novas filiais e ampliar seus 
investimentos em tecnologia, ficando ainda mais modernas e competitivas. Os pases tambm querem vender sempre mais, pois quando as exportaes superam as importaes, 
ou seja, quando o saldo da balana comercial  positivo, sobra dinheiro para investir em infra-estrutura - rodovias, portos e aeroportos -, o que torna esses pases 
mais atraentes para os empresrios que procuram locais para suas novas fbricas.
  Muitos pases encontraram na formao de blocos econmicos internacionais uma maneira de tornar seus produtos competitivos e de ampliar sua participao no mercado 
mundial. Os blocos se constituem pelo agrupamento de um conjunto de pases - e existem diversas maneiras de realizar esse agrupamento. O mapa da figura 1 apresenta 
os principais blocos econmicos da atualidade, que sero abordados ao longo deste captulo.

Figura 1.

          Principais Blocos e Econmicos Internacionais

 o Nafta - Acordo de Livre Comrcio da Amrica do Norte (1992)
 o Mercosul - Mercado Comum do Sul (1991)
 o UE - Unio Europia (1993)
 o CEI - Comunidade de Estados Independentes (1991)
 o Opep - Organizao do Pases Exportadores de Petrleo (1960)
 o Apec - Cooperao Econmica sia-Pacfico (1989)
 o Asean - Associao das Naes do Sudeste Asitico (1967)
  Legenda: Os blocos econmicos supranacionais foram constitudos por diferentes tipos de acordos comerciais entre os pases.

  A Unio Europia busca no s integrar a economia de seus quinze pases-membros, criando uma nova moeda (o euro), mas tambm realizar polticas sociais e ambientais 
conjuntas. Alm disso, prev a livre circulao de pessoas, mercadorias, capitais e servios no interior de suas fronteiras.
  J o Nafta, do qual participam o Mxico, o Canad e os Estados Unidos,  apenas um acordo de livre-comrcio. Isso significa que as mercadorias podem atravessar 
livremente as fronteiras nacionais, mas as pessoas no. Os norte-americanos querem investir no Mxico e usar suas matrias-primas, mas no querem que os mexicanos 
entrem livremente nos Estados Unidos.
  O Mercosul, do qual fazem parte o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai,  uma unio aduaneira, dentro da qual foram eliminadas ou reduzidas as tarifas alfandegrias 
(tarifas cobradas na sada e na entrada de mercadorias no pas). O Mercosul pretende estabelecer uma mesma taxa para os produtos importados de outros pases.
  Em todas as suas formas, os blocos econmicos visam facilitar o comrcio entre seus integrantes e reduzir os custos de produo de mercadorias em seu interior. 
Dentro dos blocos, as empresas agrcolas e industriais dispem de matrias-primas e maquinrios produzidos em outros pases, sem ter de pagar a mais por isso. O 
mesmo ocorre com seus produtos finais, que podem ingressar em novos mercados sem serem taxados, tal como acontece com os demais produtos importados. Com a ampliao 
do mercado consumidor, os empresrios podem ampliar a produo e aumentar seus lucros.
  Essa integrao facilita a vida das grandes empresas, que conseguem reduzir seus custos, mas nem sempre  um bom negcio para todos. Por 
79
exemplo, quando os empresrios brasileiros que atuam na avicultura compram o milho argentino, mais barato, para alimentar suas aves, os produtores de milho no Brasil 
so seriamente prejudicados. Ao mesmo tempo que favorecem a competitividade, os blocos econmicos podem ampliar a concentrao de renda e o desemprego.
   muito comum que se faam acordos de cooperao tcnica e cientfica entre os pases-membros de blocos econmicos. No interior dos blocos, os pases permitem 
maior troca de informaes entre empresas e rgos governamentais de pesquisa, educao e capacitao de profissionais, que passam a atuar em conjunto. Em muitos 
casos, as universidades, como a mostrada na figura 2, promovem intercmbio entre professores e estudantes para o desenvolvimento de projetos cientficos e tecnolgicos. 
Isso ajuda a produo de novas tecnologias, o que tambm se reflete em aumento de competitividade.

Figura 2.

foto mostrando uma grande rea verde com alguns prdios. A seguir, legenda
  Campos da Universidade de So Paulo, na capital paulista. Com o Mercosul, os pesquisadores da USP ampliam as oportunidades de trabalhar com seus colegas da Argentina, 
do Paraguai e do Uruguai, desenvolvendo projetos em parceria com eles.

80
Atividade 1 

          Integrao econmica e competitividade

  Em 1985, Wisse Dekker, presidente da empresa holandesa Phillips, proferiu o seguinte discurso em favor do aprofundamento do projeto de integrao da economia europia:
  As economias de escala so necessrias para cobrir o gigantesco aumento nos custos da pesquisa e do desenvolvimento, to caractersticos da tecnologia moderna, 
e que ultrapassam a abrangncia dos mercados nacionais [...] Economias de escala e velocidade de crescimento so tambm os elementos estratgicos utilizados por 
nossos concorrentes no mundo inteiro. (Silvia Ostry, "A nova ordem mundial e a tendncia  regionalizao".)
  Com base no texto e no que voc j estudou, explique o significado da expresso "economia de escala".
        
A Unio Europia

  No decorrer da histria da Europa, ditadores poderosos j tentaram muitas vezes unificar a Europa pela fora, envolvendo milhes de pessoas em guerras sangrentas. 
Entretanto, ningum jamais conseguiu tal proeza: cada pas europeu tem o seu governo soberano e a sua capital.
  Apesar disso, o sonho da unidade europia no morreu. Pelo contrrio, ele continua cada vez mais forte. A idia agora no  mais fazer guerras e conquistar territrios, 
mas aprofundar a cooperao entre os diversos pases do continente, por meio de estratgias e investimentos conjuntos que possam tornar sua economia mais moderna 
e produtiva.
  A integrao econmica da Europa comeou logo aps o trmino da Segunda Guerra Mundial, quando o continente estava destroado. Observe a foto (fig. 3). Para reconstruir 
as estruturas produtivas arrasadas pelo conflito, era preciso incentivar a produo de ao no continente.

Figura 3.

foto mostrando uma cidade com alguns prdios destrudos e algumas pessoas na rua de bicicleta, a p, de moto e de carro. A seguir, legenda
  Centro de Frankfurt, uma das principais cidades alems, em 1948.

  Em 1952, a Alemanha e a Frana, dois pases que historicamente haviam sido grandes inimigos, resolveram utilizar suas reservas de carvo e de ferro em conjunto, 
diminuindo os custos da produo siderrgica. Junto com Itlia, Blgica, Holanda e Luxemburgo, fundaram a Comunidade Europia do Carvo e do Ao (Ceca). A Frana 
e a Alemanha passaram a depender fortemente uma da outra, tornando cada vez mais remota a hiptese de novos conflitos armados.
  Cinco anos depois, a Ceca deixou de ser apenas um acordo para produo siderrgica. Com a assinatura do Tratado de Roma, em 1957, a integrao espalhou-se para 
todos os setores da economia. A partir de ento, no s as mercadorias e o dinheiro passaram a circular livremente pelo territrio dos pases-membros, mas tambm 
as pessoas. Um banqueiro alemo, por exemplo, passou a poder investir na indstria francesa, assim como um trabalhador italiano ganhou o direito de se estabelecer 
na Alemanha sem ter problemas com o departamento de imigrao.
81
  Desde ento, muitos outros acordos foram assinados, visando ao aperfeioamento das estratgias de integrao e complementao econmica e tecnolgica, como, por 
exemplo, na produo de avies. Leia mais sobre isso no quadro 1.

Quadro 1

          O AIRBUS A3XX

  Por exigir enormes recursos financeiros e tecnolgicos, a construo de avies de grande porte tem se concentrado nas mos de apenas trs empresas em todo o mundo. 
Duas delas so norte-americanas, a Boeing e a Macdonnal Douglas. A terceira surgiu com a unio de vrios pases europeus, que passaram a colaborar para a construo 
dos avies Airbus. O desenvolvimento, a produo 
e a montagem das diferentes partes foram divididos entre Alemanha, Frana, Inglaterra e Espanha. Para a criao de um novo modelo, como o A3XX (fig. 4), o trabalho 
foi dividido entre tcnicos desses pases, que atualizavam, pelo computador, a cada semana, um avio que ainda era virtual. Em 2004, ele dever entrar em operao 
nas companhias areas do mundo todo.

Figura 4. 

foto mostrando um avio A3XX, em maio de 1998
 fim do quadro

 
  Posteriormente, outros pases europeus aderiram ao bloco: primeiro o Reino Unido, a Dinamarca e a Irlanda, depois a Grcia, mais tarde Portugal e Espanha e, em 
1995, a ustria, a Sucia e a Finlndia. A Hungria e a Repblica Tcheca tambm j solicitaram seu ingresso na Unio Europia (UE).
  Atualmente, a Unio Europia  uma grande potncia comercial, econmica e financeira, que dispe de uma moeda nica, o euro. Para isso, o bloco tem um Banco Central 
capaz de emitir dinheiro vlido em quase todos os pases-membros. Para que isso funcione,  preciso manter um rgido controle sobre o crescimento das economias desses 
pases e sobre os gastos realizados por seus governos.
  Mas a Unio Europia  muito mais do que isso. A integrao tem avanado tambm pelo campo da defesa, dos direitos civis e das polticas sociais e ambientais. 
Por isso, as decises que afetam os milhes de pessoas que vivem no interior das fronteiras da Unio so, cada vez mais, tomadas por uma complexa rede de instituies 
comunitrias, entre as quais se destaca o Parlamento Europeu (fig. 5).

Figura 5.

foto mostrando o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na Frana. Nele so discutidos e aprovados os acordos que regem a Unio Europia

82
  Os acordos e polticas comunitrias passam por longos processos de discusso, at serem aprovados por todos os pases-membros. Da surgem muitos problemas, pois 
nem sempre as medidas que parecem boas e necessrias para o governo da Alemanha, por exemplo, so bem recebidas pelo governo do Reino Unido. 
        
               -

Atividade 2 

          A Unio Europia em nmeros

  Faa uma pesquisa a respeito do PIB e do total de populao de cada pas-membro da Unio Europia. Calcule o PIB per capita de cada pas, dividindo o PIB pelo 
total da populao. Organize uma tabela com esses dados. Cole sua tabela no caderno e elabore um comentrio a respeito dos dados.

O Acordo de Livre-Comrcio da Amrica do Norte

  O Acordo de Livre-Comrcio da Amrica do Norte (North America Free Trade Agreement, Nafta, assinado em 1992, rene os trs pases da Amrica do Norte: Canad, 
Mxico e Estados Unidos. A forte integrao entre essas trs economias, porm,  um fato histrico muito mais antigo.
  As grandes corporaes industriais norte-americanas esto presentes no espao econmico canadense desde o incio da industrializao do pas, no sculo XIX. Atualmente, 
os capitais dos Estados Unidos representam cerca de 80% do total de investimentos estrangeiros diretos no Canad. Alm disso, mais de 70% das exportaes canadenses 
so para os Estados Unidos e pouco menos de 70% das importaes vm daquele pas. O comrcio entre as empresas norte-americanas e suas filiais instaladas no Canad 
representa metade das trocas comerciais entre os dois pases. Em 1988, Canad e Estados Unidos j haviam assinado um acordo de integrao comercial, solidificando 
ainda mais as suas relaes comerciais.
83
  No caso do Mxico, os nmeros revelam um grau de integrao equivalente. Pouco menos de 70% dos investimentos estrangeiros diretos no Mxico so norte-americanos 
e os Estados Unidos figuram h muito tempo como seu principal parceiro comercial.
  Mas as semelhanas acabam a. O Canad  o campeo mundial em ndice de Desenvolvimento Humano, o que significa que a qualidade de vida do pas  a melhor do mundo. 
Alm disso, apresenta uma estrutura industrial moderna e diversificada,  um grande produtor de cereais para exportao, dispondo de um importante estoque de valiosos 
recursos naturais. Por outro lado, sua populao equivale a pouco menos de um dcimo da populao dos Estados Unidos, e sua economia tambm  significativamente 
menor do que a do seu poderoso vizinho do sul. Compare os dados do grfico (fig. 6).

Figura 6.

          Os pases do Nafta em nmeros (1996)

contedo do grfico, a seguir
 o PIB
  Mxico - 316,3 bilhes de dlares
  Canad - 577,8 bilhes de dlares
  Estados Unidos - 7,263 bilhes de dlares
 o PIB per capita
  Mxico - 7.688 milhes de dlares
  Canad - 21.520 milhes de dlares
  Estados Unidos - 27.358 milhes de dlares
 o Populao
  Mxico - 92.718 milhes de habitantes
  Canad - 29.680 milhes de habitantes
  Estados Unidos - 269.444 milhes de habitantes
  Legenda: A pesar de ser o pas do Nafta com maior populao e PIB, os Estados Unidos apresentam PIB per capita prximo ao do Canad. Isso significa que a distribuio 
da renda no Canad  melhor do que no seu vizinho.

  O Mxico, por sua vez,  um pas de industrializao tardia, com graves problemas sociais e econmicos. Nas ltimas dcadas, o Mxico viveu um processo intensivo 
de urbanizao e grande parte da populao do pas vive nos bairros miserveis que cercam suas principais aglomeraes metropolitanas.
  No contexto do Nafta, o Mxico oferece para os seus vizinhos mais ricos recursos naturais importantes, como prata, zinco, chumbo e, principalmente, petrleo, o 
que pode reduzir os custos de produo das economias do bloco.
  Alm disso, o Mxico dispe de uma grande oferta de mo-de-obra barata. Por isso, muitos sindicatos de trabalhadores dos Estados Unidos se posicionam contra o 
Nafta. Atradas pelos baixos salrios pagos aos trabalhadores do pas, muitas indstrias esto se transferindo para o Mxico, o que reduz a oferta de empregos nos 
Estados Unidos.
  A criao do Nafta faz parte de uma estratgia mais ampla de integrao continental. Em 1990, George Bush, ento presidente dos Estados Unidos, apresentou a proposta 
que ficou conhecida como "Iniciativa para as Amricas", que prev a constituio de uma grande zona de livre-comrcio, incluindo, alm do Nafta, os pases da Amrica 
do Sul e da Amrica Central. Esse bloco, conhecido como Alca (rea de Livre-Comrcio das Amricas), ainda no est consolidado, mas muitos empresrios norte-americanos 
j sonham com o livre acesso de seus produtos pelas trs Amricas.

84
O Mercosul

  O Mercado Comum do Sul (Mercosul) comeou a ser desenhado em 1985, em um encontro entre os presidentes Jos Sarney, do Brasil, e Ral Alfonsn, da Argentina. Em 
1991, o Mercosul finalmente ganhou sua forma atual, com as adeses do Paraguai e do Uruguai.
  Nos grficos (figuras 7, 8, 9 e 10), voc pode observar o crescimento das exportaes do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai para o Mercosul. O Brasil 
, atualmente, o principal parceiro comercial da Argentina.
  As principais economias do bloco - Brasil e Argentina - apresentam custos mdios de produo bastante diferentes em importantes setores da indstria e da agricultura. 
Em termos gerais, as indstrias instaladas no Brasil operam com tecnologia mais avanada e com menor custo de mo-de-obra, j que os salrios mdios no Brasil so 
inferiores aos pagos na Argentina. Na agricultura, a situao 
85
se inverte: os empresrios rurais argentinos, principalmente os ligados ao cultivo de frutas e gros, tm custos mdios inferiores aos dos empresrios brasileiros.
  O Mercosul  um bom negcio para muitas das grandes indstrias implantadas no Brasil. Esse fato se reflete nas exportaes do Brasil para a Argentina: apenas o 
caf e o minrio de ferro, entre os dez principais produtos desse intercmbio, no so manufaturados. S as vendas de autopeas, automveis, veculos de carga e 
motores representam cerca de 25% das exportaes brasileiras para a Argentina.
  Na pauta de exportaes da Argentina para o Brasil, o petrleo assume o primeiro lugar, j que o pas possui vastas reservas petrolferas na Patagnia. Como o 
trigo, o milho e o leo de soja tambm ocupam posio de destaque, o Mercosul no  um bom negcio para muitos agricultores brasileiros, principalmente os da Regio 
Sul que cultivam esses produtos, pois para eles  difcil competir com os argentinos.

Figura 7.

          Brasil: Exportaes para o Mercosul (milhes de dlares)

 o 9.043 - Mercosul
 o 9.767 - Argentina
 o 1.406 - Paraguai
 o 870 - Uruguai

Figura 8.

          Argentina: Exportaes para o Mercosul (milhes de dlares)

 o 9.491 - Mercosul
 o 8.060 - Brasil
 o 812 - Uruguai
 o 619 - Paraguai

Figura 9.

          Paraguai: Exportaes para o Mercosul (milhes de dlares)

 o 889 - Mercosul
 o 531 - Brasil
 o 320 - Argentina
 o 38 - Uruguai

Figura 10.

          Uruguai: Exportaes para o Mercosul (milhes de dlares)

 o 1.355 - Mercosul
 o 940 - Brasil
 o 354 - Argentina
 o 61 - Paraguai

               -

86
Atividade 3 

          Dossi Mercosul

  Pesquisando em jornais e revistas, recorte artigos, ilustraes e dados a respeito do Mercosul. Organize, ento, um dossi sobre o assunto: coloque o material 
numa pasta, elabore um ndice e redija uma apresentao, resumindo os principais aspectos reunidos no trabalho.
        
A Asean e a Apec

  A Associao das Naes do Sudeste Asitico (Asean) surgiu em 1967, reunindo Cingapura, Filipinas, Indonsia, Malsia e Tailndia. Em 1984, Brunei passou a integrar 
o bloco, em 1995 foi a vez do Vietn e, em 1999, o Camboja tambm aderiu ao bloco.
  Inicialmente, a Asean voltou-se para a liberalizao do comrcio: uma das primeiras medidas foi a liberao de tarifas de produtos agrcolas. Porm, em meados 
da dcada de 1970, os pases-membros definiram algumas reas para atuao conjunta, como os setores da indstria petroqumica, de produo de fertilizantes e de 
borracha. Isso impulsionou a economia da regio e a participao desses produtos no mercado internacional.
  Brunei e Indonsia tm na explorao de gs natural e petrleo, respectivamente, suas maiores fontes de riqueza. Cingapura, por sua vez, aloja empresas de alta 
tecnologia, com destaque para as de informtica. A Malsia  lder do mercado mundial de madeiras, tendo devastado matas virgens em seu pas, nos pases vizinhos 
e at mesmo no Brasil. Assim como a Tailndia (fig. 11), a Malsia possui uma base industrial importante. Nas Filipinas e no Vietn, a agricultura  a atividade 
econmica mais importante.

Figura 11. 

foto mostrando parte de uma cidade com muitos prdios. A seguir, legenda
  Bangcoc, capital da Tailndia,  o principal centro industrial do pas.

87
  Em 1993 foi estabelecida uma zona de livre-comrcio entre os membros da Asean. De acordo com seu calendrio, at 2008 as tarifas alfandegrias entre os participantes 
sero reduzidas para, no mximo, 5%.
  A Cooperao Econmica da sia e do Pacfico (Apec) nasceu de uma reunio ocorrida em Sidney, na Austrlia, em 1989. O objetivo era estabelecer uma ampla zona 
de cooperao econmica que estimulasse o comrcio entre os pases-membros, por meio da diminuio progressiva das barreiras alfandegrias.
  Austrlia, Brunei, Canad, Cingapura, Chile, China, Coria do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Indonsia, Japo, Malsia, Mxico, Nova Zelndia, Papua-Nova 
Guin, Tailndia e Taiwan integram a Apec. No final da dcada de 1990, esses pases reuniam 2,2 bilhes de pessoas, ou seja, cerca de 40% da populao mundial. Somado, 
o produto interno bruto desses pases chegava  estrondosa cifra de 12 trilhes de dlares - quase a metade do total do mundo. E seu comrcio movimentava perto de 
45% do total do planeta!

               -

Atividade 4 

          ASEAN E APEC

  Faa uma comparao entre a Asean e a Apec. Escreva no caderno suas concluses.

Passando a limpo 

  Releia o captulo e responda no caderno.

 1. Que razes justificam o Mercosul?
 2. Quais as vantagens econmicas de fazer parte da Apec?
 3. Qual a principal diferena entre a UE e os demais blocos?
 4. Quais so as perspectivas, para o Brasil, de uma unio envolvendo o Nafta e o Mercosul?

Regionalizando o globo

o Observe os pases indicados no mapa abaixo.

 mapa destacando a Alemanha, Federao Russa, China, Japo e frica do Sul

 a) Procure agrup-los. Justifique sua proposta de agrupamento, considerando o que voc sabe sobre as caractersticas culturais, econmicas e polticas desses pases.
 b) Indique outros pases que poderiam fazer parte dos grupos que voc formou. Justifique sua escolha.

pea orientao ao professor

89

 o Observe as fotos abaixo.

cinco fotos mostrando diferentes lugares. A seguir, descrio
 Foto 1: Praa da Paz Celestial, em Pequim.
 Foto 2: Centro de Tquio.
 Foto 3: Praa Vermelha, em Moscou.
 Foto 4: Vista do Memorial Kaiser Wilhelm, em Berlim.
 Foto 5: Parque no centro de Pretria.

 a) Identifique no planisfrio anterior o pas em que est localizado cada um desses lugares.

pea orientao ao professor

 b) Escolha um deles para voc realizar uma viagem imaginria. Como seria a viagem? O que voc gostaria de fazer nesse lugar?

  Existem vrias formas de conhecer os diferentes pases do mundo. Uma delas  estudando-os.  o que vamos fazer nesta unidade. Porm, no vamos tratar de todos. 
Seria preciso muito mais do que um livro para poder dar conta dos aspectos fsicos e da economia dos mais de 180 pases da Terra. No captulo 7, so apresentados 
os pases europeus. No seguinte, mostramos como a Unio Sovitica deixou de ser um nico pas dando lugar a uma srie de outros. No captulo 9, chega a vez do Japo 
e seus vizinhos asiticos. A China, pela sua importncia econmica e populacional, mereceu um captulo  parte. No captulo 11,  abordado o continente africano.

90

Captulo 7

          A geografia da europa

  Na mitologia grega, a herona Europa  uma bela jovem, por quem o todo-poderoso Zeus se apaixona. Para conquist-la, ele se transforma em um magnfico touro branco 
e vai at a praia onde Europa brincava. Quando a jovem Europa vence seu medo e monta no dorso do animal, Zeus sai em disparada em direo ao mar, chegando at a 
ilha de Creta. Mais tarde, esse touro iria se tornar uma constelao e um dos signos do zodaco.
  Sculos antes do nascimento de Cristo, os gregos batizaram de Europa as terras que se estendiam ao norte da regio banhada pelo Mar Mediterrneo e chamaram de 
sia as terras orientais, situadas na direo do Sol nascente. Claro que se tratava de uma diviso muito imprecisa: no existe um oceano separando a Europa da sia 
e grande parte dessa imensa massa continental era desconhecida pelos gregos.
  At hoje, consideramos a Europa e a sia como "continentes" distintos, apesar de sabermos que eles integram uma nica e imensa massa continental denominada Eursia. 
Por conveno, os Montes Urais, o Rio Ural, parte do Mar Cspio, as Montanhas Caucasianas, o Mar Negro e o Mar de Mrmara so utilizados como limites entre os dois 
continentes. Dessa forma, dois pases - a Rssia e a Turquia - possuem terras nos dois continentes. Observe no mapa da figura 1 que os Montes Urais cortam o territrio
91
da Rssia e que os estreitos de Bsforo e de Dardanelos separam a Turquia europia da Turquia asitica.

 Figura 1. 

mapa mostrando a diviso poltica, da Europa: Irlanda, Reino Unido, Pases Baixos, Blgica, Lux, Frana, Sua, Andorra, Espanha, Portugal, Noruega, Sucia, Finlndia, 
Dinamarca, Alemanha, Estnia, Letnia, Litunia, Rs, Polnia, Rep. Tcheca, Rep. Eslovaca, ustria, Hungria, Eslovnia, Crocia, Bsnia Herzegovina, Itlia, Iugoslvia, 
Macednia, Albnia, Grcia, Bulgria, Turquia (parte europia), Gergia, Belarus, Ucrnia, Moldova, Romnia, Azerbaijo, Armnia, Federao Russa. A seguir, legenda
  A Europa possui um litoral muito recortado, formado por inmeras pennsulas, mares e estreitos martimos.

A paisagem natural

  De acordo com a sua situao no globo terrestre, a Europa pode ser considerada um continente temperado, pois grande parte de suas terras se estendem entre o Trpico 
de Cncer e o Crculo Polar rtico. Apenas a Noruega, a Sucia, a Finlndia e a Rssia possuem terras na gelada Zona Polar. Observe o mapa (fig. 2).

Figura 2.

          A Europa e as zonas trmicas da Terra

mapa mostrando a Europa e as Zonas trmicas: Polar, Temperada e Intertropical. A seguir, legenda
  Uma pequena faixa de terras da Noruega, Sucia, Finlndia e Rssia est situada ao norte do Crculo Polar rtico.

  Devido a essa situao, a paisagem natural da Europa  bastante diferente da encontrada nos trpicos. Florestas como as que existem na Amaznia e no litoral brasileiro, 
por exemplo, jamais ocorreriam em regies temperadas, pois elas precisam de calor constante para desenvolver seu elevado nmero de espcies. As florestas que originalmente 
recobriam as extensas plancies europias so florestas homogneas, ou seja, com uma espcie dominante.
  A situao temperada da Europa tambm ajuda a entender a importncia que os produtos tropicais tiveram na histria das Grandes Navegaes e no estabelecimento 
de colnias no alm-mar. Quando os portugueses colonizaram o Brasil, por exemplo, introduziram fazendas de cana-de-acar nas regies costeiras. J os ingleses utilizaram 
suas colnias situadas nas regies tropicais da Amrica do Norte para plantar algodo e tabaco. Muito mais tarde, seria a vez das colnias africanas contriburem 
para o cardpio dos europeus, com amendoim, cacau, caf e banana. At hoje, os europeus importam grandes quantidades desses produtos, pois seria difcil e caro cultiv-los 
nos campos temperados do continente.
  Apesar da importncia geogrfica e histrica da situao temperada da Europa, sabemos que apenas a posio nas zonas trmicas da Terra no  suficiente para explicar 
os diversos tipos de clima existentes no continente e, muito menos, a diversidade de suas paisagens naturais.
  O relevo  um dos componentes dessa diversidade. Observe no mapa da pgina seguinte (fig. 3) que grandes cadeias montanhosas aparecem tanto no norte quanto no 
sul do continente, separadas por plancies de extenses variveis. Entretanto, as montanhas do norte so muito diferentes das montanhas do sul.

Figura 3. 

          Europa: relevo

mapa mostrando a localizao de montes, rios, planaltos, plancies, mares e alpes. A seguir, legenda
  O desgaste das rochas provocado pelo movimento das geleiras (ou seja, a eroso glacial) deixou suas marcas no litoral da Noruega, extremamente recortado por estreitos 
e profundos corredores nos paredes costeiros, conhecidos como fiordes.

  As cadeias e os macios (1) veja a pgina 267 do norte foram formados em eras geolgicas bastante antigas e sofreram um longo processo de desgaste e eroso. Por 
isso apresentam altitudes mdias inferiores a 2.500 metros e grandes extenses arredondadas pelos processos erosivos. Os Alpes Escandinavos e os Montes Peninos, 
no norte da Gr-Bretanha, so exemplos desse tipo de
92
formao. Em muitas regies da Europa setentrional, principalmente na Finlndia, na Sucia e na Noruega, o gelo esculpiu os milhares de lagos que pontuam a paisagem, 
como o que aparece na foto (fig. 4).

Figura 4. 

foto mostrando morros cobertos pelo gelo e um lago. A seguir, legenda
  Lago Stryn, na Noruega. Seu leito tambm  resultante de eroso glacial.

93
  As cadeias montanhosas do sul e sudeste do continente foram formadas em eras geolgicas mais recentes. Assim, apresentam maiores altitudes mdias e grandes elevaes: 
o ponto mais alto do continente, o Monte Branco, situado a 4.810 metros, integra a Cadeia dos Alpes. Alm dos Alpes, os Pirineus, os Apeninos, os Crpatos e os Blcs 
exemplificam esse tipo de formao. Vrios rios que drenam as grandes plancies europias, como o Reno e o Danbio, tm suas nascentes nas cadeias montanhosas do 
sul.
  Durante muito tempo, as rotas europias de comrcio tiveram de procurar passagens e vales de rios para atravessar as barreiras montanhosas e ligar a Europa meridional 
ao resto do continente.
  Nas plancies, o desenvolvimento de grande parte do comrcio, e mais tarde da indstria, dependeu do sistema de estradas naturais formado pelos mais importantes 
cursos fluviais do continente.
  O Rio Reno, que nasce nos Alpes suos e corta importantes cidades industriais da Alemanha - como a da figura 5 -,  um dos mais importantes: um vasto sistema 
de canais o torna navegvel em quase toda a sua extenso, facilitando o transporte de gros, minerais e produtos industrializados. Em grande parte por causa do Reno 
e de seus afluentes, o Porto de Roterd, situado nos Pases Baixos,  o mais movimentado do mundo!

Figura 5. 

foto mostrando parte de uma ponte sobre um rio, em uma das extremidades da ponte v-se parte de uma cidade. A seguir, legenda
  Colnia se tornou um dos mais importantes centros industriais da Alemanha do sculo XIX, principalmente devido s grandes reservas de carvo existentes na regio 
e  sua localizao, nas margens do rio Reno.

  O Rio Danbio, que nasce na Floresta Negra alem e atravessa sete pases at desaguar no Mar Negro,  tambm uma importante via de comunicao entre os pases 
da Europa.

Atividade 1

          Um passeio pelo Danbio

  Com o auxlio de um atlas, vamos organizar uma expedio pelo Rio Danbio. Desenhe em uma cartolina o curso do rio, indicando os pases e as principais cidades 
que ele atravessa. Procure, em jornais e revistas, fotografias do rio em diferentes pontos do seu curso e cole-as na cartolina, no local adequado. Escreva um pequeno 
texto explicando o que voc conheceria se fizesse uma expedio que acompanhasse o Rio Danbio desde a Floresta Negra at o Mar Negro.

A diversidade climato-botnica

  At agora, estudamos dois fatores que influenciam a formao dos climas europeus. O primeiro foi a latitude: vimos que a Europa se encontra quase inteiramente 
na Zona Temperada. Alm da latitude, o relevo tambm interfere nos climas: as grandes elevaes da Cadeia dos Alpes, por exemplo, permanecem recobertas de neve durante 
o ano inteiro.
94
  Se voc observar mais uma vez o mapa fsico da Europa (fig. 3), poder verificar que o litoral  extremamente recortado, ou seja, cheio de reentrncias.
  Isso ajuda a entender a grande influncia que a proximidade do mar exerce sobre as temperaturas de vastas regies do continente. Nas regies prximas ao litoral, 
principalmente na fachada atlntica (2) varrida pelos ventos de oeste, o inverno tende a ser mais curto e menos rigoroso. O mar retm uma grande quantidade de calor 
durante o vero e esse calor ajuda a amenizar as temperaturas durante o inverno. Esse efeito  conhecido como maritimidade.
  As regies interiores do continente, que englobam o sul da Alemanha, a Hungria, a Repblica Tcheca e grande parte da Rssia, esto submetidas ao efeito de continentalidade: 
distantes da influncia moderadora do oceano, essas regies tendem a apresentar uma grande amplitude trmica anual, associada a invernos bastante rigorosos. Praga, 
capital da Repblica Tcheca (fig. 6), por exemplo, apresenta um regime climtico tipicamente continental. Leia mais sobre isso no quadro 1.

Figura 6.

foto mostrando parte de uma cidade com prdios, jardins, rvores e avenidas. A seguir, legenda
  Inverno em Praga (Repblica Tcheca), uma das mais belas capitais europias.

Quadro 1
 
          Maritimidade e continentalidade

  Os grficos abaixo (figuras 7 e 8), conhecidos como climogramas, representam as mdias mensais de temperatura e a precipitao de Londres e Moscou. A linha vermelha 
mostra a variao da temperatura, cuja escala encontra-se no lado esquerdo do grfico. J as barras azuis representam o total mensal das chuvas, de acordo com a 
escala posicionada no lado direito. Observe que as temperaturas ao longo do ano variam muito mais em Moscou, submetida a um clima continental, do que em Londres, 
que apresenta um clima ocenico, ou seja, marcado pelo efeito da maritimidade.

Figura 7.

desenho mostrando o Climograma de Londres

Figura 8.

desenho mostrando o Climograma de Moscou
 fim do quadro

  Esses fatores explicam os grandes tipos de clima existentes na Europa, que, por sua vez, esto relacionados s principais formaes vegetais do continente. Compare 
os mapas das figuras 9 e 11.

Figura 9. 

          Europa: climas

mapa mostrando os climas nas diferentes regies da Europa. A seguir, descrio
 o Climas: polar, frio de montanha, frio, temperado ocenico, temperado continental, mediterrneo, semi-rido
 o Correntes martimas: quente e fria
  Legenda: A proximidade do mar e a latitude so fatores decisivos na distribuio dos tipos climticos na Europa.

Figura 11. 

          Europa: Vegetao

mapa mostrando a vegetao nas diferentes regies da Europa: Tundra, vegetao de altitude, floresta boreal (Taiga), floresta temperada, estepes e pradaria, vegetao 
mediterrnea. A seguir, legenda
  Compare esse mapa com o da figura 9: perceba a forte relao entre clima e vegetao na Europa.

  O norte da Pennsula Escandinava e da Rssia, assim como a ilha da Islndia (literalmente, "terra do gelo") esto sob o domnio do clima polar. S pelo nome, voc 
pode imaginar o frio que faz por l! Durante o curto perodo anual de vero, essas regies so recobertas pela tundra, conforme voc pode observar na (fig. 10).

Figura 10.

foto mostrando parte de uma regio com muito verde, muitas pedras brancas e uma vegetao rasteira vermelha e verde. A seguir, legenda
  Tundra na Finlndia. A paisagem dessa regio  colorida no vero e completamente branca no inverno.

96
  A fachada continental voltada para o Oceano Atlntico  dominada pelo clima temperado ocenico: temperado porque est na Zona Temperada do planeta; e ocenico 
porque as temperaturas de inverno so amenizadas pela Corrente do Golfo, uma corrente marinha quente. O clima temperado continental, caracterizado pela grande amplitude 
trmica anual, domina as regies interiores do continente.
  Originalmente, as regies dominadas pelo clima temperado ocenico e continental eram recobertas pelas mais diversas formaes vegetais, incluindo florestas temperadas 
e trechos nos quais predominavam formaes herbceas e arbustivas. Porm, sobrou muito pouco da cobertura vegetal original. Em seu lugar, surgiram extensas regies 
urbanizadas, distritos industriais e campos de cultivo. A Floresta Negra da Alemanha, abordada no quadro 2,  a memria de uma Europa que no existe mais.

97
Quadro 2

          Era uma vez...

  A Floresta Negra, localizada no sul da Alemanha,  o cenrio de vrios dos famosos contos de fadas escritos pelos irmos Grimm. Chapeuzinho Vermelho e a Bela Adormecida 
andam e se perdem nessa floresta, em meio a rvores como o pinheiro, que no perdem as folhas no inverno. Nela, predominam as grandes rvores e os pequenos arbustos 
com flores. Pode-se passear com facilidade entre os troncos dos pinheiros, mas as copas cerradas barram quase toda a entrada de luz. O ambiente escuro, prprio  
fantasia e s lendas, deu origem ao nome: Floresta Negra. E no entanto essa floresta fica completamente branca durante vrios meses, branca de neve. (Jorge Almeida, 
Cadernos de viagem. mimeo)

Figura 12. 

foto mostrando Chapeuzinho Vermelho sendo espreitada pelo Lobo Mau na Floresta Negra

 fim do quadro

  No sul do continente, nas reas que bordejam o Mar Mediterrneo, o clima  alternadamente mido (no inverno) e seco (no vero). Devido a essas condies climticas, 
a Europa mediterrnea tradicionalmente  a regio das vinhas e das oliveiras, como ilustra a foto (fig. 13).

Figura 13. 

foto mostrando uma grande rea verde. A seguir, legenda
  Campo de oliveiras no mediterrneo francs.

98
A Europa comunitria

  Conforme estudamos no captulo 6, a Europa abriga o bloco econmico internacional mais integrado do mundo, a Unio Europia (fig. 14).

Figura 14. 

          A Unio Europia (1999)

mapa destacando os pases integrantes da Unio Europia: Irlanda, Reino Unido, Pases Baixos, Blgica, Luxemburgo, Frana, Portugal, Espanha, Sucia, Finlndia, 
Dinamarca, Alemanha, ustria, Itlia e Grcia. A seguir, legenda
  A Unio Europia est sendo construda desde 1957, quando Frana, Alemanha, Blgica, Luxemburgo e Itlia assinaram o Tratado de Roma e criaram um mercado comum. 
Desde ento, outros pases aderiram ao bloco, e a integrao entre eles se tornou ainda mais profunda.

  Grandes diferenas econmicas separam os pases que integram a Unio Europia. A Alemanha, uma das maiores potncias industriais do mundo, possui um parque produtivo 
bastante diversificado, no qual se destacam as indstrias siderrgica, mecnica, qumica e farmacutica. A Frana e o Reino Unido tambm se destacam como centros 
industriais da Europa. Em contrapartida, em pases como Irlanda, Grcia e Portugal, a indstria  bem menos moderna e diversificada.
  Muitos pases convivem, tambm, com grandes diferenas regionais de desenvolvimento. O norte da Itlia, por exemplo, conta com um importante tringulo industrial 
formado pelas cidades de Turim, Gnova e Milo (fig. 15). O sul do pas, porm, apresenta pequeno desenvolvimento industrial e ndices de pobreza bem maiores.

Figura 15. 

foto mostrando parte de uma cidade. A seguir, legenda
  Milo, no norte da Itlia,  um dos principais centros industriais e financeiros do pas.

99
Atividade 2

          A Europa  aqui?

  Faa uma lista de produtos industrializados importados da Unio Europia que esto sendo vendidos no mercado brasileiro. Separe-os de acordo com o pas de fabricao. 
Compare os tipos de produtos exportados pela Alemanha, Frana e Espanha, e procure explicar o porqu dos resultados obtidos.

  O resultado de tantas desigualdades tem sido o aumento da migrao intracomunitria, ou seja, aquela que acontece no interior da Unio Europia. Cada vez mais 
trabalhadores portugueses, espanhis, gregos e irlandeses migram em direo s regies mais ricas do continente, procurando melhores salrios e melhores condies 
de vida.
  Parte dos investimentos da Unio Europia tem sido canalizada para melhorar a infra-estrutura urbana, de transporte e de comunicaes nos pases mais pobres. Afinal, 
para que haja desenvolvimento industrial e financeiro,  preciso estradas e ferrovias que facilitem a circulao dos produtos, alm de cidades com infra-estrutura 
moderna. Para os empresrios britnicos, alemes e franceses, abrir fbricas em pases como Portugal, Espanha e Grcia est se tornando um bom negcio, pois o salrio 
mdio dos trabalhadores  bem menor nesses pases.
  Tambm no setor primrio, ou seja, na agricultura e na pecuria, encontramos muitas diferenas entre os pases da Unio Europia. Em parte, essa diversidade pode 
ser atribuda ao clima: as oliveiras, as vinhas e os ctricos cultivados na Europa mediterrnea so produtos adaptados ao longo perodo de estiagem que caracteriza 
o clima regional. As grandes plancies temperadas da Frana e da Alemanha so tradicionalmente aproveitadas para o cultivo de cereais.
  Mas isso,  claro, no explica tudo. Os pases e regies da Unio Europia tambm se diferenciam quanto ao tamanho mdio das propriedades,  utilizao de tecnologias 
diferentes e ao regime de trabalho agrcola. Na Frana e na Alemanha, por exemplo, predominam as pequenas e mdias propriedades policultoras altamente modernizadas; 
as grandes propriedades que utilizam intensivamente a mo-de-obra ainda so comuns na paisagem da Europa mediterrnea. A Frana  grande exportadora de alimentos, 
enquanto o Reino Unido e a Alemanha so tradicionais importadores.
  Apesar de todas essas diferenas, a Unio Europia estabeleceu uma Poltica Agrcola Comum (PAC), que vale para todos os seus membros. Por meio da PAC, foram unificados 
os preos dos produtos agrcolas cultivados nesse espao comunitrio e se estabeleceu uma poltica de ajuda aos produtores, para que eles possam modernizar as fazendas 
e ampliar a produtividade.
  A meta da PAC  manter a Europa auto-suficiente em alguns alimentos bsicos - cereais, leite e carne, por exemplo - e fixar taxas
100
comuns para as importaes extracomunitrias. Como j vimos, a Unio Europia  uma grande importadora de produtos agrcolas tropicais, sendo os pases do continente 
africano seus principais fornecedores.

               -

Atividade 3

          Estudando pases europeus

  Escolha um dos pases-membros da Unio Europia e organize um dossi sobre ele. Rena numa pasta artigos de jornais e revistas, folhetos, dados estatsticos, mapas 
desse pas. Escreva um comentrio acerca de sua situao econmica e de sua importncia na Unio Europia. Procure tambm caracteriz-lo quanto s paisagens naturais 
predominantes.

Passando a limpo

  A Europa triunfante, inserida na economia-mundo, v como se afirmam as suas metrpoles do noroeste, de Londres a Paris, de Amsterd a Frankfurt; v como se impem 
as regies litorneas do Mar do Norte sobre as rotas Roterd-Nova Iorque-Cingapura; v como prosperam as regies situadas ao norte e ao sul dos Alpes, em torno de 
cidades histricas dinmicas e regies de alta tecnologia, de Milo a Munique. Essa Europa transfere parte de seus excedentes comerciais para as regies perifricas, 
para as terras banhadas pelo Oceano Atlntico, desde a Irlanda at o sul de Portugal, as terras mediterrneas, da Andaluzia s ilhas gregas. (Baseado em Catherine 
Baulomon, Europa.)
  
  Copie o mapa da Unio Europia (fig. 14). Com o auxlio de um atlas, localize no seu mapa as regies e cidades citadas no texto acima, separando a Europa "triunfante" 
da Europa "perifrica". Faa uma legenda para o mapa que voc criou.

               -

Notas de rodap

 (1) Macios - Grandes reas montanhosas que j foram parcialmente erodidas.
 (2) Fachada atlntica - rea costeira voltada para o Oceano Atlntico.

101

Captulo 8

          Da Unio Sovitica  comunidade de estados independentes

  No dia 26 de dezembro de 1991 a bandeira vermelha com a foice e o martelo deixou de tremular no mastro do Kremlin, em Moscou, o centro do poder da Unio das Repblicas 
Socialistas Soviticas (URSS). Em seu lugar foi hasteada a bandeira da Rssia. Observe as fotos da figura 1.

Figura 1. 

duas fotos mostrando o Kremlin, na primeira, com a bandeira sovitica que tremula para a direita; na segunda foto, o mesmo prdio, com a bandeira russa, que tremula 
para a esquerda. A seguir, legenda
  O Kremlin com a bandeira sovitica ( esquerda) e o Kremlin com a bandeira russa ( direita). At os ventos mudaram de direo.

  Nessa data, os presidentes das repblicas da URSS, tambm chamada Unio Sovitica, proclamaram o fim do Estado sovitico e criaram a Comunidade de Estados Independentes 
(CEI). Os cidados da ex-Unio Sovitica passaram a carregar o passaporte de seus pases: Rssia, Ucrnia, Belarus, Uzbequisto, Cazaquisto, entre outros. Veja 
o mapa a seguir (fig. 2).

102
Figura 2. 

          A ex-URSS e a comunidade de estados independentes

mapa mostrando a Ex-Unio Suvitica, limite da CEI e fronteiras de pases atuais. A seguir, legenda
  A Estnia, a Letnia e a Litunia, os chamados pases blticos, so as nicas repblicas da extinta Unio Sovitica que no fazem parte da Comunidade de Estados 
Independentes (CEI).

  Mikhail Gorbatchev, presidente da Unio Sovitica desde 1989, foi obrigado a entregar o seu cargo, j que o Estado que ele governava simplesmente deixou de existir.
  Gorbatchev havia herdado o sistema inaugurado pela revoluo socialista de 1917. Nele, a propriedade privada foi abolida e os organismos do Estado (Parlamento, 
Governo, Foras Armadas) passaram a ser controlados e subordinados ao Partido Comunista. A Unio das Repblicas Socialistas Soviticas, fundada em 1922, ampliou 
essa estrutura de poder nas outras catorze repblicas federadas  Rssia (fig. 3).

Figura 3. 

          A estrutura de poder na Ex-Unio Sovitica

 o Comit Central do PCUS (elegia o secretrio-geral)
  Politburo (rgo mximo do PCUS)
  Conselho de Ministros da URSS
 o Comit Central do PCUS :o Soviete Supremo :o Presidium (elegia o presidente da URSS) :o Conselho de Ministros da URSS :o Ministrios e Sovietes Supremos da 15 
Repblicas
 o Comit Central do PUCS :o Secretariado do Comit Central :o Comits Centrais do PCUS das 15 Repblicas :o Sovietes Supremos das 15 Repblicas
  Legenda: esta estrutura, controlada pelo Comit Central do Partido Comunista da Unio Sovitica, organizava todos os nveis de poder do pas. Comeava em Moscou, 
capital da URSS, e reproduzia-se em cada repblica, regio, cidade, bairro, fbrica ou propriedade rural.

103
  Formalmente, a Unio Sovitica era governada pelo Soviete Supremo, uma espcie de Congresso Nacional composto por um Soviete da Unio e um Soviete com representantes 
das Repblicas Federadas. De cinco em cinco anos, o Soviete Supremo elegia o seu rgo de direo: o Presidium. O presidente do Presidium era, formalmente, o presidente 
da URSS.
  Mas o verdadeiro poder era exercido pelo Partido Comunista da URSS (PCUS), que dirigia as instituies do Estado e do Soviete Supremo. Gorbatchev assumiu a Secretaria 
Geral do PCUS em 1985, controlando as decises de seu rgo mximo, o Politburo. A partir da, transformou-se no homem mais poderoso da Unio Sovitica (fig. 4).

Figura 4.

foto mostrando vrios homens em uma sala. A seguir, legenda
  Mikhail Gorbatchev discursando no Politburo, em 30 de setembro de 1988. Ele mudou os rumos econmicos, polticos e estratgicos da Unio Sovitica.

  Gorbatchev pretendia desenvolver um programa de reformas econmicas no pas, denominado perestroika, "reestruturao". A economia sovitica no andava bem. As 
exportaes caam, o desemprego atingia 10 milhes de pessoas, a produo de petrleo e a safra de gros haviam parado de crescer e a oferta de bens de consumo bsico 
(alimentos, calados, roupas) no era suficiente para atender a populao. As filas para abastecimento faziam parte do cotidiano do pas (fig. 5).

Figura 5. 

foto mostrando uma fila enorme em frente a um armazm. A seguir, legenda
  Moscou, em novembro de 1991. Em frente ao armazm, a enorme fila para compra de alimentos denunciava os problemas econmicos do pas.

  Somente em um setor a Unio Sovitica conseguia competir industrialmente com os Estados Unidos: a produo de armas. Gastando em mdia 4% ao ano do produto interno 
bruto (PIB), o pas conseguiu produzir foguetes intercontinentais chegando a manter cerca de 7 mil ogivas nucleares em msseis localizados em pontos estratgicos 
do seu territrio, 3.500 ogivas em submarinos e, aproximadamente, 900 ogivas em avies bombardeiros.
  Esse poderio blico custou muito caro para a Unio Sovitica. No era mais possvel sustentar o desenvolvimento blico  custa de problemas sociais cada vez maiores. 
Como estratgia para sair desse impasse, Gorbatchev lutou para o fim da corrida armamentista (1) veja a pgina 311. Em dezembro de 1987, em Washington, durante reunio 
com o ento presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, Gorbatchev assinou o tratado de eliminao de msseis de mdio alcance na Europa. Em outubro de 1990, ele 
foi escolhido para receber o Prmio Nobel da Paz e, em julho de 1991, assinou o acordo Start, de reduo de 30% das ogivas nucleares estratgicas. Na poca, o presidente 
dos EUA era George Bush.
104
  Tais medidas vieram tarde demais. Outros setores da economia no acompanharam o ritmo de desenvolvimento tecnolgico dos demais pases industrializados do mundo. 
O desperdcio era imenso e a baixa produtividade imperava no setor industrial. A Unio Sovitica consumia 7% mais borracha, 70% mais energia eltrica e 80% mais 
ao do que os Estados Unidos.
  No setor de servios e de infra-estrutura, o atraso era ainda mais evidente. Na URSS, nenhum dos 50 aeroportos existentes funcionava o tempo todo. Havia 36 milhes 
de telefones para 283 milhes de habitantes. Nos Estados Unidos havia 12.500 aeroportos e 180 milhes de telefones para 235 milhes de pessoas!
  Apesar disso,  inegvel que os feitos da revoluo socialista foram enormes, ainda que exista uma grande polmica sobre o significado do socialismo sovitico 
(leia mais sobre isso no quadro 1). Em 1917, a Rssia era praticamente um pas agrrio, e uma boa parcela da populao era analfabeta. Os sucessivos governos comunistas 
construram um imponente parque industrial. Tambm foram realizados pesados investimentos em educao: atualmente, quase toda a populao  alfabetizada, 96% completou 
o curso secundrio e h um nmero impressionante de cientistas. Os matemticos e fsicos so to bons que passam a ser cobiados por universidades e centros de pesquisa 
de diversos pases do mundo.

Quadro 1

          A Unio Sovitica era um pas socialista?

  A palavra soviete, do russo, significa "conselho". Durante o processo revolucionrio na Rssia, o termo soviete foi empregado para designar um tipo de assemblia 
constituda por operrios, camponeses e soldados, que comeavam a participar ativamente da vida poltica do pas.
  A palavra de ordem da Revoluo Socialista de 1917 era: "Todo o poder aos sovietes!". O que se pretendia era a tomada do poder pelos trabalhadores, o que representava 
um pesadelo para nobres, proprietrios de terras e empresrios, e um sonho para a maioria da populao. A vitria da revoluo russa tornou isso possvel. Assim, 
o novo Estado passou a ser denominado sovitico porque a estrutura do poder revolucionrio tinha como alicerce os sovietes espalhados por toda a Rssia.
  Com o tempo, o Partido Comunista da Unio Sovitica passou a controlar os sovietes e se transformou numa fora muito mais
poderosa, instaurando na Rssia a "ditadura do proletariado", sob o controle poltico do partido nico.  a que comea a polmica.
  Para os defensores do "socialismo sovitico", a ditadura do proletariado era necessria para garantir o fim da propriedade privada e a coletivizao da produo 
(2). Era preciso garantir o progresso econmico e a diviso igualitria das riquezas do pas. Mas, para outros defensores do socialismo, de nada adiantavam esses 
ganhos sem a garantia da democracia, da liberdade e do controle do uso dos recursos pelos cidados. Para esses socialistas, a Unio Sovitica no poderia ser considerada 
um modelo de pas socialista.
 fim do quadro
 
               -

105
Atividade 1

          URSS na linha do tempo

  Construa uma linha do tempo indicando os principais acontecimentos que levaram  extino da Unio Sovitica. Exponha o resultado do seu trabalho em sala de aula.

Economia e poltica na URSS

  Durante mais de setenta anos, o governo da Unio Sovitica, centralizado em Moscou, foi o dono dos recursos naturais, das fbricas e das fazendas do pas. Assim, 
pde planejar onde era melhor produzir, o que produzir, em que quantidade e para quem.
  A indstria pesada, por exemplo, foi implantada prximo s fontes de energia e s reservas de matria-prima, formando parques industriais com diversos tipos de 
indstrias complementares entre si. Nesses parques industriais, denominados combinats, indstrias siderrgicas utilizam as abundantes reservas de carvo mineral, 
ferro e mangans para produzir o ao. Nas indstrias metalrgicas dos seus arredores, por sua vez, essas matrias-primas semiprocessadas, como lminas de ao ou 
vigotas, so utilizadas na fabricao de bens de consumo. Assim, os combinats formam complexas cadeias produtivas: a do ao, a do alumnio etc. Um dos maiores combinats 
 o de Donbass, na Ucrnia, grande produtora de carvo mineral. Veja o mapa (fig. 6).

Figura 6. 

          Ex-URSS: reas industriais e riquezas minerias

mapa mostrando o territrio da ex-URSS, limite da CEI, limite da Federao Russa, grandes regies industriais (combinats), gs natural, carvo mineral, petrleo, 
ferro e principais portos. A seguir, legenda
  Da extinta Unio Sovitica, a CEI herdou gigantescos parques industriais: os combinats.

106
  O planejamento econmico e territorial no se restringiu  indstria pesada. A ex-Unio Sovitica fez enormes investimentos na produo agrcola e na formao 
de complexos agroindustriais, nos quais os produtos da agricultura e da pecuria passaram a ser processados pela indstria. Observe o mapa (fig. 7). Nas reas produtoras 
de linho de Belarus, por exemplo, foram construdas indstrias txteis. Nas reas produtoras de uva de Moldova, a produo de vinho foi incentivada. Procurou-se 
tambm expandir a atividade agrcola nas reas semi-ridas do Cazaquisto, Uzbequisto e Turcomenisto, desenvolvendo-se a agricultura irrigada.

Figura 7. 

          Ex- RRSS: uso da terra

mapa mostrando o limite da CEI, limites de estados, principais reas agrcolas, reas agrcolas intensivas, agricultura irrigada, policultura (batata, milho, beterraba, 
cevada ou centeio), pecuria leiteira, culturas subtropicais (ch, algodo), fruticultura, rezicultura, vinha e pecuria extensiva (ovinos e caprinos). A seguir, 
legenda
  Os pases da ex-Unio Sovitica, juntos, ocupam o 2 lugar na produo mundial de trigo e uma posio de destaque na produo de milho, aveia, centeio e outros 
cereais. Essa situao  resultado dos volumosos investimentos no setor agrcola.

  Com o fim da propriedade privada, foram organizados dois tipos de estabelecimentos rurais: os kolkhozes e os sovkhozes. Os kolkhozes eram cooperativas de trabalhadores 
rurais que trabalhavam a terra coletivamente. J os sovkhozes eram fazendas pertencentes ao Estado sovitico, administradas por diretores escolhidos pelo Partido 
Comunista. Por meio desses dois tipos de estabelecimento rural foi possvel implementar intensa mecanizao, com o uso cada vez maior de tratores e colheitadeiras, 
aumentando a produo agrcola.
107
  Durante os setenta anos de regime sovitico, desenvolvimento foi sinnimo de novas fbricas, novos prdios, mais empregos e, acima de tudo, aumento da produo 
de armamentos e bens manufaturados da indstria pesada, aquela que produz maquinrios e matrias-primas semiprocessadas para outras indstrias. Enquanto isso, os 
outros pases industrializados desenvolveram novos materiais para substituir o ao e novas formas de gesto das empresas, dispensando mo-de-obra e barateando seus 
custos.

A abertura poltica

  Alm da perestroika, Gorbatchev promoveu uma abertura poltica, permitindo liberdade de expresso, eleies livres e maior autonomia para as repblicas pertencentes 
 Unio Sovitica. Essa abertura poltica recebeu a denominao de glasnost, que significa "transparncia".
  Toda a produo do pas - de pregos a computadores - dependia de uma gigantesca estrutura de poder burocrtico. Ningum podia tomar uma atitude sem a autorizao 
formal das autoridades do partido e do soviete. Algumas decises circulavam durante meses e at anos pelas mesas dos dirigentes. O Conselho de Ministros da URSS, 
rgo que executava as decises do Soviete Supremo, possua mais de cem ministrios! Milhares de burocratas de planto atrasavam qualquer tipo de deciso pela simples 
falta de algum carimbo na documentao. Esse foi um dos maiores problemas enfrentados pela Unio Sovitica: a resistncia e a paralisia do gigante burocrtico. 
  Gorbatchev afastou mais de trezentos dirigentes do Comit Central do Partido Comunista que resistiam s suas reformas e promoveu mudanas constitucionais. Diminuiu 
o Soviete Supremo de 1.500 parlamentares para 554, que passaram a se reunir freqentemente para agilizar a implantao das reformas. Tambm criou o Congresso dos 
Deputados do Povo, o principal rgo legislativo do pas, convocando eleies diretas.
  O pas comeava a respirar mais livremente, sem o controle do Partido Comunista. A imprensa de oposio passou a circular. A liberalizao tambm atingiu a literatura, 
o cinema e as artes plsticas.
  Durante os seis anos em que esteve no poder, Gorbatchev teve de equilibrar os pratos de uma balana. De um lado, havia os que criticavam a lentido das reformas 
econmicas; queriam maior peso na perestroika. Mas, para que a economia sovitica se transformasse, era preciso acelerar as reformas polticas. Muitos dirigentes 
do Partido Comunista da Unio Sovitica no queriam abrir mo de seus privilgios, dificultando o andamento da glasnost.
  Os acontecimentos de 1991 fugiram do controle de Gorbatchev. Em 19 de agosto, um golpe militar deps Gorbatchev, dois dias antes da assinatura de um tratado que 
concederia maior autonomia s repblicas. Esse tratado daria uma nova estrutura  federao sovitica. O poder central do Kremlin, em Moscou, passaria a controlar 
apenas a poltica externa, a defesa e a explorao dos recursos naturais, sempre mediante consulta s repblicas. Lideradas pelo ministro da Defesa e do Interior, 
algumas unidades das Foras Armadas no aceitavam a perda de poder e prestgio do Partido Comunista. Estava rompido, pelos burocratas, o equilbrio que o lder sovitico 
procurara manter entre a burocracia e aqueles que desejavam as reformas.
108
  No entanto, os golpistas erraram quando imaginaram que bastava dominar o Partido Comunista e as Foras Armadas para controlar a sociedade sovitica. A poltica 
desenvolvida por Gorbatchev havia estimulado uma maior autonomia das repblicas, que no reconheceram os golpistas e exigiram a volta de Gorbatchev.
  A principal liderana da resistncia foi Boris Ieltsin, presidente da Repblica Federada Russa. Ele ficou entrincheirado na sede do Parlamento da Rssia, conclamando 
os militares a no se rebelarem, permanecendo fiis ao governo. Aps uma noite violenta em Moscou, Ieltsin conseguiu o apoio de jovens oficiais e soldados favorveis 
s reformas do governo. Algumas horas depois, os golpistas abandonaram seus postos.
  No s os golpistas haviam sido derrotados (fig. 8). Tratava-se tambm do fim da era Gorbatchev. Ele foi reconduzido ao poder em 21 de agosto, mas passou a ser 
cada vez mais controlado pelo Parlamento, e teve de reconhecer a independncia dos pases blticos e declarar extinto o cargo de presidente sovitico.

Figura 8.

foto mostrando a fachada de um prdio com muitas pessoas e algumas lonas. A seguir, legenda
  Parlamento Russo, em 21 de agosto de 1991. Os golpistas j haviam perdido a batalha.

  Ieltsin aos poucos passou a ser o centro das atenes (fig. 9). Ele foi o primeiro presidente da Rssia eleito por voto direto, secreto e universal, em maio de 
1991. Sob seu comando, o pas chegou numa encruzilhada.  o que veremos a seguir.

Figura 9.

foto mostrando cinco homens, um deles com microfone  sua frente. A seguir, legenda
  Discurso de Boris Isltsin em 22 de agosto de 1991. Depois do fracasso do golpe de Estado, ele se firmou como uma das principais lideranas do pas.

A Comunidade de Estados Independentes

  A Comunidade de Estados Independentes (CEI), como o prprio nome revela, no  um Estado, mas uma associao de ex-repblicas soviticas que se transformaram em 
pases independentes. So elas: Rssia, Belarus (ou Bielo-Rssia), Ucrnia, Moldova, Azerbaijo, Armnia, Cazaquisto, Uzbequisto, Quirguisto, Turcomenisto, Tadjiquisto 
e Gergia.
  Esses pases, juntos, herdaram da extinta Unio Sovitica um extenso territrio com mais de 22 milhes de quilmetros quadrados, marcado por uma grande diversidade 
de paisagens naturais (fig. 10).

Figura 10. 

          CEI: paisagens naturais

mapa mostrando tundra, vegetao de montanhas, taiga, floresta temperada, vegetao mediterrnea e subtropical, estepe (arbrea e herbcea) e deserto. A seguir, 
legenda
  O efeito da continentalidade torna o interior da CEI extremamente seco. O norte da Rssia situa-se no mundo rtico.

  Grande parte dessas terras encontra-se na zona rtica ou subrtica, recoberta por gigantescas calotas de gelo, tundra e taiga. Uma extensa faixa martima, com 
mais de 10 mil quilmetros,  coberta pelo gelo, dificultando a navegao durante, pelo menos, nove meses do ano. No curto perodo de vero, inmeros rios despejam 
suas guas no Mar de Kara, como o Ienissei, e no Mar de Laptev, como o Lena, entre outros.
109
  Acompanhando a faixa do Crculo Polar rtico, para o sul do territrio russo, localiza-se a imponente Floresta de Taiga (fig. 11). Mais ao sul, a taiga cede lugar 
para estepes semi-ridas (fig. 12) e desertos. Estes ltimos se estendem por aproximadamente 4 milhes de quilmetros quadrados, numa vasta regio a leste do Mar 
Cspio at a China, atravessando as Repblicas do Cazaquisto, Uzbequisto, Quirguisto e Turcomenisto, na fronteira com o Ir e o Afeganisto. A aridez extrema 
est relacionada com a situao geogrfica, no centro de uma grande massa de terra, a milhares de quilmetros de qualquer oceano.

Figura 11. 

foto mostrando uma rea com pouca vegetao e muita neve. A seguir, legenda
  Floresta de Taiga na Rssia. Poucas espcies vegetais esto adaptadas a invernos to rigorosos.

Figura 12. 

foto mostrando um camelo nas estepes secas do Cazaquisto

  
110
  Os solos frteis dos campos de estepes so uma das melhores terras agrcolas do mundo e foram ocupados pelas culturas de trigo, milho, cevada, centeio, beterraba 
e outros produtos da agricultura comercial.

               -

Atividade 2

          As paisagens naturais da CEI

  Acompanhando uma linha imaginria norte - sul, desenhe a seqncia de paisagens naturais que podem ser observadas no territrio da Comunidade de Estados Independentes. 
Exponha seu trabalho em sala de aula.

  Cercados pelas calotas polares do rtico, ao norte, e pelas altas montanhas da borda do Planalto do Pamir (o chamado "teto do mundo"), ao sul e a leste, os pases 
da CEI tm poucas alternativas de acesso s grandes vias de circulao martima. Por esse motivo, os russos sempre se interessaram pelo controle do acesso ao Mar 
Bltico, pelo Rio Nemunas. Porm, a Estnia, a Litunia e a Letnia - os chamados pases blticos -, que pertenceram  Unio Sovitica, no se associaram  CEI. 
Essas repblicas sempre resistiram  dominao dos russos.
  Essa situao  resultado de uma histria muito antiga. Desde o sculo V, quando os eslavos (ancestrais dos russos) comearam a penetrar nas florestas ao norte 
dos Crpatos, os lituanos j se encontravam ali.
  A Litunia, a Letnia e a Estnia, anexadas ao Imprio Russo no sculo XVIII, organizaram um movimento de resistncia e conquistaram a independncia em 1918. Porm, 
aps a Segunda Guerra Mundial, elas foram incorporadas  Unio Sovitica. Com o fim da Unio Sovitica, as repblicas blticas finalmente se tornaram independentes 
e, hoje, esto empenhadas em se integrar  Unio Europia.
  As outras repblicas da extinta Unio Sovitica desenvolveram-se integradas ao planejamento centralizado em Moscou. H uma forte dependncia de suas economias 
em relao  Rssia.  por isso que o futuro da CEI depender dos rumos das transformaes polticas e sociais da sociedade russa. A maior autonomia de cada pas, 
entretanto, vem permitindo que seus governantes estabeleam tratados comerciais em separado com outros pases do mundo, passando a obter vantagens que a ex-Unio 
Sovitica no conseguia.
  Entre os pases pertencentes  CEI, Belarus tem um dos parques industriais mais diversificados. Produz tecidos, papel e celulose e fertilizantes qumicos. A Moldova 
 produtora de vinho e tabaco. O Turcomenisto, o Uzbequisto, o Quirguisto e o Tadjiquisto destacam-se pela produo de petrleo e gs natural. A Armnia, o Azerbaijo 
e o Cazaquisto possuem muitas riquezas minerais, como ferro, cobre, zinco e chumbo.
  A Gergia  uma das ex-repblicas soviticas com maior diversificao econmica. Produz ao e derivados do petrleo. Possui indstrias alimentcias que processam 
sua produo agrcola, com destaque para ch, frutas e vinhos. A forte integrao da atividade industrial com a atividade agrcola tambm ocorre na indstria txtil, 
que utiliza a sua produo de seda. Alm disso, a Gergia  conhecida pelos seus balnerios e estaes de frias no Mar Negro.
111
  A Ucrnia  o maior celeiro agrcola. Ocupando as reas mais frteis das estepes (fig. 13) ao norte do Mar Negro e do Mar de Azov,  grande produtora de trigo, 
milho, centeio, batata, algodo, linho e beterraba.

Figura 13.

foto mostrando quatro camponesas nas estepes ucranianas, em 1997

  
               -

Atividade 3

          Populao e renda na CEI

  Utilize os dados da tabela abaixo para produzir um mapa da populao dos pases da CEI e um outro com a renda per capita. Para isso, observe o seguinte procedimento:

 a) Faa dois mapas com a diviso poltica da CEI.
 b) No primeiro mapa, construa uma barra no centro de cada pas, representando o total de populao. Para isso, considere 1 centmetro para cada 10 milhes de habitantes.
 c) No segundo mapa, construa as barras representando a renda per capita. Nesse caso, considere 0,5 centmetro para cada 500 dlares per capita.
 d) Coloque ttulo, escala e legenda nos dois mapas.
 e) Compare os mapas e escreva suas concluses no caderno.

 o Fed. Russa
  rea (km): 17.075.400
  Populao: 149.899.000
  Renda per capita (dlares): 2.680
 o Cazaquisto
  rea (km): 2.717.300
  Populao: 17.155.000
  Renda per capita (dlares): 1.680
 o Armnia
  rea (km): 29.800
  Populao: 3.671.000
  Renda per capita (dlares): 780
 o Uzbequisto
  rea (km): 447.400
  Populao: 21.669.000
  Renda per capita (dlares): 850
 o Azerbaijo
  rea (km): 86.600
  Populao: 7.500.600
  Renda per capita (dlares): 870
 o Quirguisto
  rea (km): 198.500
  Populao: 4.694.000 
  Renda per capita (dlares): 810
 o Turcomenisto
  rea (km): 488.100
  Populao: 4.322.000
  Renda per capita (dlares): 1.270
 o Ucrnia
  rea (km): 603.700
  Populao: 52.570.000
  Renda per capita (dlares): 1.670
 o Moldova
  rea (km): 33.700
  Populao: 4.367.000
  Renda per capita (dlares): 1.260
 o Belarus
  rea (km): 207.600
  Populao: 10.424.000
  Renda per capita (dlares): 2.910
 o Tadjiquisto
  rea (km): 143.100
  Populao: 5.369.000
  Renda per capita (dlares): 480
 o Gergia
  rea (km): 69.700
  Populao: 5.053.000
  Renda per capita (dlares): 850

112
Rssia: um pas na encruzilhada

  A Federao Russa rene 21 repblicas, dez distritos autnomos e uma regio autnoma, alm de duas cidades com administrao especial, Moscou e So Petersburgo 
(fig. 14). Ela representa 75% do territrio da ex-Unio Sovitica e a metade de sua populao.

Figura 14. 

          Federao Russa: Diviso poltica (1999)

mapa mostrando as principais unidades administrativas
 o Repblica Autnoma: Adiguia, karatchais-Tcherkesses, Kabardino-Balkria, Osstia do Norte, Chechnia, Inguchtia, Daguesto, Calmquia, Coria, Mordvia, Tichuvquia, 
Maris, Udmrtia, Komis-Permiaks, Tartria, Bashkortosto, Iakuia, Alto-Altai, Khakasses, 
Tuva, Buritia, 
 o Distrito Autnomo: Niniets, Komis, Khant-Mansi, DA de Iamaio-Neniets, Taimir, Evenk, Tchaktches, Koriaks, Buriatas de Ust-Ordinsk, Buriatas de Aguinskoie 
 o Regio Autnoma: Regio Autnoma dos Judeus 
  Legenda: a Rssia  o maior pas do mundo. Possui 17 milhes de km de extenso territorial.

  De todas as ex-repblicas soviticas, a Rssia  a mais poderosa e a de maior desenvolvimento econmico. Os maiores e mais complexos combinats encontram-se nesse 
pas. A explorao petrolfera nos Montes Urais transformou a Rssia no maior produtor mundial de petrleo. Ali tambm esto localizadas reservas de carvo mineral, 
cobre, ferro, bauxita e mangans. Em seus arredores foram construdas grandes usinas hidroeltricas, o que garantiu o pleno desenvolvimento da indstria siderrgica 
e de alumnio. Outra rea russa fortemente industrializada  a de Moscou, onde se concentram ramos mais tradicionais, como a indstria txtil. A Sibria Ocidental 
tambm abriga um combinat importante, no qual foi organizada a cadeia produtiva do ao, do alumnio e de produtos petroqumicos.
  O Tratado Federal de 1992 procurou reafirmar a diviso poltica do pas. Mas ele teve de ser imposto pela fora, uma vez que a autoridade de Moscou  contestada 
no interior da prpria federao. Na Repblica da Tartria e na Chechnia, por exemplo, a luta pela independncia poltica j esteve na origem de vrios conflitos 
armados, como mostra a foto da figura 15.

Figura 15.

foto mostrando algumas pessoas de p no meio de escombros. A seguir, legenda
  Escombros produzidos por bombardeio areo russo em aldeia da Chechnia, em maio de 1995. As revoltas nacionalistas ameaam a integridade territorial da Rssia 
e so reprimidas com violncia.

113
  A Rssia tem uma populao de 150 milhes de pessoas, aproximadamente. Desse total, cerca de 80%, ou seja, 120 milhes, so russos. Alm dos russos, existem mais 
de cem povos ou grupos tnicos no pas, totalizando cerca de 30 milhes de habitantes. Desses, os mais numerosos so os trtaros, com uma populao de 5 milhes 
de pessoas.
  Descendentes dos povos turco-mongis que ocuparam a sia, desde a Sibria at a pennsula balcnica, no sculo XIII, os trtaros so muulmanos e resistem  integrao 
cultural com os russos. Esto instalados, principalmente, nos arredores de Kazan (fig. 16), sua capital histrica, que foi ocupada e dominada pelos russos no sculo 
XVI, sob o comando do czar Ivan, o Terrvel (fig. 17).

Figura 16. 

foto mostrando parte de uma cidade com casas e um rio. A seguir, legenda
  Kazan, capital da Repblica da Tartria, est situada nas margens do Rio Volga.

Figura 17. 

foto mostrando Ivan, o Terrvel, em litografia de 1582. A cabea empunhada pelo czar simboliza a violncia com que ele tratava os povos que resistiam  dominao 
russa

114
  A partir de ento, os russos constituram um prspero imprio, expandindo suas fronteiras para todas as direes (fig. 18). Os russos originaram-se da unificao 
de povos eslavos por meio de uma lngua comum e do cristianismo ortodoxo (leia o quadro 2). A expanso para o leste provocou a diversidade tnica da populao da 
Rssia, uma vez que vrios povos asiticos, alm dos trtaros, foram dominados pelos russos.

Figura 18. 

          A expanso do Imprio Russo

mapa mostrando o limite da Unio Sovitica em 1991, limite dos pases atuais, Principado de Moscou em 1462, extenso do imprio at o final do sc. XVIII e a extenso 
do imprio at o final do sculo. XIX. A seguir, legenda
  Ao final do sculo XVIII, o Imprio Russo estendia-se do Mar Bltico ao Alasca, que s seria vendido aos Estados Unidos em 1867.

Quadro 2

          A Igreja Ortodoxa Russa

  A Igreja Ortodoxa Russa tem a sua origem no cristianismo praticado no Imprio Bizantino, cuja capital era Constantinopla (atual Istambul, na Turquia).
  O Imprio Bizantino floresceu no sculo V e perdurou at o sculo XV, quando Constantinopla foi ocupada pelos otomanos. Enquanto na Europa ocidental o Imprio 
Romano foi esfacelado pelas invases dos povos brbaros, no Imprio Bizantino preservaram-se as tradies do mundo antigo, da arte sacra e da arquitetura.
115
  Os cristos ortodoxos nunca reconheceram plenamente o poder espiritual do Papa de Roma. Pelo contrrio, durante a Idade Mdia,
a Igreja Crist Ortodoxa influenciou os povos que viviam numa vasta rea ao redor de Bizncio. O Imprio Russo no foi exceo.

Figura 19.

          rea de influncia da Igreja Crist Ortodoxa (sc. XIV)

mapa mostrando as reas do ncleo catlico original, cristos catlicos e cristos ortodoxos

Figura 20. 

duas fotos, a primeira mostra um jardim e ao fundo a fachada de uma igreja; a segunda foto mostra a fachada de outra igreja. A seguir, legenda
  A Igreja de Santa Sofia, em Istambul, e a Catedral de So Baslio, em Moscou, so templos do cristianismo ortodoxo, de origem bizantina. No ano de 1054, no episdio 
conhecido como Cisma do Oriente, os ortodoxos romperam todos os laos com a Igreja Catlica Apostlica Romana.

 fim do quadro
 
116
  Quando a revoluo socialista tomou o poder, em 1917, os lderes do Partido Comunista souberam tirar proveito da histria e da geografia da Rssia. O regime comunista 
buscou criar, entre todos os grupos tnicos, uma identidade nacional sovitica, que perdeu muito de sua fora com o fim do regime sovitico. Resta saber se, a partir 
de agora, esses vrios povos faro o gigante russo pender para o Ocidente ou para as suas antigas tradies culturais, fincadas no Oriente.

               -

Atividade 4

          Discutindo o universo Russo

  Catarina II, czarina que viveu no sculo XVIII, dizia: "A Rssia no  um pas, mas um universo".
  Considerando o que voc aprendeu a respeito da formao territorial da Rssia, discuta com seus colegas o significado dessa afirmao. Escreva no caderno suas 
concluses.

Passando a limpo 

  Faa um cartaz com duas colunas. De um lado, enumere as caractersticas polticas e econmicas da Unio Sovitica. De outro, enumere as caractersticas da Comunidade 
de Estados Independentes. Exponha o cartaz em sala de aula.

               -

Notas de rodap

 (1) Corrida armamentista - Disputa entre os Estados Unidos e a Unio Sovitica, envolvendo a produo de armas cada vez mais sofisticadas e com maior poder de destruio. 
A corrida armamentista teve incio logo aps o trmino da Segunda Guerra Mundial.
 (2) Coletivizao da produo - Processo por meio do qual os meios de produo (como as fbricas e fazendas) deixam de ser propriedade de indivduos e passam a 
pertencer ao Estado, que representa toda a coletividade.

117

Captulo 9

          O Japo e os Tigres Asiticos

  O Japo, apesar de derrotado na Segunda Guerra Mundial, conheceu um grande surto de crescimento aps o trmino do conflito, e se firmou como a segunda maior economia 
do mundo, atrs apenas dos Estados Unidos. A partir da dcada de 1970, os chamados Tigres Asiticos tambm se transformaram em potncias exportadoras de produtos 
industrializados. Veja o mapa da regio (fig. 1).

Figura 1. 

mapa mostrando o Japo e Sudeste Asitico. A seguir, legenda
  A proximidade entre o Japo e os Tigres Asiticos no  apenas fsica. O Japo desempenhou um importante papel para o crescimento econmico da regio.

118
  Porm, no final da dcada de 1990, o milagre econmico, como ficou conhecido o estrondoso crescimento da economia da regio, apresentou sinais de esgotamento. 
A prosperidade deu lugar a uma grave crise, cujos reflexos abalaram o conjunto da economia mundial. Neste captulo, vamos conhecer um pouco mais sobre os protagonistas 
dessa histria.

O Japo

  O Japo ocupa um arquiplago formado por cerca de 3.900 ilhas, entre o Oceano Pacfico e o Mar do Japo. As quatro ilhas principais - Hokkaido, Honshu, Kyushu 
e Shikoku - correspondem a mais de 90% do territrio do pas. Observe o mapa fsico do Japo (fig. 2).

Figura 2. 

          Japo: aspectos fsicos

mapa mostrando as direes dos ventos frios e secos, ventos midos (mono), corrente martima do Japo (quente), corrente martima Oiasivo (fria). A seguir, legenda
  A diversidade climtica do arquiplago japons , em parte, condicionada pelos ventos e correntes martimas que 
atravessam a regio.

  A parte central dessas ilhas  constituda por dobramentos montanhosos e altos planaltos, com altitudes superiores a 2 mil metros. O famoso Monte Fuji (fig. 3), 
situado na Ilha de Honshu, a maior do arquiplago, tem 3.776 metros de altitude.

Figura 3.

foto mostrando parte de uma cidade, ao fundo um monte. A seguir, legenda
  Monte Fuji visto a partir de Shizuoka, uma das importantes cidades industriais da Ilha de Honshu.

119
  O pas do Extremo Oriente, como era chamado pelos europeus, no dispe de muitos recursos naturais. O principal deles  a madeira que recobre suas ilhas, mas uma 
grande parte das rvores foi empregada na construo de barcos, casas, utenslios domsticos e artesanato. Apesar disso, mais de 60% do territrio japons permanece 
recoberto por florestas, resultado de polticas ambientais bastante rigorosas adotadas no pas.
  A Ilha de Hokkaido apresenta temperaturas mais baixas e a taiga domina a paisagem. Nas demais ilhas, graas s temperaturas um pouco mais elevadas, encontra-se 
grande diversidade de espcies florestais.
  O Japo desenvolveu uma agricultura altamente produtiva, sendo a sua principal cultura o arroz, base alimentar da populao. As reas mais densamente povoadas 
encontram-se no litoral das principais ilhas do arquiplago (fig. 4).

Figura 4. 

          Japo: distribuio da populao

mapa mostrando a distribuio de habitantes por km. A seguir, legenda
  O Japo possui cerca de 125 milhes de habitantes vivendo numa superfcie de 370 mil km. Isso equivale a uma densidade demogrfica de 340 habitantes por km. 
Mas a populao  distribuda irregularmente pelo territrio.

120
  Durante muito tempo, a agricultura foi a principal atividade econmica do Japo. A industrializao ganhou impulso em 1867, ano em que se iniciou a Era Meiji, 
que durou at 1912. Nesse perodo, o Japo foi governado pelo imperador Mutsuhito, que procurou modernizar o pas, criando as bases para a instalao de indstrias, 
muitas delas adotando o modelo dos zaibatsu (veja o quadro 1). Assim, na Era Meiji foram construdas ferrovias e portos, e realizados vultosos investimentos em educao.

Quadro 1

          Os Zaibatsu

  No Japo, a passagem de uma economia baseada na agricultura para uma economia baseada na indstria foi muito rpida. A mudana da base econmica foi incentivada 
pelos zaibatsu, grandes empresas que passaram a atuar em diversos setores da economia.
  Os donos dos zaibatsu eram poderosas famlias japonesas, que recebiam benefcios e incentivos do governo, como financiamento e iseno de cobrana de impostos. 
Desse modo,
surgiram grupos que ainda hoje perduram, como o Mitsubishi e o Sumitomo.
  Os zaibatsu atravessaram momentos difceis no final da Segunda Guerra Mundial, devido  enorme destruio sofrida pelo Japo durante o conflito. 
  Na dcada de 1950, porm, eles comearam a dar sinais de vitalidade, e a indstria japonesa pde renascer e, em um curto perodo de tempo, ganhar destaque no cenrio 
internacional.
 fim do quadro

               -

Atividade 1

          Japo: passado e presente

  Observe a ilustrao abaixo. Escreva um comentrio no seu caderno.

Figura 5.

desenho mostrando um samurai "lutando" com um forno de microondas

121
  Com as indstrias, o Japo passou a ser um grande fabricante de armamentos, tornando-se uma potncia militar. Na Segunda Guerra Mundial, aliou-se  Itlia e  
Alemanha, sendo o ltimo pas a assinar a rendio. Isso s ocorreu aps o lanamento, pelos Estados Unidos, de duas bombas atmicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, 
em agosto de 1945. A violncia desses ata-

ques se tornou um smbolo dos horrores da guerra (veja o quadro 2).

Quadro 2

          Patrimnio mundial

  Nem sempre se quer guardar o que lembra a tristeza. Mas s vezes isso  importante para que os erros do passado no sejam repetidos pelas novas geraes. Esse 
deve ter sido o critrio para que, em 1996, o Comit do Patrimnio Mundial da ONU tenha escolhido as runas da Catedral de Hiroshima como monumento do patrimnio 
mundial.
  A deciso no foi tranqila. Na poca, representantes dos Estados Unidos se opuseram  escolha, argumentando que no se devem manter smbolos que lembrem tragdias 
de guerra. Acabou prevalecendo a vontade do povo japons, para que a humanidade nunca se esquea das catstrofes causadas por guerras.

Figura 6. 

foto mostrando parte de uma cidade com vrios prdios em runas, na rua uma pessoa conduz uma bicicleta. A seguir, legenda
  Hiroshima aps a exploso da bomba atmica, em 1945. Ao centro, a catedral que foi transformada em monumento.

 fim do quadro

  A derrota na guerra levou o Japo a realizar reformas importantes. A principal delas, imposta pelos Estados Unidos, foi uma ampla reforma agrria, que teve incio 
em 1946, pouco depois do fim do conflito.
  Em menos de dois anos, um tero da rea agrcola (1,9 milho de hectares) estava desapropriado. Antes, metade dos agricultores arrendava as terras, pagando pelo 
seu uso aos proprietrios; depois da reforma, eles se tornaram proprietrios das terras que cultivavam.
  Isso alterou as relaes na sociedade japonesa, diminuindo o poder dos antigos donos da terra, que viviam da explorao do trabalho dos agricultores e foram os 
principais responsveis pelos projetos militares japoneses.
  O fato de os trabalhadores j cultivarem h dcadas as terras em que viviam facilitou essa reforma agrria, pois bastou transferir a propriedade da terra. Como 
resultado, em 1965 apenas 5% das propriedades eram cultivadas por arrendatrios.
122
  Os Estados Unidos tambm impuseram ao Japo um completo plano de reconstruo econmica e vrias mudanas constitucionais. A medida de maior impacto foi a proibio 
da existncia de Foras Armadas e de investimentos em armamentos. O objetivo era neutralizar o poderio militar do pas. Somente no incio da dcada de 1990, foi 
votada uma mudana na constituio japonesa, e o pas passou a poder investir at 1% do total de seu PIB em defesa.
  O desenvolvimento japons aps a Segunda Guerra Mundial foi mais acelerado do que na Era Meiji. De 1955 at 1973, a economia japonesa foi a que mais cresceu no 
mundo, atingindo a impressionante mdia de 13% ao ano! O segredo estava em produzir para exportao, aprimorando mercadorias fabricadas na Europa e nos Estados Unidos.
  Inicialmente, os investimentos industriais do pas permaneceram concentrados nas grandes aglomeraes urbanas do litoral sudeste da Ilha de Honshu, reforando 
a tendncia  urbanizao da regio. Os novos complexos siderrgicos e petroqumicos tambm foram atrados para essa regio, que dispe de imponentes sistemas porturios 
por onde chegam as matrias-primas importadas, como o carvo e o petrleo. A megalpole de Tokaido - que se estende de Tquio-Yokohama a Osaka, integrando tambm 
Nagoya, Kobe e Kioto - nasceu desse processo.
  A partir da dcada de 1970, o governo japons passou a investir em infra-estrutura porturia e de transporte em outros pontos do territrio, como a Ilha de Hokkaido, 
o leste de Honshu e o sul de Kyushu. Atualmente, essas reas tambm abrigam concentraes industriais importantes. Confira no mapa (fig. 7).

Figura 7. 

          Japo: principais reas industriais  

mapa mostrando as reas de concentraes industriais tradicionais, novas reas industriais, megalpole, plos megalpole, tnel e/ou ponte. A seguir, legenda
  Tquio  o principal centro industrial do Japo. As reas industriais que envolvem Nagoya, Osaka e Hiroshima tambm encontram-se interligadas  capital do pas.

  Do ponto de vista social, a reconstruo da indstria japonesa baseou-se na promessa de emprego vitalcio. O trabalhador japons gozava de estabilidade, apesar 
de receber salrios mais baixos do que os trabalhadores europeus e os dos Estados Unidos.
  Durante os anos de crescimento econmico, o governo japons realizou investimentos em educao e na formao de uma base para o desenvolvimento cientfico e tecnolgico. 
Universidades pblicas e centros de pesquisa ganharam destaque, com o objetivo de formar pesquisadores e gerar conhecimento e tecnologias aplicveis na criao de 
novos produtos.
  Tsukuba  o maior exemplo dessa poltica de desenvolvimento cientfico e tecnolgico. Trata-se de uma cidade da cincia, na qual so aplicadas novas tecnologias, 
geradas l mesmo. O nome "cidade da cincia" decorre da iniciativa do governo japons de construir universidades e centros de pesquisa naquela cidade, onde vivem 
cientistas e tcnicos de nvel superior que se dedicam ao desenvolvimento de novas tecnologias e materiais (fig. 8).

Figura 8.

foto mostrando tcnicos trabalhando no desenvolvimento de novas tecnologias aeroespaciais em Tsukuba, no Japo

  Em conseqncia do esforo do Estado japons em desenvolver uma elite cientfica e tecnolgica, surgiram muitas inovaes nas indstrias do pas. Com isso, as 
mercadorias produzidas no Japo ganharam espao nos mercados dos Estados Unidos, da Europa e mesmo dos pases pobres.  comum ver marcas da indstria japonesa entre 
as preferidas de proprietrios de carros (como a Honda e a Toyota) e de produtos eletrnicos (com destaque para a 
 Mitsubishi, a Sony e a Toshiba) em diversos pases do mundo.
  As mudanas na atividade econmica acabaram influindo no modo de vida dos japoneses. Eles passaram a comportar-se como grandes consumidores, ativando um imenso 
mercado interno que passou a consumir parte dessa produo.
  Para se tornarem ainda mais competitivas, as indstrias japonesas introduziram robs em suas linhas de montagem, o que roubou postos de trabalho, provocando desemprego. 
Isso abalou profundamente os valores da cultura desenvolvida aps a Segunda Guerra Mundial, que combinava a dedicao dos trabalhadores com a garantia da estabilidade 
no emprego.
  Ao mesmo tempo, para diminuir os custos de produo, as empresas japonesas passaram a contratar mulheres e imigrantes sem qualificao profissional. Muitos dekasseguis 
(brasileiros descendentes de japoneses) migraram para l em busca desses empregos, em geral, regidos por contratos temporrios que oferecem poucos direitos ao trabalhador.

               -

Atividade 2

          Estudando o Japo

  Busque mais informaes sobre o Japo em enciclopdias. Para isso, escolha um dos temas abaixo e elabore um relatrio ilustrado. Apresente seu trabalho aos colegas 
em sala de aula.
 Temas para pesquisa:
 - A histria do Japo
 - A Era Meiji
 - A participao do Japo na Segunda Guerra Mundial
 - O crescimento econmico ps-Segunda Guerra
 - A cultura japonesa

Os Tigres Asiticos

  Durante a dcada de 1970, um novo smbolo surgiu no comrcio internacional. Eram os chamados Tigres Asiticos, que passaram a exportar para todos os pases do 
mundo. Os Tigres vendiam no apenas produtos tradicionais, como calados e alimentos, mas principalmente produtos industrializados (automveis, por exemplo) e at 
produtos de alta tecnologia, como computadores.
  Cingapura, Coria do Sul, Taiwan e Hong Kong (que em 1997 voltou a pertencer  China Popular) foram os primeiros a se destacar, apresentando elevadas taxas de 
crescimento durante toda a dcada de 1970. Esses pases apresentaram um significativo aumento da renda per capita anual que, em meados da dcada de 1990, chegou 
a mais de 6 mil dlares na Coria do Sul, ultrapassou 11 mil dlares em Taiwan e passou de 15 mil dlares em Hong Kong. No incio da dcada de 1980, tambm a Indonsia, 
a Malsia e a Tailndia tornaram-se potncias exportadoras, formando a chamada segunda gerao de Tigres. Veja o mapa (fig. 9).

Figura 9. 

          Os Tigres Asiticos

mapa mostrando a localizao dos Tigres Asiticos. A seguir, legenda
  Os investimentos japoneses impulsionaram o desenvolvimento dos Tigres Asiticos.

  Os Tigres Asiticos seguiram os passos do Japo, criando um modelo de industrializao voltado fundamentalmente para os mercados externos. Por isso, eles ficaram 
conhecidos como plataformas de exportao.
  Isso s foi possvel porque os Tigres se prepararam para enfrentar a difcil disputa pela preferncia dos compradores. Inicialmente, os governos realizaram grandes 
investimentos em educao, reduzindo bastante o analfabetismo. Mais tarde, criaram universidades e centros de pesquisa que apoiaram o desenvolvimento industrial 
e, principalmente, ajudaram a criar tecnologia em reas de ponta, como a indstria de informtica.
  Esses pases tm outras caractersticas comuns. Em todos eles, o processo de industrializao foi conduzido por governos autoritrios. Desse modo, no enfrentaram 
resistncias da populao e puderam impor longas jornadas de trabalho (que chegaram a 53 horas semanais na Coria do Sul, por exemplo) e baixos salrios, o que barateou 
o preo dos produtos da regio e facilitou sua venda no mercado internacional. Esse trao autoritrio tambm apareceu na economia. Entre os Tigres, o Estado desempenhou 
um papel de destaque, definindo prioridades e direcionando investimentos.
125
  Os Tigres Asiticos receberam pesados investimentos norte-americanos nas dcadas que se seguiram  Segunda Guerra Mundial. Porm, foi o Japo que desempenhou o 
papel mais importante para o crescimento econmico da regio. Com os avanos tecnolgicos e o encarecimento da mo-de-obra naquele pas, os grandes grupos empresariais 
japoneses passaram a investir em fbricas nos pases vizinhos, constituindo a primeira gerao de Tigres.
  Esses grupos produziam mercadorias projetadas no Japo, a partir da formao de joint-ventures, isto , a associao de empresas japonesas com empresas do pas 
em que investiam. Assim, ao mesmo tempo que o Japo se especializava no desenvolvimento de tecnologia de ponta em informtica, aparelhos eletrnicos e de telecomunicaes, 
entre outros, a linha de produo desses produtos se transferiu para os Tigres da primeira gerao.
126
Eventualmente, alguns grupos, principalmente na Coria do Sul, conseguiram produzir mercadorias ainda mais sofisticadas e lan-las com marca prpria no mercado 
consumidor, chegando a competir com os japoneses.
  Na dcada de 1980, com a sofisticao tecnolgica dos Tigres da primeira gerao, surgiram os chamados "novos tigres asiticos". Eles passaram a fabricar e a exportar 
produtos nos quais a mo-de-obra era um custo decisivo, como calados, vesturio e montagem de produtos eletrnicos. Em todas essas situaes, os baixos salrios 
pagos aos trabalhadores eram o principal fator de competitividade no mercado internacional.
  Desde o final da dcada de 1990, porm, uma grave crise econmica ameaa a prosperidade dos Tigres Asiticos. O grande endividamento dos pases - que pegaram dinheiro 
emprestado para financiar a produo e a criao de portos, ferrovias etc. e no conseguiram saldar seus compromissos - est na origem dessa crise. Ao mesmo tempo, 
o preo das terras subiu de maneira exagerada. Para complicar ainda mais, os investimentos japoneses diminuram, pois o ritmo de crescimento econmico tambm estava 
diminuindo no Japo. Como resultado, os poderosos Tigres tiveram de recorrer a emprstimos do Fundo Monetrio Internacional (FMI).

A primeira gerao

  Como j vimos, Cingapura, Coria do Sul, Hong Kong e Taiwan formaram a primeira gerao de Tigres Asiticos. Assim como o Japo, tambm a Coria do Sul e Taiwan 
receberam apoio dos Estados Unidos para realizar uma ampla reforma agrria aps a Segunda Guerra Mundial. Na Coria do Sul, as terras foram desvalorizadas e os novos 
proprietrios pagaram aos antigos donos cerca de 10% de seu valor. J em Taiwan foram necessrios oito anos (de 1948 a 1956) para que metade da populao rural tivesse 
acesso s terras.
  A economia da Coria do Sul foi impulsionada a partir dos investimentos japoneses. Mas tambm contou com as chaebols, conglomerados de empresas que receberam o 
apoio do governo para se desenvolver. Algumas dessas chaebols tornaram-se grandes empresas transnacionais, como  o caso da Asia Motors, da Daewoo, da Hyundai, da 
Lucky-Goldstar e da Samsung. Muitas delas atuam no mercado brasileiro (fig. 10).

Figura 10. 

foto mostrando a Concessionria da Asia Motors na cidade de So Paulo, em novembro de 1998

127
  Taiwan surgiu como pas independente em 1949, quando os comunistas tomaram o poder na China e os dissidentes se concentraram na ilha, com o apoio dos Estados Unidos. 
L, desenvolveram-se indstrias importantes nos ramos automotivo e de informtica. O pas registra baixos ndices de analfabetismo e elevada renda per capita, mas 
seus habitantes sofrem com a poluio oriunda das atividades industriais.
  Cingapura (fig. 11) foi um entreposto comercial ingls entre 1824 e 1957, quando passou a ser dominada pela Malsia. A independncia veio oito anos depois, em 
1965. Devido  sua posio estratgica, no corao do sudeste asitico, durante a Segunda Guerra Mundial Cingapura foi ocupada pelos japoneses, que assim conseguiram 
controlar o trfego de navios na regio. At hoje, o porto de Cingapura  um dos mais movimentados do sul da sia. Do ponto de vista da atividade industrial, desenvolveram-se 
setores importantes no pas, como o de construo naval e o de equipamentos eletrnicos, entre outros.

Figura 11. 

foto mostrando parte de uma ilha. A seguir, legenda
  A pequena Ilha de Cingapura, que possui apenas 641 km de rea e 3,4 milhes de habitantes,  um dos dinmicos Tigres Asiticos. Apesar da modernizao econmica, 
o sistema poltico do pas est entre os mais fechados do mundo, e o governo ainda utiliza castigos fsicos para punir os criminosos.

  Hong Kong destaca-se como o principal centro financeiro entre os Tigres, concentrando a atividade de muitos dos grandes bancos locais. Entre 1842 e 1997 esteve 
sob o controle do Reino Unido. Devolvido  China em 1997, Hong Kong no deixou de manter suas caractersticas de importante plo financeiro mundial. Atualmente, 
os novos governantes chineses definem a regio como: "um Estado, dois sistemas". Isso significa que, apesar de ser um pas socialista, a China manter o capitalismo 
em Hong Kong.

A segunda gerao

  A Tailndia era apenas um importante produtor de arroz at meados do sculo XX. A rizicultura respondia por metade da riqueza produzida
128
naquela poca. No incio da dcada de 1990, a agricultura representava pouco mais de 10% da riqueza, enquanto a indstria respondia por 30% do total. Esse crescimento 
industrial aconteceu em ramos tradicionais, como o txtil, mas tambm nos setores que envolvem mais tecnologia, como a petroqumica e os equipamentos para transporte.
  A Malsia tornou-se independente em 1957. O crescimento acelerado do pas foi baseado na extrao de recursos naturais, principalmente da madeira que recobria 
seu territrio. Hoje em dia, algumas madeireiras malaias investem na extrao de madeira da Amaznia brasileira. A Malsia tambm se destaca como produtora de borracha 
e de estanho e em alguns ramos da indstria pesada, por exemplo, na siderurgia.
  A modernizao da economia da Indonsia foi conduzida pelas mos de ferro do general Suharto, um dos mais poderosos ditadores da regio, que assumiu o poder em 
1966, permanecendo at o final da dcada de 1990. Dos pases do sudeste asitico, a Indonsia  o que registra a pior distribuio de renda. Entre seus principais 
produtos de exportao figuram, alm do arroz, o petrleo e os automveis.
  A Indonsia domina, o Timor Leste, uma regio de lngua portuguesa que luta pela independncia. Leia mais sobre o Timor Leste no quadro 3.

Quadro 3

          O Timor Leste

  Timor Leste (fig. 12) era colnia de Portugal at 1975, quando o imprio colonial portugus na sia e na frica desmoronou, e Angola, Moambique e So Tom se 
tornaram pases independentes. Timor Leste, no entanto, foi invadido pelas tropas indonsias, que mataram 200 mil timorenses s nos primeiros anos da invaso. A 
populao do pas at hoje luta pela independncia.
  Em 1995, a ONU tentou resolver a questo reunindo lideranas dos rebeldes do Timor e dirigentes da Indonsia. Uma nova rodada de negociaes ocorreu em 1997, tambm 
sem resultados. A principal reivindicao dos que lutam pela independncia do Timor Leste,  uma consulta  pas autnomo.
  O jornalista Jos Ramos Horta, ganhador do Prmio Nobel da Paz em 1996, foi uma das principais lideranas do movimento de independncia do Timor Leste, acredita 
que os brasileiros deveriam participar mais dessa campanha, pois dela poder surgir um oitavo pas de  lngua oficial portuguesa no cenrio mundial. Ele revela que, 
apesar de o Timor ser praticamente desconhecido entre os brasileiros, "poucos timorenses no conhecem o Brasil, seus presidentes, seus escritores, esportistas e 
cantores. Os timorenses nutrem uma grande paixo e fascnio pelo Brasil". (Citado em E. P. do Nascimento, Diversidade tnica e resistncias nacionais.)

Figura 12

          Indonsia e Timor Leste

mapa destacando a Indonsia e o Timor Leste

 fim do quadro
 
               -

Atividade 3

          Tigres Asiticos: primeira gerao e segunda gerao

 1. Faa um levantamento de dados a respeito dos Tigres Asiticos, utilizando anurios estatsticos, atlas, jornais, livros etc. Procure as seguintes informaes: 
rea; populao; lngua(s); etnia(s); religio(es); moeda; bandeira; renda per capita; IDH; principais produtos exportados.
 2. A partir dos dados coletados na questo anterior, organize duas tabelas: uma com os Tigres Asiticos da primeira gerao e outra com os da segunda gerao.
 3. Comparando as duas tabelas, elabore um texto a respeito dos Tigres Asiticos.
 4. Discuta com seus colegas os resultados desse trabalho.

Passando a limpo

 1. Considerando o que voc aprendeu neste captulo, elabore cinco charadas para um jogo de adivinhao entre os colegas da sua turma. Comece a frase por "Quem ...?" 
ou "O que ... o que ...?"
 2. Troque com os colegas as charadas para verificar seus conhecimentos.
 3. Com base nas charadas, redija pelo menos dez frases caracterizando o Japo e os Tigres Asiticos.

Captulo 10

          O gigante chins

  Voc consegue imaginar o que  viver em um pas com mais de 1 bilho e 200 milhes de habitantes? Esse pas  a Repblica Popular da China, governada pelos comunistas 
desde 1949 e uma das economias que mais crescem no mundo.
  Delimitada por um extenso litoral com mais de 5 mil ilhas a leste, enormes montanhas a oeste, no Tibete, e pelo Deserto de Gobi, ao norte, a China possui um territrio 
um pouco maior do que o do Brasil, com 9.596.961 km (fig. 1). Em suas extensas plancies centro-orientais sopram os ventos de vero dos mares do sul, que trazem 
as chuvas torrenciais das mones (fig. 2).

Figura 1. 

          China: hidrografia e relevo

mapa da China destacando a hidrografia e o relevo. A seguir, legenda
  As maiores altitudes da China esto localizadas no Tibete.

131
Figura 2. 

          Regime de mones

mapas mostrando as direes das massas de ar na sia. Mono terrestre (inverno), mono martima (vero). A seguir, legenda
  Mono  um vento que muda de direo conforme a estao. No inverno, os ventos sopram o ar seco do continente para o oceano. No vero, os ventos midos sopram 
do oceano para o continente, provocando intensas chuvas.

  Nesse territrio, h 4 mil anos o povo han, o chins propriamente dito, procura dominar vrios outros povos. So mais de cinqenta grupos tnicos diferentes: diversos 
ramos da famlia sino-tibetana (miao e yao, zuang-dong e da), do grupo tibeto-birmans e das etnias de lnguas uralo-altaicas, como os turcos, mongis e tungus. 
As fotos da figura 3 ilustram a variedade tnica que caracteriza a China.

Figura 3. 

duas fotos, a primeira mostra duas mulheres, a segunda foto mostra um homem segurando as redeas de dois cavalos que pastam. A seguir, legenda
  Mulheres tibetanas nas regies montanhosas do Planalto do Tibete e homem mongol na Monglia Interior. O governo chins reconhece a existncia de mais de cinqenta 
grupos tnico-culturais na China.

L
132
  No contato com esses povos, os han aprenderam as tcnicas de plantio do arroz, base alimentar do pas, a criao de bfalos e cavalos e o uso do bambu para as 
mais diversas finalidades, desenvolvendo uma das civilizaes mais antigas do mundo. Hoje, os han representam 93% da populao do pas. Todos os outros povos juntos 
somam 80 milhes de pessoas, nmero pouco expressivo num pas to populoso.
  Viver no gigante chins significa participar do maior mercado do mundo. Se 1% da populao resolvesse comprar um carro, por exemplo, as vendas representariam quase 
o nmero total de veculos que as montadoras colocam no mercado brasileiro em um ano!
  A Volkswagen, a Motorola, a Boeing e muitos outros grupos empresariais sabem disso e esto aproveitando a abertura econmica promovida pelo governo chins para 
investir no pas, obtendo enormes lucros. Somente a rede de fast food McDonald's montou mais de cem lojas no pas entre 1995 e 1997 (veja a figura 4). Todos querem 
uma fatia do elevado crescimento econmico registrado pela China.

Figura 4.

foto mostrando muitas pessoas dentro de uma lanchonete. A seguir, legenda
  McDonald's em Pequim, em julho de 1991. A China recebe pouco menos da metade de todos os investimentos estrangeiros aplicados fora dos pases ricos.

  A China tambm  uma fora militar. O seu exrcito possui 3 milhes de soldados, um contingente maior do que a populao da Monglia, seu vizinho. As Foras Armadas 
chinesas esto se modernizando, comprando avies, navios, estocando munio e armas nucleares. Esse fato preocupa os seus catorze vizinhos, principalmente aqueles 
com os quais a China mantm disputas fronteirias. Observe o mapa (fig. 5).

Figura 5. 

          China: disputas fronteirias

mapa mostrando a localizao dos litgios de fronteiras, territrios anexado em 1951, movimentos de independncia, conflitos armados aps 1949, zona martima reconhecida 
e zona martima contestada. A seguir, legenda
  A extensa fronteira com a ndia  um dos focos de tenso da China - afinal, trata-se de outra potncia nuclear muito populosa. Taiwan e Tibete tambm merecem ateno 
dos chineses. O primeiro, pela presena de chineses que discordaram da Revoluo, e o segundo, pelo desejo manifesto de conquistar a independncia.

               -

Atividade 1

          Made in China

  Faa um levantamento dos produtos chineses existentes em sua casa. Pesquise se h no mercado similares nacionais desses artigos e compare os preos e a qualidade 
dos materiais. Escreva no caderno as suas concluses e discuta os resultados com os colegas.

Um passeio pela China

  Tsong-go  uma palavra chinesa que designa "pas do centro".  assim que os chineses chamam a China, considerada por eles o centro do mundo. E no  para menos. 
A arte e a escrita chinesas, por exemplo, influenciaram os habitantes de uma extensa rea da sia, incluindo o Japo, por um perodo de, no mnimo, 2 mil anos. Voc 
pode ler um pouco mais sobre a lngua e a escrita chinesas no quadro 1.

Quadro 1

          A lngua chinesa e os 
          ideogramas

  A lngua e a escrita ajudam a compreender melhor o pensamento chins. A palavra, em chins, nunca exprime uma nica idia. No existe, por exemplo, uma palavra 
que signifique simplesmente "idoso". Mas h um grande nmero de termos que retratam aspectos da velhice: ki (quem j precisa de uma alimentao mais rica), kao (aquele 
cuja respirao  ofegante), lao (a chegada da velhice, para as pessoas que completaram 70 anos), entre outros.
  A maioria das palavras chinesas preserva uma espcie de valor vivo, possuindo uma fora admirvel para comunicar um sentimento, para convidar a tomar partido. 
A
fala, considerada uma arte, pode trazer vantagem sobre um adversrio, influir na conduta do amigo ou do cliente, dominando-o por inteiro.
  A escrita chinesa possui cerca de 540 sinais grficos que, combinados entre si, expressam mais de 10 mil significados. So os ideogramas, como os da figura 6. 
Eles no representam sons, mas idias, por isso permitem a compreenso das idias do texto, mesmo que as palavras sejam pronunciadas de modo diferente pelos vrios 
povos. A escrita foi um instrumento poderoso para a difuso da cultura chinesa. (Baseado em M. Granet, O pensamento chins.)

Figura 6.

foto mostrando dois ideogramas, o primeiro representa "Mo direita", na escrita sigilar; o segundo representa "Duas mos direitas" equivale a amizade

 fim do quadro

134
  Pequim (Beijinj), a capital do pas,  uma das portas de entrada para o mundo chins. Localizada na borda da Grande Plancie da China do Norte, no sop dos macios 
montanhosos ocidentais,  uma rea de ocupao muito antiga, onde os han tiveram de manter um escudo permanente contra os brbaros e nmades do norte. Conhea um 
pouco mais sobre a histria da China no quadro 2.

Quadro 2

          A China antiga

  Nos primrdios da China, antes de 1000 a.C., o aparecimento do arado permitiu o estabelecimento de populaes numerosas, agrupadas em aldeias chamadas senhorias. 
Alguns sculos depois, as senhorias deram lugar aos principados (pequenos territrios governados por prncipes), que guerreavam continuamente.
  O Imprio dos han se constituiu e se imps, unificando os principados a partir do sculo V a.C. A fora do imperador era sustentada por altos funcionrios letrados, 
os poderosos mandarins. Eles cobravam e recebiam impostos em nome do imperador, conduziam operaes militares, definiam o calendrio dos trabalhos, ministravam a 
justia, asseguravam o policiamento, construam e mantinham estradas, canais, barragens e sistemas de irrigao. Em suma, garantiam o bom funcionamento de uma sociedade 
agrcola complexa.
  Sob o domnio dos imperadores e mandarins, a China esteve praticamente fechada sobre si mesma durante sculos, mantendo contatos espordicos com o exterior por 
meio do mar e do deserto.
  No sculo XVI, porm, as rotas europias de comrcio alcanaram a China. Primeiro vieram os portugueses, depois os holandeses e os ingleses. No sculo XVIII, apenas 
o Porto de Canto centralizava as relaes da China com a Europa. Mas as riquezas chinesas atraam a cobia de um nmero cada vez maior de mercadores europeus. A 
China nunca foi inteiramente ocupada pelos colonizadores europeus, como ocorreu na ndia. Mas, a partir do sculo XIX, ela foi lentamente humilhada, pilhada e explorada. 
Todas as grandes potncias tiraram seu proveito. A China s saiu desse inferno com a constituio da China Popular, em 1949. (Baseado em F. Braudel, Gramtica das 
civilizaes, p. 198.)
 fim do quadro

  As marcas dessa histria podem ser vistas no corao da cidade, onde se encontra a Cidade Proibida, com o monumental palcio imperial das dinastias Ming e Qing 
(fig. 7). Tambm podem ser observadas na Grande Muralha da China, que passa 75 quilmetros ao norte de Pequim (fig. 8), e em diversos outros palcios, mausolus 
e monumentos construdos pelos imperadores.

Figura 7.
 

foto mostrando parte de uma cidade. A seguir, legenda
  Cidade Proibida, em Pequim. Os imperadores que governaram a China entre 1420 e 1911 moraram neste palcio. Em 1925, ela se transformou no Museu do Palcio Imperial.

Figura 8. 

foto mostrando parte de uma muralha. A seguir, legenda
  Grande Muralha da China, imensa rede de defesa construda para proteger o pas dos ataques dos povos do norte, como as tribos nmades da Monglia e da Manchria.

  Atualmente, Pequim possui mais de 9 milhes de habitantes e vive um acentuado crescimento industrial, com destaque para as indstrias txtil, mecnica, automobilstica, 
qumica e, mais recentemente, eletrnica.
135
  A provncia de Hebei, cortada ao norte pela Grande Muralha e delimitada ao sul pelo Rio Hoang-Ho (Amarelo)  a principal produtora de algodo do pas. Essa provncia 
tambm se destaca na extrao de carvo mineral, importante fonte energtica que impulsiona o desenvolvimento industrial regional. Veja o mapa (fig. 9).

Figura 9.

mapa mostrando a China: Grande Plancie do Norte e Manchria. A seguir, descrio
 o Principais cidades: Pequim, Harbin, Changchum, Shenyang, Dairen
 o Principais reas industriais
 o Combinat
 o Grande Muralha
 o Extrao de carvo
 o Extrao de ferro
 o Principal provncia produtora de algodo
 o Usina termoeltrica
 o Portos importantes
 o Tradicional provncia produtora de trigo e soja: Shanxi
  Legenda: a Grande Plancie do Norte compreende atualmente as provncias de Shanxi e Hebei. Pequim h muito tempo se mantm como a porta de entrada dessa regio.

136
  Em direo a oeste, no centro da Grande Plancie, localiza-se a provncia de Shanxi, tradicional produtora de trigo e soja. Essa regio vem sofrendo profundas 
transformaes, devido aos investimentos na mecanizao agrcola e ao incremento no uso de fertilizantes qumicos. Com essas iniciativas, a China garantiu um aumento 
significativo na produo de cereais, mantendo-se em primeiro lugar na produo mundial, com 400 milhes de toneladas por ano. Porm, esse processo est gerando 
desemprego entre os trabalhadores rurais, que precisam ser absorvidos por outros setores da economia. Trata-se de uma situao dramtica para um pas que, h menos 
de vinte anos, empregava na agricultura quase 80% de sua populao economicamente ativa.
  No extremo norte da China encontra-se a Manchria, na fronteira com a Rssia, a Coria e a regio chinesa da Monglia Interior. Localizada no domnio da Floresta 
de Taiga,  a principal rea de extrao de madeira do pas.
  Por possuir abundantes reservas de recursos minerais e estar prxima a Pequim, a Manchria abriga o primeiro combinat chins, construdo nos moldes soviticos. 
Um complexo siderrgico  alimentado pelo carvo mineral e ferro produzidos na prpria regio. O petrleo, extrado em abundncia,  utilizado na produo de txteis 
sintticos e transportado por oleodutos at Pequim.
        
               -

Atividade 2

          A estrutura de empregos na 
          China

  Observe a tabela abaixo. Faa grficos de setores com esses dados, de acordo com a orientao de seu professor. Cole os grficos no caderno e redija um comentrio 
sobre eles.

China: evoluo da Populao Economicamente Ativa - PEA (em %)

 o Agricultura        
  1970 - 78,7%        
  1980 - 68,9%        
  1993 - 66,0%
 o Indstria        
  1970 - 12,3%        
  1980 - 18,5%         
  1993 - 18,2% 
 o Servios         
  1970 - 9,0%         
  1980 - 12,6%         
  1993 - 15,8%

  Se Pequim  a cidade na qual sempre se estabeleceu o contato da civilizao chinesa com os povos mongis e da Manchria, as cidades de Xangai (fig. 10) e Canto 
(Guangzhou) desenvolveram-se voltadas para o mundo ocidental. Conhecida como a Paris do Oriente, antes da tomada de poder pelos comunistas, em 1949, Xangai j possua 
uma vida cultural intensa e era um dos principais centros financeiros da sia.

Figura 10.

foto mostrando parte de uma ponte em uma cidade. A seguir, legenda
  Ponte Nanpu, em Xangai. At hoje, o porto da cidade  um dos mais movimentados do pas. 

  Canto foi o grande porto da China imperial e objeto de disputa
137
na Guerra do pio, deflagrada em 1839 aps os chineses tentarem conter o trfico praticado pelos ingleses. A droga, produzida na ndia, disseminava o vcio na China 
e representava um rombo nas reservas de prata do pas.
  Com a derrota da China, foi assinado o Tratado de Nanquim (Nanjing), em 1842, no qual Hong Kong foi cedida ao Reino Unido. Dessa poca at a proclamao da repblica, 
em 1912, a China, enfraquecida pela guerra, foi obrigada a ceder outras concesses territoriais aos Estados Unidos,  Frana, ao Japo,  Rssia e  Alemanha. Canto 
e Xangai passaram a ser os centros onde se realizavam os chamados "negcios da China", nos quais s os estrangeiros levavam vantagens. Como eram eles que controlavam 
as ferrovias, os portos e toda a extenso do Rio Azul (Yang Ts-Kiang), de Xangai a Nanquim, alm da desembocadura do Rio Si-Kiang, em Canto, dispunham de total 
liberdade para definir as regras do jogo e obter enormes privilgios.
  Com a Revoluo Comunista de 1949, a rea ao longo do Vale do Rio Azul, de Sichuan a Xangai, transformou-se no eixo econmico de maior dinamismo do pas (fig. 
11). Ali se desenvolveram desde atividades siderrgicas e petroqumicas at a produo de avies e computadores. Desde
138
ento, Xangai cresceu muito, tornando-se uma das maiores cidades do mundo, com mais de 12 milhes de habitantes. Seu porto movimenta 40% de toda a carga transportada 
no pas.

Figura 11. 

mapa mostrando a China de 
  Sichuan Xangai. A seguir, descrio
 o Cidades principais: Pequim, Nanquin, Xangai, Canto, Hong Kong, Chungking e Chengtu  
 o Extrao de carvo
 o Extrao de ferro
 o Principais reas industriais
 o Cultivo de ch
 o Cultivo de arroz
 o Portos principais
 o Usina hidroeltrica
 o Usina hidroeltrica em construo 
  Legenda: a proximidade das jazidas de carvo foi um dos elementos que viabilizaram a industrializao na provncia de 
  Sichuan. O escoamento da produo at Xangai criou um eixo importante de circulao de mercadorias na China.

  Desde o incio da dcada de 1980, Canto vem desenvolvendo a indstria eletrnica e uma complexa rede de hotis, centros comerciais e restaurantes, que atrai cada 
vez mais turistas estrangeiros. Anualmente, beneficiando-se de sua proximidade com Hong Kong, Canto realiza a Feira Internacional da Indstria Chinesa, freqentada 
por um nmero crescente de representantes de empresas de diversos pases interessadas em estabelecer relaes comerciais com a China. A Rodovia Shenzhen-Canto, 
com 123 quilmetros de comprimento, interligar todas as cidades prximas  desembocadura do Rio Si-Kiang, regio que vive um boom econmico.
  Com a reintegrao de Hong Kong (fig. 12), essa regio est se transformando na grande porta de sada da China para o mercado internacional. Hong Kong possui um 
dos maiores e mais bem equipados portos do mundo, alm de ser um grande centro financeiro, com mais de cem bancos estrangeiros. Tem, ainda, o terceiro mercado mundial 
de ouro.

Figura 12. 

 foto mostrando o colorido de fogos iluminando parte de uma cidade. A seguir, legenda
  Fogos de artifcio iluminando o Porto Vitria, na festa de reincorporao de Hong Kong  China, em 1 de julho de 1997. Hong Kong estava em poder dos britnicos 
desde 1842.

  No centro dessa regio, ao longo da margem direita do Rio Azul e do Rio Si-Kiang, esto localizadas as mais importantes reas de cultivo de arroz da China, na 
maior superfcie de terras irrigadas do mundo. Os agricultores constroem vrios canteiros, separados por barreiras de terra e bambu e inundados pela gua dos rios. 
Graas aos canais construdos,  possvel controlar a quantidade de gua que invade os canteiros, mantendo os arrozais submersos. Trata-se de um trabalho inteiramente 
artesanal, cuidado palmo a palmo pelos agricultores, exigindo um nmero bastante elevado de trabalhadores.
  O resultado  surpreendente. Os arrozais produzem o ano inteiro, garantindo  China o posto de principal produtora mundial. Devido ao sucesso da agricultura irrigada 
dos chineses, vrios pases asiticos - Japo, Coria, Vietn, Tailndia, entre outros - adotaram o mesmo sistema. Leia mais sobre essa tcnica agrcola no quadro 
3.

139

Quadro 3

          Agricultura inundada ou 
          irrigada?

  O Egito  uma ddiva do Nilo. Com essa frase, os povos antigos sintetizavam a importncia das cheias do Rio Nilo para o desenvolvimento da agricultura egpcia. 
Com o transbordamento das guas do rio, ricos nutrientes eram depositados em suas margens, tornando os solos frteis e propcios para a prtica agrcola conhecida 
como agricultura inundada.
  Na China, a partir do sculo III a.C., desenvolveu-se outro tipo de prtica agrcola: a agricultura irrigada. Os agricultores foram transformando as margens dos 
rios numa colcha de retalhos intercalados por canais de irrigao e diques  prova de inundao. O sistema garante o fornecimento de gua no momento certo e na quantidade 
necessria para cada tipo de cultura. A quantidade de gua nos arrozais chineses, por exemplo,  cuidadosamente controlada para manter as plantas permanentemente 
cobertas. Como as plantas necessitam manter-se acima do nvel das guas para sobreviver, esse procedimento acelera o seu crescimento. Essa tcnica tem sido um dos 
fatores responsveis pela alta produtividade da agricultura chinesa. (Baseado em P. Baud e outros, Dictionnaire de gographie; P. George, Geografia rural; C. Cullen, 
O mundo da natureza.)
 fim do quadro
 
O interior da China

  No interior da China encontram-se as regies menos desenvolvidas do pas, povoadas predominantemente por grupos tnicos no-chineses. Dentre essas regies, destacam-se 
o Tibete e a Monglia Interior.
  O Tibete  conhecido como o Teto do Mundo. Encontra-se num planalto encaixado na Cordilheira do Himalaia, 4 mil metros acima do nvel do mar, onde faz frio o ano 
inteiro. A principal atividade econmica  a pecuria, realizada por pastores nmades que se dedicam  criao de iaques (uma espcie de bovino). Dos iaques, os 
tibetanos aproveitam a carne, o leite e o plo, do qual fazem roupas apropriadas para suportar o frio da regio. Lhasa, a capital tibetana,  um importante centro 
religioso, reunindo numerosos grupos de monges praticantes do lamasmo, uma derivao do budismo.
  Os chineses se julgam os donos do Tibete. Com a revoluo comunista de 1949, ele foi anexado  China. Os monges passaram a ser perseguidos e praticamente todos 
os seus mosteiros foram fechados ou destrudos. Desde 1959, o Dalai Lama (fig. 13), soberano e lder religioso do Tibete, mantm um governo no exlio. Refugiado 
na ndia, luta pela independncia poltica do Tibete.

Figura 13.

foto mostrando o Dalai Lama Tenzin Gyatso recebeu o Prmio Nobel da Paz em 1989

140
  A Monglia foi dividida e controlada por russos e chineses. No sculo XIII, essa histria de dominao pendeu para o lado dos mongis. O poderoso Gengis Khan, 
imperador da Monglia, conseguiu a faanha de manter sob o seu domnio parte da China, o Turquesto, a Prsia (at o Cucaso), o sul da Rssia, a Hungria, a Sria 
e o Imprio Turco. Mas esse imprio teve curta durao. Ainda no sculo XIII, com a morte de Kublai Khan, sucessor de Gengis Khan, a Monglia subdividiu-se numa 
srie de comunidades tribais, facilmente controladas pelos povos vizinhos.
  Atualmente, os mongis vivem na Repblica Popular da Monglia, que esteve durante setenta anos sob a tutela da Unio Sovitica, e na chamada Monglia Interior, 
que pertence  China. O Deserto de Gobi separa as duas Monglias: uma voltada para a Sibria, ao norte, e a outra de frente para a China, no sul.
  A Monglia chinesa tem o pastoreio como atividade econmica principal. A expanso da agricultura irrigada nos vales ridos e semi-ridos vem transformando seus 
campos em reas de cultivo de aveia, trigo, milho, sorgo, gergelim e feijo.

Um pas, dois sistemas

  Desde 1976, com a morte de Mao Ts-tung, a ascenso de Deng Xiaoping ao comando do pas e a aproximao com o mundo capitalista (fig. 14), a China vem mantendo 
o rumo da abertura econmica. Deng comeou pela reorganizao do meio rural, devolvendo a propriedade das terras s famlias camponesas e transformando as oficinas 
comunitrias em pequenas fbricas de processamento dos produtos agrcolas movidas pelo lucro. A produo agrcola aumentou vertiginosamente.

Figura 14.

foto mostrando Margaret Thatcher, ento primeira-ministra da Inglaterra, em visita oficial  China, em dezembro de 1984. Deng Xiaoping, est  direita da ministra

  No incio da dcada de 1980, o governo de Deng deu mais um passo ousado: criou as Zonas Econmicas Especiais (ZEEs), em pleno territrio da China Comunista. Confira 
no mapa (fig. 15). O objetivo das ZEEs  atrair empresas estrangeiras que tragam tecnologia, experincia administrativa e, principalmente, acesso aos mercados da 
Europa e dos Estados Unidos. Em troca, a China oferece mo-de-obra abundante e barata.

Figura 15.

mapa da China mostrando a localizao das Zonas Econmicas Especiais e Obras de Infra-Estrutura. A seguir, descrio
 o Cidades principais: Chengtu, Pequim, Nanquim, Xangai, Wuhan, Canto, Hong Kong
 o Zonas Econmicas Especiais: Wuwei, Taiyuan, Shenyang, Pequim, Zengzhou, Wuhan, Tuzhou, Xiamen, Shantou, Shenzhen, Zhuhai, Hainan
 o Canal Imperial
 o Trecho de maior navegao fluvial
 o Trecho com obras para navegao fluvial
 o Usina hidroeltrica
 o Usina hidroeltrica em construo 
  Legenda: observe que as Zonas Econmicas Especiais concentram-se no litoral. Porm algumas foram instaladas no interior, numa tentativa de criar novos plos industriais. 
Para garantir o escoamento dos produtos, esto em andamento muitas obras de infra-estrutura, principalmente para viabilizar a navegao fluvial.

  A China transformou-se rapidamente numa das mais importantes plataformas exportadoras da atualidade, principalmente no ramo de calados e vesturio, tendo se tornado 
a principal produtora mundial de fios e tecidos de algodo.
  Esse grande crescimento econmico tem exigido aumento na produo de energia e modernizao das vias de transporte. E isso est sendo realizado rapidamente com 
o apoio do Japo, da Frana, da Alemanha e de outros pases industrializados.
141
  Dentre os projetos tocados em parceria com esses pases, destaca-se a recuperao do Canal Imperial, que interliga os rios Azul e Amarelo.  o mais extenso canal 
artificial do mundo, com 1.700 quilmetros de extenso. Ele foi construdo sob a dinastia Sui, entre os anos 581 e 618, para o escoamento da produo agrcola e 
a integrao entre o norte e o sul da China. Quando estiver totalmente recuperado, o que est previsto para o ano 2010, ser uma importante via de circulao entre 
as duas reas mais industrializadas do pas.
  Alis, a navegao fluvial  o principal meio de transporte da China, que conta com 160 mil quilmetros de vias navegveis. O Rio Azul  a principal artria dessa 
rede. Ao longo dele, grandes navios percorrem um trecho de quase mil quilmetros, interligando os dois principais portos fluviais do pas: Nanquim, mais prximo 
 costa, e Wuhan, onde o relevo se torna montanhoso e o rio apresenta muitas corredeiras e gargantas profundas que impedem a navegao. Exatamente a est sendo 
construda a maior usina hidroeltrica do pas, Gezhouba, que produzir 13 milhes de kWh e permitir a navegao ininterrupta entre Wuhan e a importante rea industrial 
de Sichuan.
  Sob o rgido controle poltico do Partido Comunista, o poder central est transformando a China num pas rico e poderoso. Mas ainda no se cogita nenhum 
142
tipo de abertura poltica, como a 
 glasnost da Unio Sovitica. Uma clara demonstrao disso ocorreu em 1989. Mais de 1 milho de pessoas foram s ruas de Pequim exigir democracia (fig. 16). A resposta 
do regime comunista foi dura. Muitas pessoas foram mortas e milhares de outras foram presas e condenadas sumariamente, como traidoras da nao.

Figura 16.

foto mostrando um homem de p em frente a uma fileira de tanques de querra em uma avenida. A seguir, legenda
  Em abril de 1989, veculos blindados do exrcito chins puseram fim s manifestaes populares pelas reformas democrticas. Milhares de pessoas foram mortas pelos 
soldados na imponente Praa da Paz Celestial, em Pequim. Essa foto, que registra a resistncia de um estudante Chins ao avano dos tanques, tornou-se um smbolo 
mundial da luta contra a opresso.  

  Deng Xiaoping morreu em fevereiro de 1997, sem presenciar a reintegrao de Hong Kong  China. Li Peng, seu sucessor, tem pela frente o desafio de manter o controle 
poltico nas mos dos dirigentes do Partido Comunista e, ao mesmo tempo, dar continuidade  liberalizao econmica do pas, iniciada h poucas dcadas.
  Com a reintegrao de Hong Kong  China, o governo comunista de Pequim se comprometeu a manter o sistema capitalista e a autonomia da antiga colnia britnica 
por cinqenta anos. A China tornou-se responsvel apenas pelas questes de defesa e poltica externa do territrio, que passou a se chamar Regio Administrativa 
Especial de Hong Kong. O hasteamento da bandeira da Repblica Popular da China em Hong Kong  mais um captulo da rpida ascenso do pas no cenrio poltico e econmico 
mundial.

               -

Atividade 3

          A China segundo a imprensa

  Pesquise nos jornais notcias a respeito da China. Organize com seus colegas um mural com essas notcias.

Passando a limpo

 1. Analise os dados a seguir, comparando a China de 1950 com a de hoje.
 o China em 1950
 Populao (milhes e toneladas): 543
 Alunos no ensino superior `(%`): 0,1
 Mortalidade infantil `(`): 120
 Expectativa de vida (anos): 39
 Extrao de petrleo (milhes de toneladas): 80
 Cereais (milhes de toneladas): 164
 Ao (milhes de toneladas): 1
 o China em 1996
 Populao (milhes e toneladas): 1.232,1
 Alunos no ensino superior `(%`): 3,8 
 Mortalidade infantil `(`): 44
 Expectativa de vida (anos): 68,5 
 Extrao de petrleo (milhes de toneladas): 144 ()
 Cereais (milhes de toneladas): 400 ()
 Ao (milhes de toneladas): 80 ()
 (() Dados de 1995`).

 2. Explique a frase: "A China  um pas com muitos contrastes".

143

Captulo 11

          O continente africano

  O continente africano vem contribuindo h sculos para a produo de riquezas em vrias partes do mundo. Desde o sculo XVI, quando se iniciou a colonizao da 
Amrica, milhes de africanos escravizados foram deportados para trabalhar nas minas e nas grandes fazendas que abasteciam os mercados europeus com produtos tropicais. 
No sculo XIX, quando a prpria frica foi colonizada, suas melhores terras e suas imensas jazidas minerais ajudaram a construir a prosperidade europia.
  Praticamente todos os pases africanos conquistaram sua independncia entre 1955 e 1990, mas as potncias europias que colonizaram o continente no se preocuparam 
em modernizar a economia ou qualificar a mo-de-obra local. A esse respeito, leia no quadro 1 o depoimento de um ex-presidente da Tanznia, pas situado na frica 
oriental e colonizado pelos ingleses.
  Assim, mesmo aps a independncia, a grande maioria dos pases africanos permaneceu integrada ao mercado mundial como fornecedor de produtos primrios, cujos preos 
no param de cair. A participao do continente africano no comrcio mundial caiu de 3,7% em 1961 para 1,2% em 1988. Como praticamente inexistem boas condies de 
infra-estrutura - estradas, energia eltrica e sistema de telecomunicaes modernos, por exemplo -, o continente no atrai as grandes corporaes industriais sediadas 
nos pases ricos, que praticamente o ignoram. Na dcada de 1990, o conjunto dos pases africanos recebeu apenas 1,6% de todos os investimentos estrangeiros realizados 
no mundo.

Quadro 1

          Independncia?

  S em 1952, nove anos antes da independncia, o primeiro africano recebeu um diploma universitrio na Tanznia. Quando da independncia, o pas tinha apenas doze 
mdicos e dois engenheiros africanos, para uma populao de 11 milhes de pessoas. Possua um nmero muito pequeno de fbricas, que produziam cerveja, cigarros, 
caixas de metal e carne prensada, e todas essas indstrias estavam localizadas na capital, Dar Es Salaam. Apenas 15% da populao adulta era alfabetizada e a expectativa 
de vida no passava de 35 anos. (Julis K. Nyerere, "A frica se aproxima do sculo XXI", in E. P. do Nascimento, Diversidade tnica e resistncias nacionais.)
 fim do quadro

144

  Atualmente, mais da metade da populao ativa da maior parte dos pases africanos trabalha na agricultura, como voc pode verificar no mapa da figura 1. Apesar 
disso, a produo de alimentos  insuficiente, pois as melhores terras e o que existe em termos de tecnologias modernas so empregados nos cultivos para exportao. 
Mesmo vivendo em economias essencialmente agrcolas e importando alimentos, a populao dos pases africanos situados ao sul do Deserto do Saara (com exceo da 
frica do Sul) apresenta o menor ndice de ingesto de calorias do mundo.

Figura 1. 

          frica: populao agrcola

mapa mostrando a %, da populao ativa total (1986). A seguir, descrio
 Burkina Fasso 85%, Ruanda 92%, Nger 89%, Burundi 92%.
  Legenda: Ruanda, Burundi, Burkina Fasso e Nger so os pases africanos com maior porcentagem da populao economicamente ativa na agricultura.

  A frica abriga 53 pases independentes, metade dos quais com menos de 5 milhes de habitantes. A maioria dos 750 milhes de africanos no teve e no tem acesso 
 riqueza que ajudou a produzir: entre os 174 pases pesquisados no mundo, os 15 que apresentam os mais baixos ndices de IDH esto localizados na frica (fig. 2). 
Serra Leoa, na frica ocidental,  o pior colocado no ranking mundial de IDH. No  para menos: a expectativa de vida no pas  de apenas 37,5 anos!

145

Figura 2. 

mapa mostrando a frica: ndice de Desenvolvimento Humano (1995). A seguir, descrio
 - IDH de 0,805 a 0,960 (alto)
 - IDH de 0,500 a 0,800 (mdio)
 - IDH de 0,185 a 0,494 (baixo)
 o Gmbia - 0,291
 o Guin Bissau - 0,295
 o Guin - 0,277
 o Serra Leoa - 0,185
 o Mali - 0,236
 o Burkina Fasso - 0,219
 o Nger - 0,207
 o Chade - 0,318
 o Eritria - 0,275
 o Djibuti - 0,324
 o Etipia - 0,252
 o Uganda - 0,340
 o Burundi - 0,241
 o Malavi - 0,334
 o Moambique - 0,291
  Legenda: A Lbia  o nico pas africano que apresenta IDH considerado alto pela 
  ONU.

               -

Atividade 1

          A frica pobre

  Conforme voc pode observar comparando as figuras 1 e 2, os pases africanos que apresentam os mais baixos ndices de IDH tm mais de 50% da populao ativa empregada 
na agricultura. Com base no que voc aprendeu, faa um texto em seu caderno relacionando essas duas informaes.

   claro que a pobreza e a baixa qualidade de vida no so as nicas caractersticas desse continente nem afetam todos os seus pases da mesma maneira. A frica 
do Sul, por exemplo, dispe de um parque industrial importante. A frica  sobretudo o continente dos contrastes, tanto naturais quanto econmicos e sociais. Neste 
captulo, vamos aprender um pouco sobre a diversidade fsica e humana que caracteriza esse continente.

A diversidade natural

  Na frica, os climas e as paisagens naturais se sucedem de maneira semelhante a partir da linha do Equador, tanto para o norte quanto para o sul. Quatro quintos 
do territrio africano est situado na Zona Intertropical, isto , entre os trpicos de Cncer e de Capricrnio, o que explica a predominncia de elevadas mdias 
trmicas. Porm, se considerarmos o regime de chuvas, os climas africanos apresentam extrema diversidade.
  Nas latitudes prximas  linha do Equador, predomina o regime climtico equatorial, marcado pelas chuvas abundantes. A partir da, tanto no hemisfrio norte quanto 
no hemisfrio sul, os climas se tornam cada vez mais ridos, at que no hemisfrio norte aparece o Deserto do Saara (fig. 3), o maior do mundo, e no hemisfrio sul, 
os desertos da Nambia e do Kalahari. As precipitaes aumentam um pouco tanto no extremo norte quanto no extremo sul, onde aparecem faixas de clima mediterrneo. 
Observe o mapa (fig. 4).

Figura 3.

foto mostrando pessoas e animais no deserto. A seguir, legenda
  Deserto do Saara, no sul do Marrocos. Os povos que circulam pelo deserto usam vestimentas adequadas para se proteger das tempestades de areia.

Figura 4. 

          frica: climas

mapa mostrando a localizao das faixas de clima: equatorial, tropical, desrtico, semi-rido, mediterrneo e temperado. A seguir, legenda
  Enquanto no Golfo da Guin as precipitaes anuais so superiores a 2 mil milmetros, no Deserto do Saara e no de 
  Kalahari as precipitaes no chegam a 250 milmetros. Esse contraste entre as regies  um dos fatores que definem a extrema diversidade climtica do continente.

147
  Como j sabemos, a distribuio das grandes faixas climticas est fortemente relacionada com a distribuio das principais formaes vegetais (fig. 5).

Figura 5. 

          frica: vegetao

mapa mostrando a distribuio das principais formaes vegetais: floresta equatorial, savanas, estepes, deserto, vegetao mediterrnea e vegetao de altitude. 
A seguir, legenda
  A frica  cortada ao meio pela linha do Equador, o que lhe confere uma certa simetria entre o norte e o sul na distribuio dos ambientes naturais. A Floresta 
do Congo apresenta feies muito semelhantes  Floresta Amaznica.

  Comparando a figura 4 com a figura 5, verificamos que nas regies de clima equatorial, portanto, de maior umidade, predomina a floresta equatorial. Na Floresta 
do Congo (fig. 6), pode-se observar acelerado desmatamento. Esse  um dos principais problemas ambientais do continente africano.

Figura 6.

foto mostrando uma grande rea verde e um grande rio. A seguir, legenda
  A Bacia do Rio Congo, a segunda maior bacia hidrogrfica do mundo, drena pouco mais de 3,5 milhes de quilmetros quadrados.

  Nas regies submetidas ao clima tropical, marcado por uma estao seca bem definida, aparecem as savanas, um tipo de formao vegetal na qual rvores de pequeno 
e mdio porte convivem com arbustos e vegetao rasteira. As savanas africanas so bastante parecidas com os cerrados do Brasil central; entretanto elas abrigam 
uma fauna bastante peculiar (fig. 7).

Figura 7.

foto mostrando algumas girafas em uma grande rea. A seguir, legenda
  rea de savana, no Qunia. Turistas do mundo inteiro realizam safris para ver de perto a vida selvagem nas savanas africanas.

148
  As estepes, constitudas principalmente de vegetao rasteira, ocupam as reas semi-ridas que emolduram os grandes desertos: o Deserto do Saara e os desertos 
da Nambia e do Kalahari.
  Nas reas submetidas ao clima mediterrneo, que permanecem secas durante longos perodos, predominam vegetaes do estrato arbustivo.

Estrutura geolgica e relevo

  Conforme voc pode observar no mapa da figura 8, grande parte do continente africano apresenta altitudes mdias inferiores a 1.500 metros. No entanto, elevadas 
cordilheiras montanhosas de formao recente esto presentes na frica. No extremo norte, paralela ao litoral do
149
Mar Mediterrneo, destaca-se a Cadeia do Atlas. Os Montes Drakensberg, no extremo sul, so circundados por uma grande extenso de terras altas. Os picos mais altos 
do continente situam-se nas elevaes montanhosas que emergem nos planaltos da frica oriental. Vulces ativos e inativos formam essas elevaes, comprovando a existncia 
de intensa atividade geolgica na regio.

Figura 8. 

          frica: aspectos fsicos

mapa mostrando a frica: aspectos fsicos. Cadeia do Atlas, Saara, Deserto da Lbia, Cadeia Arbica, Planalto da Etipia, Pennsula da Somlia, Planalto dos Grandes 
Lagos, Bacia do Congo, Deserto de Kalahari, Mtes. Drakensberg. A seguir, legenda
  H grandes cadeias montanhosas de formao recente no norte e no sul do continente africano.

  Na frica oriental, o fluxo de calor que brota do interior da Terra  to forte que produziu uma imensa linha de falhas (ou falhamentos) na superfcie. No passado 
geolgico (h cerca de 15 milhes de anos), esse processo foi responsvel pela separao entre a frica e a Pennsula Arbica, e pela formao do Mar Vermelho, que 
penetrou nas rachaduras da placa continental africana.
  Atualmente, a linha de falhas (conhecida como Rift Valley) se estende por cerca de 5.600 quilmetros continente adentro, do Mar Vermelho a Moambique (fig. 9), 
onde a paisagem  pontilhada por cones vulcnicos e grandes crateras. Ngorongoro, na Tanznia,  a maior cratera extinta de vulco do mundo. Leia mais sobre ela 
no quadro 2 (pg. 150 no livro em tinta). Daqui a muitos milhes de anos, a frica pode "rachar" mais uma vez, e a parte oriental do continente pode virar uma grande 
ilha!

Figura 9. 

          O Rift Valley africano

mapa mostrando a localizao da linha de folha do Rift Valley. A seguir, legenda
  O Rift Valley, assim como o Mar Vermelho, encontra-se em uma zona de contato entre placas tectnicas. Caso essa linha de falhas se alargue, futuramente, poder 
se transformar em um brao de mar.

Quadro 2

          A cratera de Ngorongoro

  Simplesmente, a maior cratera extinta de vulco do mundo. [...] So 260 km entre paredes de 600 metros de altura. L dentro, h 20 mil mamferos, entre os quais 
120 lees, 80 elefantes, 3.500 bfalos e 120 hipoptamos. Tambm h gazelas, antlopes e zebras. Durante as chuvas, mais animais de fora migram para l, onde sempre 
h alimentao abundante.
  Foi muito chique, durante anos, caar em Ngorongoro. O presidente dos Estados Unidos Theodor Roosevelt esteve l, em 1910, colecionando trofus. O rinoceronte-negro, 
cujo chifre teria propriedades afrodisacas, foi dizimado: hoje s existem 20.
  Mas o governo da Tanznia acabou com essa matana. Agora, s a tribo dos masais pode usar o parque. Eles moram do lado de fora, mas levam o gado para lamber o 
sal da beira dos lagos. So os nicos humanos com permisso para andar por ali. Turistas s entram acompanhados por guias autorizados e no podem descer dos jipes.
  Ngorongoro era uma fonte de morte: um vulco ativo to alto quanto o Quilimanjaro, a maior montanha da frica (5.895 metros de altura), que fica a 150 quilmetros 
dali. H 2,5 milhes de anos, quando o intenso vulcanismo da regio arrefeceu, o enorme cone entrou em colapso e caiu para dentro, formando a cratera.
  [...]
  A fenda Rift Valley  o grande bero da diversidade natural do Ngorongoro. H savanas com gramneas, ideais para carnvoros e herbvoros, e florestas nas bordas 
dos vulces, habitadas por pssaros e macacos, alm de centenas de lagos, cheios de flamingos. (Superinteressante, ano 11, n.o 2, fev. 1997. p. 60 e 62.)

Figura 10. 

foto mostrando uma poro de flamingos na cratera de Ngorongoro, na Tanznia

 fim do quadro
 
  Os grandes lagos do leste africano so resultado da acumulao das guas de chuva nas reas rebaixadas formadas por esse sistema de falhas. Na segunda metade do 
sculo XIX, a Sociedade Geogrfica Real Britnica financiou uma srie de expedies para as ento misteriosas Montanhas da Lua, como eram conhecidas as elevaes 
situadas no Planalto dos Grandes Lagos. Muitas dessas expedies se dedicaram a localizar as nascentes do Rio Nilo, nas proximidades do Lago Vitria. Alimentado 
pelas chuvas intensas que ocorrem em seu baixo curso, o Nilo atravessa o Deserto do Saara e desemboca no Mar Mediterrneo. Reveja a figura 8 (pg. 148 no livro em 
tinta).

               -

Atividade 2

          O Egito, ddiva do Rio Nilo

  Uma das mais importantes civilizaes da Antigidade, a civilizao egpcia, desenvolveu-se nas margens do Rio Nilo. Faa uma pesquisa sobre a importncia do Rio 
Nilo para essa civilizao. No final, elabore um cartaz sintetizando os resultados de seu trabalho.

Os muitos povos da frica

  A histria dos povos africanos  to longa quanto a histria da prpria humanidade. De acordo com a maioria das pesquisas realizadas sobre a origem da nossa espcie, 
nossos ancestrais viveram no continente africano. Talvez por isso exista tanta diversidade humana na frica, a ponto de ser quase impossvel mapear e conhecer todos 
os seus grupos tnicos, culturais e lingsticos. Para voc ter uma idia, mais de 3 mil lnguas so faladas no continente!
  Apesar dessa diversidade, costuma-se dividir o continente africano em dois grandes conjuntos culturais, separados pelo Saara: a frica do Norte e a frica Subsaariana 
(fig. 11).

Figura 11. 

mapa mostrando a frica do Norte, frica Subsaariana e limite sul do Deserto do Saara. A seguir, legenda
  O Deserto do Saara  considerado um divisor entre a frica do Norte e a frica Subsaariana.

152

  A frica do Norte, que pertence ao mundo muulmano (1)veja a pgina 425, foi povoada por grupos tnicos de pele clara. J a frica Subsaariana foi povoada pelos 
mais diversos grupos tnicos, sendo que a maioria deles tem na pele negra um elemento comum. A frica Subsaariana, como o prprio nome revela, abrange todos os territrios 
situados ao sul do Deserto do Saara, portanto, a maior parte do continente.
  A diferena mais profunda entre a frica do Norte e a frica Subsaariana no est na cor da pele de seus habitantes originais, mas na trajetria histrica dessas 
regies.
  A frica do Norte permaneceu integrada  Europa mediterrnea e ao Oriente Mdio durante grande parte de sua histria, recebendo as mais variadas influncias culturais. 
A frica Subsaariana, ou pelo menos grande parte dela, desenvolveu-se fechada em si mesma durante longos sculos, separada do resto do mundo pelo imenso deserto 
(ao norte) e pelos oceanos (a leste e a oeste).
   verdade que essas barreiras sempre foram permeveis e permitiram importantes contatos culturais e comerciais. Desde os primeiros sculos da nossa era, camelos 
cortam o Deserto do Saara trazendo carregamentos de sal para os povos negros do sul. A partir do sculo VIII, a frica Subsaariana passou a abastecer a frica do 
Norte com quantidades crescentes de escravos e ouro, tambm atravs das rotas saarianas. Na mesma poca, a vida urbana floresceu na costa do Oceano ndico, animada 
pelas relaes comerciais que a regio passou a manter com o Imprio Islmico e com a ndia.
  Mesmo assim, as influncias externas tardariam muito a penetrar no corao da frica Subsaariana, marcado pelo isolamento tecnolgico e cultural. No sculo XV, 
quando os europeus desembarcaram no continente, os povos da frica Subsaariana no conheciam a roda nem o arado: a enxada e o machado eram os principais instrumentos. 
A irrigao tambm era pouco praticada. Na maior parte da frica ao sul do Saara, no havia imprios organizados ou grandes cidades. A escrita s existia em algumas 
regies da costa do Oceano ndico, introduzida pelos povos islmicos. Pouco restou da histria de inmeras sociedades da frica negra, j que seus prprios protagonistas 
no puderam registr-la.

Europa e frica: a dominao em dois tempos

  A presena europia na frica rompeu de maneira dramtica o isolamento da frica Subsaariana. Desde o sculo XVI, quando foram criadas as primeiras feitorias (2) 
comerciais portuguesas na costa atlntica, a regio integrou-se ao mundo como fornecedora de quantidades crescentes de escravos para as plantations americanas. Estima-se 
que a deportao forada para a Amrica tenha atingido 11 milhes de negros entre os sculos XVI e XIX, e que s as possesses portuguesas tenham recebido entre 
3 e 5 milhes de cativos nesse perodo.
  No final do sculo XIX, iniciou-se uma segunda fase da dominao europia, que envolveu tambm a frica do Norte. Dessa vez, os europeus no queriam apenas os 
homens e as mulheres. Queriam tambm o territrio e as riquezas naturais africanas. A Europa se industrializava e precisava de uma quantidade crescente de alimentos 
e matrias-primas.
153
  Em 1885, durante o Congresso de Berlim, foi decidido que o territrio africano seria partilhado entre as principais potncias coloniais europias, e que cada uma 
delas tinha de ocupar seu espao o mais rpido possvel, sob pena de perder a possesso. O territrio africano, praticamente inexplorado nos sculos anteriores, 
foi completamente retalhado: s a pequena Libria e a Abissnia (atual Etipia) continuaram independentes. Veja os mapas das figuras 12 e 13. No mesmo congresso, 
as potncias decidiram proibir o trfico de escravos no continente.

Figura 12. 

          Domnio europeu na frica (sc. XIX)

mapa mostrando o domnio europeu na frica. A seguir, descrio
 o Reinos africanos
 o Domnio otomano
 o Possesses europias: Africnder, Britnica, Espanhola, Francesa, Portuguesa 
  Legenda: no final do sculo XIX existiam inmeros reinos de povos africanos, mas as potncias europias j estavam presentes no continente.

Figura 13. 

mapa mostrando o domnio europeu na frica (1914). A seguir, descrio
 o Domnio alemo - Togo, Camares, frica Oriental Alem, Sudoeste Africano
 o Domnio belga - Congo Belga
 o Domnio britnico - Costa do Ouro, Serra Leoa, Nigria, Egito, Sudo, Uganda, frica Oriental, Rodsia do Norte, Rodsia do Sul, Bechuanalndia, Unio Sul-Africana, 
Somlia Britnica, Niassalndia, Gambia, Suazilndia, Basutolndia
 o Domnio espanhol - Marrocos Espanhol, IFNI, Saara Espanhol, Rio de Ouro, Rio Muni
 o Domnio francs - Marrocos, Arglia, frica Ocidental Francesa, frica Equatorial Francesa, Tunsia, Madagascar, Somlia Francesa 
 o Domnio italiano - Lbia, Somlia Italiana, Eritria 
 o Domnio portugus - Angola, Moambique, Guin Portuguesa 
 o Pases independentes - Libria, Abissnia
  Legenda: em 1914, a frica encontrava-se sob o controle das potncias europias. A Frana e o Reino Unido detinham a maior parte das terras africanas.

  As fronteiras coloniais surgidas no Congresso de Berlim foram traadas de acordo com o poderio de cada potncia colonial e no de acordo com as realidades tnicas 
e culturais existentes na frica. Por isso, muitas vezes essas fronteiras separaram uma etnia em dois ou trs territrios controlados por potncias diferentes ou 
unificaram inimigos histricos em uma mesma colnia.
  A colonizao europia da frica manteve-se at o final da Segunda Guerra Mundial, quando a Europa perdeu poder poltico e militar para as novas potncias (Estados 
Unidos e Unio Sovitica). Mas os pases africanos herdaram as fronteiras coloniais, traadas segundo os interesses das potncias europias. Em grande parte, a instabilidade 
poltica e os conflitos entre etnias que caracterizam muitos pases desse continente so resultado da "artificialidade" de suas fronteiras. Veja o mapa da figura 
14.

154
Figura 14. 

mapa mostrando a frica: diviso poltica (1999). A seguir, descrio
 Marrocos, Saara Ocidental, Mauritnia, Cabo Verde, Senegal, Gmbia, Guin Bissau, Guin, Serra Leoa, Libria, Costa do Marfim, Gana, Benin, Arglia, Mali, Burkina, 
Nger, Nigria, Camares, Guin Equatorial, Gabo, So tom e Prncipe, Congo, Tunsia, Lbia, Chade, Egito, Sudo, Eritria, Djibuti, Etipia, Somlia, Qunia, 
Uganda, Rep. Centro-Africana, Rep. Democrtica do Congo, Ruanda, Burundi, Tanznia, Comores, Angola, Zmbia, Malavi, Madagascar, Nambia, Botsuana, Zimbbue, Moambique, 
Suazilndia, Lesoto, frica do Sul, Togo
  Legenda: muitas fronteiras dos pases africanos parecem ter sido traadas nos mapas com rgua. Essa diviso no respeitou a diversidade tnica e cultural do continente.

155
Economia e sociedade

  At hoje, as marcas da colonizao esto presentes tanto na frica do Norte quanto na frica Subsaariana. Na frica do Norte, a pobreza e a baixa qualidade de 
vida contribuem para o avano dos grupos fundamentalistas (3) islmicos, que prometem mudar a vida das pessoas atravs da religio. Trata-se de uma rea de repulso 
populacional, da qual partem importantes correntes migratrias para a Unio Europia. Por sua vez, a frica Subsaariana, cuja maioria dos pases depende das exportaes 
de um nmero reduzido de produtos primrios, conhece uma sucesso interminvel de violentos conflitos tnicos.

Fundamentalismo e pobreza na frica do Norte

  O Magreb, palavra rabe que significa "terras frteis",  a regio cortada pela Cadeia do Atlas e que compreende a Arglia, a Tunsia e o Marrocos. Esses pases 
mantm fortes vnculos comerciais com a Unio Europia, em especial com a Frana, antiga potncia colonial, da qual importam grandes quantidades de produtos industrializados. 
Alm disso, apesar das rigorosas medidas de restrio  imigrao adotadas pelos integrantes da Unio Europia, milhares de pessoas partem anualmente da regio do 
Magreb em direo  Frana, em busca de melhores condies de vida e de trabalho.
  A Arglia, cuja economia est ligada s exportaes de petrleo e de gs natural, vive uma grande instabilidade poltica devido  ao dos grupos fundamentalistas 
islmicos. No incio da dcada de 1990, o governo argelino contou com a ajuda da Frana para evitar que o principal desses grupos - a Frente Islmica de Salvao 
(FIS) - chegasse ao poder atravs do voto. Impedidos de participar do processo eleitoral, seus membros buscam atingir seus objetivos por meio de aes terroristas, 
como a mostrada na foto (fig. 15).

Figura 15. 

foto mostrando um prdio com os vidros quebrados e algumas pessoas nas ruas e nas janelas. A seguir, legenda
  Bomba explode na Air Algrie, no centro de Argel (capital da Arglia), em junho de 1991. Os fundamentalistas usam todas as armas para desestabilizar o governo.

156
  O Egito, independente desde 1936, conheceu um ambicioso programa de modernizao econmica sob a liderana de Gamal Abdel Nasser, nas dcadas de 1950 e 1960. Uma 
de suas principais realizaes foi a construo da hidroeltrica de Assu, no Rio Nilo (fig. 16), que visava gerar energia para a industrializao do pas. Nasser 
acreditava na unio do mundo rabe em torno de uma proposta comum de desenvolvimento e modernizao, independente dos pases ricos. Esse iderio ficou conhecido 
como panarabismo. Mas, apesar dos esforos, o Egito continua sendo um pas pobre, marcado pela elevada concentrao de renda e dependente do turismo e das exportaes 
de petrleo. Tambm no Egito, grupos fundamentalistas cada vez mais fortes e numerosos buscam alcanar o poder pela violncia.

Figura 16. 

foto mostrando uma barragem e um lago. A seguir, legenda
  Barragem de Assu e Lago Nasser, fotografados pela misso espacial Discovery, em outubro de 1988.

A herana colonial e a pobreza na frica Subsaariana

  Como vimos, os violentos conflitos tnicos da frica Subsaariana resultam da artificialidade das fronteiras criadas pelos colonizadores. Desde a dcada de 1960, 
a regio foi castigada por mais de cem golpes de Estado e por milhares de episdios de guerra entre etnias diferentes. Como resultado, milhes de refugiados vagam 
pela regio fugindo de guerras e perseguies. Veja um exemplo na foto (fig. 17).

Figura 17. 

foto mostrando muitas pessoas com malas e sacolas. A seguir, legenda
  Campo de refugiados da violenta guerra civil que explodiu em Ruanda, em 1994.

  Alm disso, vastas regies da frica Subsaariana se transformaram em fornecedoras de produtos agrcolas e minerais para as potncias 
157
europias no perodo colonial. At hoje, os pases independentes que se formaram nessas regies vivem das exportaes primrias. Na frica ocidental, em especial 
na Nigria, em Gana, na Costa do Marfim e no Senegal, por exemplo, as plantations tropicais substituram a agricultura tradicional de subsistncia nas terras mais 
frteis. Esses pases so grandes exportadores de produtos agrcolas, principalmente cacau, caf, algodo e amendoim (fig. 18), mas dependem de importaes para 
obter alimentos que, em geral, no so suficientes.

Figura 18. 

foto mostrando pessoas trabalhando em um monte de amendoins. A seguir, legenda
  Amendoim sendo preparado para a exportao, no Senegal.

  As imensas reservas minerais de Angola, Zmbia, Botsuana, Gabo, Guin e Nigria tambm no so utilizadas em favor das economias nacionais, mas seguem, em grandes 
quantidades, para os portos europeus e norte-americanos. O caso do petrleo  bastante ilustrativo: 70% do leo extrado na frica  exportado, e 90% da energia 
utilizada no continente provm da lenha extrada das florestas.
158
  A frica do Sul, o maior produtor de minrios desse continente, conseguiu construir uma economia urbana e industrial. O pas  responsvel por cerca de 50% de 
toda a produo industrial africana. Com a democratizao, associada ao fim do longo perodo de discriminao racial e a eleio de Nelson Mandela (fig. 19), primeiro 
presidente negro da histria do pas, a frica do Sul tem procurado aumentar sua integrao econmica com os pases pobres da frica Meridional. A Comunidade da 
frica Meridional para o Desenvolvimento (4), criada em 1992, pode indicar o caminho para uma frica mais solidria e mais prspera.

Figura 19. 

foto mostrando Nelson Mandela. A seguir, legenda
  Nelson Mandela na Cidade do Cabo, em 1994. A frica do Sul passou muitos anos sob o apartheid, poltica baseada na segregao racial e na opresso dos brancos 
sobre a maioria negra da populao do pas. Mandela dedicou sua vida  luta pelo fim da discriminao racial em seu pas e, por isso, ficou preso de 1962 a 1990.
  O regime do apartheid acabou na histrica eleio de 1994, quando todos os sul-africanos puderam votar livremente. Eleito presidente, Mandela permaneceu no poder 
at 1999.

               -

Atividade 3

          frica em manchete

  Elabore uma frase a respeito da economia e da sociedade africana, imaginando que ela ser a manchete de um jornal. Discuta com os colegas as frases propostas pela 
turma e selecionem, juntos, uma delas para ser exposta na sala de aula.

Passando a limpo

  Interprete o mapa (fig. 20), discutindo a distribuio das atividades econmicas pelo continente africano. Redija um texto em seu caderno, destacando as principais 
reas industriais, agrcolas e minerais.

Figura 20.

          frica: atividades econmicas

mapa mostrando a distribuio das atividades econmicas pelo continente africano. A seguir, descrio
 o Agricultura mediterrnea
 o Agricultura comercial
 o Agricultura irrigada
 o Florestas savanas modificadas pelo uso agrcola
 o Criao extensiva de gado em reas de estepes
 o Criao nmade de gado em reas de deserto
 o Regio industrial
 o Minrios
 o Pesca

               -

Notas de rodap

 (1) Mundo muulmano - Em todos os continentes existem muulmanos, ou seja, pessoas que professam a religio muulmana e seguem os ensinamentos do profeta Maom. 
Entretanto,  possvel delimitar um mundo predominantemente muulmano, que se estende do Marrocos at o Paquisto, passando pelo Ir e por parte da Rssia.
 (2) Feitorias - Fortes construdos pelos comerciantes portugueses em regies costeiras das colnias. Nesses fortes os portugueses negociavam com os nativos e armazenavam 
produtos que seriam embarcados com destino a Portugal ou a outras colnias portuguesas.
 (3) Fundamentalistas - Aqueles que lutam para que os pases sejam governados de acordo com as leis religiosas.
 (4) Comunidade da frica Meridional para o Desenvolvimento - Pertencem  comunidade os seguintes pases: frica do Sul, Angola, Botsuana, Lesoto, Malavi, Maurcio, 
Moambique, Nambia, Suazilndia, Tanznia, Zmbia e Zimbbue.

UNIDADE IV

          Geografia da Amrica

o Observe as fotos abaixo. Elas registram as runas de obras arquitetnicas realizadas pelos incas e astecas, povos que viviam na Amrica antes da chegada dos europeus.

duas fotos, a primeira mostra as runas de construes incas 
em Machu Picchu, na Cordilheira dos Andes; a segunda mostra a vista 
das pirmides do Sol e da Lua, construdas pelos astecas no Planalto 
Central mexicano

 a) O que voc sabe sobre esses povos?
 b) O que devem ter imaginado os exploradores europeus do sculo XVI, quando viram essas obras arquitetnicas pela primeira vez?

161
o Um mapa esquemtico representa, de forma simplificada, a organizao do espao geogrfico. No mapa esquemtico abaixo, voc pode observar os principais aspectos 
do espao geoeconmico do continente americano. Procure descrev-lo.

          Amrica: espao geoeconmico

mapa mostrando os principais aspectos do espao geoeconmico. A seguir, legenda
 o Principais regies industriais
 o Novas reas industriais
 o Fluxos migratrios de trabalhadores
 o Indstrias maquiladoras
 o Agricultura comercial de produtos tropicais
 o Zona de economia estagnada tropicais
 o Fluxos de capitais
 o reas de expanso do Manufacturing Belt

  Nesta unidade, vamos estudar a geografia da Amrica. A organizao do espao geogrfico nos Estados Unidos e as relaes econmicas desse pas com seus vizinhos 
so os assuntos tratados no captulo 12. No seguinte, "A Amrica Central e o Caribe", o destaque fica com Cuba, um dos ltimos pases socialistas do mundo. Finalmente, 
no captulo 14, "A Amrica do Sul", veremos como se formaram os pases sul-americanos e como se encontram organizados poltica e economicamente.

162

Captulo 12.

          Os Estados Unidos e a Amrica do Norte

  A guia  uma ave muito especial, que costuma reinar solitria sobre um extenso territrio. Ela avista suas presas a quilmetros de distncia, do alto das montanhas, 
e realiza rpidos e certeiros vos rasantes para captur-las. Poucos animais possuem tanto poder como ela. Talvez no seja por acaso que a guia tenha se tornado 
smbolo dos Estados Unidos (fig. 1).

Figura 1. 

foto mostrando uma guia voando ao fundo uma bandeira. A seguir, legenda
  A guia, uma ave de rapina,  o smbolo dos Estados Unidos.

  Os Estados Unidos so o pas mais poderoso do planeta. Cerca de um quarto da riqueza mundial est guardado em seus bancos,  negociado em suas Bolsas de Valores 
ou faz parte do patrimnio de suas empresas. Mais da metade da soja e do milho produzidos no mundo cresceram em suas fazendas, que participam com aproximadamente 
40% do comrcio internacional de cereais. O pas produz 25% de toda a energia consumida no planeta. Alm disso, suas Foras Armadas so as mais modernas e equipadas 
do mundo, com um contingente de 1 milho e 500 mil soldados fortemente armados e muito bem treinados.
  O poderio norte-americano est presente na vida econmica e social dos outros dois pases que integram o subcontinente da Amrica do Norte: o Canad e o Mxico. 
No mapa da figura 2 voc pode observar a diviso poltica da Amrica do Norte.

Figura 2. 

mapa mostrando a diviso poltica da Amrica do Norte: Alasca (EUA), Canad, Estados Unidos e Mxico. A seguir, legenda
  Dos trs pases da Amrica do Norte, o Canad possui maior extenso territorial `(9.536.610 km`), seguido dos Estados Unidos `(9.372.614 km`) e do Mxico `(1.972.547 
km`).

163
  O Canad tambm se destaca no cenrio internacional, no devido ao tamanho de sua economia ou  sua fora militar, mas graas  qualidade de vida de sua populao: 
o ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) canadense  o melhor do mundo!
  Apesar de dispor de um territrio imenso, grande parte de seus 30 milhes de habitantes vive em uma faixa de terras relativamente estreita, que acompanha a fronteira 
com os Estados Unidos - isso em conseqncia do frio intenso que caracteriza o norte do pas. Entretanto, os valiosos recursos naturais que se espalham por todo 
o territrio canadense, inclusive nas imensides geladas do Grande Norte, fornecem matria-prima para um complexo industrial importante, em parte construdo pelos 
empresrios norte-americanos.
  O territrio do Mxico tambm  muito rico em recursos naturais, com destaque para o petrleo. Mas essa riqueza contrasta com a pobreza e a baixa qualidade de 
vida de grande parcela da populao. Do ponto de vista geogrfico, o Mxico  a fronteira entre a Amrica rica, ao norte, e as Amricas pobres, ao sul.
  Os Estados Unidos so o principal parceiro comercial e o responsvel pela maior parte dos investimentos estrangeiros do Mxico, mas os indicadores econmicos e 
sociais aproximam o Mxico dos pases de industrializao tardia da Amrica Latina, como o Brasil e a Argentina.

               -

164
Atividade 1

          A Amrica do Norte dos Cadernos de Turismo

  Os Estados Unidos, o Canad e o Mxico so bastante visitados pelos turistas brasileiros. Nos cadernos de Turismo dos jornais de grande circulao, h inmeras 
ofertas de pacotes de viagens para esses pases. Consulte uma edio recente de um jornal com Caderno de Turismo e responda s questes.

 a) Para que lugares dos Estados Unidos, Canad e Mxico so oferecidos pacotes tursticos? Faa um mapa, localizando esses lugares.
 b) Para qual desses pases  oferecido um maior nmero de pacotes tursticos?
 c) Qual o pacote turstico mais barato? O que ele oferece para o turista?
 d) Qual o pacote turstico mais caro? O que ele oferece para o turista?
 e) Considerando os pacotes de viagem que so oferecidos, quais devem ser as imagens que os turistas brasileiros guardam dos Estados Unidos, do Canad e do Mxico?

A diversidade natural

  Conforme se observa na figura 3, o relevo da Amrica do Norte pode ser dividido em dois grandes compartimentos, que se sucedem no sentido longitudinal.

Figura 3. 

          Amrica do Norte: aspectos 
          fsicos

mapa mostrando o relevo da Amrica do Norte: Montanhas Rochosas, Cadeias Brooks, Cadeia do Alasca, Cadeia da Costa, Cadeias das Cascatas, Serra Nevada, Planalto 
do Colorado, Serra Madre Oriental, Serra Madre Ocidental, Planalto Laurenciano, Montes Alleghanus Apalaches. A seguir, legenda
  As maiores altitudes da Amrica do Norte ocorrem nas Montanhas Rochosas.

165
  Na faixa oeste, aparecem os dobramentos montanhosos recentes, com destaque para as Montanhas Rochosas (fig. 4) e as cadeias da Costa e das Cascatas. No Mxico, 
esse sistema montanhoso aparece dividido em duas cadeias paralelas - a Serra Madre Ocidental e a Serra Madre Oriental -, separadas por um extenso planalto.

Figura 4. 

foto mostrando algumas montanhas. A seguir, legenda
  As Montanhas Rochosas no Parque Nacional de 
ellowstone, em Wyoming (EUA). Um sistema montanhoso de formao recente acompanha a costa da Amrica banhada pelo Oceano Pacfico.

  No centro e no leste da Amrica do Norte, porm, surgem extensas plancies e cadeias montanhosas antigas - como os Montes Apalaches (Estados Unidos) e o Planalto 
Laurenciano (Canad) -, rebaixadas pela ao dos processos erosivos.
  Na poro setentrional, as plancies centrais abrigam um grande nmero de lagos, formados pela ao erosiva do gelo. Os Grandes Lagos, situados na fronteira entre 
os Estados Unidos e o Canad, so os mais importantes. No sul, aparece uma extensa bacia hidrogrfica comandada pelo Rio Mississpi, que desgua no Golfo do Mxico.
  Quanto s zonas climticas, elas se sucedem no sentido latitudinal, conforme voc pode verificar no mapa da pgina 166 (fig. 5 no livro em tinta). As regies de 
altas latitudes prximas ao Crculo Polar rtico, que compreendem o Alasca (EUA) e o Grande Norte canadense, apresentam clima polar e permanecem recobertas por gelo 
durante os meses de inverno. Observe no mapa da figura 6 (pg. 167 no livro em tinta) que esse  o domnio da tundra.

Figura 5. 

          Amrica do Norte: clima

mapa mostrando as zonas climticas: polar, frio da montanha, temperado, tropical, subtropical, mediterrneo, semi-rido, desrtico, corrente marinha quente, corrente 
marinha fria. A seguir, legenda
  A Bacia do Rio Mississpi encontra-se encaixada entre as Montanhas Rochosas, a oeste, e os Montes Apalaches, a leste. O Mississpi nasce na regio de clima temperado 
e desgua no Golfo do Mxico, regio de clima subtropical.

Figura 6. 

          Amrica do Norte: vegetao

mapa mostrando a distribuio da vegetao da Amrica do Norte: tundra, vegetao de altitude, taiga, floresta temperada e subtropical, estepes e pradarias, vegetao 
mediterrnea, deserto, savanas, floresta tropical e equatorial, calota polar. A seguir, legenda
  Praticamente todas as grandes paisagens vegetais do globo, da tundra  floresta equatorial, esto presentes na Amrica do Norte.

  Mais ao sul, encontramos uma extensa rea submetida ao clima frio, com invernos rigorosos e grandes amplitudes trmicas anuais. Trata-se do domnio da taiga. Essa 
floresta  muito importante para a economia do Canad: ela fornece matria-prima para as indstrias do setor de papel, concentradas nas provncias de Colmbia Britnica 
e de Quebec, que fazem do pas um dos principais produtores e exportadores de papel do mundo.
  As reas que apresentam climas temperado e subtropical tambm eram originalmente recobertas por formaes florestais. Porm, elas se tornaram regies cultivadas. 
Esses domnios climticos, que correspondem aproximadamente s plancies centrais dos Estados Unidos e do Canad, esto entre as principais reas de produo de 
cereais do mundo.
166
  A faixa ocidental do continente, dominada pelo sistema de dobramentos rochosos, apresenta climas temperado e frio. Observe tambm uma grande rea de climas semi-rido 
e desrtico nas proximidades da costa pacfica (voltada para o Oceano Pacfico) do sudoeste dos Estados Unidos e do norte do Mxico. O famoso Deserto da Califrnia 
(fig. 7) fica nessa rea. Em parte, essa aridez pode ser explicada pela presena da Corrente da Califrnia, que atua no Pacfico Norte: geralmente chove pouco nas 
regies sob influncia de correntes martimas frias. Esse fenmeno tambm acontece na Amrica do Sul: praticamente no chove no Deserto do Atacama (Chile), submetido 
 ao da Corrente martima fria do Peru.

167
Figura 7. 

foto mostrando parte do deserto. A seguir, legenda
  O Vale da Morte, no Deserto da Califrnia,  uma das reas mais secas do mundo.

               -

168
Atividade 2

          Construindo um mapa temtico

  Volte ao mapa da figura 6 e copie seu contorno e o da rea da taiga. Pesquise, em atlas geogrficos ou enciclopdias, mapas de uso do solo do Canad. Complete 
seu mapa com as informaes que voc coletou sobre explorao de madeira e outras atividades econmicas desenvolvidas na rea da taiga. D um ttulo ao mapa e no 
se esquea da legenda.

Estados Unidos: o poderio 
  industrial e agrcola

  Os Estados Unidos j haviam se firmado como uma grande potncia econmica no incio do sculo XX. As regies Nordeste e dos Grandes Lagos - conhecidas como Manufacturing 
Belt (Cinturo da Manufatura) - constituam o principal plo industrial do pas, e a vida econmica e financeira girava em torno de alguns centros urbanos importantes, 
como Nova Iorque, Boston, Filadlfia, Detroit e Chicago, que rapidamente se tornaram reas metropolitanas.
  As reservas de carvo mineral dos Montes Apalaches e as de ferro prximas ao Lago Superior alimentavam gigantescos complexos siderrgicos, rodeados por indstrias 
de bens de consumo dos mais diversos tipos. Observe o mapa (fig. 8). Foi nos plos industriais dos Grandes Lagos que se criaram novas formas de gesto das fbricas, 
que revolucionaram a histria do capitalismo, movidas pelo lema "tempo  dinheiro".

Figura 8. 

          Estados Unidos: Manufacturing Belt

mapa mostrando a localizao de Manufacturing Belt, do carvo, ferro e eixos de comunicao. A seguir, legenda
  O Manufacturing Belt  a regio industrial mais tradicional dos Estados Unidos.

  Para voc ter uma idia da importncia dessas inovaes, a montagem de um chassi na fbrica da Ford requeria 12 horas e 28 minutos em 1913; no ano seguinte, quando 
foi introduzida uma linha de montagem mecnica, a mesma operao passou a ser realizada em apenas 1 hora e 30 minutos!
169
Isso propiciou a produo em larga escala, colocando no mercado consumidor uma maior quantidade de mercadorias a preos mais baixos.
  O Porto de Nova Iorque era um bom termmetro do que ocorria no pas naquela poca. Foi a porta de entrada de milhes de imigrantes (italianos, irlandeses e de 
outras nacionalidades europias) que se dirigiam para os Estados Unidos em busca de trabalho e de prosperidade (fig. 9). Ao seu redor, nos armazns lotados, as mercadorias 
aguardavam o momento de embarque em navios cargueiros. O Porto de Nova Iorque era o principal elo de ligao entre os Estados Unidos e o mundo.

Figura 9. 

foto mostrando muitas pessoas e malas em um prdio. A seguir, legenda
  Museu da Imigrao na Ilha de Ellis, em Nova Iorque. No sculo XIX, os imigrantes desembarcavam nesse local, onde recebiam tratamento mdico e eram encaminhados 
para seus destinos. Atualmente transformada em museu, a construo conta parte dessa histria.

  Ao redor desse cinturo fabril, crescia tambm o poderio da agropecuria do pas. As propriedades rurais dedicadas  produo de gros ocuparam primeiro a grande 
Plancie Central e, depois, as terras do Oeste semi-rido, pouco a pouco tomadas dos ndios e ocupadas pela pecuria extensiva. Leia um pouco mais sobre a conquista 
do Oeste no quadro 1, na pgina seguinte (no livro em tinta).
  Baseadas no trabalho familiar e organizadas para atender s exigncias do mercado urbano em expanso, essas fazendas foram entrando em sintonia com a atividade 
industrial, incorporando seus produtos, como fertilizantes qumicos, mquinas agrcolas e agrotxicos, o que aumentou vertiginosamente a produo agrcola.
  Quanto mais se fortalecia esse modelo de produo agrcola, mais os proprietrios de terras se integravam ao centro dinmico da economia. A expanso da eletricidade 
e da telefonia no meio rural dos Estados Unidos no teve similar no mundo. Manter a fazenda nas margens do Rio Mississpi, por exemplo, exigia o acompanhamento dirio 
da previso do tempo, da cotao de preos dos produtos agrcolas e da disponibilidade de recursos financeiros oferecidos pelos bancos.

170

Quadro 1

          Formao territorial dos Estados Unidos

  Os Estados Unidos tm a sua origem histrica nas 13 colnias inglesas na Amrica do Norte: Massachusetts, Rhode Island, New Hampshire, Nova Iorque, Connecticut, 
Pensilvnia, Nova Jersey, Delaware, Virgnia, Maryland, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Gergia.
  A expanso territorial dos Estados Unidos envolveu a compra de territrios
(casos da Flrida, do Alasca e da Louisiana), alm de guerras e tratados com o Mxico, quando o pas anexou grande parte do Texas e da Califrnia (fig. 10). A conquista 
do Oeste, no entanto,  uma histria de expulso e confinamento das naes indgenas em reservas, como mostra o texto abaixo:

Figura 10.

mapa mostrando a expanso territorial dos Estados Unidos
 o Oregon: cedido pela Inglaterra em 1846
 o Califrnia: territrio mexicano anexado em 1848
 o Gadsden: adiquirido em 1853
 o Lousiana: adquirida da Frana em 1803
 o Texas: anexado em 1845
 o Treze Colnias originais
 o Meio-Oeste Norte Americano: Tratado de Paris, de 1783
 o Maine: cedido pela Inglaterra em 1842
 o Maine 1820
 o Flrida: adquirida da Espanha em 1818
 o Cedido pela Inglaterra em 1818

  Aps 1865, as foras militares puderam consagrar-se inteiramente quilo que pudicamente se chamou a "pacificao do oeste", na verdade o extermnio dos ndios 
[...]. O exrcito d apoio  penetrao dos pioneiros na construo das estradas de ferro, vigia as estradas ao longo das quais so estabelecidos fortes, muitos 
deles na origem das cidades atuais: Forte Brigder, Forte Hall, Forte Boise, Forte Laramie, Forte Kearny. De todos eles, apenas Forte Worth (Texas) conservou suas 
funes militares. O exrcito serviu de anteparo entre os ndios e os pioneiros, na tentativa de impedir atritos, e por isso mesmo conduziu a poltica de acantonamento 
que mais tarde resultou nas reservas indgenas. (Claude Fohlen, O faroeste, p. 139.)
 fim do quadro

  Muitos fazendeiros no conseguiram acompanhar o ritmo e o dinamismo impostos pelo mercado, e parte deles foi  falncia. Mas os proprietrios de terra que resistiram 
tornaram-se empresrios do campo. A produo agrcola e a pecuria, cada vez mais atreladas ao processo industrial, foram se especializando e acabaram estabelecendo 
o zoneamento agrcola existente nos Estados Unidos at hoje. Os chamados belts agrcolas, cintures voltados para a produo especializada (fig. 11), abastecem inmeros 
ramos industriais e so responsveis por uma parcela expressiva das exportaes dos Estados Unidos.

Figura 11. 

          Estados Unidos: os cintures agrcolas

mapa mostrando a localizao dos cintures agrcolas dos Estados Unidos. A seguir, descrio
 o Dayre Belt (pecuria leiteira) e Green Belt (hortifrutigranjeiros)
 o Wheat Belt (trigo)
 o Corn Belt (milho, soja, sunos)
 o Tobacco Belt (tabaco e policultura)
 o Cotton Belt (algodo e policultura)
 o Culturas subtropicais e tropicais (cana-de-acar e laranja)
  Legenda: o espao agrcola dos Estados Unidos  altamente especializado. No alto Vale do Mississpi, por exemplo, a produo de milho associa-se  criao de sunos. 
Os grandes centros urbanos do Nordeste, por sua vez, so abastecidos por frutas, legumes e verduras do Green Belt.

               -

171
Atividade 3

          Lendo mapas

  Observando o mapa da figura 11, descreva no caderno a distribuio espacial dos cintures agrcolas dos Estados Unidos. Discuta com seus colegas os fatores responsveis 
por essa distribuio. Apresentem as concluses do grupo para o professor.

Novos rumos da economia e reorganizao do espao

  A microeletrnica, a informtica, a biotecnologia, a tecnologia aeroespacial e a indstria de armamentos so os motores da economia dos Estados Unidos. O desenvolvimento 
desses ramos da indstria, baseados em tecnologia de ponta, est provocando um novo ciclo de prosperidade econmica no pas e profundas transformaes na organizao 
do seu territrio.
  Os novos ramos da indstria no se estabeleceram nas reas tradicionais do nordeste dos Estados Unidos. Eles esto promovendo um processo de desconcentrao industrial, 
ou seja, esto levando a industrializao para outras reas.
  A microeletrnica, por exemplo, concentrou-se nas proximidades dos centros de pesquisa de San Francisco, na Califrnia. Foi to forte a concentrao de indstrias 
da rea de informtica nessa regio que, hoje, ela  chamada de Vale do Silcio (fig. 12), uma referncia  matria-prima bsica do chip, a memria do computador.

Figura 12.

foto mostrando pessoas e muitos computadores em uma sala. A seguir, legenda
  Laboratrio da Hewlett Packard, uma das muitas empresas futuristas instaladas no Vale do Silcio, na Califrnia.

172
  A indstria ligada  tecnologia aeroespacial, por sua vez, disseminou-se por vrios outros centros urbanos do pas, como Houston, no Texas, Cabo Kennedy, na Flrida, 
e Los Angeles, na Califrnia. Veja no mapa da figura 13 uma sntese da reorganizao industrial dos Estados Unidos.

Figura 13. 

          Estados Unidos: a reorganizao da indstria

mapa mostrando a reorganizao industrial dos Estados. A seguir, descrio
 o Regio industrial tradicional
 o Novas reas industriais
 o Siderurgia
 o Mecnica
 o Metalurgia
 o Qumica
 o Espacial e aeronutica
 o Microeletrnica e informtica
  Legenda: o setor industrial dos Estados Unidos est sofrendo transformaes. As novas reas industriais surgiram com a expanso  da microeletrnica, da informtica, 
com a tecnologia espacial e a engenharia de novos materiais.

  Esse reordenamento comprova que a produo industrial dos Estados Unidos no comporta mais um nico plo industrial. A nova organizao econmica exige estruturas 
empresariais capazes de se adaptar a mudanas rpidas e utilizar novas regies, agora integradas pela rede de computadores e por um intenso fluxo areo.
  Alm disso, o setor de servios cresce num ritmo muito mais intenso do que o setor industrial. O mercado de trabalho dos Estados Unidos absorve cada vez mais mo-de-obra 
em atividades de administrao, assistncia tcnica, marketing e planejamento.

               -

Atividade 4

          Mapa conceitual

  Considerando o que voc compreendeu do tema "Estados Unidos: o poderio industrial e agrcola", elabore um mapa conceitual, relacionando os seguintes termos: regio 
Nordeste, Grandes Lagos, Vale do Silcio, Califrnia, Manufacturing Belt, Corn Belt, Cotton Belt, Green Belt, Wheat Belt, reservas de carvo mineral, microeletrnica, 
informtica, tecnologia aeroespacial.
  Lembre-se: no mapa conceitual, as palavras-chave so interligadas por flechas e distribudas hierarquicamente numa seqncia grfica.

173
O Canad

  A histria colonial do Canad  a histria do confronto entre duas frentes de colonizao que se estabeleceram quase ao mesmo tempo em terras americanas: a inglesa 
e a francesa.
  A colonizao britnica do continente comeou em 1607, com a fundao de Jamestown (na Virgnia). No final do sculo XVII, essa colonizao j havia se estendido 
por toda a costa, e as famosas 13 colnias que deram origem aos Estados Unidos da Amrica j estavam formadas, abrigando cerca de 1 milho e meio de ingleses.
  Quebec, a primeira base da colonizao francesa, foi fundada no alto de um rochedo nas proximidades do Rio So Loureno, em 1608. Ela daria origem a um grande 
imprio francs na Amrica. A partir de Quebec - a Nova Frana -, os franceses penetraram pelo continente: seguiram o curso das principais vias fluviais, ocuparam 
as terras dos ndios e criaram um prspero comrcio de peles de animais - ainda no So Loureno, em 1642 fundaram Montreal, que se tornaria o centro do comrcio 
de peles -, chegaram aos Grandes Lagos e alcanaram o Rio Mississpi, chamado pelos ndios de "grande pai das guas".
  Em 1681, um explorador francs chegou na desembocadura do Mississpi, no Golfo do Mxico, onde tomou posse das terras em nome do rei Lus XIV. Esse territrio, 
que mais tarde seria comprado pelos Estados Unidos, foi batizado de Louisiana. At hoje, as marcas da colonizao francesa esto presentes em algumas cidades norte-americanas, 
como Nova Orleans (fig. 14).

Figura 14.

foto mostrando parte de um quarteiro, em uma das caladas, duas pessoas sentadas no meio fio com instrumentos musicais. A seguir, legenda
  Quarteiro francs de Nova Orleans, na Louisiana (EUA). Aqui se misturam a Amrica britnica e Amrica francesa, embaladas pelos ritmos musicais trazidos da frica 
pelos escravos.

  Em 1750, os franceses j possuam uma cadeia de fortes entre os vales dos rios Ohio e Mississpi. Apesar desse imenso avano territorial, o nmero de colonos franceses 
na Amrica sempre foi relativamente baixo: em 1760, havia apenas 60 mil deles!
  No sculo XVIII, os choques entre os ingleses e os franceses se tornaram cada vez mais freqentes. A Nova Frana estava no caminho dos colonos e comerciantes ingleses, 
e a Coroa britnica queria toda a Amrica do Norte. Em 1763, Quebec foi tomada pelo exrcito britnico, tornando-se a 14 colnia inglesa.
  Quebec permaneceu sob domnio britnico quando as 13 colnias originais protagonizaram a Revoluo Americana (1775-1783), rompendo os laos com a Gr-Bretanha 
e formando os Estados Unidos da Amrica. Foi assim que Quebec recebeu milhares de colonos ingleses descontentes com a independncia. Mais tarde, Quebec seria repartida, 
dando origem s atuais provncias de Quebec e Ontrio. Nos sculos seguintes, mais imigrantes europeus - principalmente alemes, poloneses, ucranianos e italianos 
- foram atrados para as novas provncias inglesas em formao na Amrica do Norte, que iriam se reunir e dar origem ao Canad moderno. Veja o mapa a seguir (fig. 
15).

174
Figura 15. 

mapa mostrando o Canad diviso poltica. A seguir, descrio
 o Provncias ou Territrios: Territrio de Yukon, Columbia Britnica, Territrio do Nordeste, Alberta, Saskatchewan, Manitoba, Quebec, Terra Nova, Ilha Prncipe 
Eduardo, Nova Esccia, Novo Brunswick, Ontrio
 o Capital de provncia ou territrio: Whitehorse, Victoria, Vancouver, Yallowknife, Edmonton, regina, Winnipeg, Quebec, St. John's, 
  Charlottetown, Halifax, Fredericton, Toronto
 o Capital do pas: Ottawa
  Legenda: o territrio canadense se estende de oeste para leste, entre o Oceano Pacfico e o Oceano Atlntico.

  Devido  sua histria colonial, at hoje o Canad  um pas bilnge: o ingls e o francs so lnguas oficiais. Os habitantes de origem britnica constituem pouco 
menos da metade da populao total e esto espalhados por todo o pas. A maior parte dos habitantes de lngua francesa vive na Provncia de Quebec, mas eles tambm 
formam minorias importantes em Ontrio e em Nova Brunswich. A existncia de um "Canad francs" representa uma ameaa  integridade territorial do pas, pois muitos 
ativistas de origem francesa lutam para transformar Quebec em uma nao independente (fig. 16).

Figura 16. 

foto mostrando uma multido com bandeiras. A seguir, descrio
  Manifestantes empunham bandeiras do Canad e de Quebec, em Montreal, em 27 de outubro de 1995. Trs dias depois seria realizado o plebiscito sobre a permanncia 
da Provncia de Quebec na Federao Canadense. Os separatistas perderam 

  por uma pequena margem de votos, e Quebec continua fazendo parte do Canad.

               -

Atividade 5

          Refazendo o caminho dos pioneiros

  Copie em papel transparente o mapa da Amrica do Norte (figura 2 ou 3). Nele, refaa o caminho dos pioneiros franceses, desde o Quebec at o Golfo do Mxico. No 
esquea de indicar em seu mapa todos os lugares citados no texto.

175
O espao econmico canadense

  O Canad  um dos pases mais ricos do mundo em recursos minerais e energticos. Principal produtor mundial de urnio e zinco, o Canad tambm ocupa a terceira 
posio entre os produtores de cobre e gs natural, sendo o quarto produtor mundial de minrio de ferro e o quinto produtor mundial de carvo vegetal.
  A disponibilidade de matrias-primas e de energia de origem hidroeltrica, obtida principalmente nas bacias hidrogrficas que drenam o Planalto Laurenciano (a 
leste) e as cadeias montanhosas tercirias (a oeste), atraiu empresas dos Estados Unidos, responsveis por grande parte da produo industrial canadense. Tambm 
no campo, em especial nas frteis plancies centrais, observa-se a presena do poderoso vizinho do sul e seus grandes conglomerados agroindustriais. Apesar de ser 
um pas rico e prspero, o Canad depende muito dos Estados Unidos.
  Toronto, na Provncia de Ontrio, e Montreal, no Quebec, so as principais cidades industriais e abrigam um importante complexo metalrgico e siderrgico (fig. 
17), fortemente integrado ao Manufacturing Belt do Nordeste dos Estados Unidos. A grande movimentao de navios nos Grandes Lagos e no Rio So Loureno, tornado 
navegvel graas s sofisticadas obras de engenharia,  testemunha dessa integrao. Leia mais sobre esse assunto no quadro 2.

Figura 17. 

mapa mostrando o Canad: espao econmico. A seguir, descrio
 o Regio agrcola
 o Regio industrial
 o Zona de pesca
 o Minerais
 o Petrleo
 o Gs
 o Principais ferrovias
 o Rodovia Trans-Canad
 o Limite de provncia ou territrio
 o Cidades principais: White horse, Victoria, Vancouver, Yallowknife, Edmonton, Regina, Winnipeg, Quebec, St. John's, 
  Charlottetown, Fredericton, Toronto, Ottawa, Prncipe Ruppert
  Legenda: As provncias do oeste canadense so importantes para a economia do pas devido, entre outros elementos, s reservas de cobre, chumbo, zinco e madeira.

176
Quadro 2

          A hidrovia da integrao

  Desde a dcada de 1930, o Canad e os Estados Unidos haviam discutido a possibilidade de construo de uma via martima atravs do Rio So Loureno, que permitisse 
a navios de grande tonelagem navegarem mais de 3.200 quilmetros at a cabeceira dos Grandes Lagos - criando portos martimos em Toronto, Buffalo, Detroit, Chicago, 
Milwaukee e Duluth. Entretanto, os interesses das ferrovias norte-americanas do leste, das companhias de cabotagem e portos costeiros se opuseram ao projeto, e os 
Estados Unidos o recusaram repetidamente. Em 1951, o Canad decidiu construir sozinho a via martima, no somente canalizando o rio mas tambm desenvolvendo sua 
imensa capacidade hidroeltrica. Trs anos mais tarde, interesses do centro-oeste norte-americano uniram suas peties aos das indstrias do leste e conseguiram 
que Washington aceitasse o projeto. Os norte-americanos se juntaram aos canadenses e, em 1959, a rainha Elisabeth e o presidente 
 Eisenhower inauguraram o gigantesco canal e as centrais eltricas. (J. Saywell, Canad: passado e presente, p. 35.)
 fim do quadro

  Em Ontrio, destaca-se a metalurgia do alumnio, cuja matria-prima, a bauxita,  em grande parte importada da Jamaica. Quebec, por sua vez, dispe de abundantes 
reservas de ferro e  um importante plo siderrgico e automobilstico. Alm disso, a floresta de Quebec fornece matria-prima para quase metade da produo canadense 
de papel e pasta de papel.
  Vancouver (fig. 18), na Colmbia Britnica,  o centro industrial da costa pacfica do pas, tambm alimentado pela presena de recursos naturais importantes, 
como cobre, chumbo e zinco, alm da madeira. O Porto de Vancouver  responsvel por grande parte do comrcio entre o Canad e os pases asiticos, em especial o 
Japo.

Figura 18. 

foto mostrando parte de uma cidade com muitos prdios. A seguir, legenda
  A Colmbia Britnica, colnia fundada em 1858, passou a integrar a Federao Canadense em 1871. Hoje, o porto de sua capital, Vancouver,  um dos mais importantes 
do pas.

177
O Mxico

  A histria do Mxico  a histria da pilhagem de seus valiosos recursos naturais e do massacre das populaes indgenas. No perodo colonial, quantidades colossais 
de prata foram extradas pelos colonizadores espanhis, que utilizavam o trabalho dos ndios na minerao. Em 1540, existiam cerca de 10 milhes de ndios e 12 mil 
conquistadores espanhis na colnia. Em 1600, restavam apenas 1 milho de ndios, e os espanhis haviam conseguido montar uma das mais lucrativas estruturas coloniais 
do mundo, movida pelas prsperas minas de prata. Nos sculos seguintes, ainda seriam implantados latifndios voltados para a produo de produtos tropicais - as 
haciendas -, em terras tradicionalmente cultivadas pelos ndios.
  O Mxico foi colnia da Espanha at 1821, quando conquistou sua independncia. A partir de ento, sofreu expressivas perdas territoriais (fig. 19). Por meio de 
guerras e acordos, os Estados Unidos somaram  sua rea os estados do Arizona, da Califrnia, do Novo Mxico e do Texas, alm de parte dos estados do Colorado e 
de Utah. At hoje, importantes cidades da costa oeste norte-americana conservam seus nomes latinos:  o caso de Los Angeles, San Francisco e San Diego.

Figura 19. 

mapa mostrando as perdas territoriais do Mxico. A seguir, descrio
 o Limite extremo ao norte em 1821
 o Separada do Mxico em 1823
 o Perdida em 1836 para os Estados Unidos
 o Perdida em 1848 para os Estados Unidos
 o Cedida aos Estados Unidos em 1853
 o Territrio atual
  Legenda: o Mxico teve uma grande extenso de suas terras tomada pelo vizinho do norte.

178
  O Mxico independente herdou uma profunda disparidade social entre a elite criolla, ou seja, os descendentes dos espanhis proprietrios das minas e da maior parte 
das terras agrcolas, e a massa da populao mestia e indgena, transformada em camponeses pobres e em mo-de-obra barata para os negcios dos brancos.
  Essa disparidade est na origem da Revoluo Mexicana, que comeou em 1910. Naquele ano, Francisco Madero, candidato  Presidncia derrotado em eleies fraudulentas, 
associou-se a camponeses rebeldes chefiados por Emiliano Zapata e Pancho Villa. O objetivo dos revolucionrios era derrubar o ditador Porfirio Daz, aliado dos latifundirios, 
e instaurar um novo governo no Mxico. Entretanto, nem mesmo os sucessivos governos revolucionrios impediram que o pas continuasse sendo um grande fornecedor de 
recursos naturais e de mo-de-obra. O petrleo substituiu a prata, os mexicanos deixaram de produzir riquezas para os espanhis, mas se tornaram mo-de-obra barata 
para os empresrios dos Estados Unidos. O Mxico permanece um pas pobre e economicamente dependente.

Agricultura e indstria

  Um dos maiores feitos da Revoluo Mexicana foi a realizao de uma ampla reforma da propriedade fundiria, que demorou cerca de cinqenta anos para ser completada. 
No incio da dcada de 1960, aproximadamente um tero da rea agrcola do pas havia sido desapropriada pelo governo e distribuda para 3 milhes de famlias de 
camponeses pobres.
  A reforma agrria, no entanto, no eliminou as velhas haciendas do territrio mexicano. Elas ainda predominam no norte do pas, onde grandes empresrios rurais, 
com o auxlio de modernas tcnicas de irrigao, cultivam frutas, cereais, soja e algodo para os mercados externos. O milho, que ocupa a metade das terras agrcolas, 
 cultivado sobretudo nas pequenas propriedades originrias da reforma agrria, que tambm produzem a maior parte dos alimentos consumidos no pas.
  Apesar de o Mxico dispor de recursos minerais importantes, como o petrleo, sua industrializao s ganhou impulso a partir da dcada de 1950. O modelo adotado 
baseou-se na participao do Estado na economia e no ingresso de transnacionais. Inicialmente o governo criou grandes empresas, destacando-se a Petrleo do Mxico 
(Pemex), voltada para a explorao e o refino do petrleo. Em seguida, chegaram as empresas transnacionais, que produziam para o mercado interno. A Cidade do Mxico, 
capital do pas, recebeu uma parcela considervel desses investimentos.
  Atualmente, a Cidade do Mxico (fig. 20) concentra cerca de 20% da populao nacional e  a maior e mais poluda metrpole do mundo. Em certas pocas do ano, as 
indstrias ficam 
179
proibidas de funcionar, num esforo para melhorar as condies do ar na cidade. L existe um rodzio permanente de automveis, o que impede a circulao de uma parte 
da frota em determinados dias da semana.

Figura 20.

foto mostrando parte de uma cidade. A seguir, legenda
  Vista da Cidade do Mxico, com destaque para o Teatro Nacional de pera. A mancha urbana estende-se por toda a linha do horizonte.

  Em meados da dcada de 1970, outro tipo de indstria chegou ao Mxico: as chamadas maquilladoras. Trata-se de empresas que produzem diretamente para suas matrizes 
no exterior - a maioria delas situadas nos Estados Unidos -, empregando componentes importados. Nesse caso, nem as matrias-primas nem o mercado mexicano so utilizados: 
as maquilladoras foram atradas exclusivamente pela oferta de mo-de-obra barata. Os setores eltrico e automobilstico (fig. 21) concentram grande parte dos investimentos 
das maquilladoras.

Figura 21.

foto mostrando um homem trabalhando em um carro. A seguir, legenda
  Linha de montagem da Ford no norte do Mxico.

               -

Atividade 6

          Do que estou falando?

  Escolha um aspecto importante do Mxico e, atravs da mmica, tente express-lo para seus colegas. Verifique se a turma consegue compreender o que voc est querendo 
dizer.

Passando a limpo

  Redija um texto-sntese, comparando os espaos econmicos do Canad, dos Estados Unidos e do Mxico.

180

Captulo 13

          A Amrica Central e o Caribe

  A Amrica Central continental  constituda por uma faixa de terra - denominada istmo - que separa o Oceano Pacfico do Oceano Atlntico e liga a Amrica do Norte 
 Amrica do Sul. Veja o mapa (fig. 1). Na vertente voltada para o Oceano Pacfico, encontra-se uma imensa cadeia montanhosa, que se estende da Guatemala ao Panam. 
Do outro lado, na vertente atlntica, predominam as plancies e terras baixas, em boa parte ainda recobertas por florestas tropicais.

Figura 1. 

mapa mostrando a Amrica Central stmica e Insular. A seguir, descrio
 Beleize - Belmopan, Guatemala - Guatemala, El Salvador - San Salvador, Honduras - Tegucigalpa, Nicargua - Mangua, Costa rica - So Jos, Panam - Panam (Zona 
do Canal - Adm. EUA), Cuba - Havana, Jamaica - 
  Kinigstown, Bahamas - Nassau, Haiti - Porto Prncipe, Repblica Dominicana - Santo Domingo, Porto Rico - San Juan (EUA), So Cristvo e Neves - Basseterre, Antgua 
e Barbuda - St. John's, Dominica - Roseau, Santa Lcia - Castries, Barbados - Bridgetown, S. Vicente e Granadinas - Kingstown, Granada - St. George's, Trinidad e 
Tobago - Port of 
  Spain.
  Legenda: as cidades mais importantes da Amrica Central stmica situam-se nas proximidades da costa do Oceano Pacfico. A Amrica Central insular  formada por 
um arco de ilhas que protege o Mar das Antilhas do oceano aberto.

  O istmo centro-americano abriga sete pequenos pases: Guatemala, El Salvador, Belize, Honduras, Nicargua, Costa Rica e Panam. A Guatemala, que  o mais populoso, 
possui menos habitantes do que a regio metropolitana
181
de So Paulo. Todos eles, com exceo de Belize, tm sua origem ligada  colonizao espanhola. Quando os espanhis conquistaram a regio, no incio do sculo XVI, 
encontraram centenas de agrupamentos indgenas dispersos. Grande parte da populao atual da Amrica Central stmica  composta por mestios de ndios e brancos 
descendentes de espanhis.
  O conjunto de ilhas dispostas em forma de arco no Oceano Atlntico constitui a Amrica Central insular. Formadas por material vulcnico ou pelo acmulo de corais, 
as ilhas centro-americanas, com suas praias e paisagens marinhas, exibem um cenrio de rara beleza natural. Muitas foram conquistadas pelos espanhis. Mais tarde 
seriam invadidas por ingleses, holandeses e franceses, e os espanhis acabariam perdendo seus territrios na regio. Somente em Cuba e em parte da Ilha Hispaniola 
(onde se localiza a Repblica Dominicana), os espanhis conseguiram manter sua soberania por mais tempo.

O istmo centro-americano

  Logo depois de aportar na Amrica, os espanhis iniciaram uma verdadeira corrida em busca de metais preciosos, principalmente ouro e prata. Eles acreditavam na 
existncia de tesouros escondidos e que muitas riquezas, glria e fama estariam reservadas aos desbravadores. Esse esprito animou as primeiras expedies de reconhecimento 
e conquista que varreram o istmo centro-americano, vindas tanto do sul quanto do norte, ainda no incio do sculo XVI.
  Em 1543, o rei da Espanha resolveu tomar para si o controle da regio, tentando, assim, impedir que os desbravadores continuassem a agir por conta prpria. Para 
tanto, criou a Capitania Geral da Guatemala, englobando quase todo o istmo, e nomeou pessoas de sua confiana para construir as cidades e seus monumentos (fig. 2), 
implantar a agricultura e organizar a explorao dos metais preciosos.

Figura 2.

foto mostrando a fachada de uma igreja. A seguir, legenda
  Igreja de Nossa Senhora das Mercedes, construda pelos espanhis em Granada, na Nicargua.

  Para que a empreitada colonizadora desse certo, era preciso muita gente para tocar o trabalho duro nas fazendas e minas. Por isso, os espanhis geralmente se estabeleciam 
nas regies j povoadas pelos ndios e, nelas, exploravam a mo-de-obra nativa.
  Os colonizadores implantaram ncleos esparsos de colonizao no istmo centro-americano, nos quais se destacava a agricultura de produtos tropicais, como cana-de-acar, 
banana e cacau. Para o abastecimento das cidades, recorriam aos alimentos tradicionalmente cultivados pelos ndios (batata-doce e mandioca, por exemplo) e  pecuria 
praticada nas encostas montanhosas voltadas para o Oceano Pacfico. As minas de prata das reas montanhosas prximas a Tegucigalpa, cidade que mais tarde seria a 
capital de Honduras, fizeram da regio o mais importante centro minerador da Amrica Central continental.
182
  Durante todo o perodo colonial, os ncleos de povoamento espanhol no istmo permaneceram isolados uns dos outros. No sculo XIX, com o processo de independncia, 
a regio se fragmentou em vrios pequenos pases. Atualmente os mestios formam a maioria da populao em todos eles, exceto na Costa Rica, onde predomina a populao 
branca, e na Guatemala, onde os descendentes das comunidades indgenas compem quase 70% da populao.
  O Panam teve uma histria singular. Originalmente, ele era parte da Colmbia. No incio do sculo XX, o governo dos Estados Unidos pediu autorizao ao Senado 
colombiano para construir um canal que ligasse o Oceano Atlntico ao Oceano Pacfico.
  Esse canal era muito importante para a economia norte-americana, em fase de grande prosperidade: ele agilizaria a navegao entre a costa leste e a costa oeste 
do pas, pois os navios no teriam de contornar a Amrica do Sul para realizar o trajeto. Como os colombianos se recusaram a ceder territrio para o canal, os Estados 
Unidos patrocinaram o movimento de independncia do Panam e seu desligamento da Colmbia. Assim, o Panam deve sua existncia ao interesse dos Estados Unidos em 
construir o Canal do Panam (fig. 3), inaugurado em 1914.

Figura 3.

foto mostrando um navio em um canal. A seguir, legenda
  Navio Royal Princess atravessando o Canal do Panam. At hoje, o canal  a principal fonte de recursos do pas.

               -

Atividade 1

          Construindo uma linha do tempo

  Construa uma linha do tempo com os principais acontecimentos no istmo centro-americano, desde o sculo XVI at o incio do sculo XX. Cole o trabalho no seu caderno.

Herana colonial e pobreza

  As repblicas centro-americanas tornaram-se pases independentes, mas mantiveram as estruturas econmicas herdadas do tempo da colonizao. A agricultura continua 
sendo a principal atividade econmica. Nas melhores terras agrcolas, localizadas na costa do Oceano Pacfico, predominam as fazendas cafeeiras, cujo produto  exportado 
para os mercados europeus e norte-americanos. Nas encostas montanhosas, a populao ndia e mestia se dedica aos cultivos de subsistncia tradicionais.
  A renda obtida com as exportaes agrcolas e a terra permanecem concentradas nas mos de uns poucos fazendeiros e comerciantes ricos. Alm disso, a histria recente 
desses pases  marcada por guerras civis e por golpes de Estado, em geral comandados pelo Exrcito e patrocinados plos
183
Estados Unidos. A falta de instituies democrticas slidas est entre as causas de tanta pobreza na regio. A Costa Rica, cujas terras e riqueza so mais bem distribudas 
e onde no existem Foras Armadas,  o pas centro-americano cuja populao goza de melhores condies de vida.
  J na Guatemala, um dos mais importantes produtores mundiais de caf, parte da populao muitas vezes no tem o que comer. Apenas 30% dos habitantes vive em cidades, 
e cerca de 40% no sabem ler nem escrever.
  Em Honduras, a situao no  muito diferente. S que, nesse caso, o principal produto de exportao  a banana, cultivada principalmente nas plancies do norte 
do pas. Grandes companhias com sede nos Estados Unidos controlam a produo e a comercializao do produto. Por causa de Honduras, muitos pases centro-americanos 
ganharam o triste apelido de "Repblica das Bananas": vivem das exportaes de produtos primrios e as empresas norte-americanas exercem grande influncia em sua 
vida poltica e econmica, chegando mesmo, s vezes, a nomear ou depor presidentes da Repblica.
  Tambm El Salvador mantm fortes laos de dependncia em relao aos Estados Unidos. O pas exporta caf e algodo para o mercado norte-americano. Alm disso, 
milhares de salvadorenhos emigraram para os Estados Unidos em busca de trabalho e melhores condies de vida. O dinheiro que eles mandam para seus parentes que ficaram 
em El Salvador  hoje a principal fonte de renda do pas.
  O Panam  um dos poucos pases do istmo centro-americano que no vive da exportao de produtos primrios. Praticamente toda a economia panamenha gira em torno 
do canal, devido ao grande fluxo de navios e ao elevado nmero de trabalhadores envolvidos em sua operao.

               -

Atividade 2

          Na ponta do lpis

  Faa uma lista dos problemas existentes nos pases do istmo centro-americano, resultantes da herana colonial. Compare a sua lista com a de seus colegas e elaborem, 
juntos, uma lista para fixar no mural da sala de aula.

A Amrica Central insular

  No trecho em que banha a Amrica Central, o Oceano Atlntico recebe o nome de Mar do Caribe. A Amrica Central insular abrange milhares de ilhas, dispostas em 
forma de arco. Como a indstria do turismo  muito desenvolvida na regio, o Caribe , para muita gente, sinnimo de frias, belas praias e ritmos musicais quentes 
(fig. 4).

Figura 4.

cartaz mostrando a montagem de cinco fotos, duas so fotos de praias, outras duas so de mquinas e mesa de cassino e a outra mostra o pr do Sol, onde 
l-se "No princpio era a escurido. A, como o Criador no tinha mais nada pra fazer  noite inventou as discotecas e os cassinos com maquininha de caa-nqueis." 
A seguir, legenda
  Aruba, nas Pequenas Antilhas,  do Caribe!

  Costuma-se dividir a Amrica Central insular em trs conjuntos de ilhas: as Grandes Antilhas (Cuba, Jamaica,
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Porto Rico, Haiti e Repblica Dominicana), as Pequenas Antilhas (milhares de pequenas ilhas entre Porto Rico e o litoral da Venezuela) e Arquiplago das Bahamas 
(entre os Estados Unidos e Cuba). Voc pode observar essa diviso no mapa da figura 5.

Figura 5. 

mapa mostrando a Amrica Central Insular. A seguir, descrio
 Cuba - Havana, Jamaica - 
  Kinigstown, Bahamas - Nassau, Haiti - Porto Prncipe, 
Repblica Dominicana - Santo Domingo, Porto Rico - San Juan (EUA), So Cristvo e Neves - 
Basseterre, Antgua e Barbuda - St. John's, Dominica - Roseau, Santa Lcia - 
Castries Barbados - Bridgetown, S. Vicente e Granadinas - Kingstown, Granada - St. George's, Trinidad e Tobago - Port of Spain.
  Legenda: A maior parte das ilhas centro-americanas foi formada por materiais vulcnicos ou pela acumulao de corais.

  Assim como aconteceu no istmo centro-americano, tambm as ilhas caribenhas mais importantes foram colonizadas pelos espanhis. Mas eles no conseguiram manter 
o domnio por muito tempo. No final do sculo XVII, o Mar do Caribe estava infestado de piratas especializados em atacar barcos espanhis que levavam riquezas da 
Amrica para a Espanha. Muitas das ilhas, em especial as das Pequenas Antilhas, estavam sob o controle desses piratas.
  Na mesma poca, a Inglaterra, a Frana e a Holanda j tinham tomado grande parte das possesses espanholas no Caribe e implantado nelas o cultivo de produtos tropicais 
- principalmente a cana-de-acar - para os mercados europeus. Como no havia populao nativa para trabalhar nas plantaes, os colonizadores tiveram de trazer 
escravos negros da frica. Por isso existe um grande contingente de populao negra e mulata nas ilhas caribenhas.
  At hoje, muitas dessas ilhas so territrios controlados por pases europeus. Porto Rico configura um caso especial: no  uma colnia nem um pas soberano;  
um estado livre, associado aos Estados Unidos. Isso significa que os porto-riquenhos desfrutam de alguns direitos comuns aos cidados norte-americanos, o que ajuda 
a entender o grande nmero de porto-riquenhos residentes nos Estados Unidos. Mas eles no votam nas eleies para presidente e tambm no esto representados no 
Congresso norte-americano.
  A exportao de produtos agrcolas e minerais movimenta grande parte da economia da regio. A cana-de-acar, um dos mais importantes itens
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caribenhos de exportao, ocupa lugar destacado na pauta de exportaes da Jamaica, do Haiti e de certos arquiplagos das Pequenas Antilhas. Tambm a banana  cultivada 
em larga escala, principalmente na Repblica Dominicana. A exportao de bauxita, o mineral que serve de matria-prima para a produo do alumnio,  muito importante 
para a economia da Jamaica: o Canad, um dos maiores produtores mundiais de alumnio, utiliza basicamente a bauxita jamaicana como matria-prima.
  Em muitos pases e territrios caribenhos, as atividades ligadas ao turismo constituem a principal fonte de renda. A maioria dos turistas so norte-americanos 
e europeus, que chegam atrados pela beleza das praias, das guas cristalinas e dos recifes de corais (1). Para receber os turistas, eles dispem de uma sofisticada 
infra-estrutura, que inclui hotis, como o da foto (fig. 6), estabelecimentos comerciais, estradas e marinas. Nos ltimos anos, o fluxo de turistas para a regio 
vem aumentando, envolvendo um nmero cada vez maior de ilhas caribenhas, em especial nas Pequenas Antilhas.

Figura 6. 

foto mostrando parte da piscina de um hotel. A seguir, legenda
  Hotel em Aruba, no Caribe. A regio figura entre os principais plos tursticos do mundo, e no  difcil entender por qu.

  Alm dos seus "parasos naturais", o Caribe tambm  conhecido por abrigar vrios "parasos fiscais", em especial no Arquiplago das Bahamas e nas Ilhas Cayman. 
O governo desses pases cobra impostos muito baixos das empresas que neles se instalam e no exige explicaes detalhadas sobre o tipo de atividade que realizam. 
Assim, no h qualquer fiscalizao. Os bancos, por sua vez, tambm no querem saber de onde vem ou para onde vai o dinheiro depositado em seus cofres.  por isso 
que grandes empresas e milionrios do mundo inteiro mantm contas e depsitos bancrios na Amrica Central insular.
  O turismo e os servios financeiros fazem das Bahamas e das Ilhas Cayman a regio mais rica do Caribe. Os exportadores de minerais, como a Jamaica, ocupam lugar 
intermedirio. A Ilha Hispaniola, que abriga a Repblica Dominicana e o Haiti, bate todos os recordes de pobreza regional. O caso mais dramtico  o do Haiti: no 
sculo XVII, suas plantaes de cana, movidas pelo trabalho escravo, fizeram fortunas para os franceses que dominavam a regio. Hoje,  o pas mais miservel da
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Amrica, e sua capital (fig. 7), uma das cidades mais pobres do mundo. Milhares de haitianos sonham com uma vida melhor nos Estados Unidos, mas o governo norte-americano 
mantm vigilncia severa nas fronteiras, para impedir a entrada de imigrantes haitianos no seu territrio. Observe um exemplo na foto (fig. 8).

Figura 7. 

foto mostrando parte de uma cidade e algumas pessoas nas ruas. A seguir, legenda
  Porto Prncipe, capital do Haiti, em agosto de 1991. O pas apresenta os piores indicadores sociais do continente americano.

Figura 8. 

foto mostrando muitas pessoas em um navio. A seguir, legenda
  Haitianos sendo resgatados pela guarda-costeira dos Estados Unidos, em novembro de 1991. Provavelmente a grande maioria deles foi mandada de volta para casa.

               -

Atividade 3

          Construindo um mapa esquemtico

  Pesquise em um atlas geogrfico mapas detalhados do Caribe. Baseando-se no traado dos maps e no contedo que voc aprendeu a respeito da Amrica Central insular, 
tente fazer um mapa esquemtico. Exponha o resultado desse trabalho em sala de aula.

Cuba: uma ilha socialista no Caribe

  Situada junto ao Estreito da Flrida, e pertencente ao arquiplago das Grandes Antilhas, Cuba teve uma histria colonial muito parecida com a das demais ilhas 
caribenhas. Entretanto, permaneceu sob domnio dos espanhis at o incio do sculo XX, quando se transformou em uma espcie de protetorado dos Estados Unidos. Isso 
significa que Cuba alcanou a independncia formal, mas quem mandava mesmo na ilha era o governo norte-americano.
  O cultivo de cana-de-acar para exportao, principal atividade econmica cubana, permaneceu muito tempo sob controle de companhias norte-americanas. At meados 
do sculo XX, Cuba foi uma espcie de quintal dos Estados Unidos, onde as grandes empresas de comercializao de produtos tropicais ganhavam dinheiro e onde os norte-americanos 
ricos gostavam de passar as frias, para usufruir do sol, das praias paradisacas e dos famosos cassinos que existiam em Havana, capital do pas (fig. 9). A posse 
da terra era privilgio de alguns latifundirios, enquanto a maior parte da populao camponesa vivia em condies de extrema misria. Os ditadores que dominavam 
a poltica local eram amplamente apoiados pelo governo norte-americano.

187
Figura 9.

foto mostrando parte de um bairro. A seguir, legenda
  Bairro antigo de Havana, capital de Cuba. No passado, turistas norte-americanos costumavam passear pela regio.

  No incio da dcada de 1950, porm, um movimento de oposio comeou a se formar em Cuba, reunindo os camponeses pobres e os trabalhadores das cidades. O objetivo 
era derrubar o ditador Fulgncio Batista e tornar o pas realmente independente, livrando-o da influncia dos Estados Unidos. Os rebelados acreditavam que era preciso 
lutar com todas as armas pela liberdade do pas e pela melhoria das condies de vida da populao.
  Em 1959, o movimento revolucionrio liderado por Fidel Castro (fig. 10) finalmente chegou ao poder, expulsando o ditador Fulgncio Batista. A histria de Cuba 
iria mudar para sempre.

Figura 10.

foto mostrando um homem sentado em uma cadeira de balano. A seguir, legenda
  Fidel Castro, em janeiro de 1989. Na histria recente, poucas vezes um homem permaneceu tanto tempo no poder.

  J nos primeiros anos, o novo governo realizou uma grande reforma agrria, acabando com os velhos latifndios. Muitas empresas norte-americanas que atuavam no 
pas foram nacionalizadas, isto , passaram a pertencer ao governo cubano.
  Claro que nem o governo nem os empresrios dos Estados Unidos ficaram contentes com essas medidas. Eles fizeram o que podiam para que a situao voltasse a ser 
como antes. Patrocinaram uma invaso ao pas, expulsaram Cuba da Organizao dos Estados Americanos (OEA), pressionaram seus aliados no mundo inteiro para que rompessem 
relaes com Cuba e se recusassem a comercializar os produtos do pas. Tudo em vo: os revolucionrios permaneceram no poder. Muitos descontentes abandonaram a ilha, 
e a maioria deles se instalou em Miami. Como quem era inimigo de Fidel Castro era considerado amigo dos Estados Unidos, esses imigrantes foram bem recebidos no pas, 
o que geralmente no acontece com os imigrantes caribenhos.
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  O tiro norte-americano contra os revolucionrios acabou saindo pela culatra. Fortemente pressionado, o governo de Cuba acabou pedindo ajuda ao pas que, na poca, 
era o maior rival dos Estados Unidos: a Unio das Repblicas Socialistas Soviticas (URSS). Grande parte do comrcio exterior cubano passou a se dirigir para a Unio 
Sovitica, que acabou fazendo um aliado no quintal inimigo. Durante muito tempo, o petrleo, os carros e a maioria dos bens de produo (mquinas e equipamentos) 
que abasteciam o mercado cubano vinham da Unio Sovitica e dos pases socialistas da Europa, que compravam da ilha quase toda a produo de acar, tabaco, rum 
e couro.
  Enquanto isso, os revolucionrios investiam na modernizao da economia cubana. As indstrias e o comrcio foram estatizados, isto , passaram para as mos do 
governo. No campo, implantou-se um modelo misto, baseado nas cooperativas de camponeses e nas fazendas do Estado. A produo industrial, principalmente de bens de 
consumo no-durveis (roupas, remdios e alimentos), cresceu muito a partir de ento. Como resultado, o pas passou por um rpido processo de urbanizao.
  Alm disso, o novo regime investiu bastante na sade e na educao da populao. Com isso, muitas doenas foram erradicadas e a mortalidade infantil da ilha  
bastante baixa para os padres da Amrica Central e da Amrica do Sul. A expectativa de vida  de 79 anos, ou seja, ultrapassa em dez anos a do Brasil (69 anos). 
Quase no h analfabetos na ilha. At hoje, o programa de sade cubano serve de modelo para mdicos e centros de pesquisa de pases subdesenvolvidos, principalmente 
aqueles que trabalham com medicina preventiva (vacinao, controle de epidemias etc.).
  Atualmente Cuba enfrenta muitos problemas. Como j estudamos, a Unio Sovitica no existe mais e o regime socialista foi derrubado. Assim, a ilha deixou de receber 
ajuda e de contar com mercado certo para suas exportaes.
  Alm disso, Cuba continua sofrendo o bloqueio comercial dos Estados Unidos: os empresrios norte-americanos so proibidos de investir em Cuba, e o pas no compra 
nem vende nada para a ilha. Na dcada de 1990, o bloqueio tornou-se ainda mais rgido: desde 1992, empresrios de qualquer parte do mundo que mantm negcios em 
Cuba tiveram limitado seu acesso ao mercado norte-americano. Apesar da presso internacional contra essa poltica, o governo dos Estados Unidos no abre mo do bloqueio 
e continua fazendo presso para derrubar Fidel Castro do poder. Ao mesmo tempo, aumentam as manifestaes contra o regime castrista (fig. 11).

Figura 11.

foto mostrando uma multido alguns com bandeiras nas mos. A seguir, legenda
  Manifestao de cubanos contra Fidel Castro, em Miami, em agosto de 1994. As organizaes de oposio ao governo cubano esto sediadas fora da ilha.

  Nesse novo contexto, o regime socialista teve de fazer concesses. Alguns servios urbanos foram liberados para os pequenos
189
empresrios. Negcios com txis, bares, restaurantes e hotis passaram a ser incentivados pelo governo, com o objetivo de melhorar a infra-estrutura e aumentar as 
divisas provenientes do turismo. Alm disso, os cubanos foram autorizados a possuir dlares, o que era rigorosamente proibido at 1993.
  Essas medidas, porm, no tm sido suficientes para evitar o envelhecimento do reduzido parque industrial da ilha (j que no h mais dinheiro para comprar mquinas 
e equipamentos), a crise energtica (pois os preos vantajosos da poca da Unio Sovitica no existem mais) e a reduo da oferta de bens de consumo (roupas e produtos 
de limpeza, por exemplo). A economia de Cuba est em crise, mas sua populao usufrui de condies de vida bastante superiores s vigentes nas tradicionais "Repblicas 
das Bananas" centro-americanas.

               -

Atividade 4

          Carta aberta  populao

  Utilizando as informaes contidas neste captulo, elabore uma carta aberta  populao, alertando as pessoas sobre a situao em que vive o povo cubano. Procure 
argumentos favorveis ou contrrios  manuteno do regime socialista no pas. Leia a sua carta aberta para os colegas em sala de aula.

Passando a limpo

1. Na sua opinio, qual das expresses a seguir melhor define a Amrica Central? Justifique a sua escolha.
 a) herana colonial e pobreza;
 b) contrastes sociais e econmicos;
 c) modelo econmico agroexportador;
 d) paraso turstico e pobreza.

2. Cuba apresenta indicadores vitais comparveis aos dos pases ricos da Amrica do Norte e da Europa e muito diferentes do padro da Amrica Central e da Amrica 
do Sul. Analise os dados da tabela abaixo e, considerando o que voc aprendeu neste captulo, explique as razes dessa diferena.

          Indicadores Vitais: pases 
          selecionados (1996)

na tabela a seguir a coluna MI refere-se a Mortalidade infantil `(`); a coluna EV refere-se a Expectativa de vida (anos); e a coluna A refere-se a Alfabetizao 
`(%`)

Pas         MI  EV A
 -         -  - - 
 Cuba - 9,4  79  95,2
 EUA - 7,5  77  99,0
 Haiti - 72,0 57  45,0
 Guatemala :: 51,0 44  55,0
 Peru - 47,0 68  87,0
 Brasil - 58,0 69  82,4
 Frana - 6,1  78  99,0
 Alemanha - 5,5  79  99,0

               -

Nota de rodap

 (1) Recifes de corais - Formaes rochosas, prximas  superfcie da gua do mar, constitudas pelo acmulo de esqueletos de milhes de plipos (seres marinhos 
minsculos).

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Captulo 14

          A Amrica do Sul

  A Amrica do Sul  um continente essencialmente tropical (com exceo de sua extremidade sul), dividido politicamente em vrios pases. Do ponto de vista fsico, 
abrange biomas totalmente diferentes: florestas tropicais e equatoriais, savanas (lhanos, caatingas, cerrados), florestas temperadas em planaltos elevados, situados 
em plena zona equatorial, alm de formaes de tipo estpico (pampas) e desrtico. Veja o mapa (fig. 1).

Figura 1. 

mapa mostrando a Amrica do Sul: Domnios Naturais. A seguir, descrio
 o Florestas temperadas e subtropicais
 o Estepes e pradarias
 o Vegetao mediterrnea
 o Deserto
 o Savanas
 o Floresta tropical e equatorial
 o Vegetao de altitude
  Legenda: a Floresta Amaznica  o ambiente natural de maior extenso na Amrica do Sul.

  A Cordilheira dos Andes  um testemunho dessa diversidade. Estendendo-se no sentido norte-sul, a Cordilheira dos Andes ocupa toda a poro ocidental do continente. 
A oeste dos Andes, a encosta montanhosa e as plancies litorneas esto sob a influncia dos ventos que sopram do Oceano Pacfico. A leste, h duas importantes bacias 
hidrogrficas: a Bacia Amaznica, ao norte, e a Bacia do Prata, ao sul.
  A Bacia Amaznica  drenada por grandes rios, com destaque para o Amazonas (6.280 quilmetros de extenso) e seus numerosos afluentes, cercados pelo verde permanente 
da floresta equatorial. Nas encostas andinas, a floresta cede lugar para a vegetao arbustiva e depois para os campos de altitude. Nas reas mais elevadas da cordilheira 
predomina o ar frio e seco e aparece a vegetao de altitude. Veja a ilustrao (fig. 2).

Figura 2.

foto mostrando vegetao de altitude: na base as pradarias, e subindo, a floresta tropical, mais acima a floresta boreal e campos de altitude, em seguida as rochas, 
e no topo, neves eternas, 4.000 m. A seguir, legenda
  Na vegetao de altitude, as formaes vegetais se sucedem em funo da variao de temperatura e de umidade. O topo das montanhas mais elevadas  coerto permanentemente 
por camadas de gelo.

  A Plancie Platina, por sua vez,  drenada pelo Rio Paran (4.700 quilmetros de extenso), que recebe as guas do Rio Paraguai (2.078 quilmetros) e desemboca 
no esturio do Prata, onde  engrossado pelas guas do Rio Uruguai (1.400 quilmetros), recortando o domnio natural do pampa. A paisagem dominante  a pradaria 
subtropical ou temperada, com relevo suavemente ondulado. Os solos frteis propiciaram a transformao dessas reas em extensos campos de agricultura altamente mecanizada.
  Numa altitude superior a 3 mil metros acima do nvel do mar, entre as encostas interiores da Cordilheira dos Andes, encontram-se os planaltos chamados altiplanos 
andinos. No altiplano est situado o famoso Lago Titicaca (fig. 3), alimentado por vrios riachos formados pelo gelo das montanhas e pelas chuvas de vero.

Figura 3. 

foto mostrando um lago. A seguir, legenda
  Lago Titicaca, na fronteira do Peru com a Bolvia, localizado a 3.800 metros de altitude e com extenso de 8.350 km. Nas margens do lago, por volta de 1300 a 
1000 a.C., nasceu a civilizao tiahuanaca, uma das pioneiras do continente americano. Atualmente, ele  um dos centros de atrao turstica do pas.

  Ao longo de 800 quilmetros ao sul do Lago Titicaca, o altiplano torna-se cada vez mais seco, at a regio de Puna do Atacama. Trata-se da denominao regional 
dos planaltos desrticos localizados nos Andes, mais de 4 mil metros acima das faixas ridas litorneas.

               -

192
Atividade 1

          Comparando a altimetria e a vegetao da Amrica do Sul

  Compare o mapa abaixo (fig. 4) com o mapa de vegetao da figura 1 (pg. 190 no livro em tinta). Escreva no caderno suas concluses.

pea orientao ao professor

Figura 4.

mapa mostrando a Amrica do Sul: Aspectos Fsicos. A seguir, descrio
 o Cordilheira dos Andes
 o Puna de Atacama
 o Planalto Meridional
 o Planalto Atlntico
 o Chapada Diamantina
 o Planalto da Borborema
 o Serra da Ibiapaba

  No litoral ao sul do Peru e norte do Chile, encontra-se o Deserto do Atacama (fig. 5). Assim como o Kalahari, na frica, e as regies desrticas do oeste da Austrlia, 
o Atacama localiza-se nas proximidades de 30 graus de latitude ao sul do Equador `(30S`). Essa faixa da superfcie terrestre recebe a ao dos ventos alsios, corrente 
de ar fria e seca que se desloca retirando toda a umidade que encontra na superfcie. Em vrios pontos do Atacama,  comum a no-ocorrncia de chuvas durante vrios 
anos. Onde as chuvas ocorrem, elas no passam de 250 milmetros anuais.

193
Figura 5. 

foto mostrando parte de um deserto. A seguir, legenda
  Deserto do Atacama, no norte do Chile. L esto localizadas as reservas de cobre do pas.

  Nos costes rochosos do Atacama, milhares de pelicanos amontoam-se em bandos estridentes, atrados pelos cardumes de peixes que se alimentam dos plnctons (1) 
trazidos pelas guas frias da Corrente martima de Humboldt. A concentrao de cardumes favorece a atividade pesqueira nessa faixa costeira do Pacfico. A produo 
do pescado  um dos principais itens de exportao do Chile, do Peru e do Equador.
   nessa regio que se forma o El Nio (leia o quadro 1). Quando o fenmeno ocorre, as correntes martimas frias so deslocadas para longe da Amrica do Sul, e 
com elas os plnctons e peixes. Sem alimento, milhares de aves morrem de fome e exausto, deixando o litoral peruano coberto de carcaas. O El Nio tambm preocupa 
outros pases da regio, pois causa grandes prejuzos  pesca.

Quadro 1

          O fenmeno El Nio

  El Nio (do espanhol, "Menino Jesus") recebeu esse nome porque ocorre em geral na poca do Natal. Trata-se de um processo de aquecimento das guas ocenicas na 
costa do Peru e do Chile com efeitos devastadores: a sia  atingida por secas e as costas desrticas do Atacama so alagadas.
  Os mapas (figuras 6, 7 e 8) mostram os padres de temperatura da gua do mar durante um dos piores El Nio do sculo. Em meados de 1982, pontos quentes se aglomeraram 
na costa do Equador e do Peru (fig. 6). Seis meses mais tarde, em dezembro, um cinturo de gua quente de 11 mil quilmetros de comprimento acumulou-se ao longo 
da linha do Equador (fig. 7). A temperatura superficial do mar subiu mais de 4 graus acima do normal, e as tempestades do El Nio golpearam a Amrica do Sul. Em 
meados de 1983 (fig. 8), as condies j estavam quase normalizadas.

Figura 6.

mapa mostrando o Incio do El Nio: Primavera de 1982

194
Figura 7.

mapa mostrando o Auge do El Nio: Dezembro de 1982

Figura 8.

mapa mostrando o Declnio do El Nio: Primavera de 1983

 fim do quadro

As marcas da colonizao

  Inmeros povos viveram na Amrica do Sul antes da chegada dos europeus. Observe o mapa (fig. 9).

Figura 9.

          Amrica do Sul: povos amerndios (at sc. XV)

mapa mostrando o limite do Imprio Inca. A seguir, legenda
  Antes da chegada dos europeus, a amrica do Sul era ocupada por muitos povos diferentes.

  
  Entre 1200 e 1400 floresceu o Imprio Inca, que estendeu seu poder a uma vasta rea. Antes disso, a regio ao longo da Cordilheira dos Andes era ocupada por mais 
de cem povos diferentes, alguns agrupados em reinos.
  A produo agrcola sustentava a economia inca. O milho, o feijo e a batata eram os principais cultivos, e sua distribuio dependia das condies naturais dos 
diversos ambientes que integravam o imprio. Nas minas, eram extrados o ouro, a prata, o estanho e o cobre, utilizados na confeco de utenslios, ornamentos e 
esculturas.
  Os incas no conheciam a roda, o ferro, a plvora para o canho ou os animais domsticos, com exceo da lhama, da qual retiravam a l para a confeco de excelentes 
tecidos.
195
  Cerca de cem anos antes da chegada dos espanhis, os incas atingiram a unidade cultural, poltica e religiosa em seu territrio. Inmeras cidades, como Cuzco (a 
capital do imprio), Quito e Machu Picchu, j testemunhavam a habilidade dos incas na construo com pedras (fig. 10).

Figura 10.

foto mostrando construes feitas de pedras. A seguir, legenda
  As edificaes de Machu Picchu, construdas com blocos de pedra, chamaram a ateno de Hiram Bingham, pesquisador norte-americano que as conheceu em 1911, aps 
atravessar um difcil caminho entre as montanhas andinas. Atualmente, a cidade  um dos principais plos tursticos do Peru, e centenas de pessoas percorrem diariamente 
seus mais de 3 mil degraus.

  No incio do sculo XVI, o Imprio Inca, em seu auge, estendia-se por quase 1 milho de km, ocupando a rea que atualmente corresponde ao sul da Colmbia, ao 
norte do Chile,  Argentina, ao Equador, ao Peru e  Bolvia. Veja, 
(no livro em tinta), o mapa da figura 11.

Figura 11. 

mapa mostrando o Imprio Inca (Sc. XVI). A seguir, descrio
 o rea ocupada pelo Imprio Inca
 o Cidades incas: Cajamarca, Chanchn, Cuzco, Pucara, Pchamarca, Ica, Nazca, Tiahuanaco, Chavin
 o Cidades atuais: Santiago, Tucuman, La Paz, Lima, Quito
 o Fronteiras dos pases atuais
 o Pases atuais: Argentina, Bolvia, Brasil, Chile, Colmbia, Equador, Paraguai, Peru
  Legenda: o Imprio Inca foi a maior civilizao pr-colombiana (anterior  chegada de Cristvo Colombo) da Amrica do Sul.

  O capito-geral espanhol Francisco Pizarro sabia da existncia dos incas desde 1524.  procura de ouro e prata para o rei da Espanha, ele realizou algumas expedies 
pelo imprio andino a partir de bases espanholas no Panam.
  Em 1532, Pizarro fez sua expedio vitoriosa. Chegou a Cuzco com menos de 350 soldados e dominou facilmente o exrcito incaico com mais de 30 mil membros. Tomou 
o rei Ataualpa como refm, exigindo um valioso resgate para libert-lo. Apesar de os sditos de Ataualpa enviarem enormes quantidades de ouro e prata, o imperador 
foi morto. Comeava nos Andes o maior empreendimento espanhol na Amrica.
  A descoberta das minas de prata de Potos, na Bolvia, em 1545, aumentou a explorao de metais preciosos pelos espanhis. Leia o quadro 2. Eles chegaram a extrair 
300 toneladas anuais de prata, uma quantidade fabulosa em comparao  produo europia da poca (cerca de 60 toneladas). Isso acirrou ainda mais a cobia dos europeus 
pelas novas terras. Calcula-se que, entre incas, quchuas e outros povos, viviam cerca de 30 milhes de habitantes na regio andina. Um sculo e meio depois, estavam 
reduzidos a menos de 4 milhes.

Quadro 2

          Esplendores de Potos: o ciclo da prata

  Dizem que at as ferraduras dos cavalos eram de prata, no auge da cidade de Potos. De prata eram os altares das igrejas e as asas dos querubins nas procisses: 
em 1658, para a celebrao de Corpus Christi, as ruas da cidade foram desempedradas, da matriz at a igreja de Recoletos, e totalmente cobertas com barras de prata. 
Em Potos a prata levantou templos e palcios, mosteiros e cassinos, foi motivo de tragdia e de festa, derramou sangue e vinho, incendiou a cobia e gerou desperdcio 
e aventura. [...] Convertidas em bolas e lingotes, as vsceras da rica montanha alimentaram substancialmente o desenvolvimento da Europa. [...] Veia jugular do vice-reinado, 
manancial da prata da Amrica, Potos contava com 120 mil habitantes, segundo o censo de 1573. S vinte anos havia transcorrido desde que a cidade brotara entre 
os pramos andinos, e j tinha a mesma populao que Londres e mais habitantes do que Sevilha, Madri, Roma ou Paris. Por volta de 1650, um novo censo dava a Potos 
160 mil habitantes. Era uma das maiores e mais ricas cidades do mundo [...] (E. Galeano, As veias abertas da Amrica Latina, p. 32.)
 fim do quadro
 
               -

Atividade 2

          Cartas de viajantes

  Procure imaginar-se como um viajante europeu percorrendo a Amrica do Sul no sculo XVI. Para isso, escolha um dos trajetos realizados pelos exploradores, conforme 
o mapa abaixo. Escreva uma carta para o seu rei, contando tudo o que viu.

Figura 12.

          Principais expedies na Amrica do Sul (1515-1580)

mapa mostrando os trajetos das expedies realizadas pelos exploradores

pea orientao ao professor

Dos vice-reinos  fragmentao territorial

  A enorme extenso territorial da Amrica espanhola determinou sua diviso administrativa em vice-reinos e capitanias gerais. Em fins do sculo XVIII fixou-se a 
organizao definitiva.
  Como nos vice-reinos espanhis havia uma forte centralizao administrativa, as colnias ficavam extremamente dependentes de Madri, que cobrava altos impostos. 
Isso gerou grande insatisfao, levando os brancos nativos, chamados criollos, a se identificarem cada vez menos com os ideais da Coroa espanhola.
  Foram essas elites locais que organizaram a independncia da Amrica espanhola, entre 1810 e 1824. Simn Bolvar, pelo norte, e Jos de San Martn, ao sul, lideraram 
as foras militares mais importantes, derrubando pouco a pouco o poder espanhol na Amrica. A independncia do Chile, por exemplo,
198
foi declarada em 1810 com a formao de um governo provisrio em Santiago, sob o comando de Bernardo O'Higgins. Em 1814, os espanhis retomaram o pas e O'Higgins 
s conseguiu escapar da priso e retornar ao poder com a ajuda militar de San Martn. Em 1818, com a independncia declarada e consolidada, O'Higgins tornou-se o 
primeiro presidente do Chile.
  Quando Simn Bolvar e Jos de San Martn se encontraram em Guayaquil, no ento vice-reino de Nova Granada, hoje Equador, em 1822, havia uma proposta de se formar 
uma nica nao. Mas acabaram prevalecendo os interesses polticos das elites locais. A configurao das novas naes praticamente obedeceu ao recorte poltico-administrativo 
das capitanias gerais e dos vice-reinos espanhis. Os mapas da figura 13 demonstram a influncia da herana colonial na fragmentao territorial da Amrica espanhola.

Figura 13. 

mapa mostrando a Amrica Espanhola: Final do Sc. XVIII. A seguir, descrio
 o Vice-Reinado do (a): Nova Espanha, Nova Granada, Peru, Rio da Prata
 o Capitania Geral do (a): Guatemala, Cuba, Venezuela, Chile

mapa mostrando a Fragmentao Territorial da Amrica Espanhola
 o Vice-Reinado: Parte leste do EUA, Mxico, Costa Rica, Panam, Colmbia, Equador, Peru, Bolvia, Paraguai, Uruguai, Argentina
 o Capitania Geral: Belize, Honduras, Nicaragua, El Salvador, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa (FRA), Chile, Cuba, Haiti, Rep. Dominicana
 o limites polticos atuais 
  Legenda: O vice-reino de Nova Granada resultou nos atuais Panam, Colmbia e Equador. O vice-reino do Rio da Prata deu origem a Argentina, Uruguai, Paraguai e 
Bolvia. O vice-reino do Peru corresponde praticamente ao Peru atual. O mesmo ocorreu com as capitanias gerais da Venezuela e do Chile.

               -

Atividade 3

          Identificando as marcas da 
          colonizao

  Faa uma pesquisa a respeito das marcas deixadas pela colonizao na Amrica do Sul. Para isso, escolha um dos temas abaixo.
  - Herana da cultura inca (arquitetura, arte, religio)
  - Cidades fundadas pelos espanhis
  - Prticas agrcolas
  Organize com seus colegas um mural com o material obtido.

199

Uma viso de conjunto: desenvolvimento econmico e qualidade de vida

  A Amrica do Sul  formada por doze pases (Argentina, Bolvia, Brasil, Chile, Colmbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela), alm 
de dois territrios sob controle europeu (a Guiana Francesa (Frana) e as Ilhas Falkland (Reino Unido). Veja o mapa (fig. 14).

Figura 14. 

mapa mostrando a Amrica do Sul: Diviso Poltica. A seguir, descrio
 Argentina - Buenos Aires, Bolvia - La Paz, Brasil - Braslia, Chile - Santiago, Colmbia - Bogot, Equador - Quito, Guiana - 
  Georgetown, Guiana Francesa (FRA), Paraguai - Assuno, Peru - Lima, Suriname - Paramaribo, Uruguai - Montevidu, Venezuela - Caracas
  Legenda: o Brasil  o maior pas em extenso territorial da Amrica do Sul, seguido da Argentina, do Peru e da Bolvia.

  Com exceo de Brasil, Argentina, Chile e Venezuela, trata-se de um conjunto de pases pouco industrializados e dependentes da exportao de produtos agrcolas 
(caf, cacau, cana-de-acar, banana, algodo, tabaco etc.). Na pauta de exportaes tambm so importantes vrios produtos obtidos da atividade extrativa, como 
madeira, pescado, petrleo, ferro, cobre, estanho e bauxita. Na produo de carne e couro, destacam-se a Argentina e o Paraguai.
200
  As maiores aglomeraes urbanas localizam-se no Brasil (So Paulo e Rio de Janeiro), na Argentina (Buenos Aires), no Chile (Santiago), no Peru (Lima) e na Venezuela 
(Caracas). J Paraguai, Bolvia, Peru, Equador e Guiana apresentam numerosa populao rural. As precrias condies de vida dessa populao, que no tem acesso a 
educao, sade e saneamento bsico, colocam esses pases pouco urbanizados entre os que registram os menores ndices de desenvolvimento humano, conforme dados da 
ONU. Veja o mapa (fig. 15). So deles as maiores taxas de analfabetismo e de mortalidade infantil.

Figura 15. 

mapa mostrando a Amrica do Sul: ndice de desenvolvimento Humano (1995). A seguir, descrio
 o De 0,805 a 0,960 (alto): Argentina, Brasil, Chile, Colmbia, Uruguai, Venezuela
 o De 0,500 a 0,800 (mdio): Bolvia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname
 o De 0,185 a 0,494 (baixo)
 o Sem dados: Guiana Francesa
  Legenda: Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela e Colmbia apresentam os ndices de desenvolvimento humano mais elevados da Amrica do Sul.

  Na Amrica do Sul, podemos distinguir quatro grandes conjuntos de pases, com exceo do Brasil, que se diferenciam por suas caractersticas ambientais, socioeconmicas 
e importncia poltica: os pases andinos, os pases do Cone Sul, a Venezuela e as Guianas.

201
Amrica Andina

  Colmbia, Bolvia, Equador e Peru so os pases da chamada Amrica Andina. Grande concentrao de terras nas mos de elites locais e economia baseada na exportao 
de produtos primrios ainda continuam sendo os traos fundamentais desses pases. Em sua maioria, so compostos de populao mestia e de comunidades indgenas, 
que mantm tradies culturais de seus ancestrais do Imprio Inca (alimentao, vesturio e prticas agrcolas, por exemplo).
  Na Colmbia, o principal produto de exportao  o caf, setor em que ocupa a segunda posio mundial, s ficando atrs do Brasil. O caf colombiano vem ganhando 
cada vez mais espao no mercado internacional. Outro produto importante da pauta de exportaes da Colmbia  o petrleo.
  Uma grande parte da economia colombiana sustenta-se em uma atividade ilegal: a produo de drogas, em especial a cocana, que so vendidas para pases muito distantes. 
A planta de coca  cultivada por camponeses em vastas reas do territrio colombiano, sendo suas folhas preparadas para a produo da cocana em laboratrios localizados 
no prprio pas ou nos pases vizinhos, como o Brasil.
  Os narcotraficantes, como so chamados os vendedores e produtores de drogas como a cocana e a maconha, ganham muito dinheiro com essa atividade. Como ela  ilegal, 
todo o dinheiro em circulao no mercado de drogas no paga impostos, indo parar nas mos de grupos poderosos, que criam verdadeiros exrcitos para defender seus 
interesses e formam at redes internacionais. Lamentavelmente o Brasil est na rota do trfico de drogas. Aeroportos escondidos na Floresta Amaznica recebem a mercadoria 
pronta para consumo. Dali, as drogas so vendidas para outros pases ou consumidas nos grandes centros urbanos brasileiros.
  Esse tambm  o drama da Bolvia, onde o cultivo da coca continua sendo essencial para a economia, apesar da campanha intensiva do governo, com apoio internacional, 
para erradicao da droga. Entre outras medidas, tem-se buscado recuperar o nmero de empregos da Comibol (empresa pblica mineira), visando reforar a principal 
atividade econmica boliviana: a indstria extrativa (fig. 16).

Figura 16.

foto mostrando dois homens empurrando um carrinho em uma mina
  Trabalhadores em mina de estanho na Bolvia, em abril de 1992.

  A Bolvia  um dos principais produtores mundiais de estanho, sendo tambm exportador de zinco e prata.
201
Possui uma promissora produo de gs natural, que , em parte, escoada por gasodutos para o Brasil, a Argentina e o Chile.
  O Equador  o primeiro exportador mundial de banana e o quarto produtor de camaro (fig. 17). A atividade agrcola emprega 35% da populao economicamente ativa 
(PEA). Como o preo dos produtos agrcolas e do pescado flutuam muito no mercado internacional, a economia do pas  bastante vulnervel. A explorao de petrleo 
na Bacia Amaznica tem sido a principal responsvel pela modernizao da economia equatoriana. Atualmente, j representa mais de 40% dos recursos pblicos e est 
impulsionando o desenvolvimento da indstria petroqumica no pas.

Figura 17.

foto mostrando pessoas trabalhando com camares. A seguir, legenda
  Indstria de beneficiamento de camares no Equador. A mo-de-obra feminina  bastante empregada nessa atividade.

  Contudo isso preocupa os pases vizinhos, uma vez que a expanso da atividade petrolfera tem envolvido o aumento do desmatamento da Floresta Amaznica. Na dcada 
de 1990, o Equador derrubou mais de 10% das florestas existentes em seu territrio.
  As bacias petrolferas do Peru tambm se localizam na Floresta Amaznica. Porm, como a explorao do petrleo  recente, o produto no figura entre os principais 
itens de exportao do pas.
  O Peru est entre os cinco maiores produtores mundiais de estanho e chumbo. Tambm  exportador de pescado e caf. Ultimamente o pas vem estreitando seus laos 
econmicos com a sia, tendo recebido investimentos da China e do Japo.
  O quadro social do pas  dramtico. De cada trs peruanos, dois vivem abaixo do limite de pobreza absoluta. Mais de 70% da populao economicamente ativa vive 
de atividades informais (subemprego), sem a garantia de quaisquer direitos trabalhistas, como assistncia mdica, frias e jornada de trabalho de 8 horas dirias. 
Na foto da figura 18, voc pode perceber as precrias condies de vida na periferia de Lima, a capital do pas.

Figura 18. 

foto mostrando pequenas casas no morro. A seguir, legenda
  Periferia de Lima, no Peru. Assim como acontece na maior parte das metrpoles latino-americanas, boa parte da populao de Lima vive em moradias precrias.

203
Os pases do Cone Sul

  Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile formam o chamado Cone Sul. O Cone Sul est prximo da Antrtida e na rota de passagem entre os oceanos Atlntico e Pacfico. 
Graas a essa posio geogrfica, possui grande importncia estratgica, despertando o interesse das potncias militares mundiais. Entre as dcadas de 1960 e 1980, 
os pases do Cone Sul foram submetidos a sangrentos regimes militares, com o apoio dos Estados Unidos.
  O exemplo mais dramtico de golpe militar e regime ditatorial ocorreu no Chile entre 1973 e 1990. Durante esse perodo, o pas viveu sob o rgido controle do general 
Augusto Pinochet, que teve o auxlio dos rgos de inteligncia e espionagem das Foras Armadas dos Estados Unidos para combater seus opositores. 
 Pinochet destituiu o governo civil do presidente Salvador Allende (fig. 19), prendeu milhares de pessoas e expulsou do pas muitas outras. Alm disso, patrocinou 
atentados terroristas na Europa e nos Estados Unidos para eliminar autoridades do governo Allende que haviam fugido do pas aps o golpe militar.

Figura 19. 

foto mostrando um palcio, em volta dele muita fumaa e poeira. A seguir, legenda
  Palcio de La Moneda, sede do governo do Chile, sendo bombardeado durante o golpe militar, em 1973.

  A Argentina esteve sob regime militar em dois perodos: de 1966 a 1972 e de 1976 e 1983. No ltimo perodo, os argentinos sofreram dura represso s liberdades 
democrticas e muitas pessoas foram presas, exiladas ou assassinadas. Essa violncia deu incio ao movimento das Mes da Praa de Maio (fig. 20), que teve repercusso 
internacional. Mes de mortos e desaparecidos nos anos de ditadura militar reuniam-se s quintas-feiras na Plaza de Mayo, em frente  Casa Rosada (sede do governo 
argentino), exigindo providncias na apurao da morte de seus filhos. Essa iniciativa chamou a ateno do mundo para o que estava acontecendo na Argentina, cujo 
governo passou a ser pressionado por autoridades de outros pases pela recuperao das liberdades democrticas e respeito aos direitos humanos.

Figura 20. 

foto mostrando muitas mulheres em uma praa. A seguir, legenda
  Mes na Plaza de Mayo, em Buenos Aires. Elas querem que o governo reconhea que seus filhos foram mortos pela represso poltica.

  O Uruguai e o Paraguai tambm viveram sob regime militar. O Paraguai esteve sob o comando do general Alfredo Stroessner de 1954 a 1989. No Uruguai, a ditadura 
durou de 1976 a 1984.
204
  O processo de democratizao desses pases trouxe reflexos nas relaes diplomticas e no desenvolvimento econmico regional. A Argentina, o Brasil, o Paraguai 
e o Uruguai formaram um bloco de integrao econmica, o Mercosul. Graas a essa iniciativa, os pases do Cone Sul vm intensificando suas relaes econmicas e 
intercmbio cientfico e tecnolgico, diminuindo a histrica rivalidade poltica e militar existente entre eles. Veja a foto (fig. 21).

Figura 21. 

foto mostrando quatro homens de p, um ao lado do outro. A seguir, legenda
  Presidentes Juan Carlos 
  Wasmosy (Paraguai), Carlos Menem (Argentina), Julio Sanguinetti (Uruguai) e Fernando Henrique Cardoso (Brasil), em reunio dos presidentes dos pases do Mercosul, 
em Montevidu (Uruguai), em 15 de dezembro de 1997. O sucesso dessa iniciativa atraiu a ateno do Chile e da Bolvia, que assinaram acordos que os beneficiam no 
comrcio de mercadorias com o Mercosul.

  O Chile tem demonstrado interesse em participar do Mercosul e envia observadores para os encontros de negociao do bloco. Ao mesmo tempo, procura intensificar 
suas relaes comerciais com a regio do Pacfico, em particular com o Japo e os pases do sudeste asitico, visando diversificar seus parceiros comerciais e diminuir 
o grau de dependncia em relao  economia norte-americana. Veja na figura 22 o mapa da organizao econmica dos pases do Cone Sul.

Figura 22. 

mapa mostrando o Cone-Sul: Uso da Terra. A seguir, descrio
 o Fruticultura e policultura
 o Agricultura comercial de produtos tropicais
 o Agricultura e criao de gado
 o Agricultura de cereais e criao intensiva de gado
 o Agricultura primitiva de subsistncia
 o Criao extensiva de gado
 o Criao nmade de gado
 o Extrativismo vegetal
 o Deserto
 o Principais regies industriais
  Legenda: a Argentina  o pas mais industrializado do Cone Sul. A Grande Buenos Aires concentra a maior parte das indstrias do pas, seguida de Crdoba.

  A Argentina  o segundo maior pas da Amrica do Sul em dimenso territorial, ficando atrs apenas do Brasil. Sua populao distribui-se de maneira bastante irregular: 
Buenos Aires, principal cidade e capital do pas, concentra cerca de um tero da populao total.
  A produo agropecuria  fundamental para a economia do pas. A carne, de qualidade reconhecida no exterior, constitui um item importante na pauta de exportaes 
da Argentina. O Pampa, que  a principal regio agrcola, abriga grandes e modernas propriedades agropecurias, baseadas no uso intensivo de maquinrios e insumos 
agrcolas (fertilizantes, agrotxicos).
  O Chile tem 80% de suas terras em reas montanhosas, geladas ou desrticas.  formado por uma estreita faixa de terra no sentido norte-sul. As reas de extrao 
de minrios (fig. 23) concentram-se no norte do pas e as principais reas agrcolas esto prximas da capital.

Figura 23. 

foto mostrando uma rea de extrao de minrio. A seguir, legenda
  Explorao de cobre, no Chile. O cobre  um dos principais produtos de exportao do pas.

206
  Ainda no governo Pinochet, o Chile iniciou o processo de privatizao das atividades que estavam sob controle do Estado, com exceo do cobre, seu principal produto 
de exportao. Ao mesmo tempo, abriu suas portas para o mercado mundial. A concorrncia dos produtos importados gerou a falncia de muitas empresas chilenas, resultando 
em uma dramtica onda de desemprego.
  Entretanto o pas iniciou um perodo de grande crescimento econmico. Na dcada de 1990, o Chile cresceu, em mdia, 7% ao ano e se transformou em grande exportador 
de frutas (pras, mas, pssegos, nectarinas, uvas, meles), de papel e celulose e de pescados. O cobre, que representava mais de 80% da pauta de exportaes no 
comeo da dcada de 1970, atualmente no passa de 35%.
  O Uruguai tem na pecuria sua tradicional atividade econmica. A insero da carne uruguaia de alta qualidade no exigente mercado europeu garantiu ao pas um perodo 
de grande desenvolvimento. Isso se manteve at a dcada de 1960, poca em que foi chamado de "a Sua da Amrica do Sul" e a populao da capital - Montevidu (fig. 
24) - possua um bom nvel de vida. Outros itens importantes na pauta de exportaes so a l e o pescado.

Figura 24. 

foto mostrando parte de uma cidade com muitos prdios e uma praa. A seguir, legenda
  Montevidu, no Uruguai, fica na margem leste do Rio da Prata, a 180 quilmetros do mar. Na cidade concentram-se sedes de empresas locais e estrangeiras, alm de 
indstrias e universidades. Cerca de metade da populao do Uruguai vive em Montevidu, gerando um fenmeno conhecido como macrocefalia urbana.

  A atividade agrcola do Uruguai est bastante integrada  indstria.  o que se verifica no cultivo de uva para a produo de vinho, de cevada para a produo 
de cerveja e na produo de l para a indstria txtil. A produo de arroz e de milho tambm  significativa.
  O Paraguai  o pas do Cone Sul de menor importncia econmica. A agricultura ocupa 43% da populao economicamente ativa, principalmente na produo de algodo 
e tabaco. Na pauta de exportaes paraguaia destacam-se o mate e o tanino (atividade extrativa), alm da carne bovina (pecuria extensiva). A pequena produo industrial 
est fortemente associada ao processamento de produtos agrcolas, como  o caso do leo extrado do algodo ou da indstria txtil.

207
A Venezuela e as Guianas

  A Venezuela  um pas de posio geogrfica privilegiada: possui uma parte de seu territrio nos Andes e outra na Amaznia, alm de contar com uma grande faixa 
costeira, voltada para o Mar das Antilhas, rea bastante produtiva para a atividade pesqueira. Veja na figura 25 a organizao espacial da economia venezuelana.

Figura 25. 

mapa mostrando a Venezuela: Uso da Terra. A seguir, descrio
 o Culturas tropicais
 o Pecuria extensiva
 o Regies industriais
 o Planaltos e serras
 o Petrleo
 o Minrios
  Legenda: Caracas, a capital do pas,  o principal centro industrial da Venezuela. O Lago de Maracaibo  a mais importante rea de extrao de petrleo e de concentrao 
de indstrias petroqumicas.

  As reservas de petrleo da Venezuela (fig. 26) atraram mais de vinte companhias petrolferas de todo o mundo. Essas empresas atuaram livremente at 1946, quando 
o governo venezuelano criou um imposto que as obrigava a deixar no pas parte do dinheiro obtido com a extrao do petrleo. Anos mais tarde, em 1960, foi criada 
a Companhia Venezuelana de Petrleo, que, inspirada na Petrobrs, tinha a misso de explorar petrleo no pas. Ela transformou-se numa das maiores companhias petrolferas 
do mundo. Junto com o petrleo vieram as indstrias qumicas, localizadas principalmente em torno de Mrida e Maracaibo, principais plos de desenvolvimento industrial 
da Venezuela.

Figura 26.

foto mostrando maquinas e uma pequena rea verde. A seguir, legenda
  Explorao de petrleo em Maracaibo, na Venezuela. Esse  um dos principais plos de explorao de petrleo do pas, que integra a Organizao dos Pases Exportadores 
de Petrleo (Opep).

208
  A Guiana e o Suriname surgiram da colonizao europia no sculo XVII: a Guiana foi colonizada pelos ingleses e o Suriname, pelos holandeses.
  A Guiana tornou-se independente em 1966, quando passou a integrar a Comunidade Britnica. O Suriname transformou-se em membro autnomo do Reino da Holanda em 1954, 
e tornou-se um pas independente em 1975.
  Desde sua origem, a economia desses pases baseou-se na extrao de produtos da Floresta Amaznica e, posteriormente, na extrao da bauxita. A agricultura de 
plantation  outra herana do perodo colonial. Na Guiana, os produtos agrcolas mais importantes so o acar e o algodo. No Suriname, alm do acar, a agricultura 
monocultora  responsvel pela produo de caf, banana e cacau.
  A Guiana Francesa  um departamento ultramarino da Frana. Sua economia tambm depende da extrao de produtos da Floresta 

Amaznica, alm da atividade pesqueira. Atualmente, o camaro  o seu principal produto de exportao.

               -

Atividade 4

          Comparando as balanas comerciais dos pases da Amrica do Sul

  A balana comercial de um pas  composta pela pauta dos produtos exportados e importados. Quando o pas ganha mais com as exportaes do que gasta nas importaes, 
a balana comercial  favorvel e tem-se um supervit. Quando o pas gasta mais com as importaes do que ganha nas exportaes, a balana comercial  desfavorvel 
e tem-se um dficit.
  Considerando o que voc estudou neste captulo sobre a economia da Amrica do Sul, compare os grficos (figuras 27 a 31), procurando explicar as diferenas entre 
as balanas comerciais desses pases.

Figura 27.

          Paraguai: balana comercial (1986-1994)

grfico demonstrativo das importaes, exportaes, dficit e supervit em milhes de dlares

Figuras 28 a 31.

quatro grficos demonstrativos das importaes, exportaes, dficit e supervit em milhes de dlares. Os grficos referem-se respectivamente ao Chi-

  le, Argentina, Peru e Venezuela, no perodo de 1986 a 1995

pea orientao ao professor

210
Passando a limpo

  Considerando o que voc aprendeu neste captulo, elabore dez frases que resumam as caractersticas dos diversos pases da Amrica do Sul. Troque suas frases com 
as de seus colegas, organizando, em grupo, um roteiro para um jogral. No se esquea de indicar no roteiro quais frases devem ser lidas por todos e quais sero lidas 
individualmente. Exercitem a leitura em conjunto. Apresentem para o professor o jogral sobre a Amrica do Sul.

211

          Bibliografia citada

 - A
 Almanaque Abril 1999. So Paulo, Abril.
 Atlas da histria do mundo. So Paulo, Times/Folha de S. Paulo, 1995.
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Fim da Obra

 Programa Nacional do Livro 
  Didtico - PNLD 2002
 FNDE/MEC
 Cdigo: 5021-2 L

 HINO NACIONAL

 Letra: Joaquim Osrio Duque 
  Estrada 
 Msica: Francisco Manoel da 
  Silva

 Ouviram do Ipiranga as margens 
  plcidas 
 De um povo herico o brado re-
  tumbante,
 E o sol da Liberdade, em raios 
  flgidos,
 Brilhou no cu da Ptria nesse 
  instante.

 Se o penhor dessa igualdade 
 Conseguimos conquistar com brao 
  forte,
 Em teu seio,  Liberdade,
 Desafia o nosso peito a prpria 
  morte!

  Ptria amada, 
 Idolatrada,
 Salve! Salve!

 Brasil, um sonho intenso, um 
  raio vvido
 De amor e de esperana  terra 
  desce,
 Se em teu formoso cu, risonho 
  e lmpido,
 A imagem do Cruzeiro resplande-
  ce.
 
 Gigante pela prpria natureza, 
 s belo, s forte, impvido co-
  losso,
 E o teu futuro espelha essa 
  grandeza.

 Terra adorada,
 Entre outras mil,
 s tu, Brasil, 
  Ptria amada!

 Dos filhos deste solo s me 
  gentil, 
 Ptria amada,
 Brasil! 

 Deitado eternamente em bero 
  esplndido,
 Ao som do mar e  luz do cu 
  profundo,
 Fulguras,  Brasil, floro da 
  Amrica,
 Iluminado ao sol do Novo 
  Mundo!

 Do que a terra mais garrida
 Teus risonhos, lindos campos tm 
  mais flores;
 "Nossos bosques tm mais vida",
 "Nossa vida" no teu seio "mais 
  amores".

  Ptria amada,
 Idolatrada,
 Salve! Salve!

 Brasil, de amor eterno seja sm-
  bolo
 O lbaro que ostentas estrelado,
 E diga o verde-louro desta fl-
  mula
 - Paz no futuro e glria no pas-
  sado.
 
 Mas, se ergues da justia a clava 
  forte,
 Vers que um filho teu no foge  
  luta,
 Nem teme, quem te adora, a pr-
  pria morte.

 Terra adorada,
 Entre outras mil,
 s tu, Brasil,
  Ptria amada!
 
 Dos filhos deste solo s me 
  gentil, 
 Ptria amada,
 Brasil!
